sábado, 2 de outubro de 2010

Mordomia - Charles Grandison Finney

CHARLES GRANDISON FINNEY NASCEU EM 1792, em Warren, Connecticut, e morreu em Oberlin, Ohio, cm 1875. Ele estudou Direito, mas tendo ingressado no ministério pouco depois de sua conversão, logo se tornou poderoso no púlpito. Conduziu grandes reavivamentos nos Estados Unidos e na Inglaterra. Em 1835, tornou-se professor na Uni¬versidade de Oberlin, Ohio, e em 1852, foi eleito reitor. Seu nome está associado à Escola de Teologia de Oberlin, a qual rompeu com o calvinismo histórico e ensinou o livre-arbítrio perfeito do homem e a possibilidade de atingir a santidade. Os sermões de Finney com suas declarações bem definidas e comuns mostram a propensão lógica e o treinamento legal. O leitor destes sermões ficará imaginando se eles produziram tão grandes efeitos na conversão dos pecadores. Finney, porém, disse que em sua pregação, ele se lançava aberto à influência do Espírito Santo e até reivindicava poder profético. Seja como for, ele foi grandiosamente usado por Deus na proclamação do Evange¬lho, e milhares de pessoas encontraram o caminho para a igreja atra¬vés de sua pregação. O sermão '"Mordomia" é boa ilustração do seu estilo penetrante, incisivo e lógico, e é declaração profunda e solene sobre a questão da responsabilidade do homem, sobretudo no uso do dinheiro.
Que Finney não era tão tranqüilo e sereno quando pregava, como seus sermões impressos nos levariam a supor, é comprovado por comentários contemporâneos sobre sua maneira e estilo. Por exem¬plo, certa queixa foi levantada contra um ministro em Troy, porque ele tinha introduzido no púlpito "o notório Charles G. Finney, cujas blasfêmias chocantes, sentimentos inusitados e repulsivos, e gesticulações teatrais e frenéticas, causavam horror nos que nutriam reve¬rência pela religião ou pela decência". Um dos famosos sermões de
Finney foi sobre o texto "Um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem" (1 Tm 2.5). O professor Park, do Seminário de Andover, ouviu-o pregar o sermão em 1831. Ele conta como os ensai¬os de colação de grau foram praticamente fragmentados e abandona¬dos, porque todos se aglomeravam na igreja para ouvir o célebre Finney. O professor Park descreve que o discurso era do tipo que mesmo não sendo impresso, dificilmente seria esquecido. Ao térmi¬no de uma passagem dramática na qual Finney descrevia a tristeza dos perdidos e a música do céu, o professor Park diz que a tábua posta pelo corredor, na qual ele c cinco ou seis homens estavam sentados, tremeu debaixo deles, por causa das vibrações das emo-ções produzidas pelo pregador.






Mordomia

Presta contas da tua mordomia." (Lc 16.2)





MORDOMO é o indivíduo que é empregado para administrar os bens de outrem como seu agente ou representante nos negócios aos quais ele é empregado.
Seu dever é promover, da melhor maneira possí¬vel, os interesses do empregador. A qualquer momento ele é passível de ser chamado a prestar contas da maneira pela qual administrou os bens, e de ser, segundo a vontade do proprietário, retirado do ofício.
Um desígnio importante da parábola da qual o texto faz parte é ensinar que todos os homens são mordomos de Deus. A Bíblia decla¬ra que a prata e o ouro são dEle, e que Ele é, no mais alto sentido possível, o Proprietário do universo. Os homens são meros mordomos, empregados por Ele para a administração dos seus bens e com a ordem de fazer tudo o que fazem para a glória dEle. Até o que co¬mem c o que bebem deve ser feito para a glória dEle, ou seja, para que se fortaleçam para o melhor desempenho dos negócios dEle.
Que os homens são mordomos de Deus é evidente pelo fato de Deus tratá-los como tais, despedi-los a seu gosto e dispor as proprie¬dades nas mãos deles, o que Ele não faria se não os considerasse meramente seus agentes e não os donos das propriedades.
