segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Usos & Costumes II

Sobre USOS E COSTUMES: O TRAJE DA MULHER CRISTÃ.
“... as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não
com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos, mas (como
convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas
obras”. (1Tm 2.9-10). 1
INTRODUÇÃO
1. No início da minha fé, tive dificuldades em fazer distinção entre a pura doutrina bíblica e a tradição humana 2
transmitida pelos líderes assembleianos. Apesar do zelo de alguns ensinadores da igreja no transmitir a Palavra,
o forte apego denominacional aos usos e costumes fazia com que do mesmo púlpito em que se pregava a
Graça salvadora de Jesus Cristo fossem excluídos os obreiros que assistiam televisão, as mulheres que
andavam de bicicleta e os jovens namorados que caminhavam de mãos dadas; no mesmo testemunho em que
se proclamava o milagre da cura divina fossem condenados a medicina e os medicamentos; no mesmo sermão
que se exortava a igreja a ser cheia do Espírito Santo fossem admoestados os fiéis que bebiam coca-cola ou
mascavam chicletes.
2. Com o passar dos anos, o aprofundamento na leitura da Bíblia e da história da igreja, o contato com outras
culturas genuinamente cristãs e o estudo sistematizado da teologia cristã ajudaram-me a fazer separação entre
doutrina e tradição, temas esses confusamente ministrados ao povo evangélico, em muitas igrejas e lugares.
3. Em essência, a doutrina cristã compreende o conjunto de princípios ensinados por Jesus Cristo,
transmitidos pelos Apóstolos e expressos nas Sagradas Escrituras; enquanto os usos e costumes são dogmas
humanos, tradições de uma cultura local, de um povo ou nação, e não se encontram escritos na Bíblia Sagrada.
4. Não obstante essa definição de termos ser de domínio universal e secular, até época recente, várias igrejas
proibiam seus adeptos de ouvir rádio, usar perfume e tomar banho no mar; obrigavam pessoas de sexo oposto
a sentarem em bancadas distintas, separando famílias no instante do culto divino. À mulher, era proibido cortar
o cabelo (e, se casada, usá-lo solto), usar jóias e conversar com homens que não fosse seu pai, irmão ou
marido. Quanto ao homem, era sinal de fraqueza espiritual usar o cabelo ou a barba crescidos, vestir jeans ou
roupas coloridas; entretanto, usar paletó, gravata e chapéu era recomendável, especialmente para os
postulantes ao ministério. Essas e outras excrescências semelhantes eram tidas como “doutrina” da igreja!
5. Pergunto-me o que foi feito da maioria dessas “doutrinas”? Se eram de Deus, por que foram abandonadas e
esquecidas? Se não eram de Deus, por que foram ensinadas e prevaleceram tanto tempo provocando
constrangimentos, advertências, suspensões e exclusões de pessoas arduamente conquistadas para a Graça?
Quase todas passaram, conforme previu o apóstolo Paulo. Nada mais eram que “doutrina de homens”,
tradições seculares que o tempo mudou. No entanto, outras anomalias com essas ainda são praticadas em
algumas igrejas, neste início de terceiro milênio, em nome de pseudodoutrinas e de uma falsa santidade!
6. Ao evocar esses fatos, o autor desta Súmula não tem outro propósito que não seja realçar a importância de
se conferir nas Escrituras quaisquer pontos controvertidos no ensino ministrado às igrejas - a exemplo do traje
da mulher cristã, principalmente, nas Assembléias de Deus -, visando a minimizar conflitos e a eliminar
sobrecargas impostas a algumas das servas do Senhor. 3
"Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos
carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques,
não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os
preceitos e doutrinas dos homens; as quais têm, na verdade, alguma aparência de
sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de
valor algum senão para a satisfação da carne". (Cl 2.20-23).
O JULGAR PESSOAS PELA APARÊNCIA
7. Desde os primórdios do cristianismo, a aparência exterior das pessoas incomoda alguns religiosos. Jesus
condenou o tradicionalismo de alguns fariseus e mestres da lei, quando esses questionaram o comportamento
dos seus discípulos, que não seguiam as tradições dos líderes religiosos de Israel. (ver Mt 15.1-3; Mc 7.1-9).
