quarta-feira, 15 de setembro de 2010

COMO OUVIRÃO? O PROBLEMA MISSIONÁRIO DA IGREJA

1. INTRODUÇÃO
“ COMO OUVIRÃO ?” É a pergunta do Apóstolo Paulo aos crentes em Roma ( Rm10.14 ) .” Como ouvirão se não há quem pregue? Como pregarão se não forem enviados ?” continua o homem de Deus a exortar a igreja romana .Nos dias hodiernos essas palavras nos cabem muito bem. Hoje quando estamos mais preocupados em propagar as tradições de nossa denominação, que pregar a mensagem da Cruz, hoje quando estamos mais preocupados com a construção de templos do que com a evangelização dos perdidos, hoje quando estamos mais preocupados como nosso egoísmo comodista do que fazer que os não alcançados OUÇAM o evangelho, essas palavras são oportunas a igreja atual.
Vivemos dias em que a nossa nação tem experimentado um poderoso avivamento espiritual e isso nos faz devedores aos demais povos do mundo: SOMOS O MAIOR CELEIRO DE MISSIONÁRIOS DA TERRA, porém não estamos enviando em obreiros em número suficiente “ para os campos que estão brancos para a ceifa” ( Jo 4.35 ), não estamos nem avançando sobre nosso próprio território, pois no Amazonas e Pará existem tribos que não falam o português e não têm a Bíblia traduzida para seu dialeto muito menos um missionário entre eles.Temos perdido a “guerra da evangelização urbana” para muitas seitas que aqui e ali multiplicam seus prosélitos. Por tudo isso, creio que o pregador e mestre dos gentios deve voltar a falar a igreja. Quisera Deus que todos que se expuserem diante da exortação contundente mas poderosa de Paulo possam despertar para a obra missionária, senão “ COMO OUVIRÃO ” o evangelho os povos não alcançados ? Qual será o fim dos que não obedecem o evangelho de Cristo ( 1Pe 4.17 )? O que será dos que NUNCA OUVIRAM os doces acordes da mensagem da cruz?
A proposta desse pequeno manuscrito é levar o leitor a entender e adquirir a visão missionária, tal como Cristo incutiu em seus discípulos , visão missionária tal como a Palavra de Deus nos desafia a tê-la.O nosso objetivo não é apresentar um estudo exaustivo do assunto mas, através dos conceitos Bíblicos fazer algumas reflexões e incitar a igreja do Senhor à ação.Atos dos Apóstolos só foi escrito por que os Apóstolos agiram.Missões é prática , é ação ,é atitude , de nada adianta lermos sobre missões, nos informarmos sobre as duras batalhas do campo missionário, termos um diploma de Doutor em Missiologia e não fazermos missões.










SUMÁRIO




1 INTRODUÇÃO........................................................................1
SUMÁRIO.............................................................................2
2 EVANGELISMO E MISSÕES.............................................................4
2.1 A ordem da evangelização......................................................5
2.2Porque e vangelizar?...........................................................5
2.3 Como evangelizar?............................................................5
3 MISSÕES...........................................................................6
3.1 A visão missionária..........................................................7
4 O PENTECOSTES E AS MISSÕES.......................................................13
4.1 O pentecostes alvoroçou Jerusalém...........................................13
4.2 O pentecostes mudou os apóstolos............................................13
4.3 O pentecostes levou os após fronteira.......................................14
5 QUALIFICAÇÕES DO MISSIONÁRIO.....................................................14
5.1 Espirituais.................................................................14
5.2 Familiares..................................................................15
5.3 Administrativas.............................................................15
5.4 Materiais...................................................................15
5.5 Físicas.....................................................................16
5.6 Transculturais..............................................................16
6 MISSÕES TRANSCULTURAIS...........................................................16
6.1 O que é transculturação?....................................................16
6.2 Que é missão transcultural?.................................................17
6.3 Demolindo os mitos da missão transcultural..................................17
7 A NECESSIDADE ABSOLUTA DE UM MISSIONÁRIO.........................................18
7.1 O Livro de Jonas...........................................................18
8 NOSSO DEUS É UM DEUS MISSIONÁRIO.................................................20
8.1 O Deus do A.T. é um Deus missionário.......................................20
8.2 O Cristo dos evangelhos é um Cristo missionário............................24
8.3 O Espírito Santo dos Atos é um Espírito missionário........................25
8.4 A Igreja das epístolas é uma igreja missionária............................26
8.5 O clímax do Apocalipse é um clímax missionário............................29














2 . EVANGELISMO E MISSÕES
Segundo o Dicionário assim definimos evangelismo: “pregar o evangelho, divulgar uma idéia ou doutrina”, para missões temos: ”delegação divina conferida num intuito religioso”, portanto, evangelismo e as missões estão ligados.Usualmente em nossas igrejas definimos que evangelismo é a pregação do evangelho dentro de nossas fronteiras e missões a pregação além fronteiras, porém como vimos ambos os termos são equivalentes ( iguais ). Um conhecido evangelista americano apresenta a seguinte definição de evangelização: “ Ganhar almas significa que podemos tomar a Bíblia e mostrar às pessoas que elas são pecadoras e, de acordo com as escrituras, Deus as ama.Sendo que Cristo morreu na cruz para pagar seus pecados e que agora todos os que voltam honestamente o coração para Cristo, a fim de obter misericórdia e perdão, poderão alcançar a vida eterna.E, podemos incentivá-las a tomar essa decisão de fugir do pecado e confiar em Cristo para sua salvação. Assim, ganhar almas significa levar o evangelho a todos com tal poder do Espírito Santo que eles sejam conduzidos a Cristo e nasçam de novo; tornem-se filhos de Deus pela renovação do Espírito Santo.”
Qualquer definição de evangelização ou pregação leva em consideração Mateus 28.18-20, que inclui mais que uma simples proclamação de um simples evangelho. A ordem de “ fazer discípulos” inclui pelo menos 4 elementos:
1. Ir, ou seja, tomar a iniciativa de buscar pessoas que não tenham sido alcançadas – vamos a elas, não esperemos que elas venham a nós.
2. Apresentar o evangelho, a mensagem da Cruz, com todas as suas implicações do senhorio de Cristo, da Expiação, da graça, do arrependimento e da fé.
3. Batizar, isto é, convocar os pecadores a uma declaração pública de fé em Cristo e arrependimento do pecado.
4. Ensinar, isto é, colocar os convertidos numa assembléia em que seja possível um processo contínuo de ensino.

2.1 a ordem da evangelização
O senhor Jesus deixou claro o seu desejo de façamos o trabalho de evangelização: “ Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura “ ( Mc 16.15 )
É ordem do Senhor ( Mt 28.19 ) Tal ordem tem base no A.T. ( Is 42.10-12 ; 66.19 ) , deve ser feita segundo o propósito de divino ( Lc 24.46-47 ; Gl 1.15 ; Cl 1.25-27 ) , a pregação deve ser dirigida pelo Espírito Santo ( At 13.2 ) , foi ordenada por Deus ( Lc 10.2 ; Rm 10.14-15 ), o Espírito Santo nos chama para pregar ( At 13.2 ), Cristo foi nosso exemplo na pregação do evangelho ( Mt 4.23 ; 11.1 ; Mc 1.38-39 ), Cristo enviou seus discípulos para trabalharem ( Mc 3.14 ; 6.7 ; Lc 10.1-11 ), todos nós temos a obrigação de se ocupar na pregação do evangelho ( At 4.19-20 ; Rm 1.13-15 ), é um trabalho excelente ( Is 52.7 ; Rm 10.15 ), as preocupações mundanas não devem adiá-lo ( Lc 9.59-62 ) , Deus é aquele que nos qualifica para o trabalho ( Ex 5.11,18 ; Ex 4.11,12,15 ; Is 6.5-9 ), Deus é também aquele que nos fortalece para esse trabalho ( Jr 1.7-9 ), Jonas demonstra para nós a culpa e o perigo de nos desviarmos desse trabalho ( Jn 1.3,4 ), a evangelização exige sabedoria e mansidão ( Mt 10.16 ), que nós estejamos prontos para nos atarefarmos na evangelização ( Is 6.8 ), ajudemos os que nela se ocupam ( Rm 16.1,2 ; 2Co 11.9 ; 3Jo 5-8 ).
2.2 por que evangelizar ?
PORQUE AS ALMAS ESTÃO PERDIDAS. As almas precisam ser evangelizadas porque estão perdidas ( Lc 19.10 ) “Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”( Rm 3.23 ), “cada um se desviava pelo seu próprio caminho” ( Is 53.6 ).Desde que Deus criou o homem , não tem havido um tempo, por pequeno que seja, no qual a raça humana faça uma trégua, pois está continuamente se afastando do seu criador, caminhando para o abismo da perdição eterna.
PORQUE OS PECADORES SÃO INCAPAZES DE SE SALVAR.Posto que ninguém pode salvar-se a si mesmo, Jesus foi oferecido pelo Pai para prover a salvação de todos os perdidos da terra, “ porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens “( Tt 2.11 ). E quem crer será salvo ( At 16.31 ).

2.3 como evangelizar ?
EVANGELIZAÇÃO PESSOAL. Toda evangelização pessoal é, em última análise, pessoal, como o arauto clamando para uma alma perdida, seja face a face, seja numa multidão. A pessoa atende na privacidade de sua alma, na singularidade do momento em que o Espírito Santo levanta o véu, permitindo que ela veja a glória do evangelho.
No sentido mais estrito, porém, a evangelização pessoal é o esforço de uma pessoa no sentido de levar outro indivíduo a Cristo. É André encontrando Simão Pedro ( Jo 1.40-42 ). Felipe encontrando Natanael ( Jo1.45 ).Jesus encontrando Nicodemos ( Jo 3.1-5 ) e a mulher junto ao poço ( Jo 4.7-15 ). A evangelização pessoal foi a primeira obra dos discípulos e O MINISTÉRIO QUE O SENHOR JESUS APERFEIÇOOU AO EXTREMO. A evangelização pessoal era o trabalho contínuo da igreja primitiva, em que seguiam pregando Jesus diariamente, de casa em casa ( At 5.42 ). AS PRIMEIRAS TESTEMUNHAS DE CRISTO ERAM CONHECIDAS PELA CAPACIDADE DE SE ENVOLVER EM BATALHAS PESSOAIS PAR ALEVAR UMA ALMA A CRER EM CRISTO ( At 8.26-39 ; 20.20 )

EVANGELIZAÇÃO PÚBLICA .O senhor Jesus, os 12 apóstolos e a igreja primitiva fizeram grande uso das apresentações públicas do evangelho para multidões de todos os tipos . As duas primeiras experiências evangelísticas de Pedro registradas após o Pentecostes, foram em ajuntamentos excepcionalmente grandes, com resultados abundantes – 3000 e 5000 almas, respectivamente ( At 2.14-31 ; 3.12 – 4.4 ).Os discípulos procuravam deliberadamente as multidões para proclamar a cruz de Cristo com mais eficiência ( At 5.42 ).
A evangelização em massa não é só para os evangelistas de multidão. Cada pregador da palavra deve estar pronto para proclamar publicamente, fazendo a obra de um evangelista ( 2 Tm4.5 ) . Em cada ambiente público existe uma oportunidade explêndida de evangelização. Cada geração possui certo grupo de não crentes que freqüentam os salões das igrejas e que permanecerão mortos , a menos que o pregador os anime com o Evangelho.Tenha a audácia de pregar o Evangelho nos cultos da igreja, bem como nas cruzadas de evangelização de massa .
3.MISSÕES
Deus enviou seu filho a este mundo para salvá-lo e lhe dar a vida ( Jo 10.36 ; Lc 4.18 ; 19.10 ). O Pai e o Filho enviam o Espírito Santo ( Jo 14.16 ; At 2.1-11 ). Jesus enviou os apóstolos pelo mundo para continuarem a sua missão ( Mc3.13 ; 16.15s ; Mt 10.1-42 ; 28.18s ; Jo20.21 ).
Definimos Missões como: “ o trabalho amoroso de Deus para trazer a espécie humana, como igreja, para perto de Si. Como conseqüência secundária, missão é o ministério global da Igreja para a evangelização mundial” ou “Qualquer atividade na qual os cristãos estejam envolvidos para evangelização mundial” , assim percebemos qual é de fato a tarefa suprema da igreja de Cristo na terra ( Mc 13.10 ) e como o temos negligenciado. Gostaria agora de analisar alguns motivos pelos quais temos deixado de cumprir a GRANDE COMISSÃO MISSIONÁRIA DE JESUS.
Existem alguns fatores que retardam o cumprimento do trabalho missionário pela Igreja:
1. A ignorância dos crentes – Como é triste saber que muitos crentes vivem uma vida cristã fora do plano de Deus, porque alguém lhes deixou de ensinar a sua parte no cumprimento da missão da igreja. Jesus disse : “ de graça recebestes ; de graça daí “( Mt 10.8 ) e : “ mais bem aventurada coisa é dar do que receber “ (At 20.35 ). Quem é crente apenas para receber as bençãos de Deus e deixa de fazer missões está perdendo um grande gozo que de outro modo não terá.
2. Doutrina corrompida – Teólogos liberais têm influenciado sensivelmente o mundo cristão atual. Aqueles que abraçam o liberalismo perdem o fervor do cumprimento da missão da igreja. A teologia liberal não aceita as escrituras literalmente, nem a inspiração plenária . A salvação é geralmente redefinida em termos sociais ou políticos. Como resultado disso, a missão da igreja se torna tão diluída que para muitos consiste simplesmente num trabalho visando o melhoramento da humanidade.
3. A mornidão do amor dos crentes – Quando numa igreja apaga-se o fogo do avivamento, os primeiros sinais são a falta de dedicação dos crentes. As missões passam a serem vistas como tarefa, obrigação, imposição compulsória do pastor e não como um privilégio.
3.1 A visão missionária
Você tem a VISÃO MISSIONÁRIA ?
Nem sempre é fácil responder tal pergunta, pois num mundo cada vez mais voltado para o materialismo são raros os crentes que têm tal visão. Como então saber se tenho ou não a VISÃO MISSIONÁRIA ? Observemos alguns pontos sobre isso:
Há várias visões que Deus dá ao seu povo:
a) Visão de Deus : “ Vi o SENHOR...” ( Is 6.1 )
b) Visão do pecado : “ Ai de mim...” ( Is 6.5 )
c) Visão da Glória Divina : “ E a glória do SENHOR apareceu ao povo...” ( Lv 9.23 )
d) Visão missionária : “ Erguei os olhos e VEDE OS CAMPOS...” ( Jo 4.35 ). Apesar da importância das demais visões, nos últimos dias Deus quer que tenhamos a visão missionária em primeiro lugar.
1. QUEM TEM A VISÃO MISSIONÁRIA ORA POR MISSÕES ( Mt 9.38 )
A oração por missões está entre as 4 menos feitas pelos crentes : a) Orar por Jerusalém ( Sl 122.6 ) ; b) Orar por aqueles que nos perseguem ( Mt 5.44 ) ; c) Orar pela volta de Cristo ( Ap 22.20 ) ; c) Orar por missões ( Mt 9.38 ). Antioquia orou pelos seus missionários ( At 13.1 ). Assim, vemos que o crente que tem a visão missionária ora pelos missionários, ora pelo sucesso de seu trabalho no campo, ora pelo sustento missionário, ora para que a igreja adquira uma CONSCIÊNCIA MISSIONÁRIA.
A ) A Oracão e as Missões no Novo Testamento

1. Jesus orou pelos apóstolos e seu ministério. Esta verdade se observa nos evangelhos. Ele sabia que os apóstolos poriam o fundamento para o estabelecimento e a expansão da Igreja.
Segundo Lc 6:12 e 13 Jesus orou antes de escolher seus missionários.
Segundo Jo 17:15, Jesus rogou ao Pai para que os discípulos
2. A Igreja evangélica avança por meio da oração. No livro de Atos há mais de 30 referências à oração. Os crentes dependeram deste recurso para fortalecer-se e levar o Evangelho por todas as partes. At 6:1-15 revela interessante equilíbrio no que diz respeito à obra social e à extensão do reino de Deus. Enquanto os diáconos atendiam as necessidades das viúvas, que faziam os apóstolos, segundo o verso 4?
Por que era importante o ministério equilibrado?
De acordo com At 13:1-3, a igreja de Antioquia, conhecida como uma igreja modelo,era também uma igreja que orava.
3. Paulo dependeu da oração para impulsionar o crescimento da igreja. Orou sem cessar pela edificação dos crentes a fim de que crescessem até a maturidade. Leia e comente Ef 1:15-23, ITs 3:12; IITs 2:16. Em uma perspectiva missionária, Paulo solicitou intercessão das igrejas a favor de sua capacitação pessoal, do desenvolvimento de novos planos, por novas oportunidades e pelo fruto da palavra proclamada.Por quais coisas deviam orar as Igrejas segundo as seguintes citações?

Rm 15:30-32; II Co 1:10; Ef 6:18-20; Fl 1:19; Cl 4:2-4; II Ts 3:1-3.
B ) A Oração e as Missões Modernas

Para a glória de Deus tem surgido nos últimos séculos uma Igreja cristã numerosa, renovada, dinâmica e com uma visão inspirada pela oração.
1. O pietismo surge como produto da oração. Felipe Spener (1635-1705), Augusto H. Francke (1663-1727) e o conde Nicolaus Zinzerdorf (1700-1760) impulsionaram o movimento pietista por meio da intercessão diante de Deus.
Como um caso específico, a Comunidade Morávia estabelecida em Herrnhut desenvolveu uma vida de oração tão eficaz que produziu missionários devotos e influenciou o movimento metodista da Inglaterra. A paixão pela nações se inspira na oração
Em 1723, Robert Miller (na Escócia) publica um folheto pelo qual ensina os crentes a interceder pelo mundo pagão.
Em 1747, Jonathan Edwards, através de uma publicação, foi chamado a orar pela expansão do Evangelho. Anos depois, isto influi em Igrejas e ministros batistas na Inglaterra, e reunem periodicamente para orar. como resultado, em 1792 se organiza uma sociedade missionária batista. Carey, como parte desta santa e envolvente unção espiritual,se converte no primeiro missionário desta nova era.
No século XIX, homens como Judson (missionário na Birmânia), Hudson Taylor (missionário na China Continental) e muitos mais, se distinguiram por pedir do trono da graça os recursos divinos para fundar Igrejas em países distantes.
2. Não sabemos o número de organizações e grupos de oração existentes hoje no mundo. Do que estamos seguros é que Deus está respondendo com abundantes bênçãos o clamor de seus filhos. Existem organizações que estão estimulando este ministério através de publicações periódicas, de boletins de informação e intercessão. É oportuno mencionar o boletim "Evangelização Mundial" publicado pelo Comitê de Lausanne para a evangelização do mundo.
O Centro Missiológico do Seminário Teológico Centro-Americano (Apartado 213, Guatemala) publica o Boletim Mundial de Oração, com necessidades atuais da Igreja no mundo.

1. Desafios de Oração

Muitos dos povos menos alcançados são isolados por barreiras políticas, religiosas, sociais e espirituais. Eles precisam ser desafiados por um evangelho transcultural, ensinado por servos chamados por Deus. Ore para que eles possam receber a revelação da graça e do poder de Deus. Ore para que igrejas eficazes e frutíferas sejam plantadas.
Poucos destes 3500 povos não têm cristãos entre eles, mas, em muitos deles os cristãos consistem em uma pequena minoria, uma média de 1,2% da população. Estes cristãos enfrentam oposições e perseguições.
Igrejas ao redor do mundo necessitam desenvolver uma visão para os povos não alcançados. Ore pelas congregações que já adotaram um deles. Que esta adoção possa levar a um significativo progresso entre um povo adotado. Ore para que mais congregações alcancem esta visão.
São necessários discípulos provenientes de todos os povos da terra. Isso significa que é preciso um corpo de crentes em cada povo e, ainda mais, uma igreja que cause impacto em todos os aspectos deste povo. É um objetivo nobre e alcançável, e é também a ponte que trará o Senhor Jesus para sua igreja.



2. QUEM TEM A VISÃO MISSIONÁRIA CONTRIBUI COM MISSÕES (2 Co 9.8 )A igreja Filipense sustentou por duas vezes o missionário e apóstolo Paulo e a 3ª oferta missionária viera pelas mãos de epafrodito ( Fp 4.16-19 ). Lembremos que o ensino de Cristo foi enfático em relação a dar ( Lc 6.38 ). João Chinês estava só, um tanto contemplativo. De repente chega um amigo seu, o ateu, e lhe interroga nestes termos: - João qual vai ser primeira coisa que você vai fazer ao chegar no céu? Ele responde : - A primeira coisa que vou fazer ao chegar lá será percorrer as ruas de ouro e ir ao encontro de Jesus, o adorar e agradecer por haver me salvo! O amigo ateu não se dá por satisfeito e indaga : - Qual será a segunda coisa ? João Chinês responde : - A segunda coisa que farei será percorrer as ruas de ouro e procurar pelo missionário que veio ao meu país com a mensagem do evangelho e lhe agradecer pela sua parte na minha salvação! O ateu querendo zombar continua : - Qual será a terceira coisa que você fará no céu então ?? João diz: - A terceira coisa que farei no céu será percorrer as ruas de ouro e procurar as pessoas que contribuíram para que o missionário viesse a China pregar a mensagem da Cruz! O ateu irritado foi embora. Agora pergunto quem estará com você no céu ? você contribui com missões ? Se não contribui corre o risco de estar sozinho no céu, sendo reconhecido apenas por alguns parentes e amigos. Eu tenho certeza que estarei com muitos “Joãos Chineses, Joãos Africanos, etc.” pois tenho feito missões e desafiado e treinado a igreja do Senhor no cumprimento da GRANDE COMISSÃO.
3. QUEM TEM A VISÃO MISSIONÁRIA VAI PARA AS MISSÕES ( Mc 16.15 )
• IDE – É a ordem mais abrangente . PREGAI – O maior ofício de um mortal. O EVANGELHO – A maior mensagem.
• O mundo antigo foi evangelizado pelos apóstolos em 60 anos. Em quase 2000 anos de evangelização da igreja o resultado é :
• Existem quase 2000 tribos sem a Bíblia em sua língua.
• Na África enquanto os cristãos ganham 2 almas, os mulçumanos ganham 7.
No mundo inteiro há aproximadamente 5.105 idiomas. Guarde os seguintes dados:
• A Bíblia inteira está traduzida em 277 idiomas;
• O N.T. está traduzido em 518 idiomas;
• Trechos menores estão traduzidos em 944 idiomas;
• Não receberam sequer uma parte 3.364 idiomas.

Ao considerarmos o desafio missionário mundial, é necessário ver o quadro Global da perspectiva divina. A população cresce tão rapidamente que tem se falado a respeito de uma explosão demográfica. Por outro lado a necessidade espiritual é gigantesca. Quase dois terços do mundo não tem ouvido de Cristo. Alguns deles vivem perto de, ou entre cristãos, mas o restante está totalmente separado de um testemunho cristão. As muitas religiões do mundo também nos desafiam a uma visão e paixão missionária.


Os 10 países mais populosos

1983 2000

1. China 1.023.300.000 1.244.600.000
2. Índia 730.000.000 966.000.000
3. Rússia 272.000.000 309.000.000
4. EUA 234.000.000 268.000.000
5. Indonésia 155.600.000 198.700.000
6. Brasil 131.300.000 187.700.000
7. Japão 119.200.000 129.700.000
8. Bangladesh 96.500.000 149.400.000
9. Paquistão 95.700.000 141.500.000
10. Nigéria 84.200.000 148.200.000



Com base nisso eu per:
1. Se nos tempos de Cristo o mundo tinha só 25.000.000 de habitantes, e hoje tem mais de 6.000.000.000, quais são os desafios da grande comissão de Cristo?
2. Com as enormes cidades do globo, e com quase 45% do mundo vivendo em centros urbanos, quais são as implicações missionárias para a Igreja?
3. As duas maiores nações (e também as menos alcançadas pelo evangelho) do mundo são a Índia e a China. Como devemos orar hoje? Que podemos fazer para que possam ouvir as Boas Novas?

A ) A Necessidade Espiritual Mundial
Consideremos :
1. Existem cerca de 1.500.000.000 de "crentes", mas apenas um quarto são evangélicos. Agora, qual é o nosso desafio aqui?
2. Dos 3.000.000.000 de não cristãos, só uma terça parte vive perto dos cristãos. Que faremos para alcançá-los com o evangelho? Que diz Rm 10:14-15
3. Quantos missionários transculturais você conhece? Quantos missionários da sua própria nacionalidade você conhece? São poucos ou muitos? Porque?

Consideremos :
1. Quais dessas religiões serão mais difíceis de penetrar com o Evangelho? Porque?
2. Quem, dentro da cristandade, é preciso evangelizar? Porque?

Resumo: Nossa tarefa à luz da explosão demográfica é enorme e quase assustadora. Dentro de 41 anos se duplicará a população do mundo. As enormes cidades, os muitos milhares de jovens, as religiões opostas ao Evangelho, todos oferecem desafios diante de uma igreja vibrante.
Mas com as promessas de Cristo, o poder do Espírito Santo e o plano supremo de Deus, podemos triunfar!











4. O PENTECOSTES E AS MISSÕES
Pentecostes era uma das três festas celebradas em Israel ( Dt 16.16 ; Lv 23.16-22 ). Acontecia 50 dias após a Páscoa, daí o nome PENTECOSTES que quer dizer qüinquagésimo. Era também chamada Festa das Semanas ( sete semanas após a Páscoa ), dia das Primícias, festa da Colheita. Esta festa assinalava o término da colheita da cevada ( Lv 23.16 ) e era um dia de júbilo e gratidão ao SENHOR pelas bênçãos da COLHEITA.
Deus escolheu o dia em que os judeus celebravam a festa do Pentecostes para cumprir o que estava escrito nos profetas. No dia em que Jesus batizou os primeiros crentes com o Espírito Santo estavam em Jerusalém novos convertidos do judaísmo de 15 nações diferentes.
4.1 O PENTECOSTE ALVOROÇOU JERUSALÉM ( At 2.6-7 )
A ) Jerusalém “ PASMOU-SE “ ( At 2.7 ). A palavra “PASMO” significa assombro, espanto, grande admiração. Tais foram os sentimentos que tomaram conta dos prosélitos judeus e toda Jerusalém ao ouvir as línguas de seus idiomas na boca dos quase 120 cheios do Espírito Santo.
B ) Jerusalém “ MARAVILHOU-SE “ ( At 2.7 ). A palavra “MARAVILHAR” significa causar maravilha, encher de admiração, encantar, causar espanto, pasmo. É assim até hoje o Pentecostes causa admiração em todos a sua volta, e em Jerusalém do século I causou pasmo, maravilha e alvoroço, ou seja entusiasmo. Era o que eles precisavam para fazer missões, o pentecostes muda a rotina , anima e motiva os crentes a testemunhar de Cristo ao mundo.
4.2 O PENTECOSTE MUDOU OS APÓSTOLOS ( At 2.14 ; At 4.33 ; Mt 26.75 )
a) Pedro negou a Cristo perante uma criada ( Mt 26.70,71,73 )
b) Os discípulos ficaram com medo de ser presos pelos judeus ( Jo 20.19 )
c) Após o derramamento do Espírito Santo no dia de pentecostes Pedro prega Cristo ao povo e ganha quase 3000 almas! Isso significa que o Pentecoste encoraja, o Pentecoste vivifica !


4.3 O PENTECOSTES LEVOU OS APÓSTOLOS ALÉM FRONTEIRA ( Rm 15.20 )
a) O poder só foi prometido para os missionários ( At 1.8 )
b) Pedro rompeu as fronteiras do cenáculo ( At 2.14 )
c) Felipe rompeu as fronteiras de Jerusalém indo a samaria ( At 8.5 )
d) Pedro rompeu as fronteiras étnicas levando o pentecostes a casa de Cornélio (At 10.44-45)
e) Paulo foi um grande rompedor de fronteiras : Políticas, geográficas, étnicas... ( At 13.2 ; At 17.6 ; Rm 10.14 ; Rm 15.20 ; 2Co 10.16 )

5. QUALIFICAÇÕES DO MISSIONÁRIO
O sucesso do empreendimento missionário depende decisivamente do perfil do homem a ser enviado para o campo. Seguem algumas qualificações para os que desejam ir ao mundo fazer MISSÕES :
5.1ESPIRITUAIS
a. Ser nascido de novo – Jo 3.3,5 ; Lc 22.32 ; 1 Tm 3.7.
b. Profundo amor e comunhão com Deus – At 5.41 ; 21.13-22.15 ;2 Co 5.11-14 ; 1Jo1.1,3.
c. Vocação missionária – At 20.23,24 ; 21.13 .
d. Plena convicção da sua chamada – Gl 1.15 ; 2 Tm 1.1.
e. Conduta irrepreensível – 2 Tm 2.15 ; Rm 2.22 ; 1 Co 9.27.
f. Ardente amor pelas almas perdidas e preocupação em ganhá-las – 1Co 9.19-22.
g. Conhecimento da palavra de Deus – At 8.35 ; 6.10 ; 18.28 ; 2 Tm 2.15.
h. Deve ser cheio do Espírito Santo e de Fé – At 4.8,31 ; 6.3,8 ; 7.55 ; 2 Co 10.4-6 .
i. Liderança eficaz para dirigir, motivar, planejar e distribuir responsabilidades a seu grupo de trabalho Jz 7.1-21.
j. Domínio próprio – Pv 16.32 ; 25.28 ; Gl 5.22.
k. Imaginação, criatividade e iniciativa.
l. Humildade, serviço e hospitalidade – At 20.19 ; Lc 9.48 ; 1 Tm 3.2.
m. Vida devocional diária – Mt 26.41 ; Lc 18.1 ; At 10.9,10.
n. Maturidade espiritual e emocional.
o. Sensibilidade às necessidades, sofrimentos e temores do ser humano – Mt 9.36.
p. Capacidade de discipular – Mt 28.19 ; 2 Tm 2.2 .
q. Relacionamento e ética humana – Rm 12.18.
5.2FAMILIARES
a. Esposa – participante da mesma chamada do marido – 1Tm 3.11 ;
b. Filhos – problemas se estiverem na idade da mocidade ou adolescência ;
c. Testemunho – toda a família deve ter bom testemunho.
5.3 ADMINISTRATIVAS
Experiência como dirigente de congregação, onde houve:
a. Evidências claras da chamada missionária;
b. Comprovação de uma liderança eficaz;
c. Confirmação de Deus no seu trabalho.
5.4 MATERIAIS
a. Curso teológico;
b. Domínio do idioma do país de destino;
c. Profissão definida para países onde não poderá entrar como missionário. Ex: enfermeiro, médico, dentista, projetista de sistemas, desenhista, etc;
d. Dependendo da região a que se destina , eventualmente conhecimento em primeiros socorros, higiene, prevenção de doenças, etc.
5.5 FÍSICAS
a. O missionário e toda a sua família devem gozar de boa saúde física, emocional e mental.
5.6 TRANCULTURAIS
a. Curso eficiente para toda a família com relação: ao País de destino, com relação a usos e costumes, clima, regime político, religiões e seitas, moeda, vestuário, etc.
b. Facilidade de adaptação a outras culturas e raças.
c. Distinção entre pricípios bíblicos e costumes.

6. MISSÕES TRANSCULTURAIS
Para fazer missão transcultural, necessitamos entender a natureza de uma cultura. Segundo o Aurélio, cultura é “ o complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das instuições e doutros valores espirituais e materiais transmitidos coletivamente e característicos de uma sociedade.”
Em termo mais popular, pode ser definido como a totalidade do modo de vida de um grupo étnico determinado, isto inclui, a forma que este povo vê a realidade cósmica, os valores que lhe são comuns, e as normas de conduta que aceitam como normais em seu meio. Inclui também a forma como considera a existência do mundo e da humanidade.
Toda pessoa tem uma maneira mental de ser, uma forma diferente de ver as coisas e de reagir frente a elas, isto quer dizer, que vai sendo moldado pela cultura em que vive, e isto o afeta desde a sua infância até a sua morte.
6.1 O que é transculturação ? - O Aurélio mais uma vez diz: que transculturação é o” processo de transformação cultural caracterizado pela influência de elementos de outra cultura, com perda ou alteração dos já existentes.”
Aqui fica claro, de início, que evangelização trancultural não é substituir valores de uma cultura por outros de cultura diferentes. O que importa, na evangelização transcultural, são os princípios bíblicos. Estes sim, não podem ser alterados.



6.2 O QUE É MISSÃO TRANSCULTURAL ? - O prefixo “TRANS” deriva-se do latim e significa “movimento para além de” ,”através de”. Portanto, em linhas gerais, missão transcultural é um movimento que, pelo caráter universal de sua mensagem, não se restringe a uma só cultura, mas em TEM UM ALCANCE ABRANGENTE, EM TODOS OS QUADRANTES DA TERRA, ONDE QUER QUE HAJA UMA ETNIA QUE AINDA NÃO TENHA OUVIDO O EVANGELHO.
Em Mateus 28.18-19 temos : “ e chegando-se Jesus, falou-lhes dizendo: é-me dado todo poder no céu e na terra. Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”. Vemos que “ TODA “ é a palavra chave. Isto implica na afirmação de que o princípio da universalidade está implícito no evangelho, que deve ser pregado a todos os povos, para, igualmente, resultar na conversão de milhões de pessoas oriundas de todas as raças. A idéia da universalidade, globalidade ou totalidade transparece, ainda, quando o numero quatro salta diante de nossos olhos na expressão aparentemente repetitiva de Apocalipse 5.9 : “ tribo, língua, povo e nação. “ Aqui o mundo está dividido em quatro áreas para reforçar a perspectiva do que será resultado do alcance globalizado da pregação em todo o mundo.
Outro ponto que gostaria de considerar é a palavra ETNIA usada pelo Senhor em Mt 28. 19 que vem do grego “ethnos” e tem haver com grupo biológico e culturalmente homogêneo. No aspecto antropológico, a definição da palavra “etnia” ultrapassa o nosso conceito formal sobre fronteiras geográficas nas quais se assentam politicamente os países do mundo. Cerca de 12.000 povos distintos estão distribuídos em poucos mais de 250 países.
6.3 Demolindo os mitos da missão transcultural
a. Só igrejas grandes ou ricas podem fazer missão – Essa é uma falsa idéia que está em moda em muitas igrejas locais que , segundo pensam justificam o seu não envolvimento com missões. Segundo dizem, igrejas que têm pouco dinheiro jamais poderão comprometer-se com o trabalho misssionário e nem mesmo enviar missionários. Mas, a prática de países onde a tarefa de fazer Missões já está consolidada revela que os maiores recursos saem das igrejas pequenas, que somadas, conseguem superar muitas vezes os alvos de igrejas grandes e ricas.
b. Só pessoas de bastante recursos têm condições de contribuir para a Missão transcultural – O texto de orientação para se contribuir é 1 Co 16.2 ,onde Paulo orienta aos crentes darem conforme a sua prosperidade seja o rico ou o pobre. Isso também se aplica as Missões. A maioria dos casos, as contribuições missionárias não foram feitas por irmãos de alto poder aquisitivo, mas pela oferta da viúva pobre, da lavadeira, do trabalhador braçal e outros semelhantes.
c. A igreja deve primeiro evangelizar sua cidade para depois voltar-se para a evangelização transcultural – Este mito é fruto da falsa interpretação de Atos 1.8. A alusão do texto não é a de uma evangelização gradativa ( 1º Jerusalém ...)mas, de simultaneidade (...tanto em...como em...), devemos pregar em todas as partes ao mesmo tempo. A idéia de evangelizar área local para depois pensar em terras além-mar não existe.


7. A NECESSIDADE ABSOLUTA DE UM MISSIONÁRIO

7.1 O Livro de Jonas

Este livro serve como passo preparatório para o mandato missionário do Novo Testamento. Jonas também é uma lição de orientar ou treinar uma pessoa para ser um missionário. Jonas é resistente e infiel ao mandato missionário, à semelhança de muitas Igrejas ou muitos irmãos hoje.
Um breve resumo das 8 cenas do livro:
1ª cena (1:1-3) - Jonas deve ir às nações (à semelhança dos discípulos). Aqui especificamente para Nínive, a capital dos agressores. Ele foge.
2ª cena (1:4-16) - Enquanto cai a tempestade, Jonas dorme à semelhança de muitos de nós, como se não fosse com a gente. Os tripulantes (gentios) arremessam Jonas ao mar e adoram ao Senhor.
3ª cena (1:17) - Jonas não consegue fugir de sua tarefa missionária. Um grande peixe o engole para vomitá-lo no tempo devido.
4ª cena (2:1-10) - Jonas, o profeta sem misericórdia, pede a misericórdia de Deus.
5ª cena (3:1-4) - Jonas deve "proclamar" que Nínive, apesar de ímpia, é objeto do amor de Deus. Sua mensagem será de ameaça e promessa, de juízo e de Boas Novas.
6ª cena (3:5-10 - O que Israel se recusou a fazer, os pagãos gentios fizeram se arrependerem. Cessam as obras demoníacas, os mecanismos aterrorizantes da injustiça política são brecados. Abandonam os ídolos para servirem ao Senhor.
7ª cena (4:1-4) - O maior obstáculo no cumprimento da missão não foram os marinheiros, o peixe, nem o rei ou os cidadãos de Nínive, mas o próprio Jonas - a Igreja recalcitrante e de visão estreita. O pecado de Jonas é ser um missionário cujo coração não está na missão.
8ª cena (4:5-11) - Deus ainda da lições a Jonas. A planta cresce e morre. Jonas tem misericórdia de uma planta mas não de Nínive. Jonas é o pai de todos aqueles cristãos que desejam os benefícios e as bênçãos da eleição, mas que recusam a sua responsabilidade.
Qual era a tarefa do profeta?
Quais os problemas pessoais do profeta?
Como se demonstra o amor de Deus por Nínive?
Quem pode ser Nínive para você ?

Resumo: A tarefa de Israel não era tanto de "ir e pregar" mas "vinde e vêde, e obedecei ao nosso Deus". Como discípulos de Cristo hoje podemos apreciar estas verdades, e também aplicá-las à vida individual assim como à Igreja.
No N.T. vemos que existe também a necessidade de missionários e mensageiros. Reflitamos na mensagem paulina de Romanos 10.14-15 : “como, pois, invocarão aquele em que não creram ? E como crerão naquele de quem não ouviram ? E como ouvirão, se não há quem pregue ? E como pregarão se não forem enviados ?” Isso não significa que devemos ingressar em ministério público de “pregar” o evangelho. A palavra grega utilizada para “pregar” significa “ anunciar, proclamar ou publicar”. Evidentemente, um “púlpito” pessoal é designado a cada crente – em casa, na comunidade, no escritório e na escola – para mostrar e contar aos outros as Boas Novas.
Em Rm 1.14, Paulo declara: “ Eu sou devedor”, mostrando claramente seu senso de obrigação. Porque ? ele responde em Efésios 2 : a humanidade está morta, precisando de vida ( Ef 2.1 ) a humanidade está sem esperança, no caminho da destruição e precisando de libertação ( Ef 2.13-14). A resposta está aqui : alguns devem ser enviados à pregação para que as pessoas escutem e creiam. Sem fazer Missões não há como salvar o mundo de sua condição.
O Dr. Larry Pate, autor do livro MISSIOLOGIA , conclui de maneira muito interessante este assunto : “ Missões é a proclamação do amor de Deus, que ultrapassa as fronteiras culturais, raciais e lingüísticas. Ele deseja que todos, sejam os pigmeus da África, os homens de negócios da Ásia, tenham a oportunidade adequada de seguir a Cristo”.



8. NOSSO DEUS É UM DEUS MISSIONÁRIO

Todo o conceito de "missão" está desaprovado no mundo de hoje, e cresce a hostilidade em relação a ele. Evangelização, zelo missionário, tentativas de converter outras pessoas, tudo é rejeitado por ser con¬siderado "incompatível com o espírito de tolerância", "uma total violação à liberdade individual" e "uma forma extre¬mamente desagradável de arrogância". Até na igreja certos membros são completamente indiferentes à missão da igreja, enquanto que outros lhe opõem ativa resistência. "Como pode uma religião reivindicar o monopólio da verdade?", perguntam. "Não existem muitos e variados caminhos para Deus?""Que direito temos nós de interferir na privacidade dos outros, ou de tentar impor a eles nossos pontos de vista? Cada um que cuide da sua própria vida e deixe que os outros cuidem da sua."
Por detrás dessa retórica negativa escondem-se três grandes objeções à missão cristã: ela seria uma forma de intolerância, de arrogância e de violência. Como podemos responder a estas críticas?
A tolerância é talvez a mais valorizada das virtudes na cultura ocidental, hoje. Mas nem sempre as pessoas defi¬nem o que querem dizer com tolerância. Se nós estabele¬cermos uma distinção entre três diferentes tipos de tole¬rância, quem sabe isso ajude a esclarecer. A primeira poderia ser chamada de tolerância legal; ela procura ga¬rantir que os direitos religiosos de toda minoria (geral¬mente resumidos como a liberdade de "professar, praticar e propagar" a religião) sejam devidamente protegidos pela lei. Os cristãos deveriam ser os primeiros a lutar por isso. Outro tipo é a tolerância social, que estimula o respeito a todas as pessoas, quaisquer que sejam os seus pontos de vista, procura compreender e valorizar a postura destes e promove a boa vizinhança. Esta também é uma virtude que aos cristãos interessa cultivar; ela brota naturalmente do nosso reconhecimento de que todos os seres humanos são criaturas de Deus e portadores de sua imagem, e de que ele deseja que vivamos juntos, em harmonia. Mas, e a tolerância intelectual, que é o terceiro tipo? Cultivar uma mente tão aberta que seja capaz de abraçar qualquer opinião, por mais falsa ou danosa que seja, sem nunca rejeitar coisa alguma, isso não é virtude; é um vício que denota fraqueza de espírito e de moral. No final, acaba gerando uma con¬fusão sem princípios entre verdade e erro, entre o bom e o mal. Os cristãos, que crêem que o bem e a verdade foram revelados em Cristo, não podem aceitar isso. Nós estamos decididos a dar testemunho de Cristo, que é a encarnação dos dois. Foi essa convicção que levou William Temple, quando Arcebispo de Cantuária, a declinar de convites para associar-se ao Congresso Mundial de Religiões e a escrever: "Estou convicto de que o cristianismo é uma religião profundamente intolerante".
Se missão não é, no mau sentido, intolerante, então seria ela arrogante? Acho que deveríamos começar admitindo que certas atitudes cristãs e métodos evangelísticos pode¬riam ser considerados, e com justiça, como "orgulhosos" e "paternalistas". Nós precisamos ser sensíveis e arrepender-nos dessas falhas que os outros enxergam em nós, cristãos. Os evangelistas nunca deveriam ser imperialis¬tas, nem ambicionar o crescimento de seu império pessoal ou o prestígio de sua igreja ou organização; sua ambição deveria ser o reino de Deus. O espírito de cruzada, a men¬talidade triunfalista e o estilo jactancioso são todos inapro¬priados para um embaixador de Cristo. A humildade é a virtude cristã preeminente e deveria caracterizar todos os nossos pensamentos, palavras e ações.
O Relatório de Willowbank (O Evangelho e a Cultura), resultado de uma consulta internacional realizada em janeiro de 1978, inclui uma seção inteira intitulada "Procura-se: Mensageiros Humildes do Evangelho!". Metade dela é "uma análise da humildade cristã numa situação missionária" e concentra-se na necessidade de humildade cultural. Certos missionários ocidentais cometeram o equí¬voco de confundir Cristo com cultura. Tornaram-se, então, "culpados de um imperialismo cultural, que tanto mina a cultura local desnecessariamente como procura impor uma cultura alienígena em seu lugar." O Relatório con¬tinua:
Sabemos que nunca deveríamos condenar ou desprezar outra cultura, mas, ao invés disso, respeitá-la. Não advogamos nem a arrogância que impõe nossa cultura a outros, nem o sincretismo que mistura o evangelho com elementos culturais incompatíveis com ele, mas, antes, a humilde partilha das boas novas, tornada pos¬sível pelo respeito mútuo de uma amizade genuína.
Dada a necessidade de arrepender-se da sua arrogância, tanto pessoal quanto cultural, seria o próprio conceito de missão inerentemente arrogante? Segundo Kenneth Cragg, conceituado especialista cristão em assuntos do Islã, o que acontece é justamente o contrário:
A descrição de missão como egoísmo religioso pode ter certa validade em relação a algumas de suas deslealdades. Mas é justamente deixar de fazer missão que se constituiria em egoísmo extremamente condenável, pois iria atestar um direito de propriedade sobre algo que é grande demais para pertencer a uns poucos e inclusivo demais para ser arrogado somente para alguns... Crer em Cristo é reconhecê-lo como um Cristo universal. Uma vez que ele é requisito para todos, ele não é propriedade de ninguém. A missão cristã é simplesmente um ativo reconhecimento das dimensões do amor de Deus.
A terceira objeção à missão cristã é que ela seria uma violenta agressão às pessoas. Para algumas pessoas, a evangelização, além de uma agressão, é também uma intromissão, pois implica em invasão indesejada a um território privado. Uma vez mais, precisamos reconhecer que às vezes isto é verdade. Aliás, a Grande Comissão não nos dá nenhum direito de invadir o espaço pessoal dos outros ou de derrubar as barreiras com as quais as pessoas procuram se proteger. Eu, pessoalmente, gostaria que nós chegássemos a um acordo quanto a expurgar o nosso vocabulário evangelístico de toda metáfora violenta. O termo "cruzada", por exemplo, lembra as expedições militares medievais para a Terra Santa; "campanha" lembra operações de exército; e até mesmo a palavra "missão" faz lembrar ataques em tempos de guerra, en¬quanto que falar em comunidades como "alvos" dá mais a idéia de projéteis e bombas do que do evangelho da paz. Como podemos evangelizar com integridade se não formos expressão da "mansidão e humildade" do Cristo que pro¬clamamos( 2 Co 10.2 )?
Quando as pessoas falam em "proselitismo" em um tom depreciativo, em geral elas parecem ter em mente algum tipo de conversão à força. Portanto, deveria haver uma distinção muito clara entre "proselitismo" e o verdadeiro "evangelismo". Com efeito, existe entre as igrejas uma larga medida de consenso no sentido de que "proselitismo" é sinônimo de "testemunho indigno". Além do mais, a "indignidade" de um testemunho proselitista pode ter relação direta com as nossas motivações (preocupação com a nossa própria glória, ao invés de visarmos a glória de Cristo), nossos métodos (confiar em técnicas de pressão psicológica ou no oferecimento de benefícios sob a con¬dição de conversão, em vez de confiar no poder do Espírito Santo) ou mesmo com a nossa mensagem (enfocar a pretensa falsidade e as falhas dos outros, ao invés de enfatizar a verdade e a perfeição de Jesus Cristo). Além disso, não há necessidade alguma de se recorrer a nenhum tipo de "testemunho indigno". Afinal de contas, a verdade acabará prevalecendo. Como disse Paulo, "nada podemos contra a verdade, senão em favor da própria verdade"( 2 Co 13.8 ). Aqueles que usam pressões inadequadas estão, portanto, admitindo a sua própria fraqueza.
A verdadeira missão cristã, pois, é plenamente compa¬tível com uma tolerância autêntica, uma humildade ge¬nuína e uma mansidão igual à de Cristo. Além disso, ela faz parte do Cristianismo histórico. Isto acontece, em parte, como vimos no último capítulo, porque o Cristia¬nismo afirma tanto a finalidade de Cristo (ele não tem sucessores) como a sua unicidade (ele não tem semelhan¬tes nem rivais). Sua unicidade dá a ele significância universal; ele deve tornar-se conhecido no mundo todo.
E tem mais. A missão cristã tem suas raízes na natureza do próprio Deus. A Bíblia o revela como um Deus missio¬nário (Pai, Filho e Espírito Santo), que cria um povo mis¬sionário e que está trababalhando para uma consumação missionária. Se este capítulo fosse um sermão, eu teria que anunciar como texto a Bíblia inteira! Não seria possível selecionar um texto mais curto, se é que queremos esta¬belecer uma base bíblica adequada para a missão cristã. Eu proponho, portanto, que tracemos um rápido pano¬rama da Bíblia, dividindo-a em suas cinco seções. Olharemos, em primeiro lugar, para o Antigo Tes¬tamento e para Deus o Pai, o Criador do mundo, o Deus da aliança de Israel; depois olharemos para os Evangelhos e para o nosso Senhor Jesus Cristo, o Salvador dos pecadores; terceiro, para Atos e para o Espírito Santo em ação nos apóstolos e através destes; em quarto lugar, examinaremos as Epístolas e as igrejas que elas regis¬tram, vivendo e testemunhando responsavelmente no mundo; e, quinto, para o Apocalipse e para o clímax da história, quando o povo redimido de Deus será congregado dentre todas as nações. Cada estágio sucessivo é uma nova revelação missionária.

8.1 O Deus do Antigo Testamento é um Deus missionário

A idéia de que o Antigo Testamento é um livro missionário e de que Deus é um Deus missionário é uma surpresa para muita gente. Afinal, sempre se pensa no Deus do Antigo Testamento como sendo exclusivamente o Deus de Israel. Todos recordam como Deus chamou Abraão e fez uma aliança com ele e seus descendentes; como ele renovou a sua aliança com Isaque e Jacó e, posteriormente, com as doze tribos que ele resgatara da escravidão no Egito e trouxera para o Monte Sinai, onde prometeu que seria o seu Deus e que faria deles o seu povo; como ele os esta¬beleceu na terra prometida e os abençoou com reis, sacer¬dotes e profetas, preparando-os para a vinda do Messias. E tudo isso é verdade. Só que é apenas uma parte da ver¬dade. Afinal, o Antigo Testamento começa, não com Abraão, mas com Adão; não com a aliança, mas com a criação; não com a raça escolhida, mas com a raça humana. Ele declara enfaticamente que Javé, o Deus de Israel, não era um deusinho tribal de estimação como Camos, o Deus dos moa-bitas, ou Milcom, o deus dos amonitas, mas o criador dos céus e da terra, o Senhor das nações, o "Autor e Conser¬vador de toda vida"( Nm 16.22 e 27.16 ). Esta é a perspectiva de todo o Antigo Testamento.
Além disso, o chamado de Abraão não contradisse esta visão de mundo; ele o estabeleceu. Javé dissera a Abraão que deixasse "a sua terra, a sua parentela e a casa do seu pai" e fosse para uma outra terra que ele lhe haveria de mostrar. Agora Deus lhe disse:
"De ti farei uma grande nação,
e te abençoarei, e te engrandecerei o nome.
Sê tu uma bênção. Abençoarei os que te abençoarem,
e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas
todas as famílias da terra."( Gn 12.1 )
Assim, Abraão deveria deixar a sua própria terra e esperar que lhe fosse mostrada uma outra; deixar o seu próprio povo e transformar-se em outro povo. Deus pro¬meteu não somente abençoá-lo, mas também fazer dele uma bênção; não somente dar a ele uma posteridade, mas através desta abençoar "todas as famílias da terra".
Não seria exagero dizer que Gênesis 12.1-4 é o texto mais unificador da Bíblia inteira, pois nele se encerra o propósito salvífico de Deus, ou seja, de abençoar o mundo inteiro atra-vés de Cristo, que seria semente de Abraão. O resto da Bíblia é um desdobramento disso e a história subsequente tem sido um cumprimento disso. Primeiro Deus preparou Israel para a vinda de Cristo; e depois, através da sua vinda, tem abençoado o mundo desde então. Nós mesmos não seríamos seguidores de Jesus, hoje, se não fosse por este texto: nós somos beneficiários da promessa de Deus feita a Abraão há cerca de quatro mil anos. "Se sois de Cristo", escreveu Paulo, "também sois descendentes de Abraão, e herdeiros segundo a promessa."( Gl 3.29 ). Uma vez mais, se compartilhamos da sua fé, "Abraão é pai de todos nós"( Rm 4.16-17 ) Pois a promessa divina foi um anúncio prévio do evangelho feito a Abraão, a saber, que Deus "justificaria pela fé os gentios"( Gl 3.8 ).
O trágico no Antigo Testamento é que Israel vivia se esquecendo do escopo universal da promessa de Deus. Eles negligenciavam o fato de que Deus havia escolhido uma família a fim de abençoar todas as famílias. Passaram a preocupar-se consigo mesmos e com sua própria história. Chegaram ao ponto de perverter a verdade da eleição divina, interpretando-a erroneamente como favoritismo divino, o que os levou a se vangloriarem de seu status privilegiado e a pressuporem que eram imunes ao juízo de Deus.
Assim, os profetas tinham que viver tentando ampliar a visão deles, lembrando-os de que o propósito de Deus através dos descendentes de Abraão era abençoar as nações. Por exemplo, Deus iria fazer das nações a "herança" e a "possessão" do Messias( Sl 2.8); todas as nações iriam servi-lo( Sl 72.11); ele haveria de ser uma luz para as nações gentias( Is 49.6); e, naquele dia, todas as nações e povos afluiriam para o templo do monte do Senhor( Is 2.2 ).

8.2 O Cristo dos Evangelhos é um Cristo missionário

Em 1850, David Livingstone, o intrépido missionário pio¬neiro na Africa, escreveu à sua irmã Agnes:
O cumprimento de uma missão do Rei dos reis jamais deveria ser considerado um sacrifício, enquanto outros acham que é uma honra servir a um governo terreno... Eu sou missionário de coração e alma. Deus só teve um filho, e este foi missionário e médico. Eu sou uma pobre, pobre imitação dele... A seu serviço eu espero viver; e no seu serviço desejo morrer.
Alguns anos mais tarde, Robert Speer, secretário itine¬rante do Movimento Voluntário Estudantil dos Estados Unidos, escreveu em seu diário: "Se você quer seguir a Jesus Cristo, deve segui-lo até os confins da terra, pois é para lá que ele vai... Nós não podemos pensar em Deus sem imaginá-lo como um Deus missionário."
É verdade que, segundo o registro de Mateus, duas vezes Jesus restringiu sua missão às "ovelhas perdidas de Is¬rael". Ele disse aos Doze que não evangelizassem áreas gentílicas ou samaritanas, mas que "de preferência" pro¬curassem as "ovelhas perdidas da casa de Israel"(Mt 10.6). E, mais tarde, disse a uma mulher cananéia, que lhe implorara em favor de sua filha endemoninhada, que ele fora enviado somente às ovelhas perdidas de Israel( Mt 15.24 ). Isso nos deixa perturbados e até mesmo chocados, pelo menos até nos darmos conta de que esta foi uma limitação meramente temporária e histórica, relacionada apenas ao ministério terreno de Jesus. Ele acrescentou que, através de sua morte e ressurreição e pelo dom do Espírito, a salvação seria ofertada a todas as nações, a quem seus seguidores, con¬forme suas instruções posteriores, deveriam levar as boas novas.
Até mesmo o Evangelho de Mateus, que é o mais judaico de todos os quatro Evangelhos e que é o único a incluir as duas referências às ovelhas perdidas da casa de Israel, deixa muito claro este horizonte global. Ele começa com a genealogia de Jesus, que é traçada desde Abraão, decerto para indicar que a promessa finalmente irá se cumprir( Mt 1.2 ). A seguir, após o nascimento de Jesus, ele descreve a visita daqueles misteriosos magos, que eram provavelmente astrólogos zoroastrianos da Pérsia e que trouxeram os seus tesouros para o "rei dos judeus", e os quais Mateus vê como precursores das multidões gentílicas que mais tarde ha¬veriam de prestar homenagem a Jesus( Mt 2.1-12 ). Mateus registra também a memorável predição de Jesus de que "muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus"( Mt 8.11). E o Evangelho de Mateus termina com a mais completa versão que temos da assim chamada "Grande Comissão" ou "Comissão Universal". A missão dos Doze durante o ministério público de Jesus pode ter sido restrita às "ovelhas perdidas de Israel", mas a missão da igreja não tem essa limitação. Os seguidores de Jesus devem "ir e fazer discípulos de todas as nações", recebendo-os pelo batismo na comunidade cristã e ensinando-os a obedecer todas as orientações do seu Mestre( Mt28.19-20 ). Esta comissão às nações nunca foi rescindida; eia continua unindo o povo de Deus. Ela foi feita pelo Cristo ressurreto, que podia afirmar que "toda autoridade no céu e na terra" lhe havia sido dada. Há uma intenção muito clara quanto à relação entre essa "toda autoridade" que ele reivindicava e "todas as nações" a quem ele comissionou seus seguidores discipulá-las. A missão universal da igreja brota da autoridade universal de Jesus.

8.3 O Espírito Santo dos Atos é um Espírito missionário

Roland Allen, notável missionário anglicano que atuou no Norte da China de 1895 a 1903, tinha um profundo anseio de que a igreja resgatasse os três princípios de autoctonia (autogoverno, auto-sustento e autopropagação) que carac¬terizaram a política missionária do apóstolo Paulo. Seus livros mais conhecidos são Métodos Missionários: Nossos ou de Paulo? (1912) e O Crescimento Expontâneo da Igreja (1927). Menos conhecido é o seu breve estudo do livro de Atos, O Pentecoste e o Mundo, cujo subtítulo é A Revelação do Espírito Santo nos Atos dos Apóstolos, em que ele escreve: "O livro dos Atos é essencialmente um livro missionário... Não se pode deixar de concluir que o Espírito que foi dado era... de fato um Espírito missionário." Este, continua ele, é "o grande, fundamental e inequívoco ensinamento do livro... É na revelação do Espírito Santo como um Espírito missionário que o livro de Atos se revela único no Novo Testamento."
Roland Allen tinha razão. O Espírito Santo é o ator principal em Atos. O livro começa com os cento e vinte discípulos esperando. No cenáculo, em sua última noite com os Doze, Jesus havia prometido a vinda do Espírito o descrevera o futuro ministério do Espírito, de convencer, ensinar e testemunhar. Durante os quarenta dias que se passaram entre a ressurreição e a ascensão, a repetida mensagem foi que o Espírito lhes daria "poder" para testemunhar( Lc 24.49 ) e que eles deveriam esperar pela sua vinda( At 1.4 ).
O Pentecoste foi, pois, um evento missionário. Foi o cum¬primento da promessa de Deus dada por intermédio do pro¬feta Joel, de derramar o seu Espírito "sobre toda a carne"( Jl 2.28 ), independentemente de raça, sexo, idade ou classe social. E as línguas estranhas que os discípulos falaram (o que claramente parece que as "línguas" foram, pelo menos no Dia de Pentecoste) foram um dramático sinal da natureza internacional do reino do Messias que o Espírito Santo viera estabelecer.
O restante do livro de Atos é um desdobramento lógico desse começo. Nós assistimos, fascinados, o Espírito mis¬sionário criando um povo missionário e impulsionando-os a saírem em sua tarefa missionária. Eles começaram a testemunhar aos seus companheiros judeus em Jerusa¬lém e ao redor desta, nos quartéis-generais judaicos. Então Filipe tomou a corajosa iniciativa de testificar aos samaritanos, que estavam a meio caminho entre os judeus e os gentios. A seguir veio a conversão do centurião Cornélio, um daqueles gentios "tementes a Deus", que havia aceitado o monoteísmo e os padrões éticos dos judeus mas conti¬nuara sendo gentio, vivendo à margem da sinagoga, mas sem aceitar a plena conversão. O Espírito Santo deu a evidência mais clara possível de que agora Cornélio era um membro com plenos direitos na igreja( At 10-11 ). Logo depois, alguns crentes anónimos aproveitaram a brecha e "fala¬vam também aos gregos, anunciando-lhes o evangelho do Senhor Jesus" ( At 11.20 ).Seguiram-se as três viagens missionárias do apóstolo Paulo aos gentios, em que ele evangelizou as províncias da Galácia, Ásia, Macedónia e Acaia e nas quais o Espírito Santo tanto o impedia como o guiava( At 16.6-10 ). O livro termina com Paulo em Roma, a capital do mundo e a cidade dos seus sonhos, não como homem livre, mas como pri¬sioneiro; mesmo assim, porém, um evangelista infatigável, anunciando Jesus e o reino a quem quer que o visite, "com toda a intrepidez, sem impedimento algum"( At 28.31 ).
Por todo o livro de Atos Lucas deixa claro que o impulso missionário veio do Espírito Santo. É este o tema de Harry R. Boer em seu livro Pentecoste e Missões. O livro de Atos, escreve ele,
é regido por uma motivação única, que o controla e domina totalmente. Esta motivação é a expansão da fé através do testemunho missionário no poder do Espí¬rito... Incansavelmente, o Espírito Santo leva a igreja a testemunhar, e continuamente nascem igrejas a partir desse testemunho.
Uma outra importante conclusão de Harry Bóer é que o momento certo para esse impulso evangelístico proveio do Espírito Santo e não da Grande Comissão — que, aliás, não volta a ser mencionada depois de Atos 1. Ele escreve:
Nós precisamos deixar de pregar a Grande Comissão como uma ordem a ser obedecida. Devemos anunciá-la, isto sim, como uma lei que expressa a natureza da igreja e que governa a vida dela... O derramamento do Espírito é, por sua própria natureza, a efetivação da Grande Comissão na vida da igreja.

8.4 A igreja das Epístolas é uma igreja missionária

Muitas vezes os membros da igreja local são vistos (seja na imaginação, seja na realidade) sentados em círculo, olhando uns para os outros. Este quadro não está errado, uma vez que nós pertencemos uns aos outros e necessi¬tamos do apoio uns dos outros. Na verdade, o Novo Tes¬ta mento está sempre nos exortando a amar-nos uns aos outros, a encorajar-nos, confortar-nos e exortar-nos mutuamente, a carregarmos as cargas uns dos outros. E essa reciprocidade da comunhão cristã só pode ser desfru¬tada e desenvolvida quando nós encaramos uns aos outros. Mas "reunir-se em círculo", embora seja legítimo, é tam¬bém perigoso. Afinal, sempre que nos voltamos para dentro, na direção uns dos outros, estamos voltando as costas para o mundo. A fim de desfrutar uma comunhão mútua, nós tivemos que nos desligar do mundo. Isto é permissível — mas só se for temporário. Nós nos separamos do mundo para adorar e comungar, a fim de retornarmos a ele for¬talecidos para viver como testemunhas e servos de Cristo.
Agora, todas as vinte e uma Epístolas do Novo Testa¬mento, mesmo as que se destinam a pessoas específicas, têm como propósito, em suas diferentes formas, edificar a igreja e garantir o seu crescimento, tanto em maturidade como em extensão. É verdade que as Epístolas tratam de questões domésticas da igreja: sua doutrina, seu culto, seu ministério, unidade e santidade. Mas elas também pres¬supõem, do começo ao fim, que a igreja vive no mundo e tem como responsabilidade alcançá-lo em compaixão, lá onde ele está.
Para começar, Paulo presume que as igrejas irão par¬ticipar do seu próprio ministério apostólico através do seu apoio, seus dons e, acima de tudo, suas orações. Ele agradece a Deus pela "cooperação no evangelho" dos filipenses( Fp 1.5 ). Pede aos tessalonicenses que orem para que através dele "a palavra do Senhor se propague, e seja glorificada"( 2Ts 3.1 ); aos colossenses, "para que Deus nos abra porta à palavra"( Cl 4.3 ); e aos efésios, para que lhe seja dada, no abrir da sua boca, a palavra, bem como ousadia e intrepidez ao fazer conhecido o evangelho( Ef 6.19-20 ).
Os apóstolos pressupõem também que a própria igreja se envolva na divulgação da fé. Paulo chama-a de "coluna e baluarte da verdade"( 1Tm 3.15 ), o que sugere que ela deve elevar a verdade (assim como as colunas mantêm elevado um edifício) e conservá-la firme (agindo como o alicerce de uma estrutura). Pedro chama a igreja de "raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus", a fim de que os seus membros possam "proclamar as virtudes" ou "anunciar as grandezas" (NVI) do Salvador, que os chamou "das trevas para a sua maravilhosa luz"( 1Pe 2.9 ).
E cada igreja local deve expressar o caráter missionário de toda a igreja. Os filipenses, que viviam "no meio de uma geração pervertida e corrupta", foram exortados a "res¬plandecer como luzeiros no mundo" e a "preservar a palavra da vida", exibindo-a, tal como um vendedor faz com suas mercadorias ou como um garçom faz com os pratos em uma festa( Fp2.15-16 ), Os tessalonicenses são descritos como tendo, não somente "recebido" a palavra do Senhor, mas também feito com que ela "repercutisse" nas regiões vizinhas( 1Ts 1.6-8 ).
Os membros da igreja devem envolver-se também indi¬vidualmente no testemunho cristão. A exortação dos após¬tolos é que eles tenham consciência de que os "de fora" os estão observando. Eis aqui um exemplo: "Portai-vos com sabedoria para com os que são de fora; aproveitai as opor¬tunidades. A vossa palavra seja sempre temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um”( Cl4.5-6 ). É uma instrução muito prática. Nós devemos ser sensíveis em nosso relacionamento com os de fora, aproveitar toda oportunidade para testemunhar, combinar graça com sal (quem sabe salubridade ou até perspicácia) em nossa conversação e estar prontos para responder a questões que nos são colocadas. Este último ponto nos faz lembrar a orientação similar dada por Pedro: "Estando sempre pre¬parados para responder a todo aquele que pedir razão da esperança que há em vós”( 1Pe3.15 ).
Assim, a igreja das Epístolas é uma igreja missionária, quer se pense na igreja universal, na igreja local ou em cada membro da igreja. Como vimos até agora, a missão é uma parte essencial da identidade da igreja. Em palavras francas de Lesslie Newbigin, "a ordem para discipular todas as nações encontra-se no centro do man¬dato da igreja; e uma igreja que esquece isso, ou que o marginaliza, perde o direito de ser chamada de católica e apostólica."

8.5 O clímax do Apocalipse é um clímax missionário

O apóstolo João, quando lhe foi dada a chance de dar uma espiadinha pela "porta aberta no céu"( Ap4.1 ), viu uma grande multidão em pé diante do trono de Deus. Todos estavam vestidos com vestes brancas (o símbolo da justiça), segu¬ravam palmas nas mãos (o símbolo da vitória) e juntavam-se a um poderoso coro de adoração, atribuindo a sua salvação a Deus e ao Cordeiro. João descreve também essa grande multidão como vindo "de todas as nações, tribos, povos e línguas"( Ap7.9-10 ). Portanto, a missão da igreja não será em vão. Pelo contrário, resultará em um enorme ajunta¬mento de pessoas, uma multidão multi-racial e multinacional, cujas diferentes línguas e culturas, ao invés de impedir, irão enriquecer sua incessante celebração da graça de Deus.
A multidão redimida será também incontável. Somente então a antiga promessa de Deus a Abraão se cumprirá totalmente. Para enfatizar que não haveria limites para o número de descendentes de Abraão, tanto física (os judeus) como espiritualmente (os crentes, quer judeus ou gentios), Deus prometeu que eles seriam mais numerosos do que o pó da terra( Gn13.16 ), as estrelas do céu(Gn15.5) e a areia na praia do mar(Gn22.17). Cada uma destas metáforas simboliza incontabilidade. "Farei a tua descendência como o pó da terra; de maneira que se alguém puder contar o pó da terra, então se contará também a tua descendência." "Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes." Com o conhecimento que nós temos acerca do universo, neste século XXI, parece que as miríades de miríades de estrelas dos bilhões de galáxias realmente chegam a somar tanto quanto todos os grãos de areia e as partículas de pó do mundo todo. Mesmo que tenhamos que continuar sem saber como é que Deus vai conseguir fazer isso, entrementes nós podemos nos rego¬zijar com o fato de que a obra missionária da igreja irá chegar a esse clímax, para honra e glória de Deus.
Nós acabamos de ver, a partir deste breve panorama da Escritura, que o Deus do Antigo Testamento é um Deus missionário (ele chamou uma família a fim de abençoar todas as famílias da terra); que o Cristo dos Evangelhos é um Cristo missionário (ele comissionou a igreja para ir e fazer discípulos de todas as nações); que o Espírito Santo dos Atos dos Apóstolos é um Espírito missionário (ele impulsionou a igreja a fim de testemunhar); que a igreja das Epístolas é uma igreja missionária (uma comunidade mundial com uma vocação mundial); e que o clímax do Apocalipse será um clímax missionário (uma incontável multidão internacional).
Portanto, a religião da Bíblia é uma religião missionária. A prova disso é esmagadora, irrefutável. A missão não pode ser considerada um lamentável desvio da tolerância religiosa, nem como um hobby de alguns excêntricos entusiastas. Pelo contrário, ela nasce no coração do próprio Deus e comunica-se do seu coração para o nosso coração. Missão é o alcance global do povo global de um Deus global.
Portanto, se a nossa atitude tem sido de resistência à dimensão missionária da vida da igreja, ignorando-a por considerá-la dispensável, ou dedicando-lhe, mesmo com certa relutância, algumas orações intercessórias e atirando-lhe umas moedinhas de consolo, ou se nos preocupamos apenas em atender aos interesses da nossa própria vidinha comunitária, então precisamos arrepender-nos, isto é, chegou a hora de mudar. Nós dizemos que temos fé em Deus? Ele é um Deus missionário. Dizemos que estamos comprometidos com Cristo? Ele é um Cristo missionário. Declaramos estar cheios do Espírito Santo? Ele é um Espírito missionário. Nós nos deleitamos em pertencer à igreja? Ela é uma sociedade missionária. Esperamos ir para o céu quando morrermos? Ele está cheio de frutos da obra missionária. É impossível ignorar estas coisas.
Se dentre nós alguns necessitam de arrependimento, todos nós devemos entrar em ação. O verdadeiro cristianismo da Bíblia não é uma religiãozinha escapista, egoísta, quentinha, aconchegante e segura. Pelo contrário, ela mexe profunda¬mente com a nossa segurança e garantia. Ela é uma força explosiva e centrífuga, que nos arranca do nosso estreito egocentrismo e nos atira para o mundo de Deus, a fim de testemunhar e servir. Precisamos, pois, encontrar maneiras práticas, seja individualmente, seja através de nossas igrejas locais, para expressar esse comprometimento.
Em 1885, o General William Booth, "com os olhos bri¬lhando, desafiou uma multidão de salvacionistas de Lon¬dres: 'Quanto mede o perímetro do mundo?' Das cerradas fileiras veio a resposta, a toda voz: 'Vinte e cinco mil milhas.' 'Então', vociferou Booth, escancarando os braços, 'nós precisamos crescer até que nossos braços se fechem num círculo em volta dele!'."

9. CONCLUSÃO
Podemos concluir esse tão importante assunto com aquilo que considero “ a literatura mais inspirativa para a igreja” – a biografia cristã. A biografia cristã inspirará o coração mais letárgico e acelerará o pulso mais fraco, se meditação houver concernente as maravilhas que Deus tem executado por meio de almas heróicas que se tornaram submissas e tiveram “tudo como perda por amor a Cristo”.(Fp3.7).Há uma coisa que impressiona quando estudamos as biografias dos santos: eles estavam apaixonados por almas perdidas.
E foi isto que levou Xavier a gritar do convés de um navio indiano quando teve uma visão dos sofrimentos e das dificuldades incalculáveis que o esperavam, preço da salvação das ilhas e dos impérios por Cristo: “ Tudo isto,sim, e ainda mais ó meu Deus, arrostarei se me concederes a graça de guiar almas para o teu reino”.
Esta foi a ambição que impeliu o evangelista WESLEY através da sua vida devota, se bem que tivesse que arcar com inumeráveis sacrifícios e renuncia própria. Foi esta paixão que gerou em WHITEFIELD o zelo consumidor que o impeliu a sair mundo a fora, através de terras e mares qual uma verdadeira tocha a brilhar por Cristo.
Esta mesma paixão flamejava no peito de Rowland Hill. E o povo de wotten o chamou de louco. Esta, porém, foi a sua defesa:” enquanto passava por um caminho vi uma pedreira cair sobre três homens e enterrá-los vivos. Apressei-me a salvá-los. Gritei por socorro, até ser ouvido na vila, meia légua distante. Ninguém me chamou de louco naquela ocasião. E quando vejo a destruição sobrevir aos pecadores e soterrá-los na eterna perdição, grito: e, se por acaso, podem perceber o seu perigo e escapar , dizem que sou alienado. Talvez eu seja. Deus permita, todavia, que todos os seus filhos possam ser inflamados dessa mesma loucura.
Foi esta paixão que compeliu Shauftsbury a abandonar as atrações de uma brilhante posição social afim de ministrar aos mendigos de Londres o socorro que suas almas suplicavam.
Esta paixão chamou Robert McCall do seu lindo palacete inglês aos bairros mais pobres de Paris. Era homem culto, devotado a arte e às letras, porém pôs estas coisas de lado e fixou residência no meio da destruição total da metrópole francesa afim de apontar as almas perdidas à Cruz. Pode imaginar-se algo mais patético ou mais lindo do que este homem e sua querida esposa nos apresentam, ao abrirem a primeira casa de culto num armazém desocupado, com um pequeno órgão portátil, uma mesinha e poucas cadeiras, e, de pé, perante 289 pessoas, transmitir, num Frances errado, a mensagem do Salvador?! Tais chamas de zelo jamais se apagam.
Mattew Henry disse: “ acharia mais felicidade em ganhar uma alma para Cristo do que em ajuntar montes de ouro e de prata para mim mesmo”.
Doddridge disse: “Anseio mais a conversão de almas do que qualquer coisa. Penso que não só daria a minha vida por causa tão nobre, como ainda, por tal, morreria com prazer.”
O santo Brainerd, depois de labor e sacrifício tremendos, poucas vezes registrados, escreveu: “Não me importava onde ou como vivia, nem as experiências duras que passava, se isto me levava a ganhar almas para Cristo”.
Foi John vassar um grande conquistador de almas para Cristo. Certa vez ele foi a uma vila da Nova Inglaterra para proferir uma série de conferencias. O pastor o encontrou em uma estação, e, enquanto andavam em direção ao lar onde o Sr.Vassar ia hospedar-se , apontou o pastor a uma casa pela qual estavam passando e disse: “Ali é a casa do ferreiro. Um dia faça-lhe uma visita e lhe fale a respeito do Evangelho”. Logo que John Vassar ouviu isso pôs num canto a maleta e se dirigiu para a oficina. Dez minutos mais tarde, o ferreiro largou a ferradura do cavalo em que trabalhava, e, ajoelhado na forja, implorava a Deus misericórdia.
Em outro lugar John Vassar ia de casa em casa distribuindo folhetos e falando com o povo quando surgia uma oportunidade. Uma irlandesa ouviu falar desse desconhecido que entrava nas casas sem ser apresentado, e disse: “ se chegar a minha porta, não vou ser delicada”.
No dia seguinte, sem conhecimento desta ameaça, ele tocou a campainha de sua casa. Quando ela o reconheceu, fechou a porta no seu rosto. Não desanimado, o Sr.Vassar senta-se na verga da porta e canta:
“Oh que grande prazer inundou o meu Conhecendo esse tão grande amor que levou meu Jesus a sofrer lá na cruz para salvar um tão pobre pecador”
Poucas semanas depois esta mulher fez profissão de fé em uma igreja Presbiteriana. Faltar-me-ia o tempo falando ainda de C.Finney, D.L.Moody, C.H.Spurgeon e outros que demonstraram uma paixão indelével por missões e por contar as boas novas. Onde está o segredo destes homens? Na preocupação em ganhar almas. Não tinham outra missão na vida. Esta paixão sublime dominava-lhes o coração. Negligenciar isso é falhar no ponto principal da vida cristã.

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