1. Se os homens são mordomos de Deus, eles são obrigados a lhe responder pelo tempo que têm. Deus os criou e os mantém vivos, e o tempo que têm é dEle. Ouvinte, se você empregasse um mordomo e o pagasse por tempo de serviço, você não esperaria que ele empregasse esse tempo a seu serviço? Você não consideraria fraude e desonestidade que ele, enquanto estivesse a seu soldo, gastasse o tempo sem fazer nada ou na promoção de interesses particulares? Supondo que ele fi¬que muitas vezes parado, já seria suficientemente ruim; mas imagine que ele tenha negligenciado os negócios completamente, e que. quan¬do chamado a prestar contas e censurado por não fazer o dever, ele dissesse: "Por que, o que foi que eu fiz?" Você não acharia que teria sido uma grande perversidade ele não ter feito nada e ter deixado os negócios sem atender, e que por isso ele mereceria ser punido?
Você é mordomo de Deus, e se você é um pecador impenitente, você negligenciou inteiramente os negócios de Deus e permaneceu ocioso na sua videira, ou tem atendido somente os seus interesses particulares; c agora, você está pronto a perguntar o que foi que você fez? Você não c um velhaco por negligenciar os negócios do seu grande Empregador, e empreender os seus negócios particulares à negligência de tudo o que a justiça, o dever e Deus requerem de você?
Mas suponha que seu mordomo utilizasse o tempo para fazer oposição a seus interesses c usasse seu capital e tempo para trabalhar com afinco em especulações diretamente opostas aos negócios aos quais ele está empregado. Você não consideraria que seria grande desonestidade? Você não pensaria que é ridículo ao extremo ele se considerar honesto? Você não se julgaria obrigado a chamá-lo para prestar contas? E você não ponderaria que quem aprovasse tal condu¬ta seria um vilão? Você não se teria por forçado a torná-lo público. para que o mundo soubesse o caráter que ele tem e para que você se livrasse da acusação de estar apoiando tal pessoa?
Como, então, Deus disporá você, se você emprega seu tempo opondo-se aos interesses dEle e usando o capital dEle para trabalhar com afinco em especulações diretamente opostas aos negócios pelos quais Ele o empregou? Você não está envergonhado por se considerar honesto, e Deus não se julgará sob a obrigação de chamá-lo para prestar contas? Se Ele não o fizer, a omissão não seria evidência de que Ele aprova a perversidade abominável que você pratica? Ele não se sentiria constrangido a fazer de você exemplo público, para que o universo soubesse o quanto Ele detesta os crimes cometidos por você?
2. Os mordomos são obrigados a prestar contas dos talentos que têm. Por talentos, quero dizer as faculdades mentais. Suponha que você preparasse um homem para ser mordomo, sustentasse-o duran¬te o tempo em que ele está ocupado nos estudos e custeasse todas as despesas da sua educação e treinamento, e então, ele negligenciasse utilizar a mente a seu serviço, ou usasse os poderes do refinado inte¬lecto que adquiriu para a promoção de interesses próprios. Você não consideraria tal fato fraude e vilania? Agora, Deus criou a sua mente, custeou as despesas da sua educação e o treinou para o serviço dEle. Você ou deixa que a mente permaneça desocupada, ou perverte os poderes do refinado intelecto que adquiriu para a promoção de inte¬resses particulares, e depois pergunta o que você fez para merecer a ira de Deus?
Mas suponha que seu mordomo use a educação e treinamento que recebeu em oposição a seus interesses, e utilize todas as faculda¬des mentais para destruir os mesmos interesses pelos quais ele foi educado e treinado e para os quais ele foi empregado a manter. Você não olharia essa conduta como caracterizada por culpa repugnante? E você, pecador, usa as faculdades mentais e a educação e treinamento que Deus lhe deu na oposição dos interesses dEle, pervertendo a verdade dEle, difundindo "tições, setas e morte" por todos os lados, e pensa escapar da maldição divina? O Todo-Poderoso não se vingará de tal miserável?
3. O mordomo é obrigado a prestar contas pela influência que ele exerce no gênero humano que o cerca.
Suponha que você empregasse um mordomo, treinasse-o até que adquirisse talento excepcional, pusesse capital vultoso em suas mãos, exaltasse-o eminentemente na sociedade e o colocasse em circuns¬tâncias a exercer imensa influência na comunidade comercial, e então ele recusasse ou negligenciasse exercer esta influência na promoção dos interesses que você tem. Você não consideraria que esta omissão seria fraude perpétua praticada contra você?
