segunda-feira, 30 de agosto de 2010

HISTORIA DA TEOLOGIA CRISTÃ



História da Teologia Cristã
(Resenha do Livro)
por Franklin Ferreira
FICHA TÉCNICA DO LIVRO:
História da Teologia Cristã
Autor: Roger Olson
Editora: Vida (São Paulo)
Páginas: 668 p. Ano: 2000
Traduzido por Gordon Chown, do original inglês The story of Christian theology (Downers Grove: Inter Varsity Press, 1999).

Neste volume, Roger Olson oferece uma introdução à teologia histórica que leva a sério as necessidades do leitor, de ter um texto acessível e interessante, sem sacrificar a profundidede de seu assunto. Olson ensinou na Faculdade e Seminário Bethel, em St. Paul, Minnesota, por mais de 15 anos, inclusive ministrando um curso no qual este livro foi baseado. Ele também é autor de vários trabalhos populares e acadêmicos, servindo desde 1998 como editor da Christian Scholar's Review. Ele assumiu recentemente a posição de professor de teologia no Seminário Teológico Truett, da Universidade Baylor. Ele também é membro da Baptist General Conference, uma convenção batista de origem sueca nos Estados Unidos. Também é co-autor, com Stanley Grenz, de 20th Century Theology: God and the World in a Transitional Age (publicado pela Inter Varsity), que já está em fase de revisão e será publicado em português pela Cultura Cristã.
A História de Teologia Cristã é marcada por duas características significantes que a distinguem da maioria dos outros trabalhos de seu tipo. O primeiro é a audiência que ele quer alcançar. No início, Olson oferece sua razão para escrever este livro, observando que enquanto muitos trabalhos em teologia histórica estão disponíveis, poucos tem sido escritos para alcançar aqueles com pouco ou nenhuma formação teológica ou histórica. Ele buscou tapar este buraco na literatura escrevendo principalmente para "leigos e estudantes cristãos, sem qualquer noção teológica, e também para pastores cristãos interessados numa 'recapitulação' da teologia histórica" (p. 14). O autor não faz nenhuma reivindicação de originalidade; ao contrário, busca fazer uma contribuição a este campo específico provendo um "panorama modesto dos pontos de especial interesse na teologia histórica cristã, para leitores que talvez não tenham o menor conhecimento ou noção dessa história fascinante" (p. 15). Para este fim, Olson preparou um texto de fácil assimilação, com quase nenhuma menção de termos técnicos e com explicações claras de terminologia citada, onde seu uso é requerido. Além disso, Olson claramente prepara o contexto no qual foram desenvolvidas as idéias que ele discute e explica a importância delas para vida cristã e fé.
Uma segunda característica significante de seu trabalho é seu emprego da história ou narrativa. Olson explica que enquanto a "história" é percebida freqüentemente como pouco mais que uma recitação enfadonha de datas e fatos, a narração de uma história extrai uma resposta mais positiva e evoca a atenção de leitores modernos. Ainda, como Olson aponta, a história consiste em grande parte na recontagem de histórias sobre as pessoas, eventos e idéias que amoldaram o passado e que continua, para melhor ou para pior, a influenciar o presente. A história de teologia não é nenhuma exceção a esta regra. Então, Olson conclui que "pode, e deve, ser contada como uma história" e este livro "é fruto do esforço de contar bem essa história e de tratar com imparcialidade cada uma das suas tramas secundárias" (p. 13).
Para organizar as muitos histórias numa história de teologia, e para lher dar coerência "em uma única e grande narrativa do desenvolvimento do pensamento cristão", Olson busca focar o "interesse que todos os teólogos cristãos (profissionais e leigos) têm pela salvação: o gesto redentor de Deus de transformar e perdoar pecadores" (p. 13). Ainda que sabendo que outros assuntos e doutrinas assumam o centro em pontos particulares na história de teologia, Olson sugere que a preocupação primordial da Igreja foi entender e explicar corretamente a redenção, e esta nunca esteja distante de outras discussões e parece estar por trás da maioria das outras questões. Ele, então, estruturou sua narrativa ao redor da indagação teológica da Igreja para compreender a atividade redentiva de Deus ao perdoar e trans-formar seres humanos pecadores.
Trabalhando com estas características em mente, de forma convincente Olson consegue arrumar um grande esboço da história da teologia. Seu tratamento dos desenvolvimentos principais geralmente é completo, equilibrado e proporcional. Ele é judicioso em sua avaliação dos numerosos personagens e no desenvolvimentos do enredo, mostrando uma consciência das diversas posições contraditórias dos vários historiadores eclesiásticos, sem permitir que tal disputa se imponha em sua narrativa. Ele resiste à tentação de se desviar e se preocupar com as várias narrativas paralelas que poderiam conduzí-lo para longe da história principal que ele quer contar. A proporcionalidade do livro é apropriada, com aproximadamente a metade de suas páginas dedicadas aos primeiros mil anos da história da igreja, sobrando um terço para os desenvolvimentos da reforma até o presente.
O tratamento de Olson dos primeiros mil anos da história da Igreja, até o Grande Cisma, é particularmente forte. Ele cobre de forma significativa as principais figuras, controvérsias e concílios deste período e ilumina de forma muito útil os diferentes temperamentos culturais de pensadores orientais e ocidentais, conectando-os com as tensões teológicas contínuas entre leste e oeste que eventualmente culminaram no Grande Cisma.
A pesquisa de Olson do período medieval é a seção mais desapontando do livro, devido a sua cobertura truncada deste período fascinante de renovação teológica. Esta seção inclui só três capítulos (quando todas as outras partes têm quatro cada) e dedica quase toda sua atenção no escolasticismo, ignorando totalmente a tradição mística. Também, os desenvolvimentos do escolasticismo durante o período medieval, tão críticos para uma compreensão da Reforma, é simplesmente ignorado, com a exceção de William de Ockham. E quanto ao humanismo renascentista, o movimento intelectual mais importante antes e durante a Reforma, recebe pouca atenção, sendo que num capítulo longo, só sete páginas são dedicadas a este movimento, toda centradas em Erasmo de Rotterdã. Claro que em um já trabalho longo e introdutório como este um autor não pode abordar todos os assuntos. Porém, a inclusão de material sobre Duns Scotus e Bonaventura (teólogo místico franciscano), Gabriel Biel (teólogo alemão da mais recente escola medieval, conhecida por via moderna), e talvez Jan Hus, junto com um capítulo com mais menções à teologia dos humanistas, teria fortalecido esta seção do livro consideravelmente.
Como seria esperado, na seqüência Olson discute a Reforma, considerando as figuras-chave das principais tradições cristãs: luteranos (Lutero), reformados (Zuínglio e Calvino), ana-batistas (Hubmaier e Menno Simons) e anglicanos (Cranmer e Hooker), como também o catolicismo tridentino. Geralmente Olson faz um excelente trabalho ao resumir os ensinos e preocupações centrais destes personagens, nos seus contextos particulares, iluminando alguns dos elementos distintivos destas tradições. A exceção é seu tratamento de João Calvino. Da perspectiva de Olson, Calvino parece ser um pensador muito pouco original, que "baseou-se em Lutero, Zuínglio e no reformador de Estrasburgo, Bucer, e aproveitou muito do pensamento deles" (p. 420) e fez pouco mais que "transmitir a teologia reformada de Zuínglio ao resto do mundo" (p. 422). Tais declarações, juntou coma a repetição da noção historicamente inexata de que Calvino "reinou praticamente como um ditador da cidade" de Genebra (p. 419), deixa o leitor com uma impressão claramente negativa de Calvino e com uma percepção equivocada de sua contribuição para o desenvolvimento da tradição reformada e da história de teologia.
Em contraste, Olson faz um excelente trabalho ao resumir a altamente influente mas pouco conhecida teologia de Jacob Arminius, começando com o contexto reformado na qual emergiu. Além disto, ele também discute o pietismo, o puritanismo, o metodismo e deísmo. A melhor parte do livro está em sua divisão final, em como ele ordena a diversidade que caracteriza teologia protestante contemporânea. Aqui Olson descreve as três opções que dominaram o contexto teológico moderno (liberalismo, ortodoxia/fundamentalismo e neo-ortodoxia), as pesquisas e desenvolvimentos recentes em vários movimentos teológicos e avalia as futuras possibilidades para a teologia.
Em qualquer ato de narrar ou escrever uma história, a perspectiva do autor dá à narrativa um formato especial, e neste texto fica evidente as convicções e interesses evangélicos de Olson. Por um lado, ele não oferece nenhuma avaliação dos desenvolvimentos da teologia ortodoxa depois do Grande Cisma, e só dá alguns poucos detalhes da história de teologia católica depois da Reforma. Não obstante, Olson prestou um valioso serviço para a comunidade teológica evangélica realmente provendo uma história da teologia atrativa, o que talvez seja, atualmente, o melhor trabalho introdutório em teologia histórica disponível em português. É provável que se torne um texto padrão para seminários evangélicos, se tornando muito útil tanto na sala de aula como na igreja.
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Franklin Ferreira doutorando em teologia, professor de Teologia Sistemática e História da Igreja no Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil e na Escola de Pastores, ambos no Rio de Janeiro.

sábado, 28 de agosto de 2010

Um Sumário Tópico de Provérbios

por Dr. Sam Storms

Temor de Deus


Na Bíblia em geral:
Gênesis 22:1; 42:18; Jó 1:8-9; Êxodo 1:17,21; Gênesis 28:17; Êxodo 3:6; 20:20; 2 Samuel 6:9; Neemias 1:11; Eclesiastes 12:13-14; Deuteronômio 6:1-2,24; 8:6; Salmos 112:1; 119:63; Malaquias 3:5; Levítico 19:11-14; 25:17,35-36,43; Deuteronômio10:12,20; 13:4; Salmos 25:12-15; 33:18; 103:11,13,17; 145:19; Deuteronômio 14:23; 17:18-19; Salmos 34:11.
Em Provérbios particularmente:
Provérbios 1:7,29; 2:4-5; 3:7; 8:13; 9:10; 14:26; 15:16,33; 16:6; 22:4

Pressão da Sociedade/ Adolescentes
Provérbios 1:8-19; 2:10-15; 4:14-19

O Homem Sábio e o Tolo
Provérbios 1:4,22-23,32; 3:35; 9:7-9; 12:15,18; 15:2,7,12,14,20,31; 18:2,15; 24:5,7; 17:10,21,24,25,27; 27:3,12,22; 12:1; 20:3; 19:1,25,29; 10:1,8,14,18,23; 18:6-7; 13:1,16,19,20; 14:3,7,8,9,15,16,29; 11:12,29; 26:1,3,7-11; 23:9; 22:3,10; 29:8,9,11; 21:11,20,22,24.

Deus
Criador - 3:19-20; 8:22-31;
Revelador - 3:19-20; 8:22s.
Juiz - 24:12; 17:3-5; 21:2; 5:21; 15:3; 11:5,21; 12:14; 16:4-5; 19:5; 28:20
Senhor providencial e soberano - 16:1-4,9,33; 3:5-6; 19:21; 21:1-2,30-31; 24:12; 18:10; 30:5; 15:3,11; 20:24

Fidelidade Marital
Provérbios 5:1-23; 6:20-35; 7:1-27; 30:18-20

Preguiça
Provérbios 6:6-11; 10:26; 12:24,27; 13:4; 14:23; 15:19; 16:26; 18:9; 19:15,24; 26:15; 20:4,13; 21:25-26; 22:13; 26:13,14,16

A Esposa e Mãe Ideal
Provérbios 31:10-31

Palavras / Uso da Língua
Há aproximadamente 150 versos em Provérbios sobre o uso/abuso da língua! Listarei somente os mais úteis:

Provérbios 20:15,19; 18:4,6-8,13,21; 10:6,8,10,11,14,18-21,31,32; 12:6,13,16-22,25,34-37; 15:2,23,26,28; 4:23-24; 17:7,20,27,28; 19:1,5,9,22,28; 28:6,23,24; 20:17,20; 21:6,28; 22:12; 14:3,5,23,25; 24:23-26; 11:9-13; 20:19; 25:23; 26:4-5,20-21; 29:5;18:21; 29:19; 25:23; 26:20-21; 29:5; 16:13,21,23,24,27,28; 29:19; 25:11,15; 13:3; 27:5-6.

Dinheiro
Provérbios 10:2,4,5,15,22; 3:9-10,13-16,27-28; 8:10-11,18-21; 16:8,11,16,19; 20:13,15,20,21; 19:1,6,7,14,17,22; 15:16-17,27; 17:1,5,8,18,23; 11:1,4,15,24-26,28; 23:4-5; 28:8,11,19,20,22,27; 18:11,23; 21:5; 13:7,8,11,22; 21:13,14,17; 20:10,14,16,23; 29:4,7; 6:1-5; 14:21,31; 22:1,7,9,16,22-23,26-27; 25:16; 30:7-9.

Orgulho e Temperamento
Provérbios 16:18,32; 18:12; 21:4; 29:11,22,23; 28:25-6; 25:11-14,28; 27:1-2; 26:12; 30:11-14; 14:17,29,30; 15:18; 19:11,19; 22:4,24-25.

Bebida e Embriaguez
Provérbios 20:1; 23:17-21,29-35; 31:1-9

Disciplina Divina
Provérbios 3:11-12; 20:30

Disciplina Humana (de nossas crianças)
Provérbios 13:24; 19:18; 22:6,15; 23:13-14; 29:15,17; 19:26; 20:20; 23:22-25; 28:24; 30:11,17

Amigos
Provérbios 13:20; 18:24; 20:6,19; 19:4,6,7; 4:14-15; 24:1-2,21,22,29; 2:11-12; 16:28; 14:7,21; 22:24-25; 23:19-20; 3:27-29; 17:9,17; 25:8-10,17,19,20; 26:18-19; 27:5-6,9,10,14,17; 11:14; 15:22.

Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, 28 de Janeiro de 2005.
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sexta-feira, 27 de agosto de 2010



Diga Aos Mórmons Que Eu os Amo



É o título do livro a ser lançado em Setembro pela Oxigênio Books que tem como autora Rosaine Scruff. O extenso trabalho de pesquisa da autora, traz revelações surpreendentes quanto a origem do mormismo:
Joseph Smith teria escrito o principal livro da doutrina (livro de
Mórmom), a partir de revelações vindas de um chapéu. A ligação do
fundador da igreja com a Maçonaria é abordada, dando origem a um
histórico de plágios, até então, desconhecido para muitos. A obra, é de
suma importância para teólogos e estudiosos de religiões.




Emma Hale Smith, esposa de Joseph, relata em Independence, Missouri: Herald House, 1951), "Last Testimony of Sister Emma," 3:356, o seguinte:


"Escrevendo para seu pai, eu frequentemente dia após dia, sentava-me em uma mesa próxima a ele, ele colocava sua face em um chapéu, com a pedra dentro dele, e ditava hora
após hora, sem nada entre nós."








