segunda-feira, 9 de agosto de 2010

REVELAÇÃO POR MEIO DE SÍMBOLOS

Revelação profética por meio de símbolos.
O segundo método de revelação profética se dá por intermédio de símbolos. Ramm, seguindo um padrão geralmente aceito, diz que pode haver seis tipos de símbolos de caráter profético:
1) pessoas,
2) instituições,
3) ofícios,
4) aconte¬cimentos,
5) ações e
6) coisas. (Bernard RAMM, Protestant biblical interpretation, p. 147)
Bahr propõe as seguintes regras para guiar a interpretação de tais símbolos:

1) O significado de um símbolo deve ser apurado em primeiro lugar pelo conhecimento exato de sua natureza.
2) Os símbolos do culto mosaico podem ter, em geral, apenas significados que concordem com idéias e verdades do mosaísmo e com seus princípios claramente expressos e re-conhecidos.
3) O significado de cada símbolo deve ser buscado, primeira¬mente, no seu nome.
4) Cada símbolo tem, geralmente, apenas um signi¬ficado. 5) Por mais diferente que seja a conexão que possa ter, cada símbo¬lo tem sempre o mesmo significado fundamental.
6) Em cada símbolo, seja objeto, seja ação, a principal idéia a ser simbolizada deve ser cuida¬dosamente distinguida do que serve necessariamente apenas para sua devida exibição, e tem, com isso, um propósito secundário. (Ap. TERRY, op. cit., p. 357-8.)

Terry apresenta três princípios fundamentais para lidar com os sím-bolos. Ele escreve:

... Aceitamos os seguintes três princípios fundamentais para o simbolis¬mo:
1) os nomes dos símbolos devem ser entendidos literalmente;
2) os símbolos sempre significam algo essencialmente diferente deles mesmos e
3) alguma semelhança, mais ou menos detalhada, pode ser estabelecida entre o símbolo e a coisa que ele simboliza.
A grande pergunta que os intérpretes de símbolos devem ter em mente, portanto, é: "Quais são os prováveis pontos de semelhança entre esse sinal e aquilo que ele pretende representar?". Supostamente seria óbvio a cada ser pensante que, para responder a essa pergunta, nenhum conjunto detalhado e rígido de regras (hipoteticamente aplicável a todos os símbolos) fosse esperado [...]
Em geral podemos dizer que, ao respon¬der à pergunta acima, o intérprete deve ter uma consideração rigorosa:
1) para com o ponto de vista histórico do autor ou profeta,
2) para com o lugar e o contexto e
3) para com a analogia e o significado de símbolos e figuras semelhantes usados em outros lugares. Sem dúvida, a verdadeira interpretação de todos os símbolos será a que satisfizer todas essas várias condições e não tentar forçar uma suposta similaridade além da que é claramente garantida por fato, razão e analogia. (TERRY, op. cit., p. 356-7.)

Certamente o que foi dito pelos autores anteriormente a respeito da interpretação de símbolos em geral será aplicado à interpretação do simbolismo profético. Terry, contudo, acrescentou uma palavra concernente a esse campo especializado de simbolismo:

Portanto, na exposição desse tipo de profecias, é muito importante apli¬car com discernimento e habilidade os princípios hermenêuticos do sim¬bolismo bíblico. Esse processo requer, especialmente, três coisas:
1) que sejamos claros em discriminar e descobrir o que é e o que não é símbolo;
2) que os símbolos sejam contemplados em seus aspectos amplos e notó¬rios, não nos aspectos secundários de semelhança e
3) que eles sejam am¬plamente comparados no que diz respeito à sua importância e uso geral, para que um método uniforme e coerente seja seguido em sua interpreta¬ção.
Uma falha na observação do primeiro destes levará a interminável confusão entre o simbólico e o literal. Uma falha no segundo tende a am¬pliar pontos pequenos e menos importantes, obscurecendo as lições maio¬res e causando má compreensão do escopo e significado do todo [...] O cuidado em observar a terceira regra possibilitará que o indivíduo note tanto as diferenças como as semelhanças de símbolos similares. (Ibid., p. 415.)

Existe uma observação que parece ter sido negligenciada por muitos estudiosos da interpretação de profecias — o fato de que as Escritu¬ras interpretam seus próprios símbolos. Feinberg diz:

... algumas profecias nos são comunicadas por meio de linguagem simbó¬lica. Mas, sempre que for o caso, os símbolos são explicados no contexto imediato, no livro em que ocorrem ou em outro lugar da Palavra, sem deixar espaço para a imaginação do homem inventar explicações. (Charles L. FEINBERG, Premillennialism or amíllenniaslism, p. 37)

O mesmo fato é evidenciado por Girdlestone, que escreve:

Tomando o Apocalipse como um todo, quase não existe uma figura ou visão cuja semente não esteja contida em Isaías, Ezequiel, Daniel ou Zacarias. Provavelmente o estudo desses livros preparou o vidente [de Patmos], em sua idade avançada, para as visões que estavam relaciona¬das com o futuro próximo ou distante.( GIRDLESTONE, op. cit., p. 87)

Sendo isso verdade, diligência em investigar a Palavra é o preço da exegese precisa de passagens simbólicas das Escrituras.