Mas suponha que ele mostrasse toda essa influência contra você, e se revestisse de todo o peso de seu caráter, talento e influência, e até usasse o capital que lhe foi confiado na oposição dos interesses que você tem. Que linguagem em sua avaliação expressaria o senso que você teria da culpa dele?
Ouvinte, pouco importando a influência que Deus tenha lhe dado, você é pecador impenitente, você não está apenas negligenciando usa-la para Deus, para a construção do seu Reino, mas está empre-gando-a em oposição aos interesses e glória de Deus; e por isso, você não merece a condenação do inferno? Talvez você seja rico ou instru¬ído, ou tenha, em outros âmbitos, grande influência na sociedade e esteja recusando usá-la em prol da salvação da alma dos homens, mas está pondo todo o peso do seu caráter e talentos como influência e exemplo para arrastar tudo o que está dentro da esfera de sua influência até aos portões do inferno.
4. Você tem de prestar contas pela maneira na qual você usa a propriedade que está em sua posse. Suponha que seu mordomo recu¬se empregar o capital que você lhe confiou para a promoção dos interesses que você tem, ou suponha que ele considere que é dele e o use para interesses particulares, ou aplique-o na satisfação de luxúrias próprias ou para o engrandecimento da própria família; dando grandes porções às filhas, ou ministrando às luxúrias e orgulho dos filhos; enquanto isso, os seus negócios estivessem padecendo pela falta desse mesmo capital. Suponha que esse mordomo tivesse o con¬trole dos gastos da riqueza que você tem, e que você tivesse milhares de outros empregados, cujas necessidades devessem ser satisfeitas pelos recursos que estão nas mãos dele, e que o bem-estar, e até a vida dessas pessoas, dependessem desses suprimentos. A despeito disso, este mordomo ministrasse às próprias luxúrias e às da família, e permitisse que eles perecessem, como também seus demais empre¬gados. O que você pensaria sobre tal perversidade? Você lhe confiou seu dinheiro, ordenou-lhe que cuidasse dos seus outros empregados e, pela negligência dele, todos eles estão mortos.
Você tem o dinheiro de Deus nas mãos e está cercado pelos filhos de Deus, a quem Ele lhe ordenou que ame como a você mesmo. Deus poderia, com justiça perfeita, ter dado a propriedade que você tem a eles em vez de ter dado a você. O mundo está cheio de pobre¬za, desolação e morte; centenas e milhões de pessoas estão perecen¬do, corpo e alma; Deus o convoca a se mostrar seu mordomo para a salvação dessas pessoas; para usar toda a propriedade que está em sua posse, a fim de promover a maior quantidade possível de felicida¬de entre seus semelhantes. O clamor macedônio vem dos quatro ven¬tos do céu: "Passa e ajuda-nos"; e contudo você se recusa ajudar; você acumula a riqueza em sua possessão, vive no luxo e deixa que seus semelhantes vão para o inferno. Que linguagem pode descrever sua culpa?
Mas suponha que seu empregado, quando você o chamou para prestar contas, dissesse: "Eu não adquiri esta propriedade mediante minha própria indústria?"; você não responderia: "Você empregou meu capital para fazer isso, e meu tempo, pelo qual eu o paguei; e o dinheiro que você ganhou é meu"? Assim, quando Deus convocá-lo para usar a propriedade que está em sua posse, você diz que é sua,
que a obteve por indústria própria? Diga-me: De quem é o tempo que você usou, e de quem são os talentos e recursos? Deus não criou você? Ele não o tem sustentado? Ele não fez você prosperar e lhe deu todo o sucesso que você tem? Sim, o seu tempo é dEle; 0 seu tudo é dEle. Você não tem o direito de dizer que a riqueza que tem é sua; é dEle, e você é obrigado a usá-la para a glória dEle. Você é traidor da própria confiança, se não a empregar dessa forma.
Se seu funcionário pega só um pouco do dinheiro que você tem, o caráter dele acaba e ele é tachado de vilão. Mas os pecadores não pegam somente um dólar ou algo assim, mas tudo o que puderem e o usam para si próprios. Não vê que Deus faria mal em não chamar você para prestar contas e puni-lo por encher os bolsos com o dinhei¬ro dEle e chamá-lo de seu? Mestre de religião, se você está fazendo assim, não se chame de cristão.