O Livro:

Seu primeiro livro Diga aos Mórmons que Eu os amo será lançado no Brasil em Setembro, fale um pouco sobre ele!

É acima de tudo um recado de amor do Senhor Deus aos Mórmons que são um povo muito trabalhador que ajuda em causas sociais, e também aos
Maçons. Mas o ponto crucial do Mormonismo, que abordo no livro,foi o
envolvimento de seu fundador, Joseph Smith na Maçonaria.

Por que a escolha desse tema?

Porque é uma área que eu tive experiências pessoais, tanto com Mórmons quanto algumas conversas com Maçons. Muitas pessoas, me perguntam, portanto quero deixar claro aqui,
que nunca fui Mórmon. Ao longo dos anos, enquanto alguém perguntava algo
sobre eles, eu respondia, e naturalmente as pessoas se interessavam
pelo assunto. A maioria das conversas sempre terminava com a frase: "Por
que você não escreve um livro sobre isso?", eu sempre me esquivava,
porque ainda não era o Tempo de Deus... Quando coloquei-me disposta,
diante de Deus, e disse: "Ok, Deus, eu escreverei", Ele imediatamente
disse: "Diga aos Mórmons que Eu os amo"... Eu disse: "Sim Senhor Deus,
eu direi a eles... e a Tua frase será o título do livro"...



O envolvimento de Joseph Smith com a Maçonaria acabou influenciando na doutrina Mórmon?

Sim, absolutamente! Em toda a doutrina Mórmon há indícios de plágios Maçônicos. O que é repudiado pelo próprio Livro de Mórmon, que alega ser a "Plenitude do Evangelho", logicamente,
descartando a necessidade de qualquer imitação religiosa. E gostaria de
aproveitar esse momento para deixar um recado aos Maçons. Muitos maçons
têm entrado em contato comigo para perguntar a respeito desse livro e
de um fato, que eu gostaria de confirmar a eles: "Sim, eu sou uma
MULHER. E sim, eu escrevi sobre Maçonaria."










David Witmer - Uma das três testemunhas do Livro de Mórmon, disse o seguinte no livro An Address To all Believers in Christ Edição de 1887, pg 12: "Eu lhes darei
agora uma descrição de que maneira o Livro de Mórmon foi traduzido.
Joseph Smith colocava a pedra de vidente dentro de um chapéu, e colocava
sua face no chapéu, e aproximava sua face, para excluir a luz, e na
escuridão, a luz espiritual brilharia.(...)"








Você está lançando seu primeiro livro. Como foi o processo de escrever, buscar uma editora, etc.?

Escrever "Diga aos Mórmons que Eu os amo", me ensinou muito sobre o Amor incondicional, insistente e radical de Deus por nós. Foi um período onde posso dizer que quando eu sentava
diante do computador para escrever, parece que entrava no "mundinho" de
Deus, e O sentia olhando para os Mórmons como um pai que olha seu filho
recém-nascido em um berço, com terno amor... Já sobre a Editora foi até
engraçado, (rsrs) eu tinha enviado a proposta para algumas editoras.
Logo, a Oxigênio entrou em contato comigo através de seu Editor, Léo
Kades. Quando escrevi o e-mail para enviar o livro, eu estava tão
eufórica com a possibilidade da Oxigênio aceitar o livro, que enviei o
e-mail sem anexar o livro (rsrs), fiquei esperando, esperando... Até que
o Léo, insistente, perguntou do livro... Só então eu percebi que não
tinha anexado o arquivo correspondente... Pensei que estava "tudo
acabado" pela minha falta de atenção (na verdade era pura ansiedade), e
agradeço a paciência da Oxigênio! Na Oxigênio pude ver o zelo pela Obra
de Deus, e a excelência no trabalho, afinal, Deus é digno do melhor!




O que você espera com o lançamento de Diga aos Mórmons que Eu os amo?

Espero ALMAS. Espero que deixemos Deus abrir uma cortina para a janela do Seu amor... Vamos lá? Vamos até essa janela? Olhe, dê uma "espiadinha" por ela... O que você vê? Eu vejo
ALMAS... Almas que já foram compradas pelo Senhor Jesus... E que
precisam SENTIR Seu terno amor, não "o peito queimar", ou "o coração
arder", mas sentir PAZ, a doce paz que só o Dono dela pode nos dar...
Almas que precisam saber que Jesus é o Deus Todo-Poderoso... Mas que
precisam antes, ser preenchidas por esse glorioso Amor... Então, vamos
nos tornar um "porta-voz" do Senhor e passar o Seu recado a diante?
Portanto, Ide por todo o mundo, e... "Diga aos Mórmons que Eu os amo".



Joseph Smith e o chapéu tradutor

A autora:




Rosaine nasceu em Curitiba.Entregou sua vida ao Senhor Jesus aos 18 anos de idade, na Igreja Evangélica Assembléia de Deus. Meses depois de
convertida conheceu os missionários da Igreja de Jesus Cristo dos Santos
dos Últimos Dias, começando então uma profunda pesquisa a respeito das
doutrinas dessa Igreja. O contato com os Mórmons durou cerca de dois a
três anos, o que possiblitou que a autora conhecesse de forma ampla a
doutrina e os costumes dos Mórmons.

"Sempre amei escrever e não gostava quando os professores determinavam um limite de linhas para as redações (rsrs). Eu estava na casa de uma amiga, a Paula, e estávamos conversando
sobre o Senhor Deus, até que sua mãe, Iaci comentou sobre os Mórmons, o
assunto foi se aprofundando, até que Paula comentou: - Você precisa
escrever um livro sobre isso! Eu estava me esquivando da
responsabilidade (enterrando meu talento), e disse que tinha dado a
outra amiga todos os meus livros há cinco anos, e que não tinha mais
nenhum material "mórmon". A Paula então disse: "Você vai ligar na casa
dessa amiga, e esses livros estarão lá, porque esse material é SEU, você
vai pegá-los novamente, e irá escrever esse livro". Eu ri dela, e falei
que já havia cinco anos que eu não via "a cor" desses materiais... Mas
mesmo assim fiz como ela falou, e a minha amiga estava com todos eles.
Ela me devolveu todos em estado perfeito, então entendi que era
propósito de Deus que o livro nascesse." Rosaine é filiada a União de Blogueiros Evangélicos.

Por: Wilma Rejane.
Fontes como links no artigo.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Sobre a Consciência - Sermão de Wesley

Por John Wesley

"Porque a nossa glória é esta, o testemunho da nossa consciência, de que, com santidade e seriedade de Deus, não com sabedoria humana, mas, na graça divina, temos vivido no mundo, e, mais especialmente, para convosco".(II Cor. 1:12)


1. Quão poucas palavras há no mundo mais comum do que essa, a Consciência! Ela está quase na boca de todo mundo. E alguém, disso, poderia estar apto a concluir que, nenhuma palavra pode ser encontrada, que seja mais geralmente entendida. Mas pode ser duvidoso, se esse é o caso ou não; embora estudos incontáveis tenham sido escritos sobre ela. Porque é certo que uma grande parte desses escritores têm mais confundido a causa do que a esclarecido; que eles têm, usualmente, "obscurecido as deliberações por exprimirem palavras sem conhecimento".

2. O melhor tratado sobre o assunto, que eu me lembro de ter visto foi traduzido do Francês do Monsieur Placette, que descreve, de uma maneira clara e racional, a natureza e ofícios da consciência. Mas, embora ela tenha sido publicada perto de cem anos atrás, ela está em poucas mãos; e, de certo, uma grande parte desses que o têm lido, queixam-se, por fim, dele. Um oitavo volume de diversas centenas de páginas, sobre tal assunto simples, foi, igualmente, para provar uma experiência da paciência para muitas pessoas de entendimento. Parece, entretanto, que há ainda a necessidade de um discurso sobre o tema, breve, assim como, claro. Esse, através da assistência de Deus, eu irei me esforçar para suprir, mostrando, Primeiro, a natureza da consciência, e, Então, as diversas formas dela; ao que eu devo concluir com algumas poucas direções importantes.

I. A natureza da consciência.

(1) Essa um homem muito piedoso do século passado (em seu sermão sobre a consciência universal) descreveu da seguinte maneira: — "Essa palavra, que literalmente significa, saber com o outro, e, excelentemente, demonstrada, na proposta bíblica, em (Jó 16:19) 'Eis que também, agora, aqui está a minha testemunha, no céu; e o meu fiador, nas alturas'. E também do Apóstolo, em: (Romanos 9:1) 'Em Cristo digo a verdade, (não minto), dando-me testemunho a minha consciência no Espírito Santo'. Consciência é colocada no meio, debaixo de Deus, e acima do homem. É uma espécie de raciocínio silencioso da mente, por meio da qual, aquelas coisas, as quais são julgadas corretas, são aprovadas com prazer; mas aquelas, que são consideradas do mal, são desaprovadas com inquietude". Ela é o tribunal, no peito do homem, para acusar pecadores, e desculpar aqueles que fazem o bem.

(2) Para vê-la, de um novo ângulo: Consciência, tanto quanto a palavra em Latim, do qual ela se origina, e da palavra Grega, "suneidhsevs", necessariamente, implica o conhecimento de duas ou mais coisas juntas: Supõe-se o conhecimento de nossas palavras e ações, e ao mesmo tempo, a bondade e maldade delas; se não, será, mais apropriadamente, a faculdade, por meio da qual, nós conhecemos, de imediato, nossas ações e as qualidades delas.

(3) Consciência, então, é aquela faculdade, pela qual nós somos - de imediato - conscientes de nossos próprios pensamentos, palavras e ações; e, do mérito e demérito deles; de serem bons ou maus; e, conseqüentemente, merecendo louvor ou censura. E alguns prazeres, geralmente, atendem a primeira sentença; algumas inquietudes, a última: Mas essas variam, excessivamente, de acordo com a educação e centena de outras circunstâncias.

(4) Pode ser negado que alguma coisa dela é encontrada em todo homem nascido no mundo? E que ela surge, tão logo, haja entendimento; tão logo, a razão comece a manifestar-se? E que todos passam, então, a conhecer a diferença que há entre o bem e o mal; quão imperfeitas, então, as várias circunstâncias desse senso de bem e mal podem ser? E que todo o homem, por exemplo, sabe, a menos que esteja cego pelos preconceitos da educação (como os habitantes do Cabo da Boa Esperança), que é bom honrar seus pais? E que todos os homens, sejam eles mal-educados ou bárbaros, permitem que seja certo fazer, aos outros, como nós os teríamos fazendo a nós? E que todos que sabem isso, condenam, em suas próprias mentes, quando eles fazem alguma coisa contrária a esse princípio? Como, por outro lado, quando eles agem, de acordo com isso, eles têm a aprovação de suas próprias consciências?

(5) Essa faculdade parece ser a que é, usualmente, destinada por aqueles que falam da consciência natural: uma expressão, freqüentemente, encontrada, em alguns dos nossos melhores autores, mas, ainda, não estritamente justa. Porque, embora, em um senso, ela possa ser denominada natural, porque ela é encontrada em todos os homens; ainda, propriamente, falando, ela não é natural, mas um dom supernatural de Deus, acima de todos os dons naturais dos homens. Não; não é da natureza, mas o filho de Deus que é "a luz verdadeira, a qual ilumina todo o homem que está no mundo". De forma que, nós podemos dizer para toda a criatura humana que "Ele", não a natureza, "tem mostrado a ti, ó homem, o que é bom". E é o Espírito dele que dá a ti, um testemunho interior; que causa a ti sentir-te desconfortável, quando tu caminhas, em alguma instância contrária à luz que ele tem dado a ti.

(6) Pode ser dada uma força peculiar para aquela bonita passagem, para considerar por quem, e sobre qual ocasião as palavras foram expressas. As pessoas de quem se fala são o rei de Moab, Balaque, e Balaão, então, sob as impressões divinas (dando a impressão de "não longe do reino de Deus", embora, ele, depois disso, tenha se revoltado, tão perfidamente): Provavelmente, Balaque, também, naquele tempo, experimentou alguma coisa da mesma influência. Isso ocasionou dele consultar-se com, ou pedindo conselhos de Balaão — ao que Balaão deu uma resposta completa, à questão proposta por ele. (Miquéias 6:5) "Povo meu", diz o profeta, em nome de Deus, "lembra-te da consulta de Balaque, o rei de Moab, para que conheças as justiças do Senhor". (parece, na plenitude de seu coração) "e o que Balaão, o filho de Beor respondeu a ele, por meio do qual", disse ele, "com que me apresentarei ao Senhor e me inclinarei ante o Deus Altíssimo? Devo vir diante dele com bezerros de um ano? Agradar-se-á o Senhor de milhares de carneiros? De dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão? O fruto do meu ventre, pelo pecada da minha alma?" (Isso, os reis de Moab tinham feito, até aquele momento, nas ocasiões de profunda aflição; um relato notável do que é registrado no terceiro capítulo, do segundo livro de Reis). Para isso, Balaão faz com que o nobre replique, (sendo, sem dúvida, então, ensinado de Deus), "Ele te mostrou, ó homem, o que é bom; e o que é que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e que andes, humildemente, com o teu Deus?".

(7) Para se ter uma visão mais distinta da consciência, ela parece ter o triplo ofício: Primeiro: Ela é testemunha — testificando o que nós temos feito, em pensamento, ou palavra ou ação. Segundo: Ela é o juiz — sentenciando no que nós temos feito, que seja bom ou mal. Terceiro: Executa a sentença — De certa forma, ocasionando um grau de complacência nele que faz o bem, e um grau de inquietude nele que faz o mal.

(8) O professor Hutcheson, recente de Glasgow, coloca a consciência em uma luz diferente. Em seu "Ensaio sobre as Paixões", ele observa que nós temos diversos sentidos, ou caminhos naturais de prazer e dor, além de cinco sentidos externos. Um desses, ele denomina de sentido publico; por meio do qual, nós somos, naturalmente, afligidos pela miséria do próximo, e agradados da sua libertação dela. E todo o homem, diz ele, tem um sentido moral; por meio do que, ele aprova a benevolência e desaprova a crueldade. Sim, ele fica desconfortável, quando ele mesmo pratica uma ação cruel, e feliz, quando faz alguma coisa generosa a alguém.

(9) Tudo isso é, em algum senso, indubitavelmente, verdadeiro. Mas não é verdade que, tanto o sentido público, como o moral - (ambos, incluídos, no termo consciência) - sejam, agora, naturais do homem. Qualquer que possa ter sido o caso, a princípio, enquanto o homem estava, em seu estado de inocência, tanto um quanto o outro era um membro daquele dom natural de Deus, que nós, usualmente, chamamos, graça precedente. Mas o Professor, afinal, não concorda com isso. Ele coloca Deus, completamente, fora da questão. Deus não tem coisa alguma a fazer com o método dele de virtude, do começo ao fim. De modo que, para dizer a verdade, seu método de virtude é ateísmo, por completo. Isso é que é requinte, realmente! Muitos têm excluído Deus do mundo: Ele o exclui até mesmo da religião!

