quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O Fogo Ainda Queima

John M. DeMarco

O Pastor Scott McDermott, da United Methodist, mudou-se para o interior, no oeste da Pensilvânia, em 1993, para servir a igreja, em Washington Crossing, um subúrbio da Filadélfia. A congregação de 700 membros estava experimentando dificuldades financeiras, naquele tempo, e McDermott começou a pregar, pedindo a direção do Espírito Santo. Ele não fazia idéia de que sua igreja estava para experimentar o que ele agora chama de "o mover soberano de Deus".

Uma manhã de domingo, enquanto conduzia um estudo do versículo do livro de Neemias, McDermott perguntou aos seus paroquianos o que poderia acontecer, se eles declarassem sete dias de regozijo, similares à celebração registrada na narrativa do Velho Testamento. Alguém na última fileira gritou: "Vamos fazer isso", e o pastor soube que a idéia tinha sido confirmada. "Quando alguém começa a falar com você, da última fileira de uma Igreja Metodista, você sabe que Deus está se movendo", McDermott diz, com um sorriso.

Rapidamente, foi programada, para a semana seguinte, uma unção organizada dos serviços especiais de "regozijo". Na segunda-feira, à noite, por volta de 30 pessoas dirigiram-se para orar. Na noite seguinte, McDermott sentiu-se compelido a ungir com óleo os que estavam presentes, e a orar para que eles fossem preenchidos pelo que ele chama de "espírito de alegria". Depois de uma hora de louvor e oração, algumas pessoas vieram para o altar. Assim que o pastor orou, a terceira pessoa na fila caiu ao chão, como se estivesse dominada, pelo poder do Espírito Santo. O mesmo acontecendo com os que se seguiram.

Na noite da quarta-feira, 125 pessoas vieram à frente. MacDermott orava por duas horas, ininterruptas. Os congregantes esperavam em uma linha que se estendia atrás das portas dianteiras, ou se colocavam, mais adiante, no chão do santuário.

É desnecessário dizer que esse não era seu serviço típico, na igreja United Methodist. MacDermott esfregava sua cabeça. "Eu estava dizendo, 'Deus, o que está acontecendo aqui? O que é isto?'". Ele se certificou que orando com a congregação, dessa maneira, abriu uma nova dimensão para seu ministério. "Foi como se você pudesse ver dentro do coração das pessoas, e ver o quebrantamento delas'", ele diz.

Os dias de regozijo, em Washington Crossing, estendeu-se muito mais do que uma semana. A sensação da presença de Deus teve um impacto nos recolhimentos religiosos, e momentos de oração de apoio. O órgão da igreja foi vendido, por fim, e as guitarras, atualmente, foram introduzidas, como serviços de adoração, substituindo a liturgia tradicional. Os serviços religiosos usuais teriam sido ofuscados pela visitação óbvia do poder de Deus.

Em Março, durante o serviço de domingo, uma sessão de oração estendeu-se bem além do tempo de 90 minutos usuais. Exceto por 15 minutos de intervalo, McDermott orou com os paroquianos por seis horas; alguns tendo permanecido em fila por quatro horas. "As pessoas estavam espalhadas pelo chão; nós estávamos empilhando cadeiras para compor uma sala. Pessoas caíam, sob o peso de seus fardos", ele lembra. Essas orações noturnas atraíram 200 pessoas, e MacDermott passou outras quatro horas orando por eles.

Quando esse reavivamento eclodiu, em 1994, McDermott imaginou que ele precisaria aprender como pastorear uma congregação que está experimentando reavivamento espiritual; um tópico que nunca fora discutido, em suas classes de seminário. Ironicamente, ele encontrou suas respostas, no Diário de John Wesley, o fundador do movimento Metodista. E MacDermott lembrou-se que o Metodismo do passado parecia-se muito mais com o reavivamento Pentecostal do que os United Methodists modernos gostariam de admitir.