Jesus qualificou-os como hipócritas, por negligenciarem os mandamentos de Deus e se apegarem às tradições
dos homens. E advertiu: “Assim vocês anulam a Palavra de Deus, por meio da tradição que vocês mesmos
transmitiram”. 4
Numa outra situação, Jesus alertou seus discípulos e uma multidão que o seguia sobre o comportamento
desses mesmos líderes religiosos, recomendando:
“Observai, pois, e praticai tudo o que vos disserem; mas não procedais em
conformidade com as suas obras, porque dizem e não praticam. Pois atam fardos
pesados e difíceis de suportar, e os põem sobre os ombros dos homens; eles, porém,
nem com o dedo querem movê-los”. (Mt 23.3-4).
8. Como se sabe, essa casta religiosa judaica era notória por ostentar vestes impecáveis, longas franjas e filactérios 5
que os destacavam dentre os demais membros da sociedade, dando-lhes uma aparência exterior de justiça
própria. Jesus reprovou vigorosamente esse comportamento, conforme se depreende de suas palavras:
“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que sois semelhantes aos sepulcros
caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de
ossos de mortos e de toda imundícia. (...). Serpentes, raça de víboras! Como escapareis
da condenação do inferno?” (Mt 23.27,33).
O Senhor Jesus tinha autoridade para condenar essa forma de agir porque nunca se vestiu de modo diferente
pelo fato de ser o Filho de Deus. Para Judas o identificar dentre os outros homens, teve que lhe dar um beijo.
Se Ele usasse trajes diferenciados ou sinais exteriores de santidade, bastaria a Judas ter dito: “É aquele assim
ou assaz!”. Porém, ele era exteriormente tão parecido com os demais que o traidor teve que dizer: “O que eu
beijar é esse; prendei-o”. (Mt 26.48b).
9. A diferença de Jesus para os seus semelhantes não estava na roupa que usava, mas na mensagem que
pregava e nas ações que realizava. João (7.46), escreveu: “nunca homem algum falou assim como este
homem”. E Lucas (24.19), declarou que Jesus Nazareno foi “... poderoso em obras e palavras diante de Deus e
de todo o povo”.
10. Julgar as pessoas por aquilo que elas aparentam é uma prática antiga com adeptos na presente época.
Jesus externou seu pensamento sobre isto, dizendo: "Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a
reta justiça”. (Jo 7.24).
Paulo assim interpretou o Mestre:
“Quem és tu que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé
ou cai; mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar. Um faz
diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja
inteiramente seguro em seu próprio ânimo. Aquele que faz caso do dia, para o
Senhor o faz. O que come para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o
que não come para o Senhor não come e dá graças a Deus”. (Rm 14.4-6).
O pastor Tiago ensinou à igreja cristã universal:
"Irmãos, não faleis mal uns dos outros". (Tg 4.11a).
11. Ainda que se impute fraqueza aos que seguem tradições humanas em detrimento da Palavra de Deus,
maior deslize é julgar os que não seguem essas tradições. Em suma, jamais devemos julgar o próximo, por
motivo algum: seja por dogmas da igreja ou por costumes e tradições de homens não referendados pelas
Escrituras.
AS “DOUTRINAS” SOBRE VESTUÁRIO PESSOAL
12. Algumas igrejas, equivocadamente, têm firmado doutrinas sobre roupas interpretando Deuteronômio 22.5.
Esse, aliás, é o único texto da Bíblia que fala sobre vestes de homem e de mulher contendo proibição. Talvez
por isso os pregadores de "doutrinas" gostam tanto de usá-lo, apesar de estar inserido no Antigo Testamento.
Assim diz o texto:
"Não haverá trajo de homem na mulher, e não vestirá o homem veste de mulher;
porque qualquer que faz isto abominação é ao SENHOR, teu Deus”.
Antecedendo à análise do versículo, é interessante ressaltar que esses “doutrinadores” não se aplicam com o
mesmo esmero a ensinar ou viver o contexto dessa escritura como, por exemplo, os versículos que se seguem:
"Quando edificares uma casa nova, farás no telhado um parapeito, para que não
ponhas culpa de sangue na tua casa, se alguém de alguma maneira cair dela”. (22.8).
“Não te vestirás de diversos estofos de lã e linho juntamente”. (22.11).
"Franjas porás nas quatro bordas da tua manta, com que te cobrires". (22.12).
