segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A INTERPRETAÇÃO GRAMATICAL

A Interpretação Gramatical

A quarta consideração sobre a interpretação deve ser a interpreta-ção gramatical da língua em que a passagem foi originariamente escrita. Isso, é claro, não pode ser feito sem o conhecimento das línguas origi¬nais. Elliott e Harsha, traduzindo Cellerier, declaram a regra básica:

O intérprete deve começar seu trabalho pelo estudo do sentido gramati¬cal do texto, com o auxílio da filologia sagrada. Como em todos os outros escritos, o sentido gramatical deve ser o ponto de partida. O significado das palavras deve ser apurado tendo em vista o uso lingüístico e a conexão. (Charles ELLIOTT & W. J. HARSHA, Biblical hermeneutics, p. 73)

Terry acrescenta:

"Interpretação gramatical e interpretação histórica, quando entendidas corretamente", diz Davidson, "são sinônimas. As leis especiais da gramá¬tica, segundo as quais os escritores sagrados aplicaram a língua, resulta¬ram de circunstâncias específicas; somente a história nos leva de volta a essas circunstâncias. Não foi criada uma nova linguagem para os autores das Escrituras; eles se adaptaram à língua do país e da época. Suas com¬posições não teriam sido inteligíveis de outra maneira. Tomaram o usus loquendi como o encontraram, modificando-o, naturalmente, pelas rela¬ções internas e externas em meio às quais pensavam e trabalhavam." O mesmo escritor também observa: "O sentido histórico-gramatical é com¬posto pela aplicação das considerações históricas e gramaticais. O grande objeto a ser verificado é o usus loquendi, usando a lei ou os princípios da gramática universal que formam a base de toda língua [...] É o usus loquendi dos autores inspirados que forma o objeto dos princípios gramaticais re¬conhecidos e seguidos pelo expositor [...] chegamos a um conhecimento do usus loquendi específico pela via da investigação histórica... “ (Milton S. TERRY, Biblical hermeneutics, p. 203-4.)

Terry descreve bem a metodologia e a intenção do método histórico-gramatical. Ele diz:

... podemos citar o histórico-gramatical como o método mais recomenda¬do ao julgamento e à consciência dos estudiosos cristãos. Seu princípio fundamental é extrair das próprias Escrituras o significado preciso que os escritores queriam transmitir. Ele aplica aos livros sagrados o mesmo prin¬cípio, o mesmo processo gramatical e exercício de bom senso e de raciocí¬nio que aplicamos a outros livros. O exegeta histórico-gramatical, muni¬do de qualificações intelectuais, de instrução e morais adequadas, aceita-rá as afirmações da Bíblia sem preconceito ou favoritismo adverso e, sem ambição de provar que sejam verdadeiras ou falsas, investigará a lingua¬gem e o significado de cada livro com independência destemida. Ele apren¬derá o linguajar do escritor, o dialeto específico que ele usou, e seu estilo e modo peculiar de expressão. Ele pesquisará as circunstâncias sob as quais o autor escreveu, os modos e costumes de sua época e o propósito ou objetivo que ele tinha em mente.
O exegeta tem o direito de supor que nenhum autor sensato seria propositadamente incoerente consigo mes¬mo, nem buscaria surpreender ou enganar seus leitores. (Ibid., p, 173)

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