sábado, 27 de novembro de 2010

Com quem me casarei?

Com Quem Me Casarei?
por
O. Palmer Robertson



Em algumas culturas atuais, o casamento é visto como algo de gerações passadas. Pais e avós podem ter se casado, mas as pessoas não querem mais se preocupar com o casamento. Se os costumes atuais da sociedade não fazem mais tal exigência, então, para que se incomodar com isto?
Já outras culturas vêem o casamento como algo quase que necessário para a vida, particularmente para as mulheres. A própria sobrevivência delas está atrelada ao fato de serem casadas.
Em quaisquer dos casos, muitas questões têm sido feitas pelo mundo moderno a respeito do casamento. Considere, pois, algumas perguntas sobre o assunto e o posicionamento das Escrituras sobre este tema.

1) 0 que é o casamento?
Se uma pessoa está pensando em se casar, ela precisa ter algumas idéias sobre aquilo com que ela está se envolvendo. Então, o que é mesmo o casamento?
Algumas pessoas considerariam o casamento como um contrato de conveniência pessoal. Se este contrato se adequa ao gosto do casal ou faz com que as aspirações do mesmo progridam, então é bom que haja o casamento. Mas se esta for a visão adotada, o resultado será desapontamento ou desastre. No momento em que o casamento se tornar um empecilho para uma das partes ou para o casal, existirá razão suficiente para que este laço sagrado seja desfeito. Em algumas culturas, se a esposa não cozinha bem, o marido se acha no direito de pedir o divórcio e tudo está assim acabado. Em outras culturas, se uma mulher encontra um outro homem mais atencioso, ela pode facilmente terminar o seu casamento.
Mas as pessoas ficam profundamente magoadas quando um relacionamento se desfaz, mesmo que seja um “casamento de conveniência”. Há algo sobre a união de duas pessoas que gera, cria interconexões de corpos e almas, e sociedades que não podem ser facilmente dissolvidas. As crianças nascidas de um casamento naturalmente se identificam com o “pai” e a “mãe”, de forma que ninguém mais pode ocupar estes lugares.
Há ainda outra resposta para a pergunta inicial, “O que é o Casamento?”. O casamento é um laço entre duas pessoas, misterioso e ordenado por Deus, que não deveria jamais ser quebrado enquanto as duas pessoas viverem. Há algo sobre a união física, os compromissos sociais e a vinculação dessas duas almas que desafia uma simples separação. O casamento é uma maravilha, um mistério, uma beleza que apenas o Deus Criador poderia ter desenhado, e ninguém deveria separar aquilo que Deus uniu (Mateus 19:6).
Mas, e se um casamento vier a se dissolver? Se você tem alguma culpa, confesse isto para Deus com espírito de verdadeiro arrependimento. Suplique o perdão com base na morte sacrificial do Filho de Deus pelos pecadores. Se você é a parte inocente, olhe para Deus como o seu Pai celestial que providencia o conforto e o cuidado para todos aqueles que são os seus filhos. Uma segunda questão naturalmente surge...

2) Por que eu deveria casar?
Se uma pessoa nunca pode sair de um casamento que contraiu, por que correr o risco de entrar no casamento? Não seria mais seguro permanecer solteiro; descomprometido, livre dos laços inquebráveis do casamento? Por que não apenas desfrutar de relacionamentos que naturalmente chegarão ao fim algum dia e manter-se descomprometido das intenções de longo prazo? Desta forma a separação não machucará tanto, principalmente quando ela vem eventualmente.
O raciocínio da falta de fé ou incredulidade segue exatamente a mesma linha. Mesmo os discípulos de Jesus expressaram sérias reservas quanto ao casamento (Mateus 19:10). Se você não tem fé nas boas novas de que Jesus pode redimir, reconciliar e reformar pecadores egoístas como você e seu possível cônjuge, então pode muito bem concluir que você nunca deveria se casar. O risco é grande demais. E a alternativa de liberdade pessoal é bastante atraente.
Mas não se engane em pensar que qualquer coisa pode substituir os duradouros compromissos inerentes ao casamento. Não se entregue a intimidade sexual fora de tais compromissos, pois eles são necessários para um apropriado vínculo de corpo e alma. A ordem do dia é a de que pessoas têm o direito de “viver juntas” e depois ir embora ao bel-prazer, sem que obrigações duradouras existam. Entretanto, aos olhos de Deus, a união de duas pessoas é sagrada e requer a permanência ou estabilidade de compromissos.
A despeito do escárnio da era pós¬moderna, o soberano Deus Criador ainda considera que pessoas que estão engajadas em práticas sexuais ilícitas estão vivendo em fornicação. E tanto os indivíduos como as nações devem se arrepender desta prática.
Uma resposta mais positiva a esta segunda questão, “Por que eu deveria casar?” merece a sua consideração. Esta outra resposta remonta às raízes da existência humana. Deus, de forma intencional, fez o homem de maneira que não seria bom que ele estivesse sozinho (Gênesis 2:18). Deus criou o homem completo, mas viu que ele precisaria de uma companheira, uma ajudadora, uma esposa com quem pudesse compartilhar toda a sua vida. O Criador desenhou o homem e a mulher para o casamento.
Por esta razão você pode sim “correr o risco”. Vá em frente e se case!
É claro que há legítimas exceções para o celibato dentro deste princípio básico. A primeira é que o homem foi originalmente formado sem que ele tivesse uma esposa. Quanto tempo ele passou na condição de solteiro não nos é dito. Mas um ser humano pode viver muito bem sem estar casado. Homem e mulher são capazes de ter vidas profundamente realizadas ainda que na condição de solteiros. Na verdade, praticamente quase todo mundo passa anos significativos de suas vidas adultas sem estar casados.
Mas Deus fez homem e mulher para que, na maioria dos casos, eles se casassem. Não há melhor explicação a ser oferecida para este fenômeno universal que é o casamento. Tanto para o bem estar das pessoas, quanto para os propósitos do Criador, as pessoas deveriam se casar. O instinto natural dos seres humanos os conduz nesta direção. Desta forma, a próxima pergunta óbvia é a seguinte...

3) Com quem eu deveria casar?
A resposta inicial para esta questão é: case com quem você quer casar! Se as circunstâncias são favoráveis, case com a pessoa de sua escolha. Por que alguém se casaria com uma pessoa com a qual ela não quer casar? Obviamente muitos fatores contribuem para que um casamento se torne possível. A prática cultural exerce um papel vital no casamento. Algumas famílias, tribos, ou grupos sociais achariam difícil ou impossível o casamento com pessoas de certas comunidades. Questões tais como escolaridade, riqueza, idade, saúde, vocação, temperamento e contatos sociais exercerão papel na escolha da pessoa com a qual você vai casar. Mas o princípio básico permanece: case com a pessoa que você quer casar, supondo que todas as circunstâncias sejam favoráveis.
Em situações difíceis, uma pessoa pode se encontrar casada com alguém com a qual não desejaria estar casada. Em algumas culturas, casamentos são encomendados, de forma que os desejos da pessoa não são adequadamente consultados. Em outras situações, pressões diversas podem induzir duas pessoas a se casarem. Quando estas circunstâncias não podem ser evitadas, as pessoas envolvidas devem depositar completa fé em Deus, acreditando que Ele tem a saída para a mais difícil das situações.
Deve-se salientar também que pelos desígnios de Deus todas as pessoas podem estar legitimamente casadas e receberem assim as Suas bênçãos. Por outro lado, pela determinação do soberano e gracioso Deus, algumas pessoas que desejam muito se casar podem jamais vir a encontrar a pessoa certa para elas.
Um princípio, entretanto, deve sempre reger o matrimônio de um cristão. Ele ou ela deve sempre se casar com outro cristão. Um crente não deve jamais se pôr em jugo desigual com um incrédulo. Se as circunstâncias favorecem, case-se com quem você quer casar. Mas se você é nova criatura em Cristo, certifique-se de que está casando com um outro cristão.
Há ainda situações em que um cristão está casado com um incrédulo (1 Coríntios 7:14). Você pode se encontrar nesta situação por ter se convertido a Cristo depois do casamento. Ou talvez seu cônjuge tenha “enganado” você, pois ele parecia ser um verdadeiro cristão quando vocês se casaram. O que fazer agora?
Continue acreditando nas escolhas de Deus para a sua vida. Lembre-se que um cônjuge incrédulo pode vir a se converter por causa do procedimento cristão do outro cônjuge (1 Pedro 3:1). Isto já aconteceu algumas vezes e poderá acontecer novamente. Mas se isso não ocorrer, você ainda pode glorificar a Deus grandemente através de uma vida de fé, dentro deste relacionamento conjugal ordenado por Deus.
Muitos fatores contam na hora da escolha de um cônjuge. Busque o conselho de familiares ou amigos cristãos que lhe conhecem bem. Reflita cuidadosamente em como o casamento contribuirá para que vocês sirvam a Deus mais efetivamente. Faça uma avaliação realística de sua situação financeira e acadêmica. Certamente que o misterioso fator “amor” não deve ser desprezado. Mas lembre-se: o amor pode começar antes do casamento, mas há casos em que ele começa depois do casamento. Qualquer que seja o caso, o cultivo do amor fará com que seu fervor se intensifique ao longo da vida. E agora, a pergunta final pode ser feita...