C. Revelação profética por meio de parábolas. Um terceiro método de revelar acontecimentos futuros é o uso do método parabólico de instru¬ção. A parábola, segundo Angus e Green, "denota uma narrativa construída com a finalidade de comunicar verdades importantes... ".( ANGUS & GREEN, op. cit., p. 228.) O Senhor Jesus fez uso freqüente desse método como canal de revela¬ção profética. Desse modo, a interpretação de parábolas é de extrema importância.
Ramm expôs sucintamente as regras para a interpretação de pará-bolas.

1) Descubra a natureza e os detalhes exatos de costumes, práticas e ele¬mentos que formam a parte material ou natural da parábola [...]
2) Descubra a verdade central que a parábola está tentando ensinar.
3) Descubra quanto da parábola é interpretada pelo próprio Senhor Jesus [...]
4) Descubra se existe alguma pista no contexto a respeito do sentido da parábola [...]
5) Não force o sentido da parábola [...]
6) Tenha cuidado com o uso doutrinário da parábola [...]
7) Um claro entendimento da época para o qual muitas das parábo¬las foram enunciadas é necessário para sua total interpretação. (RAMM, op. cit,. p. 179ss)

Perseverança parece ser a grande ênfase nas regras dadas por Angus e por Green. Eles escrevem:

A primeira regra de interpretação é: descobrir o escopo, ou por consulta ao contexto, ou por comparação de passagens paralelas; e captar a verdade que a parábola pretende apresentar, distinguindo-a de todas as outras ver¬dades que a circundam, e deixando que as partes da parábola que podem ser explicadas sejam explicadas em harmonia com essa verdade [...]
Qualquer interpretação de parábola ou alegoria que seja incoerente com a grande verdade à qual a parábola se relaciona deve ser rejeitada
... A partir da interpretação inspirada das parábolas que nos foram dadas pelas Escrituras, podemos inferir que devemos evitar tanto o ex¬tremo de supor que apenas o projeto do todo deve ser considerado, quan¬to o extremo de insistir que cada frase contém duplo sentido.
Segunda regra de interpretação. [...] Até mesmo em doutrinas coe¬rentes com o modelo da parábola ou tipo, nenhuma conclusão deve ser extraída das partes que seja incoerente com outras claras revelações da verdade divina [...]
Terceira regra de interpretação. [...] E importante que as parábolas não sejam transformadas na primeira ou única fonte de doutrina bíblica. Doutrinas provadas de outra maneira podem ser posteriormente ilustra¬das ou confirmadas por elas, mas não devemos formular uma doutrina exclusivamente a partir de suas representações... (ANGUS & GREEN, op. cit., p. 230-3.)

Quando lidamos com parábolas, é de extrema importância sepa¬rar o que é essencial do que é apenas auxiliar no tema. Se isso não for feito, uma tônica indevida poderá ser dispensada à parábola, levando a conclusões erradas.
Horne oferece um sistema cuidadoso e completo de regras para a interpretação de parábolas. Ele escreve:

1. A primeira característica de uma parábola é que ela gira em torno de uma imagem bem conhecida e aplicável ao objeto, cujo significado é claro e definido; essa circunstância lhe dá a clareza essencial a todas as espécies de alegorias.
2. A imagem, contudo, não deve apenas ser adequada e familiar, também deve ser elegante e bela em si mesma, e todas as suas partes devem ser claras e pertinentes, uma vez que o propósito da parábola, e especialmente de uma parábola poética, é não apenas explicar perfeita¬mente uma proposição, mas, com freqüência, proporcionar-lhe vividez e esplendor.
3. Toda a parábola é composta por três partes: 1. A semelhança percep¬tível [...] a casca [...] 2. A explicação ou sentido místico [...] a seiva ou fruto [...] 3. A raiz ou o escopo ao qual ela está ligada.
4. Para a correta explicação e aplicação de parábolas, seu escopo e propósito devem ser apurados.
5. Sempre que as palavras de Jesus parecerem abrigar diferentes sen¬tidos, podemos certamente concluir que o correto será o que fica mais próximo do nível de compreensão de seus ouvintes.
6. Como toda a parábola tem dois sentidos, o literal ou externo e o místico ou interno, o sentido literal deve ser explicado primeiro, para que sua correspondência com o sentido místico possa ser percebida mais pron¬tamente.
7. Não é necessário, na interpretação de parábolas, insistirmos ansio¬samente que cada palavra tenha um sentido místico; não devemos espe¬rar também uma adaptação ou acomodação muito curiosa de cada parte sobre o seu significado espiritual; muitas circunstâncias são introduzidas em parábolas como meros ornamentos com o propósito de tornar a seme¬lhança mais agradável e interessante.
8. A atenção às circunstâncias históricas bem como a familiarização com a natureza e com as propriedades das coisas de onde as semelhanças são extraídas necessariamente contribuirão para a interpretação das pa¬rábolas.
9. Finalmente, embora Jesus Cristo tenha delineado o estado futuro da igreja em muitas de suas parábolas, Ele tinha por propósito que elas comunicassem preceitos morais importantes, os quais nunca devemos per¬der de vista ao interpretar parábolas. ( HORNE, op. cit., I p. 366-8.)

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