5. Você tem de prestar contas da sua alma. Você não tem o direito de ir para o inferno. Deus tem direito à sua alma; a sua ida para o inferno feriria todo o universo. Feriria o inferno, porque lhe aumenta¬ria os tormentos. Feriria o céu, porque o lesaria dos serviços que você prestaria. Quem pegará a harpa em seu lugar para cantar louvores a Deus? Quem contribuirá para a sua parte na felicidade do céu?
Suponha que você tivesse um mordomo a quem tivesse dado a vida e educado-o a grandes expensas, e então ele acintosamente jo¬gasse fora essa vida. Tem ele o direito de dispor assim de uma vida de tanto valor para você? Não é exatamente como se ele roubasse de você a mesma quantidade de propriedade em alguma outra coisa? Deus fez sua alma, sustentou-a e educou-a, até que você lhe preste serviços importantes e o glorifique para sempre. Você tem o direito de ir para o inferno, desperdiçar a alma e assim roubar de Deus o seu serviço? Você tem o direito de tornar o inferno mais miserável e o céu menos feliz, e assim ferir a Deus e todo o universo?
Você ainda diz: "E se eu perder a minha alma, isso não é somente da minha conta?" Falso; é da conta de todo o mundo. É o mesmo que um homem levar uma doença contagiosa para uma cidade, espalhar desânimo e morte por todos os lados e dizer que isso não é da conta de ninguém, senão dele mesmo.
6. VOCÊ tem de prestar contas da alma dos outros. Deus ordena que você seja colaborador com Ele na conversão do mundo. Ele precisa dos seus serviços porque Fie salva as almas somente pela agência dos homens. Se as almas estão perdidas ou o Evangelho não for divulgado pelo mundo, os pecadores lançam toda a culpa nos cristãos, como se eles só fossem obrigados a ser ativos na causa de Cristo, exercer bene¬volência, orar por um mundo perdido e arrancar os pecadores do fogo. Fico imaginando quem o isentou desses deveres. Em vez de cumprir com seus deveres, você fica como pedra de tropeço no caminho dos outros pecadores. Assim, em vez de ajudar a salvar o mundo, todas as suas ações ajudam a enviar almas para o inferno.
7. Você é obrigado a prestar contas dos sentimentos que você nu¬tre e propaga, O Reino de Deus deve ser construído pela verdade e não pelo erro. Seus sentimentos terão parte importante na influência que você exerce sobre os que o cercam.
Suponha que os negócios nos quais seu mordomo é empregado exigissem que ele nutrisse noções corretas relativas à maneira de fazê-los, e o princípio envolvido nesse processo, acerca da sua vontade e do dever dele. E suponha que você lhe tivesse dado, por escrito, um conjunto de regras para o governo da conduta dele em relação a todos os assuntos que lhe foram confiados. Então, se ele negligenci¬asse examinar as regras, ou alterasse o significado claro, e, desse modo, pervertesse a própria conduta e fosse instrumento para o en¬gano dos outros, levando-os ao caminho da desobediência, você não olharia esse procedimento como criminoso e merecedor da mais se¬vera reprovação?
Deus lhe deu regras para o governo de sua conduta. Na Bíblia você tem a revelação clara da vontade dEle em relação a todas as ações. E agora, ou você a negligencia ou a perverte, desvia-se e leva outros com você para o caminho da desobediência e da morte, e depois se chama de honesto? Que vergonha!
8. Você tem de prestar contas das oportunidades que você tem de fazer o bem.
Se você emprega um mordomo para administrar os bens, você espera que ele tire proveito da situação do mercado e das coisas em geral para melhorar toda oportunidade na promoção dos interesses que você tem. Suponha que nas temporadas movimentadas do ano ele gastasse o tempo na preguiça ou nos próprios negócios, e não estivesse nem um pouco atento às oportunidades mais favoráveis de promover os interesses que você tem, logo você não lhe diria: "Presta contas da tua mordomia, porque já não poderás ser mais meu mordomo"? Pecador, você sempre tem negligenciado as oportunida¬des de servir a Deus, advertir seus companheiros pecadores, promo¬ver o reavivamento da religião e fomentar os interesses da verdade. Você tem sido diligente apenas cm promover seus próprios interes¬ses, e tem sido completamente relapso quanto aos interesses de seu grande Empregador. Você não é um miserável, e não merece ser ex¬pulso da mordomia como desonesto e ser enviado à prisão estatal do universo? Como você escapará da condenação do inferno?