(10) Mas nós não nos equivocamos com ele? Nós tomamos esse significado como certo? Que possa estar bastante claro, que nenhum homem pode enganar-se com ele, que propõe essa questão: "O que, se um homem, em praticando a virtude, que é a ação generosa de socorrer o próximo, tem um olho para Deus, como quem ordena e o recompensa por ela? Então", ele diz, "tão longe quanto ele tem um olho para Deus, a virtude da ação é perdida. Quaisquer que sejam as ações, que nasçam de um olho para a recompensa do galardão, não têm virtude, nem santidade moral nelas". Ai de mim! Esse homem foi chamado de cristão? Quão, injustamente, ele caluniou essa afirmativa! Mesmo o Dr. Taylor, embora ele não aceite que Cristo seja Deus, ainda assim, não teve escrúpulos de denominá-lo, "uma pessoa de virtude consumada". Mas o Professor não pode permitir a ele, qualquer virtude, afinal!

(11) Mas para retornar. O que é a consciência, em um sentido cristão? Ela é aquela faculdade da alma, que, pela assistência da graça de Deus, vê tudo a mesma coisa: (a) Nosso temperamento e vida — a natureza real e qualidade de pensamentos, palavras e ações; (b) As regras, por meio das quais, somos direcionados; e, (c) a concordância e discordância, com isso. Para expressar isso, um pouco mais amplamente: A consciência implica, Primeiro: na faculdade do homem conhecer a si mesmo; de discernir, em geral e, em particular, seu próprio temperamento, pensamentos, palavras e ações. Mas, isso não é possível a ele fazer, sem a assistência do Espírito Santo de Deus. Por outro lado, amor-próprio, e, de fato, todas as demais paixões irregulares, mascarariam e, completamente, o ocultariam de si mesmo. Isto implica, Segundo: em um conhecimento da regra, pela qual, ele será direcionado, em cada particular; o que é não outra coisa, do que a palavra de Deus escrita. A consciência implica, Em Terceiro Lugar: no conhecimento de que todos os seus pensamentos, palavras e ações estão, em semelhança para com essa regra. Em todos os ofícios da consciência, a "unção do Espírito Santo" é, indispensavelmente, necessária. Sem isso, nem nós podemos, claramente, discernir nossas vidas ou temperamentos; nem podemos julgar da regra, por meio da qual nós devemos caminhar, ou da conformidade ou desconformidade dela.

(12) Esse é, propriamente, o relato da boa consciência; que pode ser, em outros termos, expressa assim: a consciência divina de caminhar em todas as coisas, de acordo com a palavra escrita de Deus. Parece, de fato, que pode haver nenhuma consciência que não tenha a consideração para com Deus. Você pode dizer, "Sim, certamente, pode haver a consciência de ter feito certo ou errado, sem qualquer referência a Ele". Eu respondo que isso não tem fundamento: Eu duvido, se as mesmas palavras - certo e errado -, de acordo com o sistema cristão, não implicam, na mesma idéia delas, de consentimento ou discordância, para com a vontade e palavra de Deus. Se for assim, não há tal coisa como consciência, em um cristão, se nós deixarmos Deus fora da questão.

(13) Com o objetivo da mesma existência da boa consciência, como para a continuidade dela, a continuada influência do Espírito de Deus é, absolutamente, necessária. Concordantemente, o Apóstolo João declara para os crentes de todos os tempos: "Você tem a unção do Espírito Santo, e conhece todas as coisas". Todas as coisas que são necessárias para você ter a "consciência isenta de ofender, no que concerne a Deus, e no que concerne ao homem". Então, ele acrescenta: "Você não precisa que alguém o ensine", a não ser, "que o ungido o ensine". Que o ungido, claramente, ensine-nos essas três coisas: Primeiro: o verdadeiro significado da palavra de Deus; Segundo: nossas ações, para lembrar; e, Terceiro: a concordância com todos os mandamentos de Deus.

(14) Continuando, nós podemos considerar agora:

II. As diversas formas de consciência.

A consciência boa já foi falada. Essa Paulo expressa de várias maneiras. Em um lugar, ele simplesmente a denomina, "a boa consciência concernente a Deus"; em outro, "a consciência isenta de ofender, no que diz respeito a Deus, e no que diz respeito ao homem". Mas ele fala ainda mais amplamente, no texto: "Nosso regozijo é esse, o testemunho de nossa consciência, que na simplicidade", com o olho único, "e sinceridade divina, nós tivemos nossa conversa no mundo". Enquanto isso, ele observa que isso foi feito "não pela sabedoria da carne" — comumente, chamada prudência — (essa nunca pode, nem nunca poderá produzir tal efeito), "mas pela graça de Deus"; que sozinha é suficiente para operar isso em qualquer filho do homem.

(15) Proximamente, aliada a essa (se não for no mesmo lugar, em outra visão, ou um ramo particular dela) está a consciências terna. Alguém da consciência terna é exato, na observação de qualquer desvio da palavra de Deus, se em pensamento, palavra ou ação; e, imediatamente, sente remorso e se condena por isso. E o constante clamor de sua alma é:

Ó, que minha terna alma possa voar.
Á primeira aproximação da aversão do mal.
Rapidamente, como a menina dos olhos.
O toque mais leve do pecado sinta!

(16) Mas, algumas vezes, essa qualidade excelente, brandura da consciência, é levada ao extremo. Nós encontramos alguns que temem, onde não existe temor; que está continuamente condenando a si mesmos, sem causa; imaginando algumas coisas serem pecaminosas, as quais as Escrituras, em nenhum lugar, condena; e supondo outras coisas serem dever deles, as quais a Escritura, em nenhum lugar ordena. Essa é, propriamente, denominada a consciência escrupulosa, e é um mal severo. Ela é, altamente, oportuna para produzir para ele, o menos possível; mais apropriadamente, é uma questão de oração sincera, que você possa ser liberto desse mal severo, e possa reaver a mente sã; para a qual nada poderia contribuir mais, do que uma conversa com um amigo piedoso e sensato.

(17) Mas o extremo, o qual é oposto a isso, é ainda mais perigoso. A consciência endurecida é, milhares de vezes, pior do que a escrupulosa: que pode violar o mandamento claro de Deus, sem qualquer condenação própria; fazendo o que ele tem expressamente proibido, ou negligenciando o que ele tem expressamente ordenado; e, ainda, sem qualquer remorso; sim, talvez, gloriando-se, nesse mesmo coração duro! Muitos exemplos dessa estupidez deplorável nós encontramos, até o momento; mesmo, entre as pessoas que, supõem elas próprias terem não uma pequena parte da religião. A pessoa está fazendo alguma coisa que as Escrituras claramente proíbem. Você pergunta: "Como você se atreve a fazer isso?", e lhe é respondido, com a indiferença perfeita: "Ó, meu coração não me condena!". Eu replico: "Então, tanto pior. Eu iria a Deus que fez! Você poderia, então, estar em um estado mais seguro do que você está agora. É uma coisa terrível ser condenado pela palavra de Deus, e, ainda assim, não ser condenado por seu próprio coração!". Se nós podemos quebrar o menor dos mandamentos conhecidos de Deus, sem alguma condenação própria, fica claro que o deus deste mundo tem endurecido nossos corações. Se nós não nos recuperarmos logo disso, nós podemos ser completamente "destituídos de sentimentos", e nossas consciências (como Paulo fala) serão marcadas, como com um ferro quente.

(18) Eu tenho agora, apenas uma coisa para acrescentar às poucas direções importantes. O primeiro grande ponto é esse: Suponha que nós tenhamos uma consciência terna, como devemos preservá-la? Eu acredito que haja apenas um caminho possível de fazer isso, que é, obedecer a ela. Todo ato de desobediência tende a cegar e a amortecê-la; colocando-a fora de nossos olhos, para que não possa ser vista a boa e aceitável vontade de Deus; e para que o coração amortecido, não possa sentir autocondenação, quando agimos em oposição a ela. E, ao contrário, cada ato de obediência traz à consciência uma visão nítida e forte, e um rápido sentimento do que ofende a gloriosa majestade de Deus. No entanto, se você deseja ter a sua consciência rápida para discernir, e fiel para acusar ou desculpar você; se você pudesse preservá-la, sempre sensível e terna, esteja certo de obedecê-la, em todos os seus eventos; continuamente, ouvindo suas admoestações, e rapidamente as seguindo. O que quer que ela direcione a você fazer, de acordo com a palavra de Deus, faça; por mais doloroso que seja para a carne e sangue. O que quer que ela proíba, se a proibição está alicerçada na palavra de Deus, busque não fazer isso; por mais que possa satisfazer a carne e sangue. Uma ou a outra pode, freqüentemente, ser o caso. O que Deus proíbe pode ser agradável para nossa natureza maldosa: Lá, você será chamado a negar a si mesmo, ou a negar ao seu Mestre. O que alegra a Ele pode ser doloroso para a natureza: Lá, pegue a sua cruz. Então, verdadeira será a palavra de Nosso Senhor: "Exceto se um homem negar a si mesmo, e pegar a sua cruz diária, ele não poderá ser meu discípulo".

(19) Eu não posso concluir esse discurso melhor, do que com um extrato do sermão do Dr. Annesley sobre a "Consciência Universal". (Dr. Annesley era pai de minha mãe) e foi reitor da paróquia de Cripplegate:

"Seja persuadido a praticar as seguintes direções, e sua consciência irá continuar correta":
(1) "Tenha cautela com todo pecado; não considere algum pecado pequeno; e obedeça todo o mandamento, com toda a sua força. Esteja atento contra os primeiros levantes do pecado, e tome cuidado com as fronteiras do pecado".
(2) "Considere a si mesmo, como vivendo debaixo do olho de Deus: Viva, como se na presença do Deus zeloso. Lembre-se de que todas as coisas estão nuas e abertas diante dele! Você não pode enganá-lo; porque ele tem a sabedoria infinita: Você não pode fugir para longe dele; porque ele está em todo lugar: Você não pode suborná-lo, porque ele é a própria retidão! Fale, como sabendo que Deus ouve você: Caminhe, como sabendo que Deus pode ser encontrado por você de todos os lados. O Senhor está com você, enquanto você estiver com ele: ou seja, você poderá desfrutar de sua presença benévola, enquanto você viver em sua presença maravilhosa".
(3) "Seja sério e freqüente, no exame de seu coração e vida. Existem alguns deveres, como aquelas partes do corpo, e necessidades que podem ser supridas, por outras partes: mas a necessidade disso, nada poderá suprir. Todas as noites, reveja o seu comportamento, durante o dia; o que você tem feito, ou pensado, que possa ter sido inconveniente para o seu caráter; se seu coração tem sido iminente para a religião, e indiferente para o mundo. Tenha um cuidado especial para as duas porções do tempo: ou seja, manhã e noite; de manhã, para planejar o que você tem de fazer, e, à noite ,para examinar se você fez o que deveria".
(4) "Deixe cada ação ter referência para sua vida toda, e, não, para uma parte apenas. Deixe todas as suas finalidades subordinadas serem adequadas à grande finalidade de sua vida. 'Exercite-se na santidade'. Seja tão diligente, na religião, quanto você poderia ser com seus filhos que vão à escola para aprender. Deixe que toda a sua vida seja uma preparação para o céu, como a preparação dos lutadores para o combate".
(5) "Não se arrisque no pecado, porque Cristo tem comprado um perdão; este é o mais horrível abuso de Cristo. Por esse mesmo motivo não ouve sacrifício debaixo da lei para algum pecado obstinado; para que as pessoas não pudessem pensar que elas sabem o preço do pecado, como aqueles que negociam indulgências papistas".
(6) "Seja nada a seus próprios olhos: Mesmo porque, nós devemos estar orgulhosos do que? Nossa própria concepção era pecadora, nosso nascimento doloroso, nossa vida penosa, nossa morte nós não sabemos o que! Mas tudo isso é nada para o estado de nossa alma. Se nós sabemos isso, que desculpa temos para sermos orgulhosos?".
(7) "Tome em consideração deveres, não resultados. Nós temos nada para fazer, a não ser nos dedicarmos aos nossos deveres. Todas as especulações, que não tendem para a santidade, estão entre as suas superfluidades; mas prediga o que pode sobrevir a você, em fazendo o seu dever, puder ser contado entre os seus pecados; e arriscar-se no pecado para evitar o perigo, é afundar o navio, por medo dos piratas! Ó quão calmas e santas seriam nossas vidas, tivéssemos nós aprendido aquela lição simples: — sermos cuidadosos com nada, a não ser com nossos deveres, e deixarmos todas as conseqüências para Deus! Que loucura para o tolo pó prescrever a sabedoria infinita! Deixarmos nosso trabalho vão, e interferirmos com o trabalho de Deus! Ele tem manejado os interesses do mundo, e da pessoa individual nele, sem dar motivos de queixa a ninguém, por mais de cinco mil anos. E Ele necessita de nossa deliberação agora? Não. É nosso dever planejar as nossas próprias obrigações".
(8) "Qualquer conselho que você possa dar a outro, tome para si mesmo: Os piores dos homens estão aptos, o suficiente, para deitarem responsabilidades no outro, as quais, se eles aplicassem em si mesmos, fariam deles, cristãos extraordinários".
(9) "Não faça coisa alguma, da qual você não possa orar por uma benção. Cada ação de um cristão que seja boa é santificada pela palavra e oração. Ele não se tornará um cristão fazendo alguma coisa tão desprezível, que ele não possa orar por ela. E, se você conceder uma exclamação séria sobre cada ação ocorrente, tal oração arrancará todas as coisas pecaminosas, e encorajará todas as coisas lícitas".
(10) "Pense, fale, e faça o que você está certo de que o próprio Cristo faria, no seu lugar, se ele estivesse na terra. Tornar-se um cristão, é melhor ser um exemplo para tudo, para aquele que foi, e é, e sempre será, nosso padrão absoluto. Ó cristãos, assim como Cristo, orem, e redimam o tempo por causa da oração! Como Cristo pregou, fora de cuja boca emanou, nenhuma outra, a não ser palavras graciosas? Quanto tempo Cristo gastou em discursos impertinentes? Como Cristo subiu e desceu, fazendo o bem aos homens, e o que era, ao mesmo tempo, agradável a Deus? Amado, eu recomendo a você essas quatro lembranças":
(a) "Tome em consideração seu dever":
(b) "O que é o dever de outro, no seu caso, é seu próprio dever":
(c) "Não interfira em coisa alguma, se você não puder dizer, 'a benção do Senhor está sobre mim!'":
(d) "Acima de tudo, antes esquecer de seu nome de batismo, do que esquecer de olhar para Cristo!".
"Qualquer que seja o tratamento que você encontre com o mundo, lembre-se Dele e siga os passos 'daquele que não pecou, em que nenhuma malícia foi achada em sua boca; quem, quando ultrajado, não ultrajou novamente; mas entregou a si mesmo a Ele, que julga corretamente'".

*.*

Editado por Jennifer Luhn, com correções de Ryan Danker e George Lyons, para o Wesley Center for Applied Theology at Northwest Nazarene University.