4) E se eu casar?
Primeiro, se você se casar, reconheça que a comunidade em geral tem um legítimo interesse na sua união. De fato, praticamente todas as sociedades reconhecem a existência da coabitação marital. Nestes casos, casais que vivem juntos há certo período de tempo são considerados “casados” pelas autoridades locais. Em nenhum trecho da Bíblia Deus requer uma “cerimônia de casamento”. Ainda assim, o núcleo fundamental da sociedade é encontrado nas unidades familiares. Por esta razão, o casamento não deveria ser visto como algo privado. E o reconhecimento do casamento pelo Estado é algo totalmente apropriado.
É perfeitamente legítimo que pessoas simplesmente se casem na presença de uma autoridade representativa do governo local. Nada na lei de Deus proíbe tal formalidade. Mas na maioria dos casos, o melhor lugar para um cristão se casar é na presença de família e amigos, diante da igreja que é o corpo de Cristo.
Segundo, entrando agora num nível mais pessoal, espere algumas surpresas após o casamento. A pessoa com quem você se casou pode não corresponder as suas expectativas. Mas a bênção de Deus é assegurada a todos aqueles que fielmente seguem as ordenanças de Sua lei, Sua graça e providência. Tempos de provação virão. Desafios surgirão. Mas fique certo de que a pessoa com quem você está casada é a pessoa que Deus planejou que você casasse, apesar das circunstâncias difíceis vivenciadas.
Terceiro, antecipe um enriquecimento ilimitado em sua vida ao se casar. A união de duas pessoas em uma só pode duplicar ou até mesmo triplicar o potencial de realização pessoal dos cônjuges durante o tempo em que, juntos, eles “exploram” o vasto mundo que Deus criou. Interesses diferentes, talentos, dons e diferentes perspectivas sobre a vida só têm a ampliar os horizontes de ambos os cônjuges no casamento. O potencial humano para dar e receber amor possui uma profundidade tal que não pode ser compreendida nesta nossa curta existência.
E mais, é difícil calcularmos a totalidade de bênçãos que um casal pode experimentar em termos do crescimento no conhecimento de Deus o Pai, Deus o Filho e Deus Espírito Santo. Não foi por acidente que Jesus realizou o seu primeiro milagre, a transformação de água em vinho, durante um casamento em Caná da Galiléia (João 2: 1-11). Com este milagre, o Filho de Deus mostrou seu intento de enriquecer o vínculo matrimonial através da bênção ímpar de Sua presença e poder. O casamento terreno revela novas medidas da graça e glória de Deus para aqueles que são feitos um nEle, na medida em que espelha a mais perfeita união de Deus com o seu povo.
Em conclusão, o grande desafio de nossos dias é o de irmos contra a correnteza. Muito do que as sociedades modernas estabelecem hoje vai de encontro ao casamento, nos termos em que ele é ordenado pelo Senhor. Mas pela fé em Deus o Criador e em Cristo o Redentor, as alegrias e bênçãos do casamento podem ser vivenciadas mesmo num mundo que tem se tornado moderno demais.

Sobre o autor: Dr. O. Palmer Robertson é Professor de Teologia no African Bible College, caixa postal 1028, Lilongwe, Malawi. Professor de Velho Testamento no Knox Theological Seminary, 5554 N. Federal Hightivay, Fort Lauderdale, Flórida 33308, EUA.

Guia Bibliográfico para Exegese do Novo Testamento

Guia Bibliográfico para Exegese do Novo Testamento
por
Pr. Isaías Lobão Pereira Júnior


Este pequeno guia tem como objetivo, apresentar ao estudante orientação bibliográfica para o estudo exegético do Novo Testamento. Sabemos que o teólogo brasileiro tem que adquirir seus livros, visto ser difícil encontrar em bibliotecas todos os títulos que ele precisa para o bom estudo.
Eu dei prioridade para os títulos publicados em português. Os estudantes que dominam outras línguas podem encontrar guias semelhantes a este, com as devidas referências. Porém, como ainda não somos pródigos em publicações exegéticas, em alguns casos, tive que me reportar a títulos em outras línguas.
A disposição dos títulos deste guia, segue a estrutura de uma importante obra norte-americana [1], de autoria do Dr. David M. Scholer, publicado pela primeira vez em 1970, na época, professor do departamento de Novo Testamento do Seminário Teológico Gordon-Conwell.
Dei preferência a títulos de orientação evangélica conservadora, que defendem a metodologia exegética histórico-gramatical. No entanto, tive que me reportar a títulos que seguem a metodologia histórico-crítica. O estudante deve tomar cuidado com algumas conclusões destes títulos, que geralmente enfraquecem a autoridade do texto bíblico.

Textos do Novo Testamento
ALAND, Kurt e Barbara. KARAVIDOUPUOLOS, Johannes. MARTINI, Carlo M. and METZGER, Bruce M. (eds.) in cooperation with the Institute for New Testament Textual Research, Münster/Westphalia. The Greek New Testament, Fourth Revised Edition. Stuttgart: United Bible Society. 1993. Availabe bound together with NEWMAN Jr, Barclay M., A Concise Greek-English Dictionary of the New Testament. London: United Bible Societies, 1971. Existe uma versão que traz uma introdução e um dicionário em espanhol, preparado por Elza Tamez e Irene Foulkes.
FRIBERG, Barbara & FRIBERG, Timothy. O Novo Testamento Grego Analítico. Introdução e Apêndice traduzidos do inglês por Adiel Almeida de Oliveira. São Paulo: Vida Nova, 1987.
NESTLE, E. & ALAND, K.(eds) Novum Testamentum Graece (27th ed.) Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, 1993.
SAYÃO, Luiz (org.) Novo Testamento Trilíngue. São Paulo: Vida Nova, 1998.
LUZ, Waldyr Carvalho (org.) Novo Testamento Interlinear. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.
SCHOLZ, Vilson & BRATCHER, Robert. (org). Novo Testamento Interlinear Grego - Português. Incluindo o texto da tradução de João Ferreira de Almeida, Revista e Atualizada no Brasil, segunda edição e da Nova Tradução na Linguagem de Hoje. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2004.

Princípios de Crítica Textual
BITTENCOURT, Benedito de Paula. O Novo Testamento: Metodologia de Pesquisa Textual. 3a ed. Revista Atualizada e Ampliada. Rio de Janeiro: JUERP, 1993.
METZGER, Bruce M. A Textual Commentary on the Greek New Testament. A Companion Volume to the United Bible Societies’ Greek New Testament (Fourth Revised Edition) Second Edition. Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft & United Bible Societies, 1994.
PAROSCHI, Wilson. Crítica Textual do Novo Testamento. 2a edição corrigida. São Paulo: Vida Nova, 1999.

Concordâncias do Novo Testamento
Concordância Fiel do Novo Testamento Grego. (2 vol) Vol 1, Grego-Português; Vol 2, Português-Grego. São José dos Campos: Fiel, 1995 e 1998.
Concordância Bíblica, Barueri: SBB, 1973. (Baseada na Tradução de Almeida Revista e Atualizada)

Obras de Referência
COMFORT, Philip Wesley. (ed). A Origem da Bíblia. Trad. Luís Aron de Macedo. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.
DOCKERY, David S. (ed). Manual Bíblico Vida Nova. Trad. Lucy Yamakami, Hans Udo Fuchs, Robinson Malkomes. São Paulo: Vida Nova, 2001.
DOUGLAS, J.D. (org) O Novo Dicionário da Bíblia. Trad. João Marques Bentes. 2a ed. São Paulo: Vida Nova, 1995,1680p.

Auxílios Léxicos do Novo Testamento Grego
GINGRICH, F. Wilbur & DANKER, Frederick W. Léxico do Novo Testamento Grego/Português. Trad. Júlio Paulo Tavares Zabatiero. São Paulo: Vida Nova, 1984. Reimpresso, 2003.
CARDOSO PINTO, Carlos Osvaldo & METZGER, Bruce M. Estudos do Vocabulário do Novo Testamento. 2a divisão traduzida do inglês por Fabiani S. Medeiros. São Paulo: Vida Nova, 1996. obs: Esta obra foi incorporada a outra semelhante sobre o Antigo Testamento e agora é editada como Pequeno Dicionário de Línguas Bíblicas.
RIENECKER, Fritz & ROGERS, Cleon. Chave Linguítica do Novo Testamento Grego. Trad. Gordon Chown e Júlio Paulo Tavares Zabatiero. São Paulo: Vida Nova, 1985. Reimpresso em 1996.

Estrutura Literária do Novo Testamento
BERGER, Klaus. As Formas Literárias do Novo Testamento. Trad. Fredericus Antonius Stein. São Paulo: Loyola, 1998.
CARDOSO PINTO, Carlos Osvaldo. Fundamentos para Exegese do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2002.

Estudos de Palavras e Termos Teológicos Importantes
BARCLAY, William. Palavras Chaves do Novo Testamento. São Paulo, Vida Nova, 1985. reimpressão, 2003.
BROWN, Colin & COENEN Lothar. (orgs.); trad. Gordon Chown. 2a ed. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. (2 vol) São Paulo: Vida Nova, 2000.
PACKER, James I. Os Vocábulos de Deus. São José dos Campos: Fiel, 1995.
VINE, W.E., UNGER Merril F., WHITE Jr, Willian. Dicionário Vine: O Significado Exegético das Palavras do Antigo e do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

Gramáticas do Novo Testamento Grego

DOBSON, John H. Trad. Lucian Benigno. Aprenda o Grego do Novo Testamento. 4a edição. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.
FEITOSA, Darlyson. Elementos de Grego. Brasília: Edição do Autor, 1993.
GREENLEE, J. Harold. Gramática Exegética Abreviada do Grego Neotestamentário. Rio de Janeiro: JUERP, 1973.
LUZ, Waldyr Carvalho. Manual da Língua Grega. (3 vol) São Paulo: Cultura Cristã, 1992.
MACHEN, John Gresham. O Novo Testamento Grego para Iniciantes. Trad. Antônio Victorino. São Paulo: Hagnos, 2004.
REGA, Lourenço Stelio & BERGMANN, Johannes. Noções do Grego Bíblico: Gramática Fundamental. São Paulo: Vida Nova, 2004.
SCHALKWIJK, Frans Leonard. Coinê: Pequena Gramática do Grego Neotestamentário. Patrocínio: CIEBEL, 1975.
TAYLOR, William Carey. Introdução ao Estudo do Novo Testamento Grego. São Paulo: Batista Regular, 2001.
LASOR, William Sanford trad. Rubens Paes. Gramática Sintática do Grego do Novo Testamento, 2a. Edição, 1998. São Paulo:Vida Nova, reimpressão 2002.

Hermenêutica do Novo Testamento

BEEKMAN, John & CALLOW, John. A Arte de Interpretar e Comunicar a Palavra Escrita: Técnicas de Tradução da Bíblia, São Paulo: Vida Nova, 1992.
BENTHO, Esdras Costa. Hermenêutica Fácil e Descomplicada. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.
BERKHOF, Louis. Princípios de Interpretação Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2002.
BOST, Bryan Jay & PESTANA, Álvaro César. Do Texto À Paráfrase: Como Estudar a Bíblia. São Paulo: Vida Cristã, 1992.
BRUGGEN, Jakob Van. Para Ler a Bíblia. São Paulo: Cultura Cristã, 2001.
CARSON, Donald A. A Exegese e suas Falácias - Perigos de Interpretação Bíblica. Trad. Valéria Fontana. São Paulo: Vida Nova, 1999.
DYCK, Elmer (org.) Ouvindo a Deus: Uma abordagem Multidisciplinar da Leitura Bíblica. Trad. Gordon Chown. São Paulo: Shedd, 2001
LOPES, Augustus Nicodemos. A Bíblia e seus Intérpretes. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.
FEE, Gordon D. & STUART, Douglas. Entendes o que lês? Um guia para entender a Bíblia com o auxilio da Exegese e da Hermenêutica, Apêndice de MÜLLER, Ênio Ronald. O Método Histórico-Crítico – Uma Avaliação. São Paulo: Vida Nova, 1998.
SILVA, Moisés & KAISER, Walter. Introdução à Hermenêutica Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2002.
VINKLER, Henry A. Hermenêutica Avançada. Princípios e Processos de Interpretação Bíblica. Trad. Luiz Aparecido Caruso. 8a. impressão Editora Vida. São Paulo, SP.1998
WEGNER, Uwe. Exegese do Novo Testamento: Manual de Metodologia, São Leopoldo & São Paulo: Sinodal & Paulus, 1998.