Eles não ensinam nem seguem esses mandamentos: não constroem parapeitos em suas casas, não se abstêm
de usar lã e linho em suas roupas e não usam franjas em suas mantas; razão pela qual, à luz da própria Lei,
esses legalistas estão em sérias dificuldades, conforme alertou Tiago, o irmão do Senhor:
“Porque qualquer que guardar toda a lei e tropeçar em um só ponto tornou-se
culpado de todos”. (Tg 2.10).
13. Retornando ao versículo 5, nenhuma novidade há em dizer que este ditame da lei mosaica se assemelha ao
que ordenava apedrejar mulheres flagradas em adultério. A grande novidade está no fato de que Jesus
qualificou como "acusadores" os que queriam apedrejar a mulher adúltera pega em flagrante e a ele levada
para experimentá-lo no tocante à mesma Lei. (Jo 8.10).
Ainda hoje, muitos vivem como “acusadores” do seu próximo, condenando pela aparência. O mais lamentável é
quando o fazem com base em doutrinas humanas. Mesmo tendo a Lei a seu favor, Jesus não condenou aquela
mulher. Ele advertiu-a para não mais pecar, mas não a condenou!
A CALÇA COMPRIDA NAS MULHERES
14. Deuteronômio 22.5 está no contexto dos últimos discursos de Moisés, quatorze séculos antes de Cristo. Por
mais que se distorça sua interpretação, esse texto não trata de calça comprida. E nem poderia, pois naquela
época não existia esse tipo de vestuário! 6 Homens e mulheres usavam longos trajes, semelhantes a vestidos.
15. Dos dias de Jesus aos atuais as roupas mudaram muito. E deverão mudar novamente para cumprimento
das visões do Apocalipse. Em 1.13, João viu o Jesus glorificado “vestido até aos pés de uma veste comprida";
em 6.11, consta que o próprio Deus mandará vestir os mártires com uma comprida veste branca; e em 7.9, os
salvos da grande tribulação também usarão essas vestes.
Deus jamais vestiria um salvo com abominação! Logo, a condenação citada em Dt 22.5 não se refere ao uso do
mesmo tipo de roupa por homens e mulheres; é mais plausível aceitar que trate da troca de roupa entre os
sexos, ou seja, o homem se vestindo para passar por mulher e a mulher se vestindo para passar por homem. 7
16. Comungo com o entendimento de inúmeros estudiosos das Escrituras para os quais o objetivo imediato da
proibição contida em Dt 22.5 era manter a santidade da distinção dos sexos estabelecida quando da criação do
homem e da mulher.
17. Do mesmo modo que nos costumes bíblicos há diferença entre o vestido usado pelo homem e o vestido
usado pela mulher, também nos dias de hoje há diferença entre a calça comprida usada pelo homem e a calça
comprida usada pela mulher. Apesar de serem parecidas, elas não são iguais.
Assim, o uso da calça comprida pela mulher não é abominação, desde que o modelo seja feminino e a mulher
não esteja querendo se passar por homem. Há calças compridas feitas exclusivamente para mulheres, segundo
um figurino feminino. É calça de mulher, feita para mulher, logo não é "traje de homem".
O uso de saias por homens escoceses e de vestidos por alguns africanos é comum a essa gente. Nem por isso
os cristãos escoceses e africanos são abomináveis! Cada país e cada época têm seus aspectos culturais e
climatológicos, entre outros que podem influenciar o padrão do vestuário de seu povo.
18. Além disso, existem outros ângulos sob os quais essa questão deve ser analisada, especialmente na
sociedade ocidental do início do terceiro milênio. As conquistas da mulher no mundo do trabalho levaram-na a
exercer profissões onde o uso da calça comprida é indispensável para o seu conforto, segurança e bem estar.
Da mesma forma que é irracional o uso de saia numa região com temperatura abaixo de 0°C, é inadmissível
que eletricitárias, bombeiras, mergulhadoras, pára-quedistas e astronautas trabalhem sem os seus macacões
customizados.