O Fogo Ainda Queima

John M. DeMarco

O Pastor Scott McDermott, da United Methodist, mudou-se para o interior, no oeste da Pensilvânia, em 1993, para servir a igreja, em Washington Crossing, um subúrbio da Filadélfia. A congregação de 700 membros estava experimentando dificuldades financeiras, naquele tempo, e McDermott começou a pregar, pedindo a direção do Espírito Santo. Ele não fazia idéia de que sua igreja estava para experimentar o que ele agora chama de "o mover soberano de Deus".

Uma manhã de domingo, enquanto conduzia um estudo do versículo do livro de Neemias, McDermott perguntou aos seus paroquianos o que poderia acontecer, se eles declarassem sete dias de regozijo, similares à celebração registrada na narrativa do Velho Testamento. Alguém na última fileira gritou: "Vamos fazer isso", e o pastor soube que a idéia tinha sido confirmada. "Quando alguém começa a falar com você, da última fileira de uma Igreja Metodista, você sabe que Deus está se movendo", McDermott diz, com um sorriso.

Rapidamente, foi programada, para a semana seguinte, uma unção organizada dos serviços especiais de "regozijo". Na segunda-feira, à noite, por volta de 30 pessoas dirigiram-se para orar. Na noite seguinte, McDermott sentiu-se compelido a ungir com óleo os que estavam presentes, e a orar para que eles fossem preenchidos pelo que ele chama de "espírito de alegria". Depois de uma hora de louvor e oração, algumas pessoas vieram para o altar. Assim que o pastor orou, a terceira pessoa na fila caiu ao chão, como se estivesse dominada, pelo poder do Espírito Santo. O mesmo acontecendo com os que se seguiram.

Na noite da quarta-feira, 125 pessoas vieram à frente. MacDermott orava por duas horas, ininterruptas. Os congregantes esperavam em uma linha que se estendia atrás das portas dianteiras, ou se colocavam, mais adiante, no chão do santuário.

É desnecessário dizer que esse não era seu serviço típico, na igreja United Methodist. MacDermott esfregava sua cabeça. "Eu estava dizendo, 'Deus, o que está acontecendo aqui? O que é isto?'". Ele se certificou que orando com a congregação, dessa maneira, abriu uma nova dimensão para seu ministério. "Foi como se você pudesse ver dentro do coração das pessoas, e ver o quebrantamento delas'", ele diz.

Os dias de regozijo, em Washington Crossing, estendeu-se muito mais do que uma semana. A sensação da presença de Deus teve um impacto nos recolhimentos religiosos, e momentos de oração de apoio. O órgão da igreja foi vendido, por fim, e as guitarras, atualmente, foram introduzidas, como serviços de adoração, substituindo a liturgia tradicional. Os serviços religiosos usuais teriam sido ofuscados pela visitação óbvia do poder de Deus.

Em Março, durante o serviço de domingo, uma sessão de oração estendeu-se bem além do tempo de 90 minutos usuais. Exceto por 15 minutos de intervalo, McDermott orou com os paroquianos por seis horas; alguns tendo permanecido em fila por quatro horas. "As pessoas estavam espalhadas pelo chão; nós estávamos empilhando cadeiras para compor uma sala. Pessoas caíam, sob o peso de seus fardos", ele lembra. Essas orações noturnas atraíram 200 pessoas, e MacDermott passou outras quatro horas orando por eles.

Quando esse reavivamento eclodiu, em 1994, McDermott imaginou que ele precisaria aprender como pastorear uma congregação que está experimentando reavivamento espiritual; um tópico que nunca fora discutido, em suas classes de seminário. Ironicamente, ele encontrou suas respostas, no Diário de John Wesley, o fundador do movimento Metodista. E MacDermott lembrou-se que o Metodismo do passado parecia-se muito mais com o reavivamento Pentecostal do que os United Methodists modernos gostariam de admitir.

A Chama Intensa

McDermott não foi o único, nos oito milhões de membros da United Methodist Church que está experimentando o toque renovador do poder do Espírito Santo hoje. Nos últimos anos, o reavivamento dos dons da graça tem brotado, na igreja United Methodist, num tempo, em que a denominação tem enfrentado perda de membros e tumultos internos. Embora os bispos da United Methodist estejam ocupados argumentando sobre se o homossexualismo é um pecado, e se a Bíblia é verdadeira, um crescente número de seus membros está redescobrindo que o movimento deles nasceu de um reavivamento que enfatiza santidade, zelo evangelístico, e compaixão pelos pecadores. E esses "cheios-do-Espírito" da United Methodist estão determinados a reclamar essas qualidades.

O fundador do Metodismo, John Wesley (1703-1791), e seu irmão Charles (1707-1788), criaram um movimento que era caracterizado, através da abertura ao Espírito Santo. Sua mensagem varrida, através das Ilhas Britânicas, como um fogo intenso, arremessou-se, no Atlântico, para a América do Norte, onde acendeu o Segundo Grande Despertar. John Wesley registrou algumas 225.000 milhas, em cima de um cavalo, para pregar na fronteira americana, e, no século XVIII e XIX, o circuito de pregadores americanos, montados a cavalo, que ele treinou, estabeleceu os alicerces de uma denominação que pretende hoje 36.000 igrejas em nosso país. O Metodismo atual conduziu para o movimento da Santidade, que enfatizou o poder do Espírito Santo, para purificar o que crê. A ênfase de Wesley, no trabalho secundário de santificação também conduziu indiretamente ao nascimento do Pentecostalismo, no começo deste século.

Mas o fogo não permaneceu queimando. Nos anos recentes, a United Methodist Church tem se tornado tão atolada em liberalismo, na sua linha principal, que Wesley provavelmente não iria reconhecê-la, se ele voltasse dos mortos. A cerimônia de casamento de duas homossexuais em 1997, que ocorreu na Primeira United Methodist Church, em Omaha, foi manchete de primeira página através do país. Mas o que não foi reportado foi que, em muitas congregações da United Methodist, Deus tem trazido a onda da renovação espiritual. É provavelmente muito cedo para rotulá-la como uma tendência, mas quietamente, e poderosamente diz o professor Stephen Seamands, da Asbury Theological Seminary, os United Methodists "estão molhando seus pés no rio" do reavivamento.

"Wesley foi um apóstolo de sua própria geração, um visionário", diz Terry Tekyl, um pregador evangelista da United Methodist, baseado no Texas, e líder num esforço de recrutar um milhão de cristãos, no ano de 2000, para orar semanalmente pela denominação. "Wesley não buscou permissão, tanto quanto ele buscou o poder de Deus", diz Tekyl. "Correndo o risco, ele alcançou as pessoas, onde ninguém mais estava alcançando". "E isto é o que muitos da United Methodist, que são conduzidos pelo Espírito, estão fazendo hoje", Tekyl acrescenta. "Vá visitar qualquer Igreja vibrante da United Methodist, e você irá encontrar uma ênfase forte na oração: orações intercessórias, orações de cura, orações através de pessoas leigas para seus pastores, e caminhos de oração através da vizinhança. Há também uma crescente abertura ao Espírito Santo, um chamado forte para o discipulado, e uma nova ênfase em descobrir a intimidade com Deus".

"Parece que há um foco a mais hoje, no ver a face e o coração de Deus", diz Gary Moore, presidente da Aldersgate Renewal Ministries, uma rede de "cheios-do-Espírito" da United Methodist, baseados perto de Nashville, Tennessee. O grupo, que tem promovido renovação da graça, entre os United Methodist, desde 1970, tirou seu nome da rua, em Londres, onde John Wesley foi, em suas próprias palavras, "estranhamente aquecido", quando ele compreendeu que Cristo era seu Salvador. "Os dons espirituais, os dons da graça, são formas secundárias na busca da face de Deus", Moore acrescenta. "Parece haver mais luta com Deus, que fisicamente impacta a vida das pessoas, do que, provavelmente, houve nos primeiros dias do reavivamento".

Na Igreja de Scott McDermott, na Pensilvânia, a ênfase na oração tem conduzido ao crescimento e expansão. Oito ministros agora servem na igreja, e 27 pequenos grupos envolvem aproximadamente 300 adultos. Paroquianos também estão ajudando nos ministérios do centro decadente, nas imediações de Camden, New Jersey. O denominador comum da oração também executa o papel vital, na Pine Forest United Methodist Church, em Pensacola, Flórida. O mesmo vento do reavivamento que tocou a vizinha Assembléia de Deus, de Brownsville, em 1995, fez sua presença conhecida na Pine Forest, no mesmo ano.

Derramando Gasolina no Fogo

O grupo jovem da Pine Forest, verdadeiramente, começou a pregar, oito anos atrás, para seus pais e a comunidade. Quando o reavivamento eclodiu, em Brownsville, os membros curiosos da Pine Forest vieram investigar, conforme a diretora de programa da igreja, Linda Smith. Os United Methodists, em número cada vez maior foram visitar os encontros Pentecostais. "Isso mudou, então, muito de nós. Mudou em tudo", diz Smith. "Orações explodiram em nossa igreja. Quando o reavivamento primeiro começou [em Brownsville], nós partimos de um grupo de dois ou três, por semana, para quase seis. Agora, nós temos por volta de 19 grupos que se encontram em uma base semanal, ou bimestral. Alguns desses momentos de oração são extremamente poderosos".

O pastor sênior, da Pine Forest, Perry Dalton, diz que os 700 membros da sua igreja estavam experimentando reavivamento, antes de Junho de 1995. "Quando o reavivamento chegou em Brownsville, foi como se derramasse gasolina no que estava acontecendo aqui", Dalton diz. Como McDermott, Dalton tem renovado seus estudos dos escritos (Diário) de John Wesley. Pine Forest logo começou a hospedar grupos de visitantes de fora da cidade, que tinham vindo "experimentar" Brownsville. Conseqüentemente, a igreja estabeleceu o que tem sido uma Conferência anual, bem atendida, para os pastores da United Methodist, onde cura, arrependimento e a renovação para a santidade dirigiram o dia. O zeloso grupo jovem da Fine Forest viajou a região, a convite, para conduzir os esforços na propagação do Evangelho.

"O que nós estamos vendo é casamentos restaurados, e pessoas curadas", Dalton diz. "Pessoas jovens estão voltando das drogas. Outras estão esperando para realmente terem Cristo, em suas vidas, no sentido autêntico". Esta mesma cura é evidente, na Upton United Methodist Church, em Toledo, Ohio, pastoreada, nos últimos nove anos, por Pat Mckinstry, uma mulher afro-americana. Ela foi questionada para servir Upton, no momento em que o número de membros tinha decrescido, e a igreja estava quase para fechar suas portas. "Eu fui a primeira pessoa negra, e a primeira pastora, nessa igreja de classe-média branca", Mckinstry registra. "Eu suponho que eles, mais ou menos, me queriam para agir de acordo com a tradição, mas eu soube que elas estavam morrendo. Eu comecei o serviço secundário com doze pessoas. Eu apenas treinei esses doze, e disse, 'Se é Deus que vai construir sua igreja, então, nós precisamos buscar por ele'".

Pedidos de oração começaram a fluir da comunidade, e McKinstry e os membros da igreja visitaram as áreas de projeto, em Toledo, onde eles conduziram líderes de gang, negociantes de drogas, e prostitutas para Cristo. Esses indesejáveis, finalmente, encontraram uma casa dentro das paredes de Upton. "Nós depositamos a Palavra", diz McKinstry. "O estudo da Bíblia é a refeição principal, nessa igreja, em noites de quarta-feira. Alguns têm vindo alterados e bêbados. Nós apenas tocaríamos neles; ninguém iria criticá-los. Eu sei que, se a limpeza da Palavra entrasse em suas vidas, ela iria fazer o que as regras e as regulamentações não poderiam".

"Mais do que 650 membros agora atendem Upton — e 75 por cento deles não tinham igreja, quando vieram pela primeira vez. Quase doze nacionalidades diferentes estão representadas, assim como os primeiros Budistas e Testemunhas de Jeová. Nós não erramos, quando usamos os princípios que Jesus colocou ao construir sua igreja. Eu sinto que nós somos o Livro de Atos, hoje", McKinstry diz.

Não muito longe de Toledo, em Muncie, Indiana, a Union Chapel United Methodist Church tem crescido de um comparecimento, de mais ou menos 70 pessoas, em 1981, para aproximadamente 1.300 hoje, durante o tempo de liderança do pastor sênior Gregg Parris. A renovação da Union Chapel começou logo depois que Parris soube que três senhoras tinham se encontrado, nos últimos 30 anos, para orar pelo reavivamento. Um testemunho de um organista, num domingo, conduziu ao arrependimento público, por um membro chave da igreja, e os fiéis se duplicaram, no domingo seguinte, já que mais de 20 pessoas aceitaram Cristo pela primeira vez.

"Durante quase os últimos 20 anos, tem-se tentado copiar, literalmente, o que Deus está fazendo", Parris diz. O grupo jovem da igreja tem crescido para mais de 300 pessoas. Através do ministério jovem da Union Chapel, 205 garotos deram suas vidas para Jesus Cristo, nos últimos seis meses.

Existem outros sinais de que a renovação está mexendo na segunda maior denominação Protestante da América:

• Em Silverdale: - Em Silverdale, Washington, os fiéis da United Methodist Church estão orando para 280 pastores da United Methodist, na Pacific Northwest Conference — onde existem poucos líderes evangélicos atrás do púlpito. O Pastor Wally Snook acredita que toda igreja nos Estados Unidos precisa estar aberta ao poder do Espírito Santo hoje, porque Deus está conduzindo buscadores curiosos para retornar para a igreja. "Eles precisam encontrar o verdadeiro Evangelho, quando eles entrarem pela porta", ele diz.


• Em Yuba City, Califórnia, o pastor John Sheppard da First United Methodist Church — que chegou perto de deixar a denominação — acredita que sua congregação continua a crescer, já que ele toma o mais forte posicionamento pela integridade do Evangelho.

• Na Alexander United Methodist Church, no oeste de Nova York, do pastor Rich Selden, a congregação tem experimentado um grande "borbulhar efervescente da alegria", desde que se permitiu que o Espírito Santo trabalhasse livremente. A renovação dos conduzidos pelo Espírito também continua, da mesma forma, nas United Methodists Churches, como a First United Methodist Church, em Bedford, Texas, e First United Methodist Church, em Tulsa, Oklahoma, onde existem mais de 300 grupos pequenos, entre a congregação próspera de aproximadamente 8.500 pessoas, dirigidas por Jimmy Buskirk.

• Em Magothy United Methodist Church de Pasadena, Maryland, pastoreada por David Wentz, por volta de 180 pessoas regularmente experimentam a cura pelo poder do Espírito Santo, e oram umas pelas outras, em pequenos grupos, durante os serviços de adoração.