Novo Testamento: Introdução e Teologia

BRUCE, Frederick Fye. Merece Confiança o Novo Testamento? São Paulo: Vida Nova, reimpressão, 2004.
BRUCE, Frederick. Fye Paulo, O Apóstolo da Graça - Sua Vida, Cartas e Teologia. Trad. Hasn Udo Fuchs. São Paulo Shedd, 2003.
LADD, George Eldon. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2003.
HÖRSTER, Gerhard. Introdução e Síntese do Novo Testamento. Curitiba: Esperança, 1996.
MORRIS, Leon. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2003.

Panorama do Mundo do Novo Testamento

BAILEY, Kenneth E. As Parábolas de Lucas. A Poesia e o Camponês: Uma Análise lieterária-cultural. Trad. Adiel Almeida de Oliveira. 3a Ed. São Paulo: Vida Nova, 1995.

COOK, Randall. Jerusalém nos Dias de Jesus. São Paulo: Vida Nova.
COLEMAN, William, Manual dos Tempos e Costumes Bíblicos. Venda Nova: Betânia, 1998.
CULLMANN, Oscar. Cristo e o Tempo: Tempo e História no Cristianismo Primitivo. Trad. Daniel Costa. São Paulo: Custom, 2003.
CURRID, John D. Arqueologia nas Terras Bíblicas. São Paulo: Cultura Cristã, 2004
DANA, H.E. Mundo do Novo Testamento. 4ª Ed. Rio de Janeiro: JUERP. 1990
DANIEL-ROPS, Henry. A Vida Diária nos Tempos de Jesus, São Paulo: Vida Nova, 1983.
DOWLEY, Tim. Atlas Vida Nova da Bíblia e da História do Cristianismo. São Paulo: Vida Nova, 1998.
GOWER, Ralph. Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos. Trad. Neyd Siqueira. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.
KEENER, Craig S. Comentário Bíblico Atos: Novo Testamento. São Paulo: Atos, 2004.
MILLARD, Alan. Descobertas dos Tempos Bíblicos. São Paulo: Vida, 1999.
SKARSAUNE, Oskar. À Sobra do Templo: As Influências do Judaísmo no Cristianismo Primitivo. Trad. Antivan Guimarães Mendes. São Paulo: Vida, 2004.
ORRÚ, Gervásio F. Os Manuscritos de Qumran e o Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1993.
PACKER, James I. & TENNEY, Merril C. & WHITE Jr, Willian. Vida Cotidiana nos Tempos Bíblicos. São Paulo: Editora Vida, 1984.
PACKER, James I. & TENNEY, Merril C. & WHITE Jr, Willian. O Mundo do Novo Testamento. São Paulo: Editora Vida, 1988.

Comentários do Novo Testamento

Série Cultura Bíblica, Edições Vida Nova. Os comentários desta série têm como característica principal ser mais exegéticos do que homiléticos. As observações são mais de teor acadêmico do que devocional. Cada comentário consta de duas partes: uma introdução que situa o livro bíblico no espaço e no tempo. Nesta parte o autor trata as questões críticas quanto ao livro e ao texto. Examina as questões de destinatários, data e lugar de composição, autoria, bem como ocasião e propósito. A segunda parte é um estudo profundo do texto à partir dos grandes temas do próprio livro. Analisa o texto do livro seção por seção. É dada atenção especial às palavras chaves e à partir delas, o comentador procura compreender e interpretar o próprio texto.
Inicialmente esta série foi baseada em traduções da prestigiada Tyndale New Testament Commentaries, editada pela Inter-Varsity Press, que reuniu os melhores peritos evangélicos, a maioria de origem britânica. Depois foi sendo ampliada para incluir livros de autores nacionais ou com experiência no Brasil, como o comentário de I Pedro de Ênio Ronald Müller, luterano e o comentário de Marcos, de Dewey Mullholand, batista.
Originalmente a série Tyndale trazia o comentário do Apocalipse de Leon Morris, que é amilenista, mas foi trocado pelo de George Ladd, que é Pré-Milenista Histórico.

A Bíblia Fala hoje. ABU Editora. Uma série de exposições bíblicas, que se caracterizam por um triplo objetivo: Expor o texto bíblico acuradamente, relacioná-lo com a vida contemporânea e proporcionar uma leitura agradável. Os comentários do Novo Testamento foram editados pelo Dr. John Stott, conhecido erudito anglicano. Creio que os comentários desta série são os que melhores podem ser aplicados para a pregação cotidiana, serviço, por vezes, árduo dos ministros do evangelho.

Novo Comentário Bíblico Contemporâneo. Editora Vida. Tradução em português da importante série de comentários, Good News Commentary. Originalmente baseados no texto da New International Version, foram adaptados para a Edição Contemporânea de Almeida. A ECA é arranjo dos editores para o texto tricentenário de Almeida, academicamente fraca, não trouxe muitas novidades léxicas ou exegéticas, mesmo assim, foi bastante difundida através da Bíblia de Estudo Thompson.
Contudo, os comentários desta série são precisos e atualizados, representam uma seleção dos melhores estudiosos evangélicos modernos, como F.F. Bruce, Larry Hurtado, Gordon D. Fee, entre outros. Merecem ser conferidos.

Comentário Esperança. Editora Evangélica Esperança. Uma série de comentários do Novo Testamento, publicada originalmente na Alemanha, por biblistas competentes que seguem uma orientação conservadora. Publicada no Brasil pelos membros pietistas da Igreja Luterana. Os autores comentam o texto bíblico dentro de seu contexto histórico, geográfico e exegético.

Em Diálogo com a Bíblia. Encontro Publicações e Missão Editora. Série editada no Brasil, por um grupo de teólogos, de diferentes confissões evangélicas, que buscou comentar todos os livros da Bíblia. Infelizmente a série foi interrompida.
São comentários exegeticamente precisos e relacionados com a realidade eclesiástica brasileira. Muitos dos autores desta série são membros da Fraternidade Teológica Latino-Americana (FTL) com longa experiência na docência teológica e no pastoreio de diversas igrejas.
Dois pontos de destaque desta série: Embora utilizem as principais versões bíblicas em português, a tradução dos textos bíblicos, na sua maioria, é dos próprios autores do comentário. Em segundo lugar, todos os autores apresentam ao final de sua obra, uma revisão bibliográfica sobre o livro por ele comentado.

Novo Comentário da Bíblia. Edições Vida Nova. Editor responsável: Francis Davidson. Editor responsável em português: Russell P. Shedd, Um best-seller. Desde sua 1.ª edição em 1963, tem sido um recordista de vendas, com mais de 100 mil exemplares vendidos. Obra conhecida em grande parte do mundo, pois, além da tradução brasileira, há traduções em japonês, árabe e chinês, entre outras.
Elaborado para elucidar verdades muitas vezes obscurecidas pela falta de recursos para pesquisa do texto bíblico. Um guia sério, que comenta parágrafo por parágrafo todos os livros do Antigo e do Novo Testamento. Cada livro da Bíblia é tratado separadamente, mediante uma introdução, uma análise do conteúdo e o comentário do texto propriamente dito.
Há ainda vários textos gerais sobre a autoridade das Escrituras, sobre a história de Israel e sobre a cronologia da Bíblia. A apresentação segue os principais títulos empregados na divisão do texto bíblico, bem como os subtítulos, quando necessário. Esse esquema não só ajudará o leitor a estudar cada livro como um todo, mas servirá também de índice útil para o próprio comentário. Foi organizado com o auxílio de conhecidos estudiosos evangélicos, como F.F. Bruce, James Packer, Ernest F. Kevan, Ph.D. pela Universidade de Londres e ex-reitor do London Bible College, da Inglaterra, entre outros. Inicialmente foi editado em 3 volumes, porém, hoje em dia, pode ser encontrado em um volume, o que facilita o manuseio e reduz consideravelmente o preço.


Comentário do Novo Testamento. Editora Cultura Cristã. William Hendriksen e Simon Kistemaster. Esta série de comentários do Novo Testamento foi produzida para satisfazer uma exigência generalizada entre estudantes sérios da Bíblia, os quais desejavam um tratamento novo e atualizado do texto que combinasse fé irrestrita em sua inspiração divina, em sua fidelidade histórica. Hendriksen foi professor no Calvin Theological Seminary, nos EUA. Seu projeto era de comentar todos os livros do Novo Testamento, mas com sua morte, este encargo foi repassado para o Dr. Simon Kistemaker, que continuou dentro da mesma perspectiva.
Os pontos característicos desta série são: Introdução completa acerca de assuntos tais como data, autoria e outros problemas concernentes a crítica textual. Cada seção do comentário é precedida pela própria tradução que o autor faz do texto bíblico, cuidadosamente vertida para o português. O texto segue a linha teológica reformada.

NOTAS:
[1] - SCHOLER, David M. A Basic Bibliographic Guide for New Testament Exegesis. Second Edition. William B. Eerdmans Publishing Company. Grand Rapids, 1973.
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O que desejamos do nosso pastor

O que desejamos do nosso pastor

por
Rev. Ewerton Barcelos Tokashiki


(1) Seja íntegro e fiel ao nos nutrir com a Palavra de Deus.
(2) Cuide de sua família. Ela é o seu primeiro rebanho. Então, acreditaremos que cuidará das nossas famílias.
(3) Não perca a ternura.
(4) Não seja orgulhoso.
(5) Não seja um líder centralizador, nem opressor.
(6) Ore por nós e conosco.
(7) Auxilie-nos em nossa santificação pessoal.
(8) Ajude-nos a andar dentro da vontade de Deus.
(9) Instrua-nos na Palavra de Deus acerca do sentido e propósito da nossa vida.
(10) Socorra-nos naqueles momentos de crise e desespero.
(11) Ouça os nossos desabafos, desafetos e problemas nos aconselhamentos, buscando respostas na sabedoria da Palavra de Deus.
(12) Chore conosco as nossas lágrimas.
(13) Não desista de nós.
(14) Esteja ao nosso lado nas angústias mesmo que em silêncio.
(15) Traga-nos à memória porções da Palavra que podem nos dar esperança.
(16) Com amor nos repreenda em nossos pecados, nos exortando ao arrependimento sincero.
(17) Seja sempre um conciliador entre os nossos desentendimentos.
(18) Treine e nos equipe para servirmos com eficácia e aceitação diante de Deus.
(19) Ensine-nos a identificar e usar os nossos dons que o Espírito Santo nos deu.
(20) Ajude-nos a ser produtivos, para não cairmos na futilidade e nem perdermos o nosso propósito de glorificar a Deus.