Observações. 1. Examinando este assunto, você percebe por que as atividades deste mundo são uma armadilha que submerge a alma dos homens na destruição e perdição.
Os pecadores administram os bens para promover os próprios interesses, não como mordomos de Deus; e assim agem desonesta¬mente, defraudam a Deus, agravam o Espírito e promovem a própria sensualidade, orgulho e morte. Se os homens se considerassem funci¬onários de Deus, eles não mentiriam, lograriam e trabalhariam no sábado para ganhar dinheiro para Ele; estariam certos de que tal con¬duta não o agradaria. Deus nunca criou este mundo para ser armadi¬lha para os homens; é abuso. Ele o projetou para ser domicílio delei-toso para eles — mas o quanto está pervertido!
Se todas as atividades dos homens fossem feitas para Deus, eles não enfrentariam a tentação da fraude e desonestidade para enlaçá-los e arruinar-lhes a alma. Não teriam a tendência a afastar-se dEle ou bani-lo dos pensamentos. Quando o santo Adão adornou o jardim de Deus e o guardou, tinha ele a tendência a banir Deus da mente? Se em sua presença seu jardineiro se ocupasse todos os dias no cuidado das plantas, consultando sua opinião e fazendo sua vontade continu¬amente, perguntando como isto ou aquilo deve ser feito, tal procedi¬mento teria a tendência a banir você dos pensamentos dele? Assim, se você se ocupasse todos os dias, buscando a glória de Deus e adminis¬trando todos os bens em favor dEle, agindo como seu mordomo, ciente de que os olhos dEle estavam sobre você; e esta fosse sua busca constante: como isto ou aquilo o agradará? — estando ocupado em tal empreendimento você não teria a tendência a distrair a mente e desviar os pensamentos de Deus.
Suponha que uma mãe, cujo filho estivesse em terra distante, fi¬casse ocupada todos os dias arrumando para ele roupas, livros e coi¬sas necessárias, sempre se perguntando: "Como isto ou aquilo o agra¬dará?" Essa empresa teria a tendência a desviar a mente dela do filho ausente? Se você se considera mordomo de Deus e lhe administra os bens; se em todas as coisas você consulta os interesses e a glória dEle, e considera que todas as suas possessões, tempo e talentos são dEle; quanto mais ocupado você estiver engajado no serviço dEle, mais Deus estará presente em tudo o que você pensa.
Novamente você percebe por que a preguiça é uma armadilha para a alma. O homem que está ocioso é desonesto, esquece-se das suas responsabilidades, recusa-se a servir a Deus e entrega-se às ten¬tações do Diabo. Não, o homem inativo tenta o Diabo para o tentar.
De novo. Você percebe o erro da máxima de que os homens não podem cuidar ao mesmo tempo de negócios e de religião. Os negóci¬os de um homem devem ser parte de sua religião. Ele não pode ser religioso na ociosidade. Ele deve de ter alguma atividade para ser religioso em tudo, e se é exercida pelo motivo certo, sua atividade legal c necessária é tanto parte essencial da religião quanto a oração, ir à igreja ou ler a Bíblia. Todo aquele que advoga a máxima exposta acima é velhaco por confissão própria, pois ninguém pode acreditar que um empreendimento honesto buscado para a glória de Deus é incompatível com a religião. Em face disso, a objeção presume que tal indivíduo considera sua atividade ou ilegal em si mesma, ou que ele a atende de maneira desonesta. Se isto é verdade, então ele não pode ser religioso enquanto atende os negócios. Se seu empreendi¬mento é mau, ele tem de renunciá-lo; ou se c honesto mas atendido de maneira ilegal, ele tem de atendê-lo legalmente; ou em qualquer caso ele perderá a alma. Mas se seu negócio é legal, que ele o atenda honestamente e pelos motivos certos, e ele não encontrará dificulda¬de em atender os negócios e ser ao mesmo tempo religioso. Uma vida de negócios é melhor para os cristãos, visto que exercita os atrativos que contém e os fortalece.