19. Nesse contexto, é cada vez mais comum a presença da mulher cristã na igreja, vinda diretamente do
trabalho para cultos noturnos semanais, vestindo paletó e calça comprida (terninho). São recepcionistas,
executivas e outras profissionais trajando modelos padrão de suas empresas. Estão vestidas com feminilidade,
decência e elegância, apesar das calças compridas. E as igrejas estão obrigadas a admiti-las, a exemplo do que
fizeram o STF e o STJ brasileiros, que liberaram o uso desse vestuário nas sessões de julgamento dessas
elevadas cortes, desde maio de 2000.
Em contraponto, há saias tão justas ou curtas que agridem o pudor, notadamente quando usadas na igreja.
Porventura essas vestes são mais adequadas para uma mulher cristã que as calças compridas?
20. O radicalismo de proibir a mulher cristã de usar calça comprida tem levado alguns líderes a suspender ou
excluir irmãs por causa da roupa; porém, não aplicam a mesma disciplina às que causam confusões, intrigam
com fofocas e geram sérios problemas comportamentais, no ambiente eclesiástico ou fora dele.
21. Que as mulheres procurem trajar-se com modéstia e decência, servindo ao Senhor com santidade no seu
coração! Lembrando sempre: “O Senhor não vê como vê o homem. Pois o homem vê o que está diante dos
olhos, porém o Senhor olha para o coração”. (1Sm 16.7).
22. Mas se alguém, voluntariamente, quer adotar o modelo da época de Cristo, use túnica e manto formando
um enorme vestido, conforme Jo 19.23-24. Porém, jamais diga que isto é doutrina da Palavra de Deus!
A INDUMENTÁRIA CRISTÃ
23. Como visto, o padrão da vestimenta do cristão, na sociedade ocidental do terceiro milênio, difere bastante
daquela usada na sociedade oriental dos primórdios do cristianismo. Porém, a Bíblia Sagrada apresenta aos fiéis
uma orientação normativa sobre o assunto, cuja essência não deve ser transgredida.
24. Há alguns princípios básicos indicados por Paulo para a apresentação pessoal das mulheres cristãs,
conforme se depreende do texto contemporâneo de 1Tm 2.9:
“... quero que as mulheres se vistam modestamente, com decência e discrição,
não se adornando com tranças e com ouro, nem com pérolas ou com roupas
caras, mas com boas obras, como convém a mulheres que declaram adorar a
Deus”. (1Tm 2.9, NVI).
25. O princípio geral é o da modéstia, sinônimo de comedimento, humildade, moderação e simplicidade; e
indicativo da ausência de vaidade ou luxo no modo de se vestir. A partir desses princípios, são estabelecidos
outros, mais específicos.
26. O primeiro é o da decência. O termo kosmios (bem ordenado) usado pelo Apóstolo sinaliza para o modo
apropriado de vestir-se cobrindo adequadamente o corpo, não provocando embaraço ou tentação ao próximo,
sem exagero ou extremismo.
O cristão não deve pactuar com o liberalismo excessivo que inspira boa parte dos figurinos da época atual. Isto
é especialmente relevante ao considerar-se que a indústria da moda explora a vaidade e a sensualidade,
estimulando os impulsos sexuais. A Bíblia explicitamente condena isto, ao dizer: "Qualquer que olhar para uma
mulher para desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração". (Mt 5.28, NVI).
Vestir-se de modo decoroso demonstra respeito para com Deus, para consigo e para com o próximo. Este
princípio também se encontra no uso que Paulo faz do termo aidos (decência ou pudor), para descrever o
adorno apropriado ao cristão.
27. O segundo é o da discrição. O termo sophrosune (sobriedade) indica que o cristão deve evitar o
exibicionismo no vestir-se, o que denota o domínio próprio que antecede a muitas outras virtudes.
A mulher cristã convertida veste-se com discrição, controlando o desejo natural de exibir-se. Sua aparência não
diz: "Admire minha beleza"; mas sim: "Veja como Jesus me transformou".
28. Em terceiro lugar, uma mulher liberta do desejo constante de ser objeto de admiração não se torna refém
de roupas dispendiosas, penteados sofisticados ou jóias caras. Como também, não se constrange em repetir
freqüentemente uma mesma roupa. Isto evidencia um outro princípio, qual seja o da mordomia cristã.