• Outras United Methodist churches, cada vez mais, estão erguendo suas sobrancelhas, na denominação, por causa do ministério evangélico forte. Essas incluem a Frazer Memorial, em Montgomery, Alabama; Aloma United Methodist e a First Church Ormond Beach, ambas na Flórida central; First United Methodist, em Memphis, Tennessee; e Ginghamsburg United Methodist, em Tipp City, Ohio. Os pastores dessas igrejas dizem que os United Methodists não estão mortos para Deus.

"É importante que, como pastores, nós permitamos que Deus coloque o fogo de seu Espírito em nossas vidas", McDermott diz. "Eu realmente penso que Deus está tentando chamar a atenção dos pastores. É uma discussão dupla: renovação espiritual, e desenvolvimento e cultivo da liderança prática, para sustentar o reavivamento". Ele acrescenta: "É tempo de ir buscá-lo. É tempo de acreditar nele, para uma mudança radical, em nossas próprias vidas pessoais, e nas de nossas congregações. E nosso chamado primeiro é para orarmos".

Se os pastores atenderem ao desafio de McDermott, e a mesma coisa que aconteceu em seu altar, em 1994, poderia se repetir, na United Methodist churches, por toda a América. Essas igrejas seriam espiritualmente secas (estéreis) hoje, mas, como John Wesley conheceu bem, madeira seca é a melhor para se atear um fogo.

John M. De Marco é pastor da United Methodist, na Florida e a former news editor para a Christian Retailing Magazine. Reimpresso com a permissão da Charisma Magazine, Outubro de 1998, Strang Communications Co., USA.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

ENTREVISTA COM JUSTO GONZÁLES II

Segunda parte da entrevista com Justo Gonzáles feita por Vida Nova

http://www.vidanova.com.br/teologiadet.asp?codigo=126

domingo, 22 de agosto de 2010

POR QUE A CORUJA É O SÍMBOLO DA FILOSOFIA?

A coruja é o símbolo da Filosofia, ave de Minerva (deusa romana, sendo a deusa Atena para o povo grego). Desde muito tempo a coruja é tida como um dos símbolos da sabedoria. Quando a imagem de algum deus aparecia com uma coruja ao lado, este deus era apresentado como portador da sabedoria

A coruja vê na escuridão. A constituição física de seu pescoço permite que ela veja tudo a sua volta. Essa seria a pretensão da filosofia, por meio da razão poder ver racionalmente e entender o mundo mesmo nos seus momentos mais obscuros. E ainda procurar enxergá-lo sob os mais diversos ângulos. O sábio encherga coisas que os ignorantes não vêem.2°) A coruja é ligada a Atena, Deusa grega da Sabedoria.3º) Sendo a filosofia o estudo do conhecimento, sendo Atena a deusa da sabedoria, e sendo a coruja símbolo de Atena, logo, a coruja foi usada pra significar a filosofia.

A coruja é uma ave noturna. A coruja apreende a escuridão com a inteligência. Isso é também uma analogia da atividade filosófica, da passagem da elaboração mítica, na noite escura do tempo, para a interpretação racional, sob a luz natural.

A Coruja é uma ave de hábitos diferentes das outras aves, pois quando todas as outras aves estão migrando ou voltando para o ninho no final do dia, a coruja sai para fazer um vôo panorâmico sobre toda a sua região para saber o que lhe restou daquele dia. São animais com hipermetropia, não enxergam perto (a poucos centímetros), porém, em distâncias maiores, sua visão é perfeita, principalmente com pouca luz. A Coruja é conhecida por ter olhos bem grandes e sua cabeça é capaz de girar a 180 graus, ou seja, a coruja vê o que outros animais não conseguem ver.
Qual a relação com a filosofia?
A filosofia, por analogia, realiza faculdades “idênticas” as da coruja. A Filosofia faz um “vôo” sobre todas as realidades que cercam o homem, enxerga o que “restou do dia” enquanto outras faculdades estão satisfeitas com a “volta para casa”.
O Filósofo é chamado a alçar vôo no seu pensamento, ele tem os sentidos aguçados sobre as coisas, ele não é melhor do que outros, mas realiza a sua missão de enxergar de cima todas as coisas.
A sabedoria tem olhos grandes , não para cobiçar, mas para ver os detalhes, pois a sua visão deve ser completa (180 graus), em outras palavras, a sabedoria consiste em ver o que ninguém consegue ver.

A frase de Hegel, “a Coruja de Minerva levanta vôo somente ao entardecer”, alude ao papel importante que desempenha a filosofia. Ou seja, a filosofia só pode dizer algo sobre o mundo, através da linguagem da razão, depois das coisas terem acontecido.Assim, para a modernidade ocidental o símbolo da filosofia passa a ser a coruja, uma vez que ela não é adepta de uma visão unidirecional, ela gira a cabeça quase por completo, olhando para todos os lados. Penso que fica esclarecido porque é que a coruja e filosofia andam juntas.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

A Fé Ri das Impossibilidades

por

Leonard Ravenhill





Pedro na prisão! Que abalo!

Estamos muito longe da cena real para capturar a atmosfera de horror que os Cristãos sentiram neste dia.

Pedro foi movido do Pentecostes para a prisão, dos insultos para a lança. Ele foi guardado por dezesseis soldados. Pergunte a si mesmo o porque de um homem indefeso necessitar de um semelhante grupo para vigiá-lo. Poder-se-ia
ser que Herodes temeu o sobrenatural, visto que ele soube que Jesus escapou de
um grupo semelhante que O guardava?

Se Pedro tivesse sido cercado por cento e dezesseis soldados, o problema não seria aumentado nem a fuga seria menos certa. Pedro não estava confinado somente pelas duas correntes, mas também pelas grossas paredes da
prisão, pelas três divisões da prisão e finalmente por um portão de ferro.

Quando Pedro estava na prisão, a igreja organizou um plano para libertá-lo? Não. Quando Pedro estava encarcerado, os crentes ofereceram uma petição a Herodes ou sugeriram um preço para oferecer aos legisladores para sua
liberdade? Não. Pedro tinha libertado outros na hora da oração; agora outros
deveriam crer na sua libertação.

Com freqüência através do livro de Atos, que poderia ser chamado Os Atos da Oração, encontramos oração e mais oração. Escave no livro e descubra este poder que motivava a igreja primitiva. No capítulo doze de Atos
encontramos um grupo que orava. Apesar de um exército acampado contra Pedro,
nisto aqueles crentes confiavam: havia um Deus que poderia e que livraria. A
operação de resgate que nunca falhou foi a oração. Não havia limites nas
orações daqueles que fizeram intercessão por Pedro. A oração era feita sem
cessar pela igreja à Deus por ele. Eles não estavam preocupados se Herodes
morreria ou não. Eles não oraram para que eles pudessem escapar do destino de
Pedro. Eles não pediram que eles tivessem outro êxodo para uma nação mais
hospitaleira. Eles oraram por uma pessoa: Pedro. Eles oraram por uma coisa: sua
libertação. A resposta provou o prometido: "E, tudo o que pedirdes na
oração, crendo, o recebereis".

Alguns pobres intérpretes desta história têm disto que quando aqueles que oravam ouviram que Pedro estava à porta, não acreditaram. Eu não posso aceitar esta suposição. Estou certo de que eles oraram com esperança. Eu
gosto de pensar que eles ficaram por um momento chocados com a instantaniedade
da resposta. Eles poderiam ser escusados se tivessem levantado suas
sobrancelhas quando Pedro disse: "Eu escapei facilmente com a escolta de
um anjo" (Próxima vez que você passar na porta mágica automática em seu
supermercado, lembre-se que a primeira porta a abrir-se de seu próprio acordo
foi funcionada de cima!).

Libertações operadas por anjos parecem não encontrar lugar na nossa teologia moderna. Talvez gostaríamos que o Senhor respondesse nossas orações com o mínimo embaraço para nós. Além do mais, quem esperará que as
filas angelicais sejam perturbadas para trazer libertação a uma alma que ora?
Porém, aconteceram resultados sobrenaturais para muitos dos santos que oravam
nos dias apostólicos. O Senhor usou um terremoto devastador para a libertação
do apóstolo. A oração é uma dinamite.

Não há nenhuma arma fabricada contra a oração que possa neutralizá-la. Algumas coisas podem atrasar as respostas à oração, mas nada pode parar o supremo propósito de Deus. "Se tardar, espera-o".

O primeiro requerimento na oração é crer.

- Crer que Deus é "galardoador dos que O buscam".

- Crer que Deus está vivo e que, portanto tem poder não somente para a libertação de Pedro, mas também para a nossa.

- Crer que Deus é amor e que Ele tem cuidado dos Seus.

- Crer que Deus é poder e, portanto nenhum poder pode opor-se a Ele.

- Crer que Deus é verdadeiro e, portanto não pode mentir.

- Crer que Deus é bom e que Ele nunca abdicará Seu trono ou falhará em Sua promessa.

Refletindo sobre a história de Pedro, fui repreendido, humilhado, envergonhado e atormentado. Por que? Porque há grandes santos de hoje em dia, Watchman Nee por exemplo, que por anos têm sofrido e têm permanecido cativos
pelos comunistas e outros. Muitos dos santos de hoje estão quietos na prisão. O
mesmo destino tem sucedido a algumas testemunhas escolhidas de Deus no Vietnã e
em Congo.

Tais perigos a outros membros do Corpo demandam preocupação, concentração e consagração para um plano comprometido de oração em favor deles. Eu temo que orações não têm sido feitas a Deus sem cessar por estes sofredores
membros da família.

O Sr. Bunyan nos mostra seu Cristão cativo pelo Gigante Desespero no Castelo da Dúvida. A chave para sua libertação foi Promessa. Nós Cristãos estamos no cativeiro em muitos níveis hoje pessoais, domésticos, da igreja e de
iniciativa missionária. Mas as correntes se quebram e as masmorras caem quando
a oração é feita pela igreja à Deus:

- Oração sem cessar;

- Oração que destrói nossa situação atual;

- Oração que nos drena de qualquer outro interesse;

- Oração que nos emociona por suas imensas possibilidades;

- Oração que veja Deus como Aquele que do alto governa, Todo-Poderoso para salvar;

- Oração que ria das impossibilidades e grite: "Será feito";

- Oração que veja todas as coisas debaixo dos Seus pés [de Deus];

- Oração que é motivada com o desejo pela glória de Deus.

A oração de um crente pode tornar-se um ritual. O lugar da oração é mais do que território onde atiremos todas nossas ansiedades, preocupações e temores. O lugar da oração não é um lugar para deixar cair uma lista de compras
diante do trono de um Deus com infinito suprimento e ilimitado poder.

Eu creio que o lugar da oração não seja somente um lugar onde eu perca meus fardos, mas também um lugar onde eu receba um fardo. Ele compartilha meu fardo e eu compartilho a Seu fardo. "Meu jugo é suave e meu fardo é
leve". Para conhecer este fardo, devemos ouvir a voz do Espírito. Para
ouvir esta voz, devemos calar e saber que Ele é Deus.

Esta hora calamitosa nos assuntos dos homens demanda uma igreja mais saudável do que a que temos. Esta manifestação evidente do mal na juventude e na violação dos mandamentos de Deus por todo o mundo requer uma fé
que não recua.

Podemos deixar nossas espadas de oração enferrujadas nas bainhas da dúvida? Poderemos deixar nossas desentoadas harpas de oração penduradas nos salgueiros da descrença?

- Se Deus é um Deus de inigualável poder e inacreditável força,

- Se a Bíblia é a imutável Palavra do Deus vivo,

- Se a virtude de Cristo é tão nova hoje como quando Ele primeiro fez a oferta de Si mesmo a Deus depois de Sua ressurreição,

- Se Ele é o único mediador hoje,

- Se o Espírito Santo pode nos ressuscitar como Ele fez como nossos pais espirituais, Então todas as coisas são possíveis hoje.

Os mares estavam agitados, os ventos estavam uivando, os marinheiros estavam chorando, os mastros estavam voando, as estrelas estavam escondendo-se, o Euro-aquilão explodindo. As pessoas estavam encolhendo-se e
gritando, gemendo e suspirando. Somente um homem estava louvando. Todos estavam
esperando a morte, exceto Paulo. No meio de uma cena de desespero, se alguma
vez houve uma, Paulo clamou: "Senhores, eu creio em Deus" (Atos 27).

Como as coisas parecem estar totalmente diferentes estes dias, eu vou me unir a Paulo. Eu vou dizer com fé: "Senhores, eu creio em Deus". Você se unirá a mim?

domingo, 15 de agosto de 2010

PRESENÇA DOS REFORMADORES FRANCESES NO BRASIL III

trabalhava com couro, um ferreiro e um alfaiate. Seus nomes: Pierre Bourdon, Matthieu Verneuil, Jean
de Bourdel, André La Fon, Nicolas Denis, Martin David, Nicolas Raviquet, Nicolas Carmeau, Jacques
Rousseau, Jean Gardien (que provavelmente fez as ilustrações do livro de Lery) e “eu, Jean de Lery,
que me juntei a companhia, assim pelo forte desejo que Deus me dera de contribuir para a sua glória,
como pela curiosidade de ver esse novo mundo”.39 Lery era, provavelmente, um sapateiro, tendo
aprendido esta profissão bem jovem, pois aos dezoito anos estava em Genebra, estudando Teologia.
Por época de sua viagem ao Brasil tinha 23 anos.
O Almirante Coligny também recebera uma carta com pedido de reforço, e então solicitou por
carta que seu amigo Phillipe de Corguilleray, Senhor Du Pont, empreendesse esta viagem ao Brasil,
liderando o grupo huguenote. O Senhor Du Pont morava em Bossy, perto de Genebra, e, mesmo em
idade avançada, concordou em liderar a expedição. “Nem mesmo os seus negócios pessoais e o amor
que consagrava a seus filhos o demoveram de aceitar o encargo que o Senhor lhe impunha”.40
Os huguenotes chegam ao Rio de Janeiro. Eles partiram de Genebra no dia 8 de setembro de
1556, tiveram um encontro com o Almirante Coligny em Chatillon-Sur-Loing, que os estimulou a
prosseguir na empresa. Depois de uma curta estadia em Paris, passaram a Rouen e depois a Honfleur,
perto da Normandia, onde se reuniram a um grande grupo de huguenotes, recrutados através dos
esforços do Almirante Coligny. Este grupo chegava a 300 pessoas. O comandante da expedição era o
senhor de Bois Le Conte, sobrinho de Villegaignon, que mandou aparelhar para a guerra, às custas do
rei, três excelentes navios, com víveres e outras coisas necessárias à viagem, embarcando a 19 de
novembro. Le Conte, que foi eleito vice-almirante, ia a bordo do “Petite Roberge” com cerca de 80
pessoas entre soldados e marujos. Os outros navios eram o “Grande Roberge”, no qual iam 120
pessoas. No terceiro barco, que se chamava “Roseé”, iam quase noventa pessoas, inclusive seis
meninos, que foram levados para que aprendessem a língua dos nativos, e cinco moças com uma
governanta.41
Estas foram as primeiras mulheres francesas enviadas ao Brasil. Depois de muitas aventuras
(mesmo contra a opinião dos huguenotes, foram abordados e pilhados dois navios mercantes ingleses,
um navio irlandês, uma caravela portuguesa e uma espanhola, sendo que esta última foi rebocada para
o Brasil), em 10 de março de 1557 a expedição chegou ao Rio de Janeiro, onde foram recebidos com
grande júbilo por Villegaignon. Lery, sempre testemunha ocular, nos conta que todos se juntaram na
praia, a render graças a Deus, por tê-los protegido durante a viagem. Depois veio Villegaignon, que os
recebeu todo risonho, abraçando a todos. Os pastores apresentaram suas credenciais e as cartas de João
Calvino, e Villegaignon disse: “Quanto a mim, desde muito e de todo o coração desejei tal coisa e
recebo-vos de muito bom grado mesmo porquê aspiro a que nossa igreja seja a mais bem reformada de
todas. Quero que os vícios sejam reprimidos, o luxo do vestuário condenado e que se remova do nosso
meio tudo quanto possa prejudicar o serviço de Deus”. Erguendo depois os olhos ao céu e juntando as
mãos disse: “Senhor Deus, rendo-te graças por teres enviado o que a tanto tempo venho ardentemente
pedindo”. E voltando-se novamente para os companheiros continuou:

Meus filhos (pois quero ser vosso pai), assim como Jesus Cristo nada teve deste
mundo para si e tudo fez por nós, assim eu (esperando que Deus me conserve a vida
até nos fortificarmos neste país e poderdes dispensar-me) tudo pretendo fazer aqui
para todos aqueles que vierem com o mesmo fim que viestes. É minha intenção criar
aqui um refúgio para os fiéis perseguidos na França, na Espanha ou em qualquer outro
país além-mar, afim de que sem temer o rei nem o imperador nem quaisquer
potentados, possam servir a Deus com pureza, conforme a sua vontade.42

Estas foram as primeiras palavras proferidas por Villegaignon por ocasião da chegada da
expedição, em 10 de março de 1557. Então deu ordens de reunir todas as pessoas que estavam no
forte, e Pierre Richier celebrou o primeiro culto protestante nas Américas. Uma semana depois, a Ceia

enviado a La Rochelle, onde organizou uma igreja, e morreu em 1580. Guilhaume Chartier, natural de Vitré, na
Bretanha, estudou em Genebra e aceitou com ardor o comissionamento para a América. Depois desta expedição,
pouco se sabe dele, somente que foi Capelão de Jeane d’Albret.
39 Jean de Lery, op. cit., 48-49.
40 Jean Crespin, op. cit., 25.
41 Jean de Lery, op. cit., 50.
42 Jean de Lery, op. cit., 77.


também foi celebrada segundo o rito reformado, em 21 de março. O próprio Villegaignon foi o primeiro a tomá-la, depois de confessar sua fé reformada perante toda a congregação.43

Explode o conflito entre Villegaignon e os pastores genebrinos.

Os huguenotes logo começaram a trabalhar nas obras de fortificação na ilha, e Richier os estimulava chamando
Villegaignon de um novo “Paulo”. Este para demonstrar sua boa vontade criou o Conselho dos
Notáveis, igual ao de Genebra, no qual ele se limitava a presidir. Mas a calma aparente foi rompida no
Pentecostes de 1557. Na celebração da ceia anterior, Jean Cointac começou a levantar dúvidas se era
lícito ou não deitar água no vinho na cerimônia de consagração. Este homem, ao que se diz, veio ao
Brasil com a promessa de ser ordenado Bispo da Igreja, feita pelo próprio Villegaignon, mas tendo
sido reprovado pelos pastores genebrinos, começou a fomentar a discórdia. Citando São Cipriano, São
Clemente e os Santos Concílios, foi refutado por Pierre Richier, que para isso usava apenas as
Escrituras, que contradiziam estas opiniões. Isto então gerou violentos debates sobre a natureza da
presença de Cristo na Eucaristia. Pouco mais tarde, baseando-se outra vez na tradição, Villegaignon
procurou refutar publicamente Richier, durante a celebração de um casamento. Para evitar que fosse
prolongado ainda mais o debate, ficou decidido que Guilhaume Chartier iria a Genebra aconselhar-se
com Calvino, tendo saído da Guanabara em 4 de junho de 1557 em um dos navios que, carregado de
pau-brasil e outras mercadorias partiu daqui. A carta de Villegaignon a Calvino, de que era portador
nunca foi encontrada. O próprio vice-almirante estava disposto a aceitar a arbitragem do reformador,
mas enquanto não chegasse a resposta, Richier ficava impedido de administrar os sacramentos ou de
aludir em sermões aos assuntos que deram causa a controvérsia. Isto foi antes do Pentecostes. Nesta
data, em junho, Villegaignon junto com Cointac, deu ordens de misturar água ao vinho, e seguir o rito
católico. Quando foi relembrado do compromisso firmado anteriormente, ele publicamente denunciou
a teologia reformada de heresia. Lery informa-nos de que Villegaignon recebeu “cartas do Cardeal de
Lorena e outros, aconselhando-o a parar de sustentar a heresia calvinista”,44 de um navio que nesta
época aportou em Cabo Frio.
Após humilhar Thoret, calvinista, que era o comandante da fortaleza (ele fugiu nadando para
um navio bretão ancorado ao largo, e seguiu para a França) o Senhor Du Pont fez ver ao Almirante
que se este não seguia a fé reformada estes estavam desobrigados de seguí-lo. Após vários
padecimentos e humilhações, em outubro, os huguenotes deixaram a ilha, indo refugiar-se em terra
firme, no povoado chamado La Briqueterie, tendo permanecido ali por cerca de dois meses. Foi uma
oportunidade de evangelizar os índios, que os trataram com muita amabilidade. Inclusive os senhores
de La Chapelle e de Boissi foram expulsos, por não renegarem à fé reformada.
Villegaignon também declarou nulo o conselho, passando a comandar sozinho a fortaleza.
Proibiu Richier de pregar e reunir os huguenotes em oração, a menos que o ministro ratificasse uma
nova fórmula das preces, pois, segundo ele, as antigas eram errôneas. Na pequena vila, os franceses
viveram sem todas as comodidades, inclusive sem vinho para suas cerimônias, comendo e bebendo
com os índios (sua alimentação consistia de raízes, frutas e peixes) que se mostraram mais humanos
que os franceses da ilha, Villegaignon em particular.
Os huguenotes retornam à França. Em fevereiro de 1558 aportou na Guanabara um pequeno
barco, o “Le Jacques”. Segundo Lery, este navio empreendera a viagem patrocinado por vários líderes
reformados franceses, com o propósito “de explorar a terra e escolher um lugar adequado à localização
de setecentos a oitocentas pessoas que deveriam vir, ainda nesse ano, em grandes urnas de Flandres,
para colonizar o país”.45 O casco do navio já estava meio carcomido, e foi carregado de pau-brasil,
pimenta, algodão, macacos, papagaios e outros produtos da terra. Como o navio não pertencia à
companhia de Villegaignon, este não teve como impedir o embarque dos huguenotes.46 O capitão
concordou em transportá-los, e a 4 de janeiro de 1558, levantou âncora, para a travessia do Atlântico.
O navio era de pequena capacidade, com apenas vinte e cinco marujos e quinze passageiros.47 Mesmo
não se opondo ao embarque, Villegaignon enviou instruções secretas para serem entregues ao primeiro
juiz em França, dizendo para que se executasse os huguenotes como traidores e hereges. Esta
mensagem estava numa urna à prova d’água, mas no fim da viagem ela caiu nas mãos de um juiz
huguenote, e mais tarde foi usada contra o seu autor.

43 Ibid, 80-83.
44 Ibid, 227.
45 Jean de Lery, op. cit., 227.
46 S. B. Holanda, et. al., op. cit., 157.
47 Jean de Lery, op. cit., 227.


Devido ao excesso de carga, a embarcação estava na iminência de naufragar quando apenas se tinha afastado da costa. Feitos os reparos de emergência, discutiram se convinha prosseguirem viagem ou ficarem os passageiros de qualquer modo na Guanabara. A maioria dos huguenotes resolveu
prosseguir viagem, mas frente à réplica do mestre do navio à respeito da insegurança da viagem, Léry
“e mais cinco companheiros já estavam decididos a voltar à terra dos selvagens, distante apenas nove
ou dez léguas, já considerando a possibilidade do naufrágio, já a da fome”.48 Na hora da saída, um dos
huguenotes estendeu os braços em amizade para Lery e disse: “Peço-vos que fiqueis conosco, pois
apesar da incerteza que estamos de aportar em França, há mais esperança de nos salvarmos do lado do
Peru ou de qualquer outra ilha do que das garras de Villegaignon que como podeis imaginar, nunca
vos dará sossego”.49 Desta forma, o historiador da expedição foi salvo de sofrer destino semelhante
que seus irmãos que retornaram. Estes foram: Pierre Bourdon, Jean du Bourdel, Matthieu Verneuil,
André La Fon e Jacques le Balleur. Os outros retornaram à França, passando por grandes tempestades.
Os passageiros e a tripulação foram reduzidos a comedores de couro (dos cintos, sapatos, etc.) e restos,
e alcançaram Nantes mais mortos do que vivos. Em 24 de maio de 1558, eles finalmente avistaram a
Bretanha. Aportaram em Hodierne onde compraram víveres, e finalmente, em 26 de maio entraram no
porto de Blavet, na Bretanha. Todos chegaram sãos e salvos. Após se despedirem dos marinheiros
bretões, os huguenotes foram para Nantes, onde foram recebidos com muitas gentilezas e foram
tratados por médicos habilitados.

Martírio dos Huguenotes

Alguns huguenotes retornam ao Forte Coligny. O martírio dos huguenotes deve ser entendido
no contexto da dramática mudança operada no caráter de Villegaignon. Desde a controvérsia da Ceia,
em junho de 1557, este se tornara amargo e violento. Os colonos podiam conhecer o humor do
almirante pelas cores berrantes de suas vestes.50 Tanto Léry como Crespin relatam suas crueldades
com os habitantes da fortaleza. Cerca de 30 ou 40 homens e mulheres de outra tribo inimiga dos
tupinambás, que os venderam aos franceses, foram tratados com extrema crueldade. Um deles foi
amarrado a uma peça de artilharia, e o próprio almirante derramou toucinho derretido nas nádegas do
pobre índio.51 Os mordomos de Villegaignon, ambos reformados, foram expulsos do Forte. Um
artesão morreu de fome, mesmo implorando por comida ao desvairado almirante. O ápice foi a
expulsão de Jean Cointac da fortaleza. Quando os huguenotes fugiram para La Briqueterie, Cointac já
estava lá. Ele havia sido expulso por Villegaignon, e passava o dia amaldiçoando a almirante. Depois
ele fugiu para Bertioga, quando os franceses e tupinambás iam atacar São Vicente. Os fatos
subseqüentes foram narrados por testemunhas oculares, para o Senhor Du Pont, em Paris, após a volta
dos mesmos da colônia.
Os cinco huguenotes se fizeram ao mar, e só depois notaram que seu escaler não tinha mastro.
Eles improvisaram um, junto com uma vela, e se puseram ao largo, se dirigindo para a costa. Após
muitas intempéries, depois de cinco dias aportaram em uma praia perto do Forte de Coligny. Após
serem bem tratados pelos índios do lugar, eles, em virtude da enfermidade de um dos huguenotes, se
dirigiram para a fortaleza. Permaneceram na praia quatro dias, e depois se fizeram ao mar, se dirigindo
para o Forte de Coligny.
Eles se dirigiram direto para La Briguiterie, e ao desembarcar, foram muito bem tratados pelo
Almirante Villegaignon, que estava lá cuidando de negócios particulares. Este os recebeu bem, mas
em pouco tempo se virou contra eles. Primeiro tomou o escaler que lhes pertencia, e depois de doze
dias começou a achar que eles eram espiões dos huguenotes que haviam se retirado com o “Le
Jacques”.
Os huguenotes são executados. Sendo o representante de Henrique II na ilha, era seu dever
provar a fé dos huguenotes, e vendo nisto a oportunidade de se livrar deles formulou um questionário
com vários pontos controversos, enviando-o aos huguenotes, e dando-lhes o prazo de 12 horas para
respondê-lo. Os franceses que estavam com eles em La Briguiterie tentaram dissuadi-los a responder o
desafio do Almirante, mas estes não fugiram ao desafio. Pedindo ajuda “do Espírito de Jesus Cristo”,
segundo as palavras do autor do Histoire des Martyrs, eles escolheram Jean du Bourdel para redigir a

48 Ibid, 229.
49 Ibid, 229.
50 Ibid, 89.
51 Pedro Calmon, op. cit., 282-283.


confissão, por ser o mais letrado e conhecer o latim. Após redigi-la, submeteu-a a seus companheiros,
que assinaram-na.
Em 9 de fevereiro eles foram conduzidos ao forte – Pierre Bourdon ficou em terra por estar
enfermo. Ao se apresentarem ao Almirante, reafirmando o desejo de se manterem fiéis à confissão,
receberam todo o ódio de Villegaignon. Os huguenotes foram presos e o terror tomou conta dos
moradores da ilha. Na manhã seguinte, 10 de fevereiro de 1558, sexta-feira, Villegaignon tentou levar
os huguenotes a abjurar a confissão, mas eles se mantiveram firmes. Após esbofetear violentamente du
Bourdel, ordenou ao carrasco que algemasse as mãos do homem e o conduzisse a uma rocha para
lançá-lo ao mar. Após estimular os outros companheiros, cantou um Salmo, confessou seus pecados e
foi lançado ao mar. Matthieu Verneuil também foi conduzido à rocha, e após reafirmar o desejo de não
se retratar, proferiu suas últimas palavras: “Senhor Jesus, tem piedade de mim”. André La Fon foi
considerado inofensivo por Villegaignon, que não mandou matá-lo, e o manteve a seu serviço, pois
La Fon era alfaiate – ele precisava mantê-lo para conservar seu guarda-roupas! Villegaignon
atravessou o braço de mar e foi à casa onde Bourdon se abrigava, doente, trazendo-o para o forte.
Como este não queria renegar a confissão de fé, foi estrangulado por um carrasco, e seu corpo atirado
no mar. Suas últimas palavras foram:

Senhor Deus, sou também como aqueles meus companheiros que com honra e glória
pelejaram o bom combate pelo teu Santo Nome e, por isso, peço-te me concedas a
graça de não sucumbir aos assaltos de Satanás, do mundo e da carne. E perdoa,
Senhor, todos os pecados por mim cometidos contra a tua majestade, e isto eu te
imploro em nome do teu filho muito amado Jesus Cristo.52

Jacques Le Balleur foi poupado, pois era ferreiro.53 Isto praticamente marcou o fim da colônia
francesa, e encerrou a tragédia da Guanabara.

