segunda-feira, 9 de agosto de 2010

INTERPRETAÇÃO DO CONTEXTO + INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA

A Interpretação do Contexto

O segundo grande tópico de nosso exame deve ser o contexto em que a passagem está inserida. Há certas regras que guiarão a interpre-tação contextual. Horne as resume assim:

1. [...] um exame cuidadoso das partes anteriores e posteriores nos possi¬bilitará apurar o significado, seja literal, seja figurado, que melhor se adapte à passagem em questão.
2. O contexto de um discurso ou livro das Escrituras pode compre¬ender um versículo, alguns versículos, períodos, seções, capítulos intei¬ros ou todo o livro.
3. Às vezes um livro das Escrituras compreende apenas um assunto ou argumento, caso em que todo o livro deve ser relacionado aos anterio¬res e aos posteriores e analisado conjuntamente com eles.
Ao examinar o contexto de uma passagem, será necessário:
1. Investigar cada palavra de todas as passagens; e, à medida que a relação for formada pelas partículas, estas devem sempre receber o signi¬ficado que o assunto e o contexto exigem.
2. Examinar a passagem inteira com muita atenção.
3. Não vincular um versículo ou passagem a um contexto remoto, a menos que concorde com ele de forma mais próxima.
4. Procurar saber se o escritor continua seu discurso, evitando a su¬posição de que ele passou para outro argumento, quando, na verdade, está dando seqüência ao mesmo assunto.
5. Os parênteses que ocorrem nas Escrituras Sagradas devem ser analisados cuidadosamente, mas nenhum parêntese deve ser interposto sem razão suficiente.
6. Nenhuma explicação deve ser admitida, a não ser a que se encaixe no contexto.
7. Quando não se encontrar nenhuma relação com a parte anterior ou posterior de um livro, tal fato deve ser aceito. (HORNE, op. cit, I, 336ss)

A INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA

A terceira consideração sobre a interpretação deve ser a interpre-tação histórica, em que o contexto histórico imediato e sua influência são analisados cuidadosamente. Berkhof nos dá uma excelente síntese de considerações nessa fase de interpretação.

1) Afirmações Básicas da Interpretação Histórica
(1) A Palavra de Deus, originada de modo histórico, só pode ser entendida à luz da história. Isso não significa que tudo que ela contém possa ser expli¬cado historicamente. Como revelação sobrenatural de Deus é natural que contenha elementos que transcendem os limites do histórico. Mas signifi¬ca que o conteúdo da Bíblia é em grande extensão determinado historica¬mente e, portanto, na história encontra a sua explicação.
(2) Uma palavra nunca é compreendida completamente até que se possa entendê-la como palavra viva, isto é, originada da alma do autor. Isso implica a necessidade da interpretação psicológica, que é, de fato, uma subdivisão da interpretação histórica.
(3) É impossível entender um autor e interpretar corretamente suas pala¬vras sem que ele seja visto à luz de suas circunstâncias históricas. É verdade que o homem, em certo sentido, controla as circunstâncias de sua vida e determina seu caráter; mas é igualmente verdadeiro que ele é, em grande escala, o produto do seu ambiente histórico. Por exemplo, ele é filho de seu povo, de sua terra e de sua época.
(4) O lugar, o tempo, as circunstâncias e as concepções prevalecentes do mundo e da vida em geral naturalmente emprestam cores aos escritos produzidos sob essas condições de tempo, lugar e circunstâncias. Isso se aplica também aos livros da Bíblia, particularmente aos que são de caráter histórico. Em todas as linhas literárias não há livro que se iguale à Bíblia no que ela diz sobre a vida em todos os seus aspectos.

2) O Que Se Exige do Exegeta. Em vista do que foi dito, a interpretação histórica exige do exegeta:
(1) Que procure conhecer o autor que deseja interpretar, seu parentesco, seu caráter e temperamento, suas características morais, intelectuais e religiosas, bem como as circunstâncias externas de sua vida...
(2) Que reconstrua, tanto quanto possível a partir dos dados históricos dis¬poníveis e com o auxílio de hipóteses históricas, as circunstâncias em que esses escritos se originaram; em outras palavras, deve conhecer o mundo do au¬tor. Deve informar-se a respeito dos aspectos físicos da terra em que os livros foram escritos, e considerar o caráter e a história, os costumes, a moral e a religião do povo no meio do qual foram escritos.
(3) E de fundamental importância que considere as várias influências que de¬terminaram mais diretamente o caráter dos escritos que se considera, tais como, os leitores originais, o propósito que o autor tinha em mente, a idade do autor, seu tipo de mente, e as circunstâncias especiais em que escreveu seu livro.
(4) Além do mais, deve transportar-se mentalmente ao primeiro século A.D, e às condições orientais. Deve colocar-se na posição do autor, e procurar entrar em sua alma até que seja capaz de viver sua vida e pensar seus pensamentos. Isso significa que ele deve guardar-se do erro de querer transferir o autor para os dias presentes e fazê-lo falar a linguagem do século vinte... (Louis BERKHOF, Princípios de interpretação bíblica, p. 120-1)

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