Que a maioria dos homens não se considera mordomo de Deus é evidente pelo fato de eles reputarem os prejuízos que têm nos negó¬cios como perdas próprias. Suponha que alguns de seus devedores falissem e seus funcionários falassem disso como prejuízo deles e dissessem que tinham sofrido grande perda. Você não julgariam tal procedimento ridículo ao extremo? E não lhe soaria totalmente ridícu¬lo se um dos devedores do seu Senhor falisse e deixasse você intranqüilo e infeliz acerca disso? É seu prejuízo ou dEle? Se você cumpriu seu dever, tomou os devidos cuidados com a propriedade dEle e ocorreu um prejuízo, não é sua perda, mas dEle. Você olharia seus pecados e seu dever e não ficaria com medo de Deus falir. Se você agisse como mordomo de Deus ou como seu funcionário, não pensaria em falar de prejuízos como seus. Mas se você considera a propriedade em sua possessão como sua, não admira que Deus a tenha tirado de suas mãos.
Outra vez. Você percebe que, na aceitação popular do termo, é ridículo chamar as instituições para a extensão do Reino do Redentor no mundo, de instituições de caridade. Em certo sentido, com efeito, elas podem ser chamadas assim. Se você desse ordens a seu mordomo que destinasse determinada quantia dos capitais para o benefício dos pobres em certa localidade, esta seria sua caridade, mas não dele: seria ridículo ele pretender que a caridade fosse dele. Assim, as instituições para a promoção da religião são caridades de Deus, e não dos homens. O capital é de Deus. e é exigência dEle que seja gasto de acordo com as direções dEle para aliviar a miséria ou promover a felicidade de nossos semelhantes. Deus, então, é o Doador, não os homens, e consi¬derar a caridade como presente dos homens é defender que o capital pertence aos homens e não a Deus. Chamá-las instituições de caridade, no sentido em que são normalmente mencionadas, é dizer que os ho¬mens conferem um favor a Deus por eles lhe darem o dinheiro deles e o considerarem como objeto de caridade.
Suponha que um grupo de comerciantes da cidade empregasse com grande capital vários agentes para negociarem por eles na índia. Suponha que esses agentes afirmassem que o capital é de proprieda¬de deles, e sempre que um saque fosse feito, eles o considerassem mendicância e doação de esmolas, e chamassem de pedinte o empre¬gado por quem a ordem foi dada. Além disso, suponha que eles se reunissem e formassem uma instituição de caridade para cobrir esses saques, da qual eles se tornariam "membros vitalícios" mediante pa¬gamento de alguns dólares do dinheiro dos seus empregadores em um fundo comum, e então se julgassem exonerados de todas as convocações posteriores. Quando um agente fosse enviado com ordem de pagamento, eles orientariam o tesoureiro da instituição a lhe dar um pouco como questão de esmola. Isso não seria imensamente ridí¬culo? Então o que você pensa de si mesmo quando fala de sustentar essas instituições de caridade, como se Deus, o Dono do universo, estivesse pedindo esmola e seus servos fossem agentes de um Pedinte infinito? Quão maravilhoso é que Deus não tenha em conta serem tais homens presunçosos e os coloque, num momento, no inferno, e então, com o dinheiro nas mãos deles, execute seus planos para a conversão do mundo.
Não lhes é menos ridículo supor que pagando do capital em mãos para este propósito, eles dão esmola aos homens: pois deve ser man¬tido em mente que o dinheiro não é deles. Eles são mordomos de Deus e só o pagam com a ordem dEle. Fazendo isto, então, eles nem dão esmola aos servos que são enviados com as ordens, nem àqueles por cujo benefício o dinheiro é gasto.
Mais uma vez. Quando os servos do Senhor vêm a você com uma ordem de pagamento contra o dinheiro que está em sua posse na tesouraria dEle, para custear as despesas de governo e do Reino, por que você chama o dinheiro de seu e diz que não pode cedê-lo? O que você quer dizer com chamar os agentes de pedintes e dizer que está farto de ver tantos pedintes — enfadado com esses agentes de institui¬ções de caridade? Suponha que seu mordomo sob tais circunstâncias chamasse seus agentes de pedintes e dissesse que estava enfastiado de ver tantos pedintes. Você não o chamaria para prestar contas, e o faria ver que a propriedade que ele tem em posse era sua e não dele?
Ainda outra vez. Você percebe a grande maldade de os homens acumularem propriedades enquanto vivem para na morte deixarem parte à igreja. Que testamento! Deixar para Deus a metade da propri¬edade que é dEle próprio. Suponha que um funcionário agisse assim e fizesse um testamento, deixando ao empregador parte da proprie¬dade que já lhe pertencia! Contudo, isto é chamado de devoção. Você acha que Cristo sempre será um pedinte? E. não obstante, a igreja fica grandemente envaidecida com suas substanciais doações e legados de caridade entregues a Jesus Cristo.
Uma vez mais. Você percebe a maldade de juntar dinheiro para os filhos, e a razão por que o dinheiro assim juntado lhes é maldição.
Suponha que o seu mordomo junte o dinheiro que pertence a você para os filhos dele, você não o teria por velhaco? Então como você ousa tomar o dinheiro de Deus e juntar para seus filhos, enquanto o mundo está afundando para o inferno? Porém você dirá: "Mas não é meu dever prover para a minha própria casa?" Sim, é seu dever prover convenientemente para eles, mas o que é uma provisão satisfatória? Dê-lhes a melhor educação que você puder para o serviço de Deus. Faça todas as provisões necessárias para o suprimento das suas verda¬deiras necessidades, até que atinjam idade suficiente para prover por si mesmos. Então, se você os vir dispostos a fazer o bem servindo a Deus na geração em que viverem, dê-lhes todas as vantagens que estiverem ao seu alcance para o fazerem. Mas você não tem o direito de torná-los ricos, satisfazer-lhes o orgulho, permitir que vivam no luxo ou no ócio. providenciar que fiquem ricos, dar às filhas o que é chamado de educa¬ção refinada, admitir que elas passem o tempo lidando com vestidos, na ociosidade, em fofocas e futilidades. É defraudar a Deus, arruinar a sua alma e arriscar grandemente a delas.
Novamente. Os pecadores impenitentes serão por fim e eterna¬mente desgraçados. Você não considera uma desgraça para o homem ser descoberto em fraude e toda espécie de desonestidade na admi¬nistração dos bens do empregador? Tal homem não é merecidamente retirado dos negócios; não é ele uma desgraça para si mesmo e sua família; alguém pode confiar nele? Como é então que você compare¬cerá diante de um Deus magoado e de um universo ferido — um Deus cujas leis e direitos você menospreza — um universo com cujos interesses você esteve em guerra? Quanto, no julgamento solene, você será desgraçado, seu nome excretado e você feito motivo de escárnio c desprezo do inferno pelas fraudes e vilanias inumeráveis que prati¬cou contra Deus e suas criaturas! Mas talvez você seja mestre de reli¬gião: sua profissão encobrirá seu egoísmo e hipocrisia vis, porquanto você defraudou a Deus, gastou seu dinheiro em luxúrias e considerou como pedintes os que vinham a você com ordens de pagamento contra a tesouraria dEle? Como você manterá a cabeça erguida diante do céu? Como você ousa orar; como você ousa se sentar à mesa de comunhão; como você ousa professar a religião de Jesus Cristo, se você montou um interesse particular e não considera tudo o que tem como dEle e usa tudo para a glória dEle?
Outra vez ainda. Temos aqui o verdadeiro teste do caráter cristão. Os verdadeiros cristãos se consideram mordomos de Deus. Eles agem para Ele, vivem para Ele, administram os bens em favor dEle. comem e bebem para a glória dEle, vivem e morrem para agradá-lo. Mas os pecadores e hipócritas vivem para si mesmos. Eles consideram o tem¬po, os talentos, a influência que têm como deles mesmos e dispõem de tudo para os próprios interesses e assim se afundam em destruição e perdição.
No julgamento, somos informados de que Cristo dirá aos que são aceitos: 'Bem está, servo bom e fiel". Ouvinte! Que Ele verdadeira¬mente possa dizer de você: "Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel" (Mt 25.21), ou seja. sobre as coisas entregues à sua incumbência. Ele não pronunciará falso julgamento, não porá falsa estimativa sobre as coisas; e se Ele não pode dizer de você: "Bem está, servo bom e fiel", você não será aceito, mas será lançado ao inferno. Qual é seu caráter e qual tem sido sua conduta? Em breve Deus o chamará para prestar contas de sua mordomia. Você tem sido fiel a Deus, fiel à sua própria alma e à alma dos outros? Você está pronto para ter as contas examinadas, sua conduta esmiuçada e sua vida pesada na balança do santuário? Você está interessado no sangue de Jesus Cristo? Se não, arrependa-se, arrependa-se agora, de toda a sua maldade, e agarre-se na esperança que é colocada diante de você: pois, escute! Uma voz clama em seus ouvidos: "Presta contas da tua mordomia, porque já não poderás ser mais meu mordomo".

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