O Fim da Colônia

Villegaignon se retira e a colônia cai. Em fins de 1558, Villegaignon se retirou do Forte de
Coligny, retornando para a França. Ele estava debaixo de suspeitas tanto dos huguenotes, que
começaram a chamar-lhe de “Caim da América”, “apóstata” e “assassino”, quanto por parte dos
católicos, que suspeitavam de suas inclinações reformadas. Isto marcou o fim da colônia francesa, que
ficou sob a supervisão de Bois Le Comte. A colônia já estava sendo acossada pelos índios Maracajás,
aliados dos portugueses, e estes enviaram para o Brasil Mem de Sá, que tinha como sua ordem do dia
a expulsão dos franceses. Em 1560, Mem de Sá partiu de Salvador para o Rio de Janeiro, com duas
naus e oito embarcações menores, e cerca de 2000 soldados, recebendo mais reforços de São Vicente.
Jean Cointac traiu os franceses, revelando todas as posições francesas. Em 15 de março o combate
começou. O número de franceses na ilha chegava a 114, com cerca de oitocentos tupinambás
apoiando-os. A luta foi dura, durando dois dias. Após a captura do paiol, os franceses se renderam, no
sábado, fugindo para o continente e se embrenhando no mato. No dia seguinte, domingo, 17 de março
de 1560, em meio às comemorações de vitória, foi celebrada a primeira missa na ilha.54 Os franceses
que não foram mortos pelos índios Maracajás, foram resgatados por um navio que os apanhou na
costa. Desta forma terminou a tentativa de instalar uma colônia para os huguenotes franceses no Rio
de Janeiro.
O fim de Villegaignon. Após sua volta para a França, Villegaignon tentou polemizar com
vários protestantes. Desta polêmica surgiu Histoire d’un Voyage Fait en La Terre du Brésil, escrito
por Jean de Lery, em 1578, em parte para responder as acusações de Villegaignon. Ele tentou envolver

52 Jean Crespin, op. cit., 55-64, 72-83.
53 R. Pierce Beaver, op. cit., 71. Após conseguir viver escondido, Jacques Le Balleur foi preso pelos portugueses
nas cercanias de Bertioga. Ele fo i enviado para Salvador, na Bahia, que era a sede do governo colonial, onde foi
julg ado pelo crime de “invasão” e “heresia”, isto em 1559. Em abril de 1567 foi queimado, sendo auxiliar do
carrasco José de Anchieta, para consternação dos católicos. Álvaro Reis, O martyr Le Balleur (Rio de Janeiro:
s/ed, 1917).
54 Rocha Pomb o, op. cit., 216, 221-223. Ver também S. B. Holanda, op . cit.,158 e Pedro Calmon, op. cit., 282-
287. Cointac foi enviado a Portugal, para julgado pela inquisição de Lisboa, sob a acusação de heresia. Quando
foi absolvido, foi desterrado para a Índia.


Calvino, mas está relatado que Calvino jogou sua carta debaixo de seus pés. Até o final de seus dias
ele lutou contra os calvinistas e luteranos com sua pena. Na Batalha de Rouen, em 1562, teve sua
perna esmagada pela bala de um canhão huguenote. Em 1568 foi nomeado embaixador dos Cavaleiros
de Malta para a corte francesa. Faleceu em Beauvais, perto de Nemours, em 9 de fevereiro de 1571.55


TESTEMUNHO HUGUENOTE

Segundo Jean de Lery, o principal objetivo da expedição huguenote às terras do Brasil, pedida
por Villegaignon a Coligny e Calvino, era o envio de “ministros mas também algumas outras pessoas
bem instruídas na religião cristã afim de melhor reformar a si e aos seus e mesmo abrir aos selvagens o
caminho da salvação”.56 Diante desta declaração analisaremos os feitos dos reformados dentro dos
limites a eles impostos e acima mencionados.

Junto aos Franceses

Pregação. Talvez o trabalho mais importante realizado entre os franceses tenha sido a
pregação. O primeiro culto evangélico realizado nas Américas foi realizado no Forte Coligny, em 10
de março de 1557, uma quarta-feira. Villegaignon mandou

reunir toda a sua gente conosco em uma pequena sala existente no meio da ilha e o
ministro Richier invocou a Deus. Cantamos em coro o Salmo V e o dito ministro,
tomando por tema estas palavras do Salmo XXVII - “Pedi ao Senhor uma coisa que
ainda reclamarei e que é a de poder habitar na casa do Senhor todos os dias da minha
vida” - fez a primeira prédica no Forte de Coligny, na América. Durante a mesma não
cessou Villegaignon de juntar as mãos, erguer os olhos para o céu, dar altos suspiros e
fazer outros gestos que a todos nos pareciam dignos de admiração. Por fim,
terminadas as preces solenes conforme o ritual das igrejas reformadas de França, e
marcados para elas um dia da semana, dissolveu-se a reunião.57

Villegaignon e os ministros genebrinos concordaram que seriam realizadas “preces públicas
feitas todas as noites depois do trabalho” e que “os ministros pregariam duas vezes no domingo e nos
outros dias da semana durante uma hora; [Villegaignon] ordenou também, expressamente, que os
sacramentos fossem administrados de acordo com a palavra de Deus e que, no mais, fosse a disciplina
aplicada contra os pecadores”.58
Ceia do Senhor. Já no dia 21 de março, no domingo, foi realizada a primeira ceia, e todos os
que dela participariam deveriam dar pública confissão de fé, “abjurando perante todos o papismo”.
Mas logo depois disto começaram os debates a respeito da presença real de Cristo na eucaristia. Como
já vimos, a crise veio à tona no Pentecostes, quando Villegaignon rompeu acordo previamente
estabelecido com os pastores genebrinos, de esperar uma resposta de Genebra quanto à controvérsia.
Disciplina. Em 3 de abril, dois criados de Villegaignon “desposaram no momento da prédica,
segundo as leis da igreja reformada, duas das jovens que tínhamos trazido de França para este país”.
Em 17 de maio, Jean Cointac, o pivô da discórdia sobre a eucaristia, ele mesmo desposou uma das
jovens, “parente de um tal Laroquete, de Rouen”, que havia ido para o Brasil com os huguenotes e
falecera pouco antes do casamento. As outras duas moças casaram-se com dois intérpretes
Normandos.59 Os casamentos entre franceses e índios foi proibido, salvo se as índias fossem
instruídas na religião reformada e batizadas. Andrada diz que “registraram-se numerosas conversões e
muitos dos calcetas de Rouen e de presidiários de Paris, despertados pela austera doutrina e pelas
virtudes dos ministros protestantes, aceitaram o cristianismo”.60 Temos a favor dos huguenotes o fato
de que levados a uma situação limite, em nenhum momento tomaram uma atitude violenta contra

55 R. Pierce Beaver, op. cit., 72.
56 Jean de Lery, op. cit., 47.
57 Ibid., 77.
58 Ibid., 79.
59 Jean de Lery, op. cit., 86-87.
60 Laércio Caldeira da Andrada, op. cit., 66.

Villegaignon. O próprio Léry foi preso, mas em meio à sua revolta, foi instado por Du Pont a não
tomar uma atitude violenta que desonrasse a igreja reformada. Estes são alguns dos feitos que os
huguenotes realizaram entre os franceses, mas nenhum deles teve continuidade, envolvidos que
estavam com as polêmicas que começaram a assolar a Igreja reformada do Forte Coligny.

Junto aos Índios Tupinambás

Métodos de Evangelização. Léry fez notas cuidadosas dos ritos e costumes dos índios
brasileiros. Estas notas foram registradas em seu livro, e são pioneiras como descrição do Brasil
Colonial. Ele não recriminou costumes e práticas repulsivas para os europeus e nem os condenou por
serem diferentes. Ele testemunhou guerras e canibalismo. Ele descobriu que os tupinambás não tinham
uma noção do Único Deus Verdadeiro, conhecendo apenas os “maus espíritos” que os oprimiam. Não
obstante o choque cultural, Léry descobriu boas qualidades nos índios, tais como hospitalidade e boa
vontade de escutar amigos e estranhos. O método de Léry de evangelização era informal, aproveitando
todas as oportunidades para evangelizar.61
Resultados do trabalho entre os índios. Foi a extrema falta de tempo que impediu a conversão
dos índios, de acordo com o pastor Richier e Lery. É importante mencionar que dez índios de nove a
dez anos, tomados na guerra pelos índios amigos dos franceses, e vendidos como escravos a
Villegaignon, foram embarcados no mesmo navio para a França (o “Rosée”, que através de “um tal
Nicolas Carmeau” levou uma carta para Calvino, em 1º de abril de 1557), “depois de ter o ministro
Richier, ao fim de uma prédica, imposto as mãos sobre eles e de termos rogado a Deus que lhes fizesse
a graça de serem os primeiros deste pobre povo chamados à salvação”.62 Ao chegar em França os
rapazes foram apresentados ao rei Henrique II, e distribuídos entre vários nobres. Um deles chegou a
ser batizado, por ordem do Senhor de Passy, e o próprio Lery o reconheceu na residência deste, ao
retornar para sua pátria. O trabalho, após a volta dos Reformados para a França acabou. Não houve
frutos permanentes, mas segundo Lery “sou de opinião que se Villegaignon não houvesse abjurado a
religião reformada e tivéssemos podido permanecer por mais tempo no país teríamos chamado alguns
deles a Jesus”.63

A Confissão de Fé

O maior testemunho dos huguenotes na Guanabara é justamente sua Confissão de Fé. Esta,
inclusive o processo instaurado por Villegaignon contra Jean du Bourdel, Matthieu Verneuil e Pierre
Bourdon foram entregue ao Senhor Du Pont, cerca de quatro meses depois de sua chegada à França,
por “pessoas fidedignas que deixamos neste país”. Estes foram testemunhas oculares do martírio dos
huguenotes no Forte Coligny.64 Depois Du Pont entregou a Confissão de Fé e os processos a Lery, que
se sentiu no dever de que este relato constasse “no livro dos que em nossos dias foram martirizados na
defesa do Evangelho”. Em 1558 ele entregou os manuscritos a Jean Crespin, que a inseriu no seu
livro:

Segundo a doutrina de S. Pedro Apostolo, em sua primeira epistola, todos os Christãos
devem estar sempre promptos para dar razão da esperança que nelles ha, e isso com
toda a doçura e benignidade, nós, abaixo assignados, Senhor de Villegaignon,
unanimemente (segundo a medida de graça que o Senhor nos ha concedido) damos
razão, a cada ponto, como nos haveis apontado e ordenado, e começando no primeiro
artigo:

I. Cremos em um só Deus, immortal e invisivel, creador do céo e da terra, e de todas
as coisas, tanto visiveis como invisiveis, o qual é distinto em tres pessoas : o Pae, o
Filho e o Santo Espirito, que não fazem sinão uma mesma substancia em essencia
eterna e uma mesma vontade ; o Pae fonte e começo de todo o bem ; o Filho
eternamente gerado do Pae, o qual, cumprida a plenitude do tempo; se manifestou em

61 Jean de Lery, op. cit., 197-198.
62 Ibid., 85.
63 Ibid., 198.
64 Ibid., 198.

carne ao mundo, sendo concebido do Santo Espirito, nascido da Virgem Maria, feito
sob a Lei para resgatar os que sob ella estavam, afim de que recebessemos a adopção
de proprios filhos; o Santo Espirito, procedente do Pae e do Filho, mestre de toda a
verdade, falando pela boca dos Prophetas, suggerindo todas as coisas que foram ditas
por nosso Senhor Jesus Christo aos Apóstolos. Este é o unico consolador em
afflicção, dando constancia e perseverança em todo bem. Cremos que é mistér
sómente adorar e perfeitamente amar, rogar e invocar a magestade de Deus em fé ou
particularmente.

II. Adorando nosso Senhor Jesus Christo, não separamos uma natureza da outra,
confessando as duas naturezas, a saber, divina e humana n’Elle inseparaveis.

III. Cremos, quanto ao Filho de Deus e ao Santo Espirito, o que a Palavra de Deus e a
doutrina apostolica, e o symbolo, nos ensinam.

IV. Cremos que nosso Senhor Jesus Christo virá julgar os vivos e os mortos, em fórma
visivel e humana como subiu ao Céo, executando tal juizo na forma em que, nos
predisse em S. Matheus, vigesimo quinto capitulo, tendo todo o poder de julgar, a Elle
dado pelo Pae, em tanto que é homem. E, quanto ao que dizemos em nossas orações,
que o Pae apparecerá enfim na pessoa do Filho, entendemos por isso que o poder do
Pae, dado ao Filho, será manifestado no dito juizo, não todavia que queiramos
confundir as pessoas, sabendo que ellas são realmente distintas uma da outra.

V. Cremos que no Santíssimo Sacramento da Ceia, com as figuras corporaes do pão e
do vinho, as almas fieis são realmente e de facto alimentadas com a propria substancia
de nosso Senhor Jesus como nossos corpos são alimentados de viandas, e assim não
entendemos dizer que o pão e o vinho sejam transformados ou transubstanciados no
corpo e sangue d’elle, porque o pão continua em sua natureza e substancia,
similhantemente o vinho, e não ha mudança ou alteração. Distinguimos todavia este
pão e vinho do outro pão que é dedicado ao uso commum, sendo que este nos é um
signal sacramental, sob o qual a verdade é infallivelmente recebida. Ora esta recepção
não se faz sinão pormeio da fé e nella não convem imaginar nada de carnal, quem
preparar os dentes para o comer, como santo Agostinho nos ensina, dizendo : “Porque
preparas tu os dentes e o ventre ? Crê, e tu o comeste.” O signal, pois, nem nos dá a
verdade, nem a coisa significada ; mas nosso Senhor Jesus Christo, por seu poder,
virtude e bondade, alimenta e preserva nossas almas, e as faz participantes de sua
carne, e de seu sangue, e de todos os seus benefícios. Vejamos a interpretação das
palavras de Jesus Christo: “Este pão é o meu corpo”. Tertuliano, no livro quarto contra
Marcion, explica estas palavras assim: “Este é o signal e a figura do meu corpo”. S.
Agostinho diz : “O Senhor não evitou dizer :- Este é o meu corpo, quando dava apenas
o signal de seu corpo”. Portanto (como é ordenado no primeiro Canon do concilio de
Nicéa), neste santo Sacramento não devemos imaginar nada de carnal e nem nos
distrahir no pão e no vinho, que nos são nelles propostos por signaes, mas levantar
nossos espiritos ao Céo para contemplar pela fé o Filho de Deus, nosso Senhor Jesus,
sentado á dextra de Deus, seu Pae. Neste sentido podiamos juntar o artigo da
Ascenção, com muitas outras sentenças de santo Agostinho, que omittimos, temendo
ser longas.

VI. Cremos que, si fosse necessario pôr agua no vinho, os evangelistas e São Paulo
não teriam omttido uma coisa de tão grande conseqüência. E quanto a que os doutores
antigos o têm observado (fundamentando-se sobre o sangue misturado com agua que
sahio do lado de Jesus Christo, desde que tal observancia não tem nenhum fundamento
na Palavra de Deus, visto mesmo que depois da instituição da Santa Ceia isso
aconteceu), nós a não podemos hoje admittir necessariamente.


VII. Cremos que não ha outra consagração que a que se faz pelo ministro, quando se
celebra a Ceia, recitando o ministro ao povo, em linguagem conhecida, a instituição
desta Ceia litteralmente, segundo a fórma que nosso Senhor Jesus Christo nos
prescreveu, admoestando o povo da morte e paixão de nosso Senhor. E mesmo, como
diz santo Agostinho, a consagração e a palavra de fé que é pregada e recebida em fé.
Pelo que, segue-se que as palavras secretamente pronunciadas sobre os signaes não
podem ser a consagração como apparece da instituição que nosso Senhor Jesus
Christo deixou aos seus Apóstolos, dirigindo suas palavras aos seus discipulos
presentes, aos quaes ordenou tomar e comer.

Vlll. O Santo Sacramento da Ceia não é vianda para o corpo como para as almas
(porque nós não imaginamos nada de carnal, como declaramos no artigo quinto)
recebendo-o por fé, a qual não é carnal.

IX. Cremos que o baptismo é Sacramento de penitencia, e como uma entrada na
Egreja de Deus, para sermos incorporados em Jesus Christo. Representa-nos a
remissão de nossos peccados passados e futuros, a qual é adquirida plenamente só pela
morte de nosso Senhor Jesus.
De mais, a mortificação de nossa carne ahi nos é representada, e a lavagem,
representada pela agua lançada sobre a creança, é signal e sello do sangue de nosso
Senhor Jesus, que é a verdadeira purificação de nossas almas. A sua instituição nos é
ensinada na Palavra de Deus, a qual os santos Apostolos observaram usando de agua
em nome do Pae, do Filho e do Santo Espirito. Quanto aos exorcismos, abjurações de
satan, chrisma, saliva e sal, nós os registramos como tradições dos homens,
contentando-nos só com a fórma e instituição deixada por nosso Senhor Jesus.

X. Quanto ao livre-arbitrio, cremos que, si o primeiro homem, creado á imagem de
Deus, teve liberdade e vontade, tanto para bem como para mal, só elle conheceu o que
era o livre arbitrio, estando em sua integridade. Ora, elle nem apenas guardou este
dom de Deus, assim delle foi privado por seu peccado, e todos os que descendem
delle, de sorte que nenhum da semente de Adão tem uma scentelha do bem. Por esta
causa, diz São Paulo, que o homem sensual não entende as coisas que são de Deus. E
Oseas clama aos filhos de lsrael : “Tua perdição é de ti, Ò lsrael.” Ora isto entendemos
do homem que não é regenerado pelo Santo Espirito. Quanto ao homem christão,
baptizado no sangue de Jesus Christo, o qual caminha em novidade de vida, nosso
Senhor Jesus Christo restitue nelle o livre arbitrio, e reforma a vontade para todas as
boas obras, não todavia em perfeição, porque a execução de boa vontade não está em
seu poder, mas vem de Deus, como amplamente este Santo Apostolo declara, no
setimo capitulo aos Romanos, dizendo: “Tenho o querer, mas em mim não acho o
perfazer”. O homem predestinado para a vida eterna, embora peque por fragilidade
humana, todavia não pode cahir em impenitencia. A este proposito, S. João diz que
elle não pecca, porque a eleição permanece nelle.

XI. Cremos que pertence só á Palavra de Deus perdoar os peccados, da qual, como diz
Santo Ambrosio, o homem é apenas o ministro; portanto, si elle condemna ou absolve,
não é elle, mas a Palavra de Deus que elle annuncia. Santo Agostinho neste logar diz
que não é pelo merito dos homens que os peccados são perdoados, mas pela virtude do
Santo Espirito. Porque o Senhor dissera a seus apostolos: “Recebei o Santo Espírito”;
depois accrescenta: “Si perdoardes a algum, seus peccados”, etc. Cypriano diz que o
servidor não pode perdoar a offensa contra o Senhor.

XII. Quanto á imposição das mãos, essa servio em seu tempo, e não ha necessidade de
conserval-a agora, porque pela imposição das mãos não se pode dar o Santo Espirito,
porquanto isto só a Deus pertence. Tocante á ordem ecclesiastica, cremos no que São
Paulo della escreveu na Primeira Epistola a Timotheo, e em outros logares.


XIII. A separação entre o homem e a mulher legitimamente unidos por casamento não
se póde fazer sinão por causa de adulterio, como nosso Senhor ensina. Matheus,
capitulo XIX: ver. 5. E não sòmente se pode fazer a separação por essa causa, mas,
tambem, bem examinada a causa perante o magistrado, a parte não culpada, se não
podendo conter, póde casar-se, como São Ambrosio diz sobre o capitulo VII da
Primeira Epistola aos Corinthios. O magistrado, todavia, deve nisso proceder com
madureza de conselho.

XIV. São Paulo, ensinando que o bispo deve ser marido de uma só mulher, não diz
que lhe seja licito tornar-se a casar, mas o Santo Apostolo condemna a bigamia a que
os homens daquelles tempos eram muito affeitos ; todavia, nisso deixamos o
julgamento aos mais versados nas Santas Escripturas, não se fundando a nossa fé
sobre esse ponto.

XV. Não é licito votar a Deus, sinão o que elle approva. Ora, é assim que os votos
monasticos só tendem á corrupção do verdadeiro serviço de Deus. É tambem grande
temeridade e presumpção do homem fazer votos além da medida de sua vocação, visto
que a Santa Escriptura nos ensina que a continencia é um dom especial. Matheus XV e
I Epist. de S. Paulo aos Corinthios, VII. Portanto, segue-se que os que se impõem esta
necessidade, renunciando ao matrimonio toda a sua vida, não pódem ser desculpados
de extrema temeridade e confiança excessiva e insolente em si mesmos. E por este
meio tentam a Deus, visto que o dom da continencia é em alguns apenas temporal, e o
que o teve por algum tempo não o terá pelo resto da vida. Por isso, pois, os monges,
padres e outros taes que se obrigam e promettem viver em castidade, tentam contra
Deus, por isso que não está nelles cumprir o que promettem. São Cypriano, no
capitulo onze, diz assim: “Si as virgens se dedicam de boa vontade a Christo,
perseverem em castidade sem defeito; sendo assim fortes e constantes, esperem o
galardão preparado para a sua virgindade; si não querem ou não pódem perserverar
nos votos, é melhor que se casem do que serem precipitadas no fogo da lascivia por
seus prazeres e delicias”. Quanto á passagem do apostolo S. Paulo, é verdade que as
viuvas, tomadas para servir á Egreja, se submettiam a não mais casar, emquanto
estivessem sujeitas ao dito cargo, não que por isso se lhes reputasse ou attribuisse
alguma santidade, mas porque não se podiam bem desempenhar de seus deveres,
sendo casadas ; e, querendo casar, renunciassem a vocação para que Deus. as tinha
chamado, comtudo que cumprissem as promessas feitas na Egreja, sem violar a
promessa feita no baptismo, na qual está contido este ponto : « Que cada um deve
servir a Deus na vocação em que foi chamado ». As viuvas, pois, não faziam voto de
continencia, sinão no que o casamento não convinha ao officio para que se
apresentavam, e não tinham outra consideração que cumpril-o. Não eram tão
constrangidas que não lhes fosse antes permittido casar-se que abrazar-se e cahir em
alguma infamia ou deshonestidade.

Mais, para evitar tal inconveniente, o Apostolo São Paulo, no capitulo citado, prohibe,
que sejam recebidas para fazer taes votos sem que tenham a edade de sessenta, annos,
que é uma edade commumente fóra da incontinencia. Accrescenta que os eleitos só
devem ter sido casados uma vez, afim de que por essa fórma, tenham já uma
approvação de continencia.

XVI. Cremos que Jesus Christo é o nosso unico Mediador, Intercessor e Advogado,
pelo qual temos accesso ao Pae, e que, justificados no seu sangue, seremos livres da
morte, e por elle já reconciliados teremos plena victoria contra a morte. Quanto aos
santos defuntos, dizemos que desejam a nossa salvação e o cumprimento do Reino de
Deus, e que o numero dos eleitos se complete ; todavia não nos devemos dirigir a elles
como intercessores para obterem alguma coisa, porque desobedeceriamos o
mandamento de Deus. Quanto a nós, ainda vivos, emquanto estamos unidos como



membros de um corpo, devemos orar uns pelos outros, como nos ensinam muitas
passagens das Santas Escripturas.

XVll. Quanto aos mortos, São Paulo na 1 Epistola aos Thessalonicenses, lV capitulo,
nos prohibe entristecer-nos por elles, porque isto convém aos pagãos, que não têm
esperança alguma de resuscitar. O Apostolo não mandá e nem ensina orar por elles, o
que não teria esquecido, si fosse conveniente. S. Agostinho, sobre o Psalmo XLVlll,
diz que os espiritos dos mortos recebem conforme o que tiverem feito durante a vida ;
que, si nada fizeram, estando vivos, nada recebem, estando mortos. Esta é a resposta
que damos aos artigos por vós enviados, segundo a medida e porção da fé, que Deus
nos deu, supplicando que lhe praza fazer que em nós não seja morta, antes produza
fructos dignos de seus filhos, e assim, fazendo-nos crescer e perseverar n'ella, lhe
rendamos graças e louvores para sempre jamais. Assim seja - Jean du Bourdel,
Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon, André la Fon.65

A mentalidade de Jean du Bourdel era de um poder admirável, para produzir, em circunstâncias
extremas, estas respostas. As principais características desta confissão de fé claramente reformada são:
lealdade aos antigos credos, a importância, nesse tempo, do estudo que se fazia dos Pais da Igreja e o
conhecimento invejável das Escrituras e da doutrina que os cristãos simples do passado possuíam. Foi
a primeira confissão de fé redigida na América, na primeira Igreja do Brasil.


CONCLUSÃO

A missão reformada no Rio de Janeiro terminou de forma melancólica. Talvez o seu maior
problema residia-se justamente em sua motivações. Enquanto que para Calvino, Coligny e para os
demais huguenotes a expedição era a melhor forma de encontrar um refúgio para os protestantes
perseguidos (e também um lugar para poder propagar a fé reformada livremente), para o rei da
França, Henrique II, era apenas uma forma de conseguir mais colônias. E Villegaignon, o que queria
este homem, que depois foi chamado de “Caim da América”? No mínimo, ambição pessoal - e no
meio deste conflito de interesses a missão foi abortada. O testemunho desta colônia está baseado no
fato de que os huguenotes franceses (sob a liderança dos dois pastores genebrinos) foram os primeiros
protestantes a realizar um culto nas Américas, sendo a pregação baseada no Salmo 27:4 em 10 de
março de 1557, e em maio deste mesmo ano selaram com sangue seu testemunho – Pierre Bourdon,
Jean du Bourdel e Mathieu Verneuil foram mortos por Villegaignon após confessarem sua fé. Eles
foram a semente da igreja protestante que retornou ao país cerca de 400 anos depois.

As igrejas Reformadas têm em alta conta seus mártires no Brasil. A missão que viveu
por um período curto não teve frutos de conversão estatísticos; mas possui uma
importância histórica. Quando a igreja foi confrontada em fazer missões, ela
respondeu imediatamente. A evidência circunstancial aponta para a aprovação de
Calvino. Não existiu hostilidade para com o conceito ou para a prática de missões. Os
suíços não possuíam colônias para direcionar os genebrianos a lugares distantes. O
governo francês apoiou apenas missões católicas romanas em seus territórios
coloniais, e depois de um período de tolerância a Igreja Reformada foi fortemente
perseguida. Então, circunstâncias históricas, em outro tempo, desafiarão os calvinistas
da Holanda e da Nova Inglaterra, e eles responderão positivamente [ao fazer missões],
tanto de forma prática quanto teológica.66


65 Jean Crespin, op. cit., 65-71. A Confissão de Fé passou a ser conhecida como a “Confissão de Fé Fluminense”.
Erasmo Braga (1877-1932), que fo i membro da Academia de Letras de São Paulo e Deão do Seminário
Teológico Presbiteriano em Campinas (São Paulo), traduziu a Confissão de Fé em 1907.
66 R. Pierce Beaver, op. cit., 72. Para as missões reformadas holandesas no nordeste brasileiro, ver Frans Leonard
Schalkwijk, Igreja e Estado no Brasil Holandês: 1630-1654 (São Paulo: Vida Nova, 1989). Para as missões
reformadas na Nova Inglaterra, ver Jonathan Edwards, A vida de David Brainerd (São José dos Campos: Editora
Fiel, 19 93).


Ao concluir, podemos destacar sua intenção original. Ao contrário de quase todos os
exploradores de sua época, que consideravam os nativos como nada mais do que animais brutos e
selvagens, e por isso, em relação aos brancos civilizados, necessariamente de condição inferior ou até
passíveis de escravidão, Jean de Lery e seus companheiros demonstraram, em oposição, que os
habitantes do Novo Mundo são dignos da maior consideração, não apenas por terem a imago Dei, mas
porque, em muitos aspectos humanitários, eles estavam bem à frente dos habitantes do Velho Mundo.
O que fica patente, nisto tudo, é que para o calvinismo, a ação colonizadora não tem por alvo, em
primeiro plano, a expansão comercial do país colonizador. Esta ação colonizadora deve servir
essencialmente à constituição de novas igrejas - e foi unicamente com esta finalidade que foi
preparada a expedição de reforço organizada pelo próprio Calvino.

Tais são as preocupações essenciais dos fatores da primeira expedição colonizadora
calvinista. Mostram bem que, para estes reformadores, a reconciliação em Cristo une
todos os seres humanos em um só corpo, acima das diferenças de línguas, de raças, de
civilizações e de condições sociais; toda idéia de escravidão ou de discriminação foi
abolida. Estes homens, pois, estão a postos para realizar um trabalho de evangelização
que nenhuma barreira racial poderia conter.67

Em março de 1557, em meio ao culto realizado no Forte de Coligny, os reformados cantaram
o Salmo 5, metrificado por Clement Marot, com música de Louis Bourgeois. É com a letra deste hino
que encerramos este ensaio.

1. O meu clamor, ó Deus, atende, pois dia e noite eu oro a ti.
Tão frágil sou, tão pobre aqui!
Magoada e só, minha alma chora, por isso implora.

2. Da vida e luz tu és a fonte.
Em mim derrama o teu poder.
Minha oração vem atender, pois quando sai o sol bem cedo,
eu intercedo.

3. Tu és um Deus que não te alegras no tropeçar do pecador.
Bondoso e justo és tu, Senhor.
Tu não toleras orgulhosos e mentirosos.

4. Na luz dos teus caminhos santos, humilde e grato eu andarei.
Tu és meu Deus, tu és meu rei.
Contigo sempre andar eu quero, puro e sincero.

5. Teus filhos têm constante alento, felizes sempre em tua paz.
De todo o mal os guardarás, pois tua lei, ó Deus, conhecem e
te obedecem.68