29. Por fim, é valido enfatizar que nenhum desses princípios deve ser infringido, quer pela negligência ou pela
excessiva valorização da aparência pessoal. Uma senhora religiosa assim sintetizou a sua compreensão quanto
ao vestir cristão das mulheres:
”Vista-se com bom gosto e de modo apropriado, mas não se faça objeto de
observações quer se vestindo de modo ostensivo, quer por se vestir de modo
relaxado e desasseado. Aja como se soubesse que o céu a observa, e que você
está vivendo sob a aprovação ou desaprovação de Deus”. 8
CONCLUSÃO
30. Apesar do forte apego das igrejas a determinados usos e costumes advindos da cultura local e da tradição
denominacional, é indispensável que os cristãos reconheçam e valorizem os verdadeiros princípios ensinados
por Jesus Cristo, transmitidos pelos Apóstolos e expressos nas Sagradas Escrituras, como forma de preservar a
doutrina e os fundamentos da Fé Cristã.
Usos e costumes são dogmas humanos que se esvaem com o passar do tempo, deixando no ar uma sensação
de ridículo e não poucas marcas de injustiça, especialmente nas pessoas marginalizadas pelo extremismo e pelo
separatismo dogmático.
31. Na esteira do rigor tradicionalista de algumas denominações, a questão do vestuário tem ocupado um lugar
de destaque. Entretanto, cada vez mais se comprova que o vestuário não faz o cristão, mas o cristão revela sua
identidade na aparência e na maneira de vestir.
32. A Bíblia não prescreve um vestuário normativo, não diz que roupas homens e mulheres devem usar. O que
ela ensina é que deve ser respeitada a distinção dos sexos no vestuário, conforme estabelecida na
individualidade do homem e da mulher, desde a Criação.
Numa época em que a moda se esmera em implodir a distinção dos sexos pela afirmação de um modelo de
vestuário transexual, nem sempre é fácil para o cristão achar roupas que lhe convenham. Porém, nunca foi fácil
viver de acordo com princípios bíblicos. O próprio Jesus alertou para o fato de que o mundo gera aflições nos
fiéis. Ademais, a verdadeira vocação cristã é não se conformar com os valores e paradigmas da sociedade, mas
ser a influência transformadora num mundo perfeitamente mutável.
33. Nesse contexto, a mulher cristã se distingue das demais aos seguir um padrão de comportamento social no
vestir, fundamentada no princípio da modéstia, tendo por base a decência, a discrição e a economicidade. Não
se conformando com os ditames sedutores da moda, mas sendo transformada pela compreensão de uma
vocação cristã autêntica que faz com que sua aparência seja um testemunho silencioso e constante de sua fé,
através do qual ela diz ao mundo que vive para glorificar a Deus e não para exaltar ao seu próprio corpo.
Divulgada em Natal / RN
em 1° de agosto de 2003
pelo Pr. José Gilson de Oliveira
Pastor-Presidente da ADEMP
____
Notas:
(1) - Os textos bíblicos transcritos nesta Súmula são da Bíblia de Almeida Revista e Corrigida (ARC), edição de 1995, da Sociedade Bíblica
do Brasil. Apesar das conhecidas restrições a essa versão, por parte dos que defendem a dinâmica das transformações da linguagem,
optou-se pela ARC por ser a mais lida e apreciada no âmbito das Assembléias de Deus no Brasil. Eventuais citações de outras versões
serão procedidas de suas siglas.
(2) - O conjunto dessas tradições, geralmente, é denominada “usos e costumes”.
(3) - Em uma época tão propícia a filosofias, é indispensável que o cristão não associe à plenitude da fé uma sobrecarga de ordenações
humanas impostas aos fiéis em nome de questionáveis virtudes morais e espirituais. Isto é asceticismo.
(4) - Mc 7.13, conforme a Nova Versão Internacional (NVI ), da International Bible Society (traduzida para o português pela comissão de
tradução da Sociedade Bíblica Internacional), São Paulo: Editora vida, 2000.
(5) - Pequenas caixas contendo trechos da Lei, usadas na testa e nos baços dos judeus, presas por finas tiras de couro.
(6) - A calça comprida surgiu na França, no final do séc. XIX, e só foi adotada pelo público feminino na segunda década do séc. XX, na
Europa e nos Estados Unidos.
(7) - Na sociedade contemporânea, isto se chama travestismo.
(8) - Ellen Gould White, co-fundadora da Igreja Adventista. In: Orientação da Criança, Tatul, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1993.

Nenhum comentário:

Postar um comentário