A Chama Intensa

McDermott não foi o único, nos oito milhões de membros da United Methodist Church que está experimentando o toque renovador do poder do Espírito Santo hoje. Nos últimos anos, o reavivamento dos dons da graça tem brotado, na igreja United Methodist, num tempo, em que a denominação tem enfrentado perda de membros e tumultos internos. Embora os bispos da United Methodist estejam ocupados argumentando sobre se o homossexualismo é um pecado, e se a Bíblia é verdadeira, um crescente número de seus membros está redescobrindo que o movimento deles nasceu de um reavivamento que enfatiza santidade, zelo evangelístico, e compaixão pelos pecadores. E esses "cheios-do-Espírito" da United Methodist estão determinados a reclamar essas qualidades.

O fundador do Metodismo, John Wesley (1703-1791), e seu irmão Charles (1707-1788), criaram um movimento que era caracterizado, através da abertura ao Espírito Santo. Sua mensagem varrida, através das Ilhas Britânicas, como um fogo intenso, arremessou-se, no Atlântico, para a América do Norte, onde acendeu o Segundo Grande Despertar. John Wesley registrou algumas 225.000 milhas, em cima de um cavalo, para pregar na fronteira americana, e, no século XVIII e XIX, o circuito de pregadores americanos, montados a cavalo, que ele treinou, estabeleceu os alicerces de uma denominação que pretende hoje 36.000 igrejas em nosso país. O Metodismo atual conduziu para o movimento da Santidade, que enfatizou o poder do Espírito Santo, para purificar o que crê. A ênfase de Wesley, no trabalho secundário de santificação também conduziu indiretamente ao nascimento do Pentecostalismo, no começo deste século.

Mas o fogo não permaneceu queimando. Nos anos recentes, a United Methodist Church tem se tornado tão atolada em liberalismo, na sua linha principal, que Wesley provavelmente não iria reconhecê-la, se ele voltasse dos mortos. A cerimônia de casamento de duas homossexuais em 1997, que ocorreu na Primeira United Methodist Church, em Omaha, foi manchete de primeira página através do país. Mas o que não foi reportado foi que, em muitas congregações da United Methodist, Deus tem trazido a onda da renovação espiritual. É provavelmente muito cedo para rotulá-la como uma tendência, mas quietamente, e poderosamente diz o professor Stephen Seamands, da Asbury Theological Seminary, os United Methodists "estão molhando seus pés no rio" do reavivamento.

"Wesley foi um apóstolo de sua própria geração, um visionário", diz Terry Tekyl, um pregador evangelista da United Methodist, baseado no Texas, e líder num esforço de recrutar um milhão de cristãos, no ano de 2000, para orar semanalmente pela denominação. "Wesley não buscou permissão, tanto quanto ele buscou o poder de Deus", diz Tekyl. "Correndo o risco, ele alcançou as pessoas, onde ninguém mais estava alcançando". "E isto é o que muitos da United Methodist, que são conduzidos pelo Espírito, estão fazendo hoje", Tekyl acrescenta. "Vá visitar qualquer Igreja vibrante da United Methodist, e você irá encontrar uma ênfase forte na oração: orações intercessórias, orações de cura, orações através de pessoas leigas para seus pastores, e caminhos de oração através da vizinhança. Há também uma crescente abertura ao Espírito Santo, um chamado forte para o discipulado, e uma nova ênfase em descobrir a intimidade com Deus".

"Parece que há um foco a mais hoje, no ver a face e o coração de Deus", diz Gary Moore, presidente da Aldersgate Renewal Ministries, uma rede de "cheios-do-Espírito" da United Methodist, baseados perto de Nashville, Tennessee. O grupo, que tem promovido renovação da graça, entre os United Methodist, desde 1970, tirou seu nome da rua, em Londres, onde John Wesley foi, em suas próprias palavras, "estranhamente aquecido", quando ele compreendeu que Cristo era seu Salvador. "Os dons espirituais, os dons da graça, são formas secundárias na busca da face de Deus", Moore acrescenta. "Parece haver mais luta com Deus, que fisicamente impacta a vida das pessoas, do que, provavelmente, houve nos primeiros dias do reavivamento".

Na Igreja de Scott McDermott, na Pensilvânia, a ênfase na oração tem conduzido ao crescimento e expansão. Oito ministros agora servem na igreja, e 27 pequenos grupos envolvem aproximadamente 300 adultos. Paroquianos também estão ajudando nos ministérios do centro decadente, nas imediações de Camden, New Jersey. O denominador comum da oração também executa o papel vital, na Pine Forest United Methodist Church, em Pensacola, Flórida. O mesmo vento do reavivamento que tocou a vizinha Assembléia de Deus, de Brownsville, em 1995, fez sua presença conhecida na Pine Forest, no mesmo ano.

Derramando Gasolina no Fogo

O grupo jovem da Pine Forest, verdadeiramente, começou a pregar, oito anos atrás, para seus pais e a comunidade. Quando o reavivamento eclodiu, em Brownsville, os membros curiosos da Pine Forest vieram investigar, conforme a diretora de programa da igreja, Linda Smith. Os United Methodists, em número cada vez maior foram visitar os encontros Pentecostais. "Isso mudou, então, muito de nós. Mudou em tudo", diz Smith. "Orações explodiram em nossa igreja. Quando o reavivamento primeiro começou [em Brownsville], nós partimos de um grupo de dois ou três, por semana, para quase seis. Agora, nós temos por volta de 19 grupos que se encontram em uma base semanal, ou bimestral. Alguns desses momentos de oração são extremamente poderosos".

O pastor sênior, da Pine Forest, Perry Dalton, diz que os 700 membros da sua igreja estavam experimentando reavivamento, antes de Junho de 1995. "Quando o reavivamento chegou em Brownsville, foi como se derramasse gasolina no que estava acontecendo aqui", Dalton diz. Como McDermott, Dalton tem renovado seus estudos dos escritos (Diário) de John Wesley. Pine Forest logo começou a hospedar grupos de visitantes de fora da cidade, que tinham vindo "experimentar" Brownsville. Conseqüentemente, a igreja estabeleceu o que tem sido uma Conferência anual, bem atendida, para os pastores da United Methodist, onde cura, arrependimento e a renovação para a santidade dirigiram o dia. O zeloso grupo jovem da Fine Forest viajou a região, a convite, para conduzir os esforços na propagação do Evangelho.

"O que nós estamos vendo é casamentos restaurados, e pessoas curadas", Dalton diz. "Pessoas jovens estão voltando das drogas. Outras estão esperando para realmente terem Cristo, em suas vidas, no sentido autêntico". Esta mesma cura é evidente, na Upton United Methodist Church, em Toledo, Ohio, pastoreada, nos últimos nove anos, por Pat Mckinstry, uma mulher afro-americana. Ela foi questionada para servir Upton, no momento em que o número de membros tinha decrescido, e a igreja estava quase para fechar suas portas. "Eu fui a primeira pessoa negra, e a primeira pastora, nessa igreja de classe-média branca", Mckinstry registra. "Eu suponho que eles, mais ou menos, me queriam para agir de acordo com a tradição, mas eu soube que elas estavam morrendo. Eu comecei o serviço secundário com doze pessoas. Eu apenas treinei esses doze, e disse, 'Se é Deus que vai construir sua igreja, então, nós precisamos buscar por ele'".

Pedidos de oração começaram a fluir da comunidade, e McKinstry e os membros da igreja visitaram as áreas de projeto, em Toledo, onde eles conduziram líderes de gang, negociantes de drogas, e prostitutas para Cristo. Esses indesejáveis, finalmente, encontraram uma casa dentro das paredes de Upton. "Nós depositamos a Palavra", diz McKinstry. "O estudo da Bíblia é a refeição principal, nessa igreja, em noites de quarta-feira. Alguns têm vindo alterados e bêbados. Nós apenas tocaríamos neles; ninguém iria criticá-los. Eu sei que, se a limpeza da Palavra entrasse em suas vidas, ela iria fazer o que as regras e as regulamentações não poderiam".

"Mais do que 650 membros agora atendem Upton — e 75 por cento deles não tinham igreja, quando vieram pela primeira vez. Quase doze nacionalidades diferentes estão representadas, assim como os primeiros Budistas e Testemunhas de Jeová. Nós não erramos, quando usamos os princípios que Jesus colocou ao construir sua igreja. Eu sinto que nós somos o Livro de Atos, hoje", McKinstry diz.

Não muito longe de Toledo, em Muncie, Indiana, a Union Chapel United Methodist Church tem crescido de um comparecimento, de mais ou menos 70 pessoas, em 1981, para aproximadamente 1.300 hoje, durante o tempo de liderança do pastor sênior Gregg Parris. A renovação da Union Chapel começou logo depois que Parris soube que três senhoras tinham se encontrado, nos últimos 30 anos, para orar pelo reavivamento. Um testemunho de um organista, num domingo, conduziu ao arrependimento público, por um membro chave da igreja, e os fiéis se duplicaram, no domingo seguinte, já que mais de 20 pessoas aceitaram Cristo pela primeira vez.

"Durante quase os últimos 20 anos, tem-se tentado copiar, literalmente, o que Deus está fazendo", Parris diz. O grupo jovem da igreja tem crescido para mais de 300 pessoas. Através do ministério jovem da Union Chapel, 205 garotos deram suas vidas para Jesus Cristo, nos últimos seis meses.

Existem outros sinais de que a renovação está mexendo na segunda maior denominação Protestante da América:

• Em Silverdale: - Em Silverdale, Washington, os fiéis da United Methodist Church estão orando para 280 pastores da United Methodist, na Pacific Northwest Conference — onde existem poucos líderes evangélicos atrás do púlpito. O Pastor Wally Snook acredita que toda igreja nos Estados Unidos precisa estar aberta ao poder do Espírito Santo hoje, porque Deus está conduzindo buscadores curiosos para retornar para a igreja. "Eles precisam encontrar o verdadeiro Evangelho, quando eles entrarem pela porta", ele diz.


• Em Yuba City, Califórnia, o pastor John Sheppard da First United Methodist Church — que chegou perto de deixar a denominação — acredita que sua congregação continua a crescer, já que ele toma o mais forte posicionamento pela integridade do Evangelho.

• Na Alexander United Methodist Church, no oeste de Nova York, do pastor Rich Selden, a congregação tem experimentado um grande "borbulhar efervescente da alegria", desde que se permitiu que o Espírito Santo trabalhasse livremente. A renovação dos conduzidos pelo Espírito também continua, da mesma forma, nas United Methodists Churches, como a First United Methodist Church, em Bedford, Texas, e First United Methodist Church, em Tulsa, Oklahoma, onde existem mais de 300 grupos pequenos, entre a congregação próspera de aproximadamente 8.500 pessoas, dirigidas por Jimmy Buskirk.

• Em Magothy United Methodist Church de Pasadena, Maryland, pastoreada por David Wentz, por volta de 180 pessoas regularmente experimentam a cura pelo poder do Espírito Santo, e oram umas pelas outras, em pequenos grupos, durante os serviços de adoração.

• Outras United Methodist churches, cada vez mais, estão erguendo suas sobrancelhas, na denominação, por causa do ministério evangélico forte. Essas incluem a Frazer Memorial, em Montgomery, Alabama; Aloma United Methodist e a First Church Ormond Beach, ambas na Flórida central; First United Methodist, em Memphis, Tennessee; e Ginghamsburg United Methodist, em Tipp City, Ohio. Os pastores dessas igrejas dizem que os United Methodists não estão mortos para Deus.

"É importante que, como pastores, nós permitamos que Deus coloque o fogo de seu Espírito em nossas vidas", McDermott diz. "Eu realmente penso que Deus está tentando chamar a atenção dos pastores. É uma discussão dupla: renovação espiritual, e desenvolvimento e cultivo da liderança prática, para sustentar o reavivamento". Ele acrescenta: "É tempo de ir buscá-lo. É tempo de acreditar nele, para uma mudança radical, em nossas próprias vidas pessoais, e nas de nossas congregações. E nosso chamado primeiro é para orarmos".

Se os pastores atenderem ao desafio de McDermott, e a mesma coisa que aconteceu em seu altar, em 1994, poderia se repetir, na United Methodist churches, por toda a América. Essas igrejas seriam espiritualmente secas (estéreis) hoje, mas, como John Wesley conheceu bem, madeira seca é a melhor para se atear um fogo.

John M. De Marco é pastor da United Methodist, na Florida e a former news editor para a Christian Retailing Magazine. Reimpresso com a permissão da Charisma Magazine, Outubro de 1998, Strang Communications Co., USA.

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