segunda-feira, 6 de setembro de 2010

TOMANDO A CRUZ - THOMAS À KEMPIS

Oi amigos queridos. Sei que as situações que atravessamos, problemas e dificuldades, tentações, as vezes nos desanimam.Encontrei força, e alegria e meus olhos se encheram de lágrimas por eu ter uma compreensão tão pequena a cerca da Cruz. O texto que pertence ao Sermão de Thomas á Kempis um gigante da fé e grande homem de Deus. Espero que gostem...

abraços

Thomas á Kempis:

Tomando a Cruz


THOMAS Á KEMPIS NASCEU: EM 1381, em Kampen, na orla de Zuiderzee, Países Baixos, e morreu no mosteiro do monte Santa Inês, em Zwolle, em 1471. Setenta anos de sua longa vida foram passados no convento agostiniano do monte Santa Inês. Foi lá que ele produziu o imortal clássico da vida devocional A imitação de Cristo, o qual, como escreveu o Dr. Charles Hodge, "espalhou-se como incenso pelos corredores e nichos da Igreja Universal".
Seu sermão "Tomando a Cruz" é um belo e eloqüente tributo a Cristo e a cruz.

Tomando a Cruz

Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo." (Gl 6.14)

IRMÃOS amados, o bem-aventurado Paulo, o observador excelente dos segredos divinos, declara-nos nas supracitadas palavras, que a cruz é a maneira certa de viver bem, é o melhor ensinamento de como sofrer adversidade, é a escada mais firme por meio da qual subimos ao céu por seu maior sinal. É esta que conduz seus amantes ao país da luz eterna, da paz eterna, da bem-aventurança eterna, que o mundo não pode dar, nem o Diabo tirar. A fraqueza humana detesta o sofrimento da pobreza, desdém, vilania, fome, fadiga, dor, necessidade, escárnio, que muitas vezes são sua sorte, e que pesam e perturbam os homens. Mas todas estas coisas unidas formam, por seus sofrimentos múltiplos, uma cruz saudável, ordenando assim Deus esta dispensação para nós. Aos verdadeiros portadores da cruz, eles abrem o portão do Reino celestial. Essa luta para eles prepara a palma da vida; essa conquista para eles representa o diadema de glória eterna.
Ó cruz verdadeiramente bendita de Cristo, que sustentou o Rei do céu, e que trouxe para o mundo inteiro o gozo da salvação! Por ti os demônios são postos em fuga; os fracos são curados; os tímidos são fortalecidos: os pecadores são limpos; os inativos são estimulados; os orgulhosos são humilhados; os desumanos são tocados; e os devotos são orvalhados com lágrimas. Bem-aventurados são aqueles que diariamente lembram a paixão de Cristo, e desejam levar a própria cruz após Cristo. Irmãos bons e religiosos, que estão inscritos na obediência, têm, na aflição diária de seus corpos e na resignação de suas vontades, uma cruz que em seu aspecto exterior é pesada c amarga. Mas é interiormente cheia de doçura, por causa da esperança de salvação eterna, e o afluxo de consolo divino, que é prometido àqueles que são quebrantados de coração. Se eles não a sentem imediatamente ou não a percebem, que é concedida sobre eles passo a passo, devem contudo esperá-la com paciência e resig¬nar-se à vontade divina. Porque Ele sabe bem quando é o tempo de mostrar misericórdia e qual o método de ajudar os aflitos, assim como o médico está bem familiarizado com o ofício de curar, e o capitão do navio com a arte de navegar. Aqueles que tomaram a cruz em seu coração têm grande confiança e motivo de glória na cruz de Jesus Cristo. Eles não confiam nem esperam serem salvos por méritos e obras próprias, mas pela misericórdia de Deus e pelos méritos de Cristo Jesus, crucificado por nossos pecados, em quem eles crêem fielmente; a quem com o coração amam, com a boca confessam, louvam, pregam, honram e exaltam. Deus prova seus amigos pela santa cruz, se o amam verdadeiramente ou em aparên¬cia, e se guardam seus mandamentos perfeitamente.
Eles são provados principalmente pela tolerância às injúrias e pela remoção das consolações internas; pela morte de amigos e pela perda de propriedade; pelas dores de cabeça e pelos ferimentos nos mem¬bros; pela abstinência de comida e pela aspereza das roupas; pela du¬reza da cama e pela frieza dos pés; pelas longas vigílias da noite e pelas fadigas do dia; pelo silêncio da boca e pelas reprovações dos superio¬res; pelos vermes que roem e pelas línguas que depreciam. Em seus sofrimentos eles são consolados pela meditação devota da paixão do Senhor, como muitos devotos sabem muito bem em seu coração. E deles o provar o mel escondido na rocha, e o óleo da misericórdia que goteja da bendita madeira da cruz santa, cujo gosto é mui delicioso; cujo odor é mui doce; cujo toque é mui saudável; cujo fruto é mui feliz. Ó árvore da vida verdadeiramente digna e preciosa, plantada no meio da Igreja para o remédio da alma! Ó Jesus de Nazaré, tu que foste crucificado por nós! Tu abriste as algemas dos pecadores; libertaste as almas dos santos; humilhaste os altivos; quebraste o poder dos maus; consolaste os crentes; puseste em fuga os incrédulos; livraste os piedo¬sos; puniste os obstinados; venceste os adversários. Tu levantaste os que estavam caídos; puseste em liberdade os que se encontravam opri¬midos; feriste os que ferem; defendeste os inocentes; amaste os verda¬deiros; odiaste os falsos; desdenhaste os carnais; prezaste os espirituais; recebeste os que vão a ti; escondeste os que buscam refúgio em ti. Os que te clamam, tu os ouviste; os que te visitam, tu os alegraste; os que te buscam, tu os ajudaste; os que choram a ti, tu os fortaleceste. Tu honraste os que te honram; louvaste os que te louvam; amaste os que te amam; glorificaste os que te adoram; abençoaste os que te bendizem; exaltaste os que te exaltam. Aqueles que olham para ti, tu os oi haste; os que te beijam, tu os beijaste; os que te abraçam, tu os abraçaste; os que te seguem, tu os guiaste ao céu.
Ó irmão religioso, por que estás triste, e por que reclamas do peso da cruz, em longas vigílias; em muitos jejuns; em trabalho duro c silêncio; em obediência e rígida disciplina? — cujas coisas foram instituídas à inspiração de Deus, pelos pais santos para teu proveito e salvação da tua alma; a fim de que por eles tu andasses com firmeza e prudentemente, tu que não podes te governar bem e virtuosamente. Tu pensas que sem a cruz e sem dor tu podes entrar no Reino dos céus, quando Cristo nem poderia, nem entraria, nem qual¬quer dos seus amigos e santos mais amados ganharia dEle tal privilégio? Porque Ele disse: "Porventura, não convinha que o Cristo padecesse essas coisas e entrasse na sua glória?" Tu estás completamente equivocado em teu pensamento: tu não seguiste as pegadas de Cristo a ti mostradas; pois Ele, pela cruz, passou deste mundo ao seu Pai celestial. Entre os vencedores e cidadãos do Reino celestial, perguntes a quem quiseres. como Ele veio a possuir esta glória de Deus para sempre. Não foi pela cruz e sofrimento? Então, irmãos, tomai o doce e leve jugo do Senhor. Abraçai com todo o afeto a cruz santa até o fim — ela floresce com todas as virtudes; está cheia de unção celestial — para que vos conduza sem engano, com a espe¬rança da glória, à vida eterna.
O que mais direi? Este é o caminho, e não há outro; o caminho certo, o caminho santo, o caminho perfeito, o caminho de Cristo, o caminho dos justos, o caminho dos eleitos que serão salvos. Andai nele, perseverai nele, permanecei nele, vivei nele, morrei nele, exalai vosso espírito nele. A cruz de Cristo conquista todas as maquinações do Diabo; a cruz atrai para si o coração de todo crente; destrói todas as coisas más e nos confere todas as coisas boas por meio de Jesus Cristo, que foi pendurado e morreu nela. Não há armadura tão forte, seta tão afiada e tão terrível contra o poder e crueldade do Diabo, nada que ele tema tanto quanto a cruz, na qual ele fez com que o Filho de Deus fosse suspenso e morto, que era inocente e puro de toda mancha.
Ó cruz de Cristo verdadeiramente bendita, mais digna de toda a honra, a ser abraçada com todo o amor; que faz com que os que te amam carreguem seus fardos com facilidade, que consola os tristes em repreensões duradouras; que ensina aos penitentes como obter perdão de toda ofensa. Ela é honrada aos anjos santos; mais adorável aos homens, mais terrível aos demônios; menosprezada aos orgulhosos, aceitável aos humildes; áspera aos carnais, doce aos espirituais; insípida aos tolos, deliciosa aos devotos; afável aos pobres, receptível aos estranhos; amigável aos aflitos, conforto aos doentes, consolo aos que morrem. Então, guardai as sagradas feridas de Jesus nos recessos do vosso coração; elas têm um sabor além de todas as especiarias para a alma devota que está em aflição e que não busca consolação de homens.
Segui a Cristo, que por meio de sua paixão e cruz conduz ao descanso e luz eternos, porque se vós sois agora seus companheiros na tribulação, em breve vos assentareis com Ele à mesa celestial na exultação perpétua. Plantai no jardim de vossa memória a árvore da cruz santa; ela produz um medicamento muito eficaz contra todas as sugestões do Diabo. Desta árvore muito nobre e fértil, a raiz é a humildade e pobreza; a casca, o trabalho duro e penitência; os ramos, a misericórdia e justiça; as folhas, a verdadeira honra e modéstia; o odor, a sobriedade e abstinência; a beleza, a castidade e obediência; o esplendor, a fé certa e esperança firme; a força, a magnanimidade e paciência; o tamanho, a longanimidade e perseverança; a largura, a benignidade e concordância; a altura, o amor e sabedoria; a doçura, o amor e alegria; o fruto, a salvação e vida eterna. Então, a Igreja da cruz santa canta bem e dignamente:

Cruz fiel, acima de todas as outras
Única e singular árvore;
Nenhuma em folhagem, nenhuma em flor
Nenhuma em fruto pode haver igual a ti!

Não havia tal planta nos jardins de Salomão, nem erva tão salutar para a cura de todas as doenças, como a árvore da santa cruz, que dá suas especiarias da virtude divina para os que buscam a salvação. Esta é a árvore mais frutífera, bendita acima de todas as árvores do paraíso; espraiando seus ramos adoráveis, adornada com folhas ver¬des, estendidas com frutos ricos pelo mundo; por sua altitude, tocando o céu; por sua profundidade, penetrando o inferno; por sua exten¬são, circundando montanhas e colinas; por sua magnitude, enchendo o mundo em volta; por sua fortaleza, conquistando os reis maus e os perseguidores da fé; por sua misericórdia, atraindo os fracos; por sua suavidade, curando os pecadores. Esta é a palma gloriosa que é cor¬retamente chamada de "cristífera", levada nos ombros de Jesus, fincada no monte do Calvário; condenada pelos judeus, desprezada pelos gentios, ultrajada pelos ímpios, lamentada pelos crentes, implorada pelos piedosos.
Bem-aventurado é o homem, fiel é esse servo, que perpetuamente leva as feridas sagradas de Jesus em seu coração; e, se a adversida¬de o encontra, recebe-a como da mão de Deus e piamente a suporta, para que ele, pelo menos em algum grau, seja conformado com o Crucificado. Ele é digno de ser visitado e consolado por Cristo, que analisa amplamente para se conformar na vida e na morte com sua paixão. Este é o caminho da santa cruz, esta é a doutrina do Salvador, esta é a sabedoria dos santos, esta é a regra dos monges, esta é a vida dos bons, esta é a lição dos escreventes, esta é a meditação dos devo¬tos: imitar Cristo humildemente, sofrer o mal por Cristo, escolher o amargo em vez do doce; menosprezar as honras, suportar o desprezo com serenidade, privar-se das delícias do mal; fugir das ocasiões dos vícios, evitar a dissipação; lamentar por nossos próprios pecados e pelos dos outros, orar pelos atribulados e pelos tentados, ser grato pelos benfeitores, fazer súplicas pelos adversários para que se con¬vertam; regozijar-se com os que estão em prosperidade, lamentar com os que sofrem dano, socorrer os indigentes; não buscar coisas suntuosas, escolher o que é humilde, amar o que é simples; cortar superfluidades, estar contente com pouco, laborar pelas virtudes, lutar dia¬riamente contra os vícios; subjugar a carne pelo jejum, fortalecer o espírito pela oração e leitura, recusar os elogios humanos; buscar a meditação, amar o silêncio, estar livre para Deus; suspirar pelas coi¬sas celestiais, desprezar de coração tudo o que é terreno, pensar que nada, exceto Deus, traz conforto. Aquele que faz isso, pode dizer junto com o bendito apóstolo Paulo: "Para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho". E, novamente: "Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu, para o mundo" (Gl 6.14). Ó monge religioso e seguidor da vida mais rígida, não te apartes da cruz que tu tomaste; mas leva-a e carrega-a contigo mesmo até a morte; e tu acharás descanso eterno, e glória e honra celestiais. Quando a tribu¬tação te encontrar, é Cristo que põe sua cruz em ti e te mostra o caminho pelo qual tu tens de ir para o Reino celestial. Mas se alguém se jacta e espera as glórias e honras deste mundo, está na verdade enganado, e absolutamente não levará consigo nada do que esteve acostumado a amar no mundo. Mas aquele que se gloria em Cristo e menospreza todas as coisas por causa de Cristo, será consolado por Cristo na vida presente. Na vida por vir, ele será cheio das bênçãos celestiais e se regozijará oportunamente com Cristo e com todos os santos, por toda a eternidade. Que Jesus Cristo nos conceda isso, que por nós sofreu e morreu na cruz, a quem seja o louvor e a glória pelos séculos dos séculos.

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