Os Pecados não são todos IGUAIS

Os Pecados Não São Todos Iguais
por
J. I. Packer

Pergunta: Todos os pecados são de pesados de forma igual, ou há um mais importante que o outro? —Linda Linton, Celina, Ohio.
Resposta de J.I. Packer postada em 28/12/2004.
Essa pergunta nos conduz para dentro do que tem sido, para muitos evangélicos, um território inexplorado. Pensamos na conversão como o momento em que a culpa de todos os nossos pecados – do passado, do presente e do futuro, são lavados pelo sangue remidor de Cristo. Como pecadores justificados pela fé e herdeiros de sua glória prometida, nos regozijamos na salvação e não atinamos mais para as subsistentes deficiências e como Deus pode ainda “pesá-las”.
Se questionados, explicamos nossa posição é a da verdadeira segurança evangélica. Mas o que é isso?
Os puritanos históricos também eram evangélicos, mas divergiam de nós nesse ponto consideravelmente. Lembravam que Cristo nos havia ensinado a orar diariamente por perdão. Um dos exercícios de disciplina espiritual deles (que ainda não é nosso, geralmente) era o auto-exame toda a noite a fim de discernir quais atos em particular, praticados ou omitidos, pelos quais eram passiveis de pedido de perdão.
Em primeiro plano em suas mente estava a santidade de Deus, o temor diante de sua ira, e da sua maravilhosa longanimidade em educar e corrigir seus irresponsáveis e recalcitrantes filhos. Nessa realidade se contextualizava a certeza que tinham de que o sangue precioso de Cristo de fato limpava os arrependidos de todos os pecados. A maioria dos evangélicos posteriores não chega ao pé deles. Estamos quase todos fora do passo marcado por eles.
A Escritura ensina que na avaliação de Deus alguns pecados são piores e implicam em maior culpa do que outros. Alguns pecados nos causam maior dano. Moisés classifica a derrocada do bezerro de ouro como um grande pecado (Ex. 32:30). Ezequiel em sua terrível alegoria disse que depois de que Aolá (Samaria) arruinou-se pela sua infidelidade a Deus, Aolibá (Jerusalém) “tornou-se mais corrupta … e sua luxuria e lascívia eram piores do que as de sua irmã”. (Ezeq. 23:11, ESV). João distingue pecados que não são dos que são irremediavelmente para a morte (1 João 5:16). Isso tudo sem contar a advertência de Jesus acerca do pecado imperdoável (Mc. 3:28-30).
As perguntas nºs 151 e 152 do Catecismo Maior de Westminster, de produção puritana, trazem clareza à matéria quando analisa os agravantes dos pecados, assim provendo meios de discernir a gravidade e a culpa deles. Sobre um prisma, todos os pecados são iguais por mais triviais que nos pareçam. Eles são dignos da “ira e maldição de Deus, tanto nessa vida como na vindoura e não podem ser expiados senão pelo sangue de Cristo”. Nenhum pecado é pequeno quando é cometido contra o grande e benevolente Deus. Por outro lado, porém, a gravidade de cada transgressão depende uma série de fatores.
Primeiro na medida em que os transgressores são mais conhecidos, aos olhos do público e são considerados dignos de fé pública, “guia para os outros, e que serves de modelo para serem seguidos por outros”. Por exemplo, Salomão em 1 Reis 11:9-10 e o servo negligente em Lucas 12:48-49— pessoas reconhecidamente confiáveis flagradas em pecado; Natã descrevendo o pecado de Davi com Bete-Seba em 2 Samuel 12:7-10; e os judeus apresentados como guias portadores da luz do céu em Romanos 2:17-23.
Segundo, as transgressões são categorizadas em função das pessoas ofendidas, ou seja, numa graduação que vai do Pai, Filho e Espírito Santo para “qualquer dos santos, particularmente o irmão mais fraco”. Por exemplo, ha os que publicamente desonram a Cristo, em Hebreus 10:28-29; e os que levam as pessoas a tropeçarem em Mateus 18:6, Romanos 14:13-15, e 1 Coríntios 8:9-12.
Terceiro, na medida em que se desfia a consciência e a censura impostas pelos outros, os transgressores agem “deliberadamente, intencionalmente, presunçosamente, impudentemente, orgulhosamente, maliciosamente, freqüentemente, obstinadamente, com gáudio, contumácia, ou reincidência após o arrependimento”. Assim temos um desafio cumulativo a Deus em Jeremias 5:8 e Amos 4:8-11; indiferença à consciência e correção em Romanos 1:32 e Mateus 18:15-17; e recaída da graça em 2 Pedro 2:20-22.
Quarto, as “circunstâncias dos tempos e lugares”, fazem o mal ser pior—por exemplo, a junção de pecado com a religiosidade hipócrita em Ezequiel 23:37-39, e envolvimento de outros no pecado de alguém em 1 Samuel 2:22-24.
Finalmente, há o pecado imperdoável, a resistência obstinada à luz do Espírito acerca da divindade e graça de Jesus Cristo, que leva a retirada de qualquer possibilidade de fé e arrependimento, e sua conseqüência letal. Sua natureza está evidente em Mateus 12:31-32 e Marcos 3:28-30.
Precisamos aprender a ver o pecado de forma translúcida, tratar a nós mesmos de forma realista e repudiá-lo e odiá-lo de todo o coração.
J.I. Packer is Board é da Junta de Dirigentes e Professor de Teologia do Regent College e Editor Executivo de Christianity Today.

Copyright © 2005 Christianity Today. January 2005, Vol. 49, No. 1, Page 65.
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Traduzido por: Anamim Lopes da Silva

Orientações do Ministério de Jonathan Edwards

Orientações do Ministério de Jonathan Edwards

por
John Piper


Quando eu estava no seminário, um professor sábio me disse que, juntamente com a Bíblia, precisaria escolher um grande teólogo e me dedicar, durante minha vida, a entender e dominar seu pensamento, mergulhando, de preferência, pelo menos a um palmo de profundidade em sua realidade, em vez de constantemente beliscar as superfícies das coisas. Que eu deveria, algum dia, ser capaz de “conversar” com este teólogo na condição de colega, e introduzir outras idéias em nosso diálogo frutífero. Foi um bom conselho.
O teólogo ao qual me tornei afeiçoado foi Jonathan Edwards. Devo-lhe mais do que poderia explicar. Nutriu minha alma com a beleza de Deus, com santidade e com o céu quando todas as outras portas pareciam estar fechadas para mim. Renovou minha esperança e minha visão de ministério em tempos de grande abatimento. Abriu, freqüentemente, a janela para o mundo do Espírito, quando tudo o que eu podia ver eram as cortinas do secularismo. Mostrou-me a possibilidade de combinar pensamentos rigorosamente exatos sobre Deus com afeição calorosa por ele. Edwards incorpora a verdade de que a teologia existe para a doxologia. Ele podia passar manhãs inteiras em oração, andando pelos bosques fora de Northampton. Possuía paixão pela verdade e por pecadores perdidos. Todas estas coisas floresciam em seu pastorado. Edwards possuía, sobretudo, paixão por Deus, este é o motivo pelo qual ele se torna tão importante, quando focalizamos a supremacia de Deus na pregação.
Edwards pregou daquela maneira, por causa do homem que foi e do que Deus que viu.
[...]
Quando ainda estava na faculdade, Edwards havia escrito 70 resoluções. Já vimos algumas delas, entre as quais havia uma que dizia: “Decidido. Viverei com todas as minhas forças, enquanto viver”. Para ele, isto significava uma devoção apaixonada ao estudo teológico. Mantinha um horário de estudo extremamente rigoroso. Ele achava que “Cristo recomendou o levantar cedo de manhã, pelo fato de ter ressuscitado e saído de sua sepultura de madrugada”. Assim, ele se levantava geralmente entre quatro e cinco da manhã para ir à sua sala de estudos. Sempre estudava com a caneta na mão, refletindo sobre todas as perspectivas que lhe vinham à mente, registrando-as em seus inúmeros cadernos de anotações. Até durante suas viagens alfinetava pedaços de papel no paletó para lembrar-se posteriormente das percepções que lhe ocorriam durante as mesmas.
Às noites, quando a maioria dos pastores geralmente se encontra exausto no sofá de casa, ou numa reunião da comissão de finanças, Edwards voltava a seu escritório, após uma hora com seus filhos, depois do jantar. Havia exceções. No dia 22 de janeiro de 1.734 escreveu em seu diário: “Julgo que é melhor, quando estou com uma disposição mental favorável para a divina contemplação [...] que eu não seja interrompido para ir jantar; prefiro privar-me do meu jantar a ser interrompido”.
Parece soar não muito saudável, especialmente para alguém cuja estrutura de 1,85m nunca foi robusta. Mas Edwards vigiava sua alimentação para otimizar sua eficiência e poder no estudo. Abstinha-se de toda e qualquer quantidade e tipo de alimento que o faria doente ou sonolento. No inverno, exercitava-se rachando lenha; no verão, cavalgava e andada pelos campos.
A respeito dessas caminhas pelos campos, ele um dia escreveu: “Às vezes, em dias límpidos, me percebo mais particularmente inclinado às glórias do mundo do que a me dirigir ao meu escritório, para estudar a sério as coisas da religião”. Portanto, ele também tinha seus conflitos. Porém, para Edwards, não era um conflito entre a natureza e Deus, mas entre duas experiências diferentes de Deus:
“Uma vez, em 1.737, ao cavalgar nos bosques por causa da minha saúde, tendo desmontado de meu cavalo em lugar afastado, como geralmente faço, para andar e para contemplação divina e oração, tive uma visão, que para mim foi extraordinária, da glória do filho de Deus, como Mediador entre Deus e o homem, e da sua maravilhosa, grande, plena, pura e doce graça, e do seu amor e de sua condescendência mansa e gentil [...] isto durou, no que posso avaliar, por mais ou menos uma hora; e me deixou na maior parte do tempo em um mar de lágrimas, chorando em alta voz”.
Edwards possuía um amor extraordinário pela glória de Deus na natureza. Os efeitos positivos deste amor sobre sua capacidade de se deleitar na grandeza de Deus e nas imagens que ele empregava em sua pregação foram tremendos.
[...]
O que Jonathan Edwards pregava e como ele pregava eram extensões de sua visão de Deus. Portanto, antes de examinar a sua pregação, precisamos ter um vislumbre dessa visão. Em 1.735, Edwards pregou um sermão baseado no texto: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus” (Salmos 46:10). Do texto ele desenvolveu o seguinte tema: “Deus não requer de nós que nos submetamos contrariando a razão, mas que nos submetamos, vendo a razão e a base desta submissão. Conseqüentemente, a mera consideração de que Deus é Deus pode muito bem ser o suficiente para aquietar todas as objeções e oposições contra as disposições soberanas divinas”.
Quando Jonathan Edwards se aquietou e contemplou a grande verdade de que Deus é Deus, viu um Ser majestoso cuja simples existência subentendia poder infinito, conhecimento infinito e santidade infinita. Ele prosseguiu, raciocinando:
“É muitíssimo evidente pelas obras de Deus, que seu entendimento e poder são infinitos [...] Sendo ele infinito em entendimento e poder, também deve ser perfeitamente santo; pois impiedade sempre demonstra alguns defeitos, alguma cegueira. Onde não há escuridão ou engano, não pode haver impiedade [...]Deus, sendo infinito em poder e conhecimento, precisa ser auto-sucifiente e todo-suficiente; portanto, é impossível ele cair em qualquer tentação e fazer qualquer coisa inoportuna; pois ele não terá qualquer objetivo em fazê-lo [...] portanto, Deus é essencialmente santo, e nada é mais impossível do que Deus fazer algo errado”.

Para Edwards, o poder infinito, ou a soberania absoluta de Deus, era o fundamento da suficiência plena de Deus. E sua suficiência plena era o fundamento de sua perfeita santidade, e Edwards disse em sua obra A Treatise Concerning Religius Affections (Um tratado sobre as emoções religiosas) que a santidade de Deus compreende toda sua excelência moral. Portanto, para Edwards, a soberania de Deus era altamente crucial para qualquer outra coisa que ele acreditava acerca de Deus.
Aos 26 ou 27 anos, relembrando-se do tempo em que havia se apaixonado pela doutrina da soberania de Deus, nove anos atrás, Edwards escreveu: “Houve uma mudança maravilhosa em minha mente, com respeito à doutrina da Soberania de Deus, daquele dia até hoje [...] a absoluta soberania de Deus [...] é aquilo em que minha mente parece descansar confiantemente, e é tão real para mim quanto qualquer coisa que eu possa ver com meus olhos [...] esta doutrina tem se mostrado muitas vezes extremamente agradável, radiante e doce. Tenho grande deleite em atribuir absoluta soberania a Deus [...] a soberania de Deus sempre me pareceu ser uma grande parte de sua glória. Sempre me deleito em aproximar de Deus e adorá-lo como um Deus soberano”.
Quando Edwards contemplava a Deus e se encontrava arrebatado por sua absoluta soberania, ele não via esta realidade isoladamente. Ela era parte da glória de Deus. Era doce para Edwards, por ser parte substancial e vital de uma Pessoa infinitamente gloriosa, a qual ele amava com tremenda paixão.
Duas inferências se seguem a esta visão de Deus. A primeira inferência é que a finalidade de tudo o que Deus faz é confirmar e manifestar a sua glória. Todas as ações de Deus fluem em conseqüência de abundância, não de insuficiência. A maioria das ações humanas é praticada pela necessidade de compensar uma deficiência ou suprir alguma carência em nós mesmos. Deus nunca dá passos para suprir sua insuficiência. Ele não executa medidas terapêuticas. Como fonte soberana absoluta e de suficiência plena, todas as suas ações são o transbordar de sua plenitude. Ele nunca age para acrescentar algo à sua glória, mas somente para confirmá-la e manifestá-la. (Este tema encontra-se habilmente desenvolvido em outro trabalho dele, Dissertation Concerning the End for Which God Created the World [Discurso sobre o propósito pelo qual Deus criou o mundo]).
A outra inferência proveniente de sua visão de Deus é que o dever do homem é deleitar-se em Sua glória. Destaco intencionalmente a palavra deleite, porque muitas pessoas nos dias de Edwards, e também em nossos dias, estão inclinadas a dizer que o fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre, mas, em geral, consideram o prazer em Deus como opcional, não compreendem, juntamente com Edwards, que o fim principal do homem é glorificar a Deus pela ação de gozá-lo para sempre.
Deleite é o que Edwards denominava um “sentimento” (podemos dizer emoção). Escreveu A Treatise Concerning Religius Affections (Um tratado sobre as emoções religiosas) para elaborar um ponto muito importante: “A religião verdadeira consiste, em grande parte, de sentimentos santos”. Ele definiu sentimento como “os mais vigorosos e sensíveis exercícios da inclinação e vontade da alma” - coisas como ódio, desejo, alegria, deleite, tristeza, esperança, medo, gratidão, compaixão e zelo.
Quando falamos que deleitar-se em Deus é nosso dever, devemos estar cônscios de que isto não é simples. Uma forte inclinação do coração humano sempre inclui outros sentimentos. Deleite na glória de Deus, por exemplo, incluir ódio para com o pecado, medo de desagradar a Deus, esperança nas promessas de Deus, contentamento na comunhão com Deus, desejo pela revelação final do Filho de Deus, exultação na redenção que ele efetuou, tristeza e contrição por falhas no amor, gratidão por benefícios imerecidos, zelo pelos desígnios de Deus, e fome de justiça. Nosso dever para com Deus é que todos os nossos sentimentos correspondam apropriadamente à sua realidade, e, assim, reflitam sua glória.
Edwards estava completamente convencido de que não há verdadeira religião sem sentimentos santos. “Aquele que não possui sentimentos religiosos está num estado de morte espiritual e completamente destituído de influências vivificantes, vindas do Espírito de Deus”.
Mas não somente isto; não há verdadeira religião (ou santo verdadeiro) onde não há perseverança nos sentimentos santos. Perseverança é a marca dos eleitos e necessária para a salvação final. “Aqueles que não querem viver vidas piedosas descobrem, por si mesmos, que não são eleitos; aqueles que querem viver vidas piedosas descobriram, por si mesmos, que são eleitos”.
[...]

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Fonte: John Piper. A Supremacia de Deus na Pregação. Shedd Publicações. Pág. 65-66, 69-70, 75-77.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Você Jejua?

Você Jejua?
por
João Crisóstomo

Você jejua? Dê-me prova disto por suas obras.
Se você vê um homem pobre, tenha piedade dele.
Se você vê um amigo sendo honrado, não o inveje.
Não deixe que somente a sua boca jejue, mas também o olho e o ouvido e o pé e as mãos e todos os membros de nossos corpos.
Que as mãos jejuem, sendo livres de avareza.
Que os pés jejuem, cessando de correr atrás do pecado.
Que os olhos jejuem, disciplinando-os a não fitarem o que é pecaminoso.
Que os ouvidos jejuem, não ouvindo conversas más e fofocas.
Que a boca jejue de palavras vis e de criticismo injusto.
Porque, qual é o proveito se nos abstemos de aves e peixes, mas mordemos e devoramos os nossos irmãos?
Possa Aquele que veio ao mundo para salvar pecadores nos fortalecer para completarmos o jejum com humildade, tendo misericórdia de nós e nos salvando.

Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT.

Este artigo é parte integrante do portal http://www.monergismo.com/.

domingo, 7 de novembro de 2010

Por que ir a Igreja?


por que ir à igreja?

Samuel Scheffler


Assim como nosso corpo precisa funcionar bem para termos saúde, também nossa fé precisa estar bem para termos saúde espiritual.Um dos grandes sintomas de que nossa fé não está bem é quando não queremos ir à igreja. Isto pode acontecer por dois motivos principais:

1º - é porque a pessoa pensa que é tão pecadora que não é digna de estar com os cristãos.
Bem, se este é o motivo isto não deveria acontecer porque a igreja é, em primeiro lugar, a reunião de pessoas pecadoras, que reconhecem isto, e que carecem do amor, da graça e da misericórdia de Deus. Sendo assim, cristão não é aquela pessoa perfeita e que não comete mais pecados. Cristão é a pessoa que não busca a sua auto-salvação e sua autojustificação, mas busca isto única e exclusivamente em Jesus Cristo. Portanto, a igreja é formada por pecadores conscientes de que precisam de Deus em suas vidas.

2º - é porque algumas pessoas pensam que lendo a Bíblia em casa e fazendo suas orações não necessitam ir à igreja, pois já têm sua fé e isto basta. Por um lado isto é verdade. A Bíblia nos deixa claro que para ter fé é necessário crer. Mas talvez precisaríamos nos perguntar se é isto que Deus quer de nós. Será que Deus quer apenas que tenhamos fé? Surpreendentemente não é apenas isto que Deus espera de nós. A Bíblia nos fala que o desejo maior de Deus é que todos possam ser "maduros na fé". Que todos nós possamos buscar igualar nosso caráter ao caráter de Cristo: "ATÉ QUE TODOS CHEGUEMOS À UNIDADE DA FÉ E DO CONHECIMENTO DO FILHO DE DEUS, E CHEGUEMOS À MATURIDADE, ATINGINDO A MEDIDA DA PLENITUDE DE CRISTO. O PROPÓSITO É QUE NÃO MAIS SEJAMOS COMO CRIANÇAS, LEVADOS DE UM LADO PARA O OUTRO PELAS ONDAS, NEM JOGADOS PARA CÁ E PARA LÁ POR TODO VENTO DE DOUTRINAS E PELA ASTÚCIA E ESPERTEZA DE HOMENS QUE INDUZEM AO ERRO." (Efésios 4.13-14). Este texto nos ensina duas grandes verdades. A primeira é que o desejo de Deus é que, além de termos fé, nós possamos buscar ser igual ao caráter de Jesus Cristo. E o segundo é que busquemos ser "adultos" em nossa fé, o que significa que o "adulto na fé" sabe qual é a vontade de Deus para a sua vida e o que Ele quer de cada um de nós.

Talvez você esteja se perguntando: o que a igreja tem a ver com isto? Quero explicar brevemente como a igreja nos ajuda a nos tornarmos adultos em nossa fé.

1. Na igreja ouvimos a Palavra de Deus através de outras pessoas: "A FÉ VEM POR SE OUVIR A MENSAGEM, E A MENSAGEM É OUVIDA MEDIANTE A PALAVRA DE CRISTO." Os Cultos, estudos bíblicos, ensino confirmatório, escola dominical, grupos de jovens, reunião de senhoras são formas de ouvir a Palavra de Deus. E esta Palavra nos estimula a refletirmos sobre a nossa própria fé e a fortalecê-la. Ao lermos a Bíblia em casa facilmente podemos selecionar aquilo que nos agrada e aquilo em que queremos crer. Mas quando ouvimos a Palavra de Deus através de outras pessoas Deus fala conosco aquilo que precisamos ouvir para nosso crescimento espiritual.

2. Na igreja também temos uma família: "TAMBÉM OS PREDESTINOU PARA SEREM CONFORME A IMAGEM DE SEU FILHO, A FIM DE QUE ELE SEJA O PRIMOGÊNITO ENTRE MUITOS IRMÃOS." (RM 8.29) E "COMO É BOM E AGRADÁVEL VIVEREM UNIDOS AOS IRMÃOS."(SL 133.1) No momento em que aceitamos em nossa vida Jesus como nosso Senhor e Salvador nos tornamos Filhos de Deus (Jo 1.12-13) e irmãos mais novos de Jesus Cristo tendo Deus como mesmo pai. Portanto agora fazemos parte de uma mesma família. Qual é a família feliz que não quer se encontrar e se visitar? Da mesma forma que nossos pais ficavam e ficam tristes em ver que seus filhos não se dão bem, assim também Deus se entristece quando vê que alguns de seus filhos não querem estar junto com os outros irmãos. A nossa comunhão não depende do outro ser querido ou não, mas daquilo que Deus fez através de Cristo em minha vida e na vida dele.

3. Na igreja temos o privilégio de vivermos como pessoas que compartilham da mesma fé já antecipando a comunhão que teremos no céu junto com Deus. E neste convívio nosso caráter é aperfeiçoado. "SABEMOS QUE CONHECEMOS (JESUS CRISTO), SE OBEDECEMOS AOS SEUS MANDAMENTOS. AQUELE QUE DIZ: "EU O CONHEÇO", MAS NÃO OBEDECE AOS SEUS MANDAMENTOS, É MENTIROSO, E A VERDADE NÃO ESTÁ NELE. MAS SE ALGUÉM OBEDECE À SUA PALAVRA, NELE VERDADEIRAMENTE O AMOR DE DEUS ESTÁ APERFEIÇOADO. DESTA FORMA SABEMOS QUE ESTAMOS NELE: AQUELE QUE AFIRMA QUE PERMANECE NELE, DEVE ANDAR COMO ELE ANDOU." E "ENQUANTO TEMOS OPORTUNIDADE, FAÇAMOS O BEM A TODOS , ESPECIALMENTE AOS DA FAMÍLIA DA FÉ" (GL 4.10). Para exercitarmos o amor é necessário que estejamos próximos, tanto para abençoar, como para ser abençoado.

Somos abençoados e podemos abençoar:

No testemunho - Quando testemunhamos ou ouvimos um testemunho somos fortalecidos vendo que realmente aquilo que estudamos e lemos na Bíblia se concretiza em nossa vida e na vida de nossos irmãos.

Aconselhando uns aos outros (Cl 3.13) - Não nascemos sabendo e precisamos aprender muito nesta vida. Na igreja você encontrará pessoas que podem aconselhá-lo, orientando-o na Palavra de Deus para que você possa ter uma vida mais feliz.

Orando uns pelos outros (Tg 5.16) - Na igreja podemos orar pelos outros e também recebermos oração por nós em um espírito fraterno de intercessão.

Suportando uns aos outros (Cl 3.13) - A vida, por vezes, é bastante dura conosco e somos surpreendidos por todo tipo de problemas que muitas vezes nos desanimam e nos desencorajam a viver. Juntamente aos irmãos da fé você encontrará consolo e conforto.

Exortando uns aos outros (Hb 3.13-14) - Mesmo como cristãos, nem sempre vivemos de acordo com a vontade de Deus. Precisamos uns dos outros para nos ajudar a corrigir nossas deficiências e limitações para amadurecermos na fé. Portanto, se há irmãos na fé, eles poderão ajudá-lo na caminhada e você na deles.

Servindo uns aos outros (1 Pe 4.10) - Aquele que não se dispõe a ajudar seu irmão nada compreendeu a respeito da fé e do amor ao próximo. Quando fazemos isto em grupo, ou seja, na igreja, temos muito mais força e eficiência. É na igreja que desenvolvemos nossas habilidades e dons para servir uns aos outros.

Como nós podemos verificar na Bíblia, ela nos dá motivos de sobra para freqüentarmos a igreja. Ao não fazer isto, o maior prejudicado é você mesmo que estará deixando de compartilhar as bênçãos que Deus tem reservado para seus filhos. Deus já nos deu estes presentes, mas você só os receberá se for buscá-los. Então, não perca tempo: venha se juntar aos irmãos na fé para crescer espiritualmente, com o objetivo de se aperfeiçoar na fé e viver de acordo

sábado, 6 de novembro de 2010

OBJEÇÕES A INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA

Um Estudo Sistemático de Doutrina Bíblica
OBJEÇÕES À INSPIRAÇÃO VERBAL

São muitas e variadas as objeções trazidas contra a inspiração verbal. Não tentaremos notá-las todas, mas tomaremos apenas algumas das mais comuns; confiando que a nossa discussão indique quão razoável e facilmente se possa dispor de toda outra objeção.

Estas objeções concernem:
I. CÓPIAS E TRADUÇÕES FALÍVEIS

1. OBJEÇÃO APRESENTADA

A primeira objeção que consideraremos pode ser apresentada assim: "De que valor é a inspiração verbal das cópias originais da Escritura, uma vez que não temos essas copias originais e desde que a grande maioria do povo deve depender de traduções das línguas originais, traduções que não podem ser tidas como infalíveis?"

2. OBJEÇÃO RESPONDIDA

(1) Esta objeção é correta em sustentar que as traduções das línguas originais da Escritura não podem ser tidas como infalíveis.

Em nenhum lugar Deus indica que os tradutores foram poupados ao erro. Inspiração verbal quer dizer a inspiração das cópias originais da Escritura.

(2) Esta objeção é também correta em afirmar que não temos uma só das cópias originais de qualquer parte da Escritura.

(3) Mas esta objeção não prevalece contra o fato da inspiração verbal: ela só questiona o valor da inspiração.

(4) E a objeção esta errada ao supor que uma cópia admitidamente imperfeita de um original infalível não é melhor do que a mesma espécie de cópia de um original falível.

É mesmo melhor ter uma cópia imperfeita de um original infalível do que ter uma cópia perfeita de um original falível.

(5) A objeção está errada outra vez ao implicar que não temos uma cópia do original substancialmente exata.

Por meio de uma comparação das muitas cópias antigas dos originais da Escritura, a crítica textual progrediu a tal ponto que nenhuma dúvida existe quanto a qualquer doutrina importante da Bíblia. Enquanto que Deus não nos conservou as cópias originais (e Ele deve ter tido boas razões para não fazer assim), Ele nos deu uma tal abundância de cópias antigas, que podemos, com notável exatez, chegar à leitura dos originais.

(6) E o estudo do hebraico e do grego progrediu a tal ponto, e este conhecimento se tornou proveitoso mesmo ao povo comum, de tal modo, que todos podem ficar seguros do significado da língua original em quase todos os casos.
II. SALMOS IMPRECATÓRIOS

Outra objeção se traz contra o que é conhecido por "salmos imprecatórios".

1. OBJEÇÃO APRESENTADA

Diz-se que o salmista "brada indignadamente contra os seus opressores", e que o achamos usando linguagem "que seria imprópria nos lábios do Senhor", linguagem, é-nos dito, em que descobrimos "traços de prejuízo e paixão humanos". Tais são as objeções levantadas por J. Patterson Smith em "How God Inspired The Bible" (Como Deus inspirou a Bíblia).

O objetor esta errado aqui ao assumir que os salmos imprecatórios de Davi expressam o sentimento pessoal de Davi contra os seus inimigos meramente por causa do que eles lhe tinham feito. Davi era o suave cantor de Israel e não se dava a manifestações de amargura e vingança pessoais. Notai sua atitude principesca para com Saul ainda mesmo quando Saul buscou sua vida sem nenhuma lícita razão.

2. CASOS ESPECÍFICOS CITADOS PELO OBJETOR

(1) "Ó Deus, quebra-lhes os dentes nas suas bocas" (Salmos 58:6).

Um estudo deste salmo revela que as palavras supra não se referem aos inimigos pessoais de Davi, mas aos injustos em geral. Davi estava aqui só articulando a indignação d’Aquele que "odeia todos os obradores de iniqüidade" (Salmos 5:5). E notai que aqui nada se diz como de Davi sobre este juízo ser infligido imediatamente. Aqui só temos a sanção inspirada de Davi do julgamento final de Deus sobre os ímpios. Isto está evidente de uma comparação do Salmo 58:9-11 com Apocalipse 19:1-6. Nestas passagens temos a profecia e o seu cumprimento.

(2) "Sejam seus filhos continuamente vagabundos e mendiguem; busquem o seu pão em lugares desolados" (Salmos 109:10).

Atos 1:16 mostra que isto não foi falado dos inimigos pessoais de Davi, mas foi uma expressão profética a respeito de Judas. E Pedro diz que o Espírito Santo falou isso pela boca de Davi. Esta imprecação sobre os filhos de Judas é segundo a própria revelação de Deus, de Si mesmo, como o que visita "a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que O aborrecem" (Êxodo 20:5).

(3) "Ah! Filha de Babilônia, que vai ser assolada; feliz aquele que te retribuir o pago que tu nos pagaste a nós; feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles pelas pedras" (Salmos 137:8,9).

Mas notais que as palavras não são uma oração, nem uma imprecação, mas só e totalmente uma profecia. Então notai que este juízo foi para ser atribuído a Babilônia por causa do modo por que ela tratara Israel. E depois revocai as palavras de Deus faladas através de Balaão: "Abençoado é o que te abençoar e amaldiçoado é o que te amaldiçoar" (Números 24:9), nas quais temos um eco do assegurado a Abraão (Gênesis 27:29).

As palavras de Davi, com aquelas de Isaias (Isaias 13) sobre Babilônia, tem um duplo sentido: referem-se imediatamente à destruição de Babilônia pelos médos (Isaias 13:7), mas remotamente à punição dos ímpios na vinda de Cristo à terra (Isaias 13:9-11; 34:1-18; Zacarias 14:1-7; Apocalipse 19:11-21).

Como agente de Deus, Davi revelou a indignação de Deus contra os ímpios mas, até onde seus próprios sentimentos pessoais diziam respeito, ele tinha somente misericórdia e benevolência para com os seus inimigos pessoais. Recusou molestar o Rei Saul quando ele teve a oportunidade e justificação humana, e após Saul morrer, inquiriu: "Ficou algum da casa de Saul a quem eu possa mostrar bondade?" (2 Samuel 9:1,2,11).

Estes exemplos são suficientes para mostrarem quão inócuas são as objeções dos críticos a respeito dos salmos imprecatórios.
III. AS IMPRECAÇÕES DE NOÉ E O LOUVOR DE DÉBORA

Objeções semelhantes costumam ser trazidas contra a Bíblia por causa da imprecação de Noé sobre Canaã (Gênesis 9:25) e por causa de Débora louvar Jael por assassinar Cisera á traição (Juizes 5:24-31).

A resposta aqui é simples e breve. A Bíblia não justifica nem a Noé nem a Débora pelas expressões mencionadas: recorda meramente o fato que as expressões foram feitas. Verdade é que Noé expressou uma predição verdadeira das nações descendentes do seu filho, mas, que Deus o moveu a expressar a maldição sobre Canaã, ou meramente lhe permitiu expressar a verdade numa explosão de raiva, não está declarado.

A Bíblia, de modo algum sanciona cada palavra e ato nela recordados. Ela recorda as palavras e ações de homens maus, tais como o Rei Saul e Acabe; muitas vezes não dá o seu veredicto sobre eles. Deus revelou sua Lei pela qual todas as ações serão julgadas; portanto, desnecessário foi que Ele devesse atravancar a Bíblia como a apreciação de toda a palavra ou ação arquivada. Inspiração verbal que dizer, simplesmente, que os escolhidos para escreveram a Bíblia foram guardados do erro no que escreveram. Se os seus escritores representam uma convicção sincera de si mesmo, é verdade; mas se o relato de alguma outra pessoa, pode ser verdade ou falso, segundo ele se harmoniza com a Bíblia como um todo.
IV. "CAPÍTULOS OBSCENOS" ASSIM CHAMADOS

É-nos dito então que em certos capítulos da Bíblia "a obscenidade pulula do princípio ao fim".

Em resposta a esta objeção, diz R. A. Torrey: "que há capítulos na Bíblia que não podem ser prudentemente tratados numa audiência mista, não temos o desejo de negar; mas os referidos capítulos não são obscenos. Falar do pecado nos termos mais claros, mesmo do pecado mais vil, para se poder expor sua asquerosidade e para retratar o homem como ele realmente é, não é obscenidade: é pureza numa das suas formas mais elevadas. Se uma historia é ou não obscena, depende inteiramente de como é dita e para que fim é dita. Se se conta uma história para fazer-se caçoada do pecado, ou para coonestar e desculpar o pecado (ou para gratificar a luxuria), é obscena. Se uma história é contada para fazer os homens odiarem o pecado, para mostrar aos homens a hediondez do pecado, para induzir os homens a darem ao pecado tão vasto desprezo quanto possível e mostrar ao homem sua carência de redenção, não é obscena: é moralmente salutar" (Difficulties and Alleged Contradictions and Errors in the Bible).

Se esses capítulos fossem obscenos, eles constituiriam leitura favorita nos antros do vício. Mas alguém alguma vez ouviu gente ruim lendo a Bíblia para seu prazer luxurioso? Ela não tira prazer da leitura da Bíblia, mas faz galhofa com ouvir os comentários obscenos dos críticos. É o critico que é obsceno, não a Bíblia. O coronel Ingersoll opôs-se à Bíblia por revelar ações vis "sem um toque de humor", como se justo fora a Bíblia ter feito uma caçoada do pecado e da imoralidade.
V. VARIAÇÕES NUMÉRICAS

Traz-se uma objeção contra a inspiração verbal por causa de variações numéricas.

A respeito do número dos judeus, achamos que a soma dada em 1 Crônicas 21:5 de Israel é 1.100.000 e para Judá, 470.000, fazendo um total de 1.570.000; ao passo que o número dado em 2 Samuel 24:9 de Israel é 800.000 e de Judá é 500.000, fazendo um total de 1.300.000. Esta discrepância é facilmente explicada por notar-se que o número dado em Crônicas para Israel foi de homens "dos que arrancavam espada", pelo que se entende que havia este número sujeitos ao serviço militar, enquanto que Samuel nos diz que em Israel havia tantos "valentes que arrancavam a espada", pelo que se quer dizer que havia esse número de homens que se distinguiram por bravura em combate atual. A diferença a respeito de Judá foi ocasionada pelo fato de Samuel ter dado o número total de homens em Judá, ao passo que Crônicas da o número de homens sujeitos ao serviço militar.

Em outros lugares, tais como 1 Reis 7:26; 2 Crônicas 4:5; 2 Samuel 8:4 e 1 Crônicas 18:4 as diferenças numéricas são provavelmente devidas a erros de transcrição. Os números se indicam por letras em hebraico e uma pequena alteração de uma letra muda grandemente o seu valor numérico.

Não deverá parecer-nos estranho que as atuais cópias da Bíblia contenham alguns erros menores. Não deverá surpreender-nos qualquer coisa mais que a descoberta de alguns erros de revisão em nossas Bíblias. Não temos mais razão para crermos em copistas infalíveis do que temos para cremos em impressores infalíveis. Verificando a laboriosa tarefa de se copiarem as Escrituras a mão, maravilhoso é que não haja mais erros menores.

Noutro lugar uma diferença numérica (Números 25:9) é para ser explicada como o uso perfeitamente legítimo de números redondos em vez de exatos.
VI. ALEGADO ENGANO DE MATEUS

Alega-se que Mateus atribuiu a Jeremias uma profecia que devera ter sido creditada a Zacarias.

Este suposto engano de Mateus acha-se em Mateus 27:9,10. Aqui Mateus parece citar Zacarias 11:13, mas que isto não é absolutamente certo, parece de uma comparação das duas passagens. Mateus não faz uma citação verbal de Zacarias, portanto não se pode manter com certeza que ele intencionou estar citando de Zacarias. E, enquanto não temos nos escritos disponíveis de Jeremias qualquer passagem que realmente se pareça com a citação de Mateus, estamos longe da necessidade de admitir que Mateus fez um engano. Não sabemos se temos todas as expressões proféticas de Jeremias. Em Judas 14 temos mencionada uma profecia de Enoque que não encontramos em nenhum outro lugar da Bíblia. Não ouvimos de nenhuma objeção ser trazida contra esta passagem. Mas suponde que algum outro escritor na Escritura tivesse dito algo semelhante às palavras atribuídas a Enoque. Então o critico teria dito que Judas se enganou.

Mais ainda, pode ser que os capítulos nono e onze do livro atribuído a Zacarias foram escritos por Jeremias. Muitos críticos crêem que só os belos nove capítulos de Zacarias compõem os escritos atuais deste profeta. Mateus estava em posição muito melhor do que quaisquer dos seus críticos para saber de quem ele estava citando. Supor que ele descuidadamente escreveu Jeremias quando pensou Zacarias, deixando-o sem subseqüente correção, é supor um absurdo. E não há sinal que um copista fez o erro.
VII. SUPOSTO ENGANO DE ESTEVAM

Nossa objeção seguinte a considerar é uma alegada contradição entre Gênesis 23:17,18 e as palavras de Estevam em Atos 7:16.

A isto respondemos:

1. Mesmo que uma contradição pudesse ser feita aqui, nada provaria contra a inspiração, pois Estevam não foi um dos escritores inspirados.

Lucas meramente recorda o que Estevam disse.

2. Mas aqui não aparece contradição.

As duas passagens não se referem à mesma coisa. O sepulcro mencionado no Gênesis estava em Hebron; o mencionado por Estevam estava em Siquem. Isto torna claro que Abraão comprou dois sepulcros. No caso do comprado em Hebron, ele comprou o campo rodeando o sepulcro; mas, no caso do em Siquem, nenhuma menção se faz à compra do campo em redor.

Este último fato explica uma outra alegada contradição. Acusa-se que Gênesis 33:19 refere que Jacó comprou o sepulcro em Siquém. Mas tal coisa não está afirmada em Gênesis 33:19: Diz simplesmente que Jacó comprou o campo na vizinhança de Siquem; e, desde que os ossos de José foram enterrados neste campo, foi neste campo, com toda probabilidade, que se citou o segundo sepulcro de Abraão. Isto também parece do fato de o segundo sepulcro de Abraão e do campo comprado por Jacó pertencerem primeiro aos mesmos donos. Assim, neste último caso temos simplesmente Abrão comprando um sepulcro enquanto que, mais tarde, Jacó compra o campo em que se situou o sepulcro.
VIII. AS GENEALOGIAS DE CRISTO

As duas genealogias de Cristo são tidas como contraditórias. Para estas genealogias vide Mateus 1 e Lucas 3. A explicação aqui é:

1. Mateus dá a genealogia de Jesus por meio de José, porque estava apresentando Jesus como rei dos judeus.

Portanto, ele desejou mostrar o seu direito legal ao trono, o qual exigia que Jesus descendesse de Davi através do Seu (suposto) pai.

2. Lucas dá a descendência de Jesus por meio de Maria, porque estava interessado em apresentar Cristo somente como o Filho do Homem.

Logo, é natural que ele désse a presente descendência humana de Cristo, mais do que Sua descendência suposta e legal; mas, invés de inserir o nome de Maria, Lucas inseriu o nome de José, porque não era costume aparecer os nomes de mulheres nas taboas genealógicas. José é dito ser o filho de Heli, mas, num sentido vago, isto pode significar nada mais senão que José era genro de Heli. Os Targuns nos dizem que Heli era o pai de Maria.

3. Em contrário ao que há pouco se disse sobre a menção de mulheres nas taboas genealógicas, Mateus menciona quatro; mas em cada caso há razão especial para semelhante menção.

John A. Broadus, no seu comentário sobre Mateus, diz do aparecimento dos nomes de Tamar, Raabe e Rute na genealogia de Mateus, e a menção da esposa de Urias (Batséba): "Isto parece ter sido feito porque cada uma das quatro veio a ser mãe na linhagem messiânica num modo irregular e extraordinário, pois em recontar-se uma longa lista de nomes é muito apto a mencionar-se algo desusado que se prende a este ou aquele indivíduo". E é preciso notar que, mesmo em Mateus, estas mulheres são meramente referidas. Os seus nomes não permanecem em lugar do parente paterno. Conseqüentemente, nada há aqui que indique que o costume não justificou a Lucas omitir o nome de Maria na linhagem direta.

4. Uma ulterior dificuldade quanto ao pai de Shealtiel, Mateus dando Jeconias e Lucas dando Néri, é para ser explicada pelo fato que Lucas deu toda a ascendência, ao passo que Mateus deu apenas a linhagem real só até Davi.

Jeconias é o mesmo que Joaquim, um dos últimos reis de Judá.
IX. A INSCRIÇÃO SOBRE A CRUZ

As quatro narrativas da inscrição sobre a cruz têm sido sujeitas a criticas. Mas notemos:

1. Não temos indicações que cada um dos escritores pensou estar dando tudo quanto estava na inscrição.

2. Nem um dos escritores contradiz-se atualmente com os demais.

Podemos ver melhor este fato por arranjar as narrativas da inscrição como segue:

Mateus 27:37 – "Este é Jesus ..................................................... o Rei dos Judeus".

Marcos 15:26 – "......................................................................... o Rei dos Judeus".

Lucas 23:38 – "Este é ................................................................ o Rei dos Judeus".

João 19:19 – ".............................................. Jesus de Nazaré, - O Rei dos Judeus".

Total ................................................. "Este é Jesus de Nazaré, - o Rei dos Judeus".

3. Assim como se requer dos quatro evangelistas que nos dêem um retrato completo de Jesus, assim deles se requer que nos dêem uma relação completa da inscrição sobre a cruz.

Os diferentes aspectos de Jesus e do Seu ministério, conforme estão estabelecidos no Evangelho, indicam-se no seguinte verso:

"Mateus, Messias, o Rei de Israel estabelece-se, morto por Israel; Mas Deus decretou que a perda de Israel fosse o ganho dos gentios. Marcos conta-nos de como em paciente amor esta terra foi uma vez pisada por um, que em forma de servo era contudo o Filho De Deus. Lucas, o médico, conta de um médico ainda mais hábil, O qual deu Sua vida como Filho do Homem, para curar-nos de Todo mal. João, o amado de Jesus, vê nEle o Filho do Pai; o Verbo eterno feito carne, contudo Um com o Pai.

Pode ser que a inscrição diferia nas três línguas, e que isto justifica, em parte, as diferenças nas narrativas.
X. NARRATIVAS DA RESSURREIÇÃO

Objeta-se por causa de supostas contradições nas diferentes narrativas da ressurreição.

1. Mateus menciona somente o aparecimento de um anjo às mulheres no sepulcro (28:2-8), ao passo que Marcos diz que foi um jovem (16:5-7) e Lucas diz que havia dois homens (24:4-8).

Não há contradição aqui. O jovem mencionado por Marcos é evidentemente o anjo mencionado por Mateus. Anjo quer dizer "mensageiro". O mensageiro de Deus às mulheres foi uma aparição sobrenatural na forma de um moço. Um anjo é um espírito e não tem corpo material de si próprio, mas pode assumir um corpo temporariamente.

2. Marcos diz que a mensagem do anjo foi entregue às mulheres depois que elas entraram no túmulo. Mateus não faz menção da entrada no sepulcro.

Mas aqui não há contradição, porque Mateus não diz que as mulheres não entraram no túmulo antes que o anjo deu a mensagem.

3. Lucas menciona os dois homens em pé, enquanto que Marcos menciona o jovem sentado.

Isto se explica facilmente por supor-se que o que falou (e, sem duvida, o outro também) estava sentado quando primeiro visto, e que se levantou, como seria natural, antes de se dirigir às mulheres. Lucas não diz que os dois homens não estavam sentados quando as mulheres entraram no túmulo e Marcos não diz que o seu jovem não se ergueu antes de falar.

4. Lucas diz, ao relatar a mensagem às mulheres: "Eles lhes disseram", ao passo que Marcos diz: "Ele lhes disse".

Um desses homens provavelmente fez a fala; não se assemelhariam a crianças na escola recitando a mensagem em uníssono. Mas o outro concorreu à mensagem. Portanto, o relato de cada escritor é válido. Quando uma pessoa fala e outra entra na conversa, é perfeitamente natural dizer-se que ambas disseram o que está dito.

5. A mensagem dos anjos não está relatada por todos os escritores com as mesmas palavras.

Mas isto não apresenta dificuldade real, porque nenhum deles indica que está dando a mensagem verbalmente.

(João 20:11-13 não está considerado aqui em conexão com o precitado porque recorda uma ocorrência mais tarde).
XI. CHACINA DE NAÇÕES PAGÃS

A ordem concernente à chacina das nações pagãs na terra de Canaã tem dado lugar a uma objeção. Vide Deuteronômio 20:16,17.

1. Deus afirma que punirá os ímpios no inferno por toda a eternidade.

Se Deus tem o direito de fazer isto (e quem o negará?), não terá Ele o direito de ordenar tirar-se-lhes a vida física quando Lhe apraz assim fazer? Por que, então, duvidar que Deus inspirou esta ordem?

2. Foi um golpe de misericórdia cortar esses povos prematuramente em sua iniqüidade, que por mais dias só lhes traria maior castigo no inferno.

Nenhum dos adultos que foram trucidados na sua impiedade foi dos eleitos; porque todos os eleitos que alcançam a responsabilidade vêem a Cristo antes da morte; logo, é verdade que a continuação da vida só podia envolver esses povos em maior castigo.

3. Quanto às crianças entre essas nações, se Deus aprouve levá-las para o céu na sua infância, quem objetaria?

Deus sabe melhor e faz tudo bem. A salvação das crianças que morrem está tratada no capítulo sobre Responsabilidade Humana.
XII. O DIA COMPRIDO DE JOSUÉ

Traz-se objeção porque a Bíblia recorda que um certo dia se prolongou pela parada do sol à ordem de Josué (Josué 10:12-14).

1. Faz-se objeção à linguagem de Josué.

Diz-se que a linguagem de Josué implica que o sol se move, mas isso não é mais verdade do que é verdade a nossa linguagem comum ao falarmos que o sol nasce e se deita, como se ele se movesse. Josué usou simplesmente a linguagem da aparência, como fazemos hoje.

2. Faz-se objeção à autenticidade da ocorrência.

Tem-se dito que semelhante coisa subvertia todo o curso da natureza mas, absurdo como possa parecer aos nossos pseudo-sábios da crítica, Heródoto, o grande historiador grego, conta-nos que os sacerdotes egípcios lhe mostraram o arquivo de um dia comprido (Hist. 2:142). E os chineses tem um arquivo de um dia comprido no reinado de Yeo, que se crê ter sido contemporâneo de Josué.
XIII. JONAS E A "BALEIA"

Diz-se que a baleia não podia ter engolido Jonas. Notaremos primeiro que, quando corretamente traduzida, a Bíblia não diz que foi uma baleia que engoliu Jonas. A palavra grega para baleia em Mateus 12:40 significa simplesmente um "monstro marinho". Por outro lado, notaremos que a idéia de uma baleia não poder engolir um homem é outra pretensão ignorante. No "Cruise of the Cachalot", Frank Bullen caracteriza a idéia que a guela de uma baleia é incapaz de admitir qualquer objeto grande como "um pedaço de crassa ignorância". Ele relata como "um tubarão com quinze pés de comprimento foi achado no estômago de uma baleia" e ele descreve este monstro como "nadando a voga com o queixo inferior pendendo na sua posição normal e sua imensa guela bocejando como alguma caverna submarina". Nisto Jonas podia ter escorregado tão facilmente que a baleia teria ficado escassamente cônscia de sua entrada. Outro testemunho notável do Sr. Bullen é "que quando morrendo, a baleia sempre expulsa os conteúdos do seu estômago" e diz que, quando apanhada e matada, uma baleia de tamanho completo despejou do estômago alimento "em massas de enorme tamanho ... sendo algumas delas calculada terem o porte de nossa chocadeira, isto é, oito pés por seis por seis!" Ainda assim dizem os críticos que a Bíblia está errada! A despeito da asserção confiada dos críticos quereriam ser sábios, que um homem não podia sobreviver à ação do suco gástrico no estômago de um peixe, há casos arquivados de homens serem engolidos por tubarões e saírem vivos. Contudo, desnecessária é uma explicação que o Doador da Vida podia ter conservado Jonas vivo miraculosamente.
XIV. SACRIFÍCIOS ANIMAIS

Na base de Isaías 1:11-13; Jeremias 7:22; Amós 5:21-24; Miquéias 6:6-8 tem-se afirmado que os profetas denunciaram todos os sacrifícios animais e não os reconheceram como sendo de instituição divina. Semelhante noção representa, sem dúvida, os profetas como estando em conflito com o Pentateuco. Para vermos que o Pentateuco representa Deus ordenado sacrifícios animais, temos só de examinar capítulos tais como Êxodo 12; Levítico 4:8,12 e 16.

Em resposta à afirmação que os profetas denunciaram todos os sacrifícios animais e não os reconheceram como sendo de origem divina, notemos:

1. Jeremias fala noutro lugar de sacrifícios como estando entre "às bênçãos coroantes de um dia mais feliz".

Vide Jeremias 33:18. Isto é para se cumprir num dia quando Deus diz que Israel será para Ele "um nome de júbilo, de louvor e glória, perante todas as nações da terra" (Jeremias 33:9). Então Israel não será mais uma nação rebelde, andando em desobediência pertinaz. Farão então as coisas que agradam ao Senhor e uma das coisas que farão, segundo Jeremias 33:18, é oferecer, por meio dos seus sacerdotes, ofertas queimadas e sacrifícios continuamente. Jeremias fala disto com a máxima aprovação.

2. Amós condenou os sacrifícios de Israel só porque juntamente com os seus sacrifícios a Deus tinham levado o tabernáculo de Moloque.

Vide Amós 5:25,26. Com o culto idólatra tinham negligenciado o juízo e a justiça. Por estas razões Deus odiou os seus dias de festa. Vide Ezequiel 20:39. Eram fingimentos hipócritas de respeito por Jeová. Pelas mesmas razões Deus desgostou-se dos seus cânticos. Concluiremos que Deus rejeitou todo cântico?

3. O significado de Jeremias 7:22 é que Deus não falou a Israel primariamente sobre sacrifícios no dia em que o tirou do Egito e que não ordenou sacrifícios como um fim em si mesmos.

Remove-se a dificuldade quando o ponto preciso do texto é reconhecido. A palavra "acerca" deverá ser vertida "com vista à matéria de sacrifícios". Isto é, eles não são o fim contemplado: eram só meios de alcançarem um fim mais elevado; portanto, estavam enganados e errados todos quantos limitaram suas vistas ao sacrifício formal" (Robert Tuck, em A Handbook of Biblical Difficulties).

4. A linguagem dos outros profetas não é mais forte do que a linguagem usada noutros lugares da Escritura, a qual não pode ser manifestamente tomada no absoluto.

Em Êxodo 16:8 Moisés declarou a Israel: "Vossas murmurações não são contra nós, senão contra o Senhor", enquanto que, no verso 2, se diz que os filhos de Israel "murmuraram contra Moisés e Arão". E no Salmo 51:4 Davi disse na sua oração a Deus: "Contra Ti, contra Ti somente pequei e fiz o mal em Tua vista", quando é certo que ele pecara contra Urias. Daí lemos: "É um modo usual de falar da Escritura, para expressar a preferência que se deve a uma coisa sobre outra, em termos que expressam a rejeição daquilo que é menos digno" (Lowth). E outra vez: "Henderson nota sugestivamente que não é infreqüente na Escritura afirmar-se uma coisa absolutamente que é verdadeira só relativamente. Absolutamente Deus ordenou sacrifícios, mas não tais como eles ofereceram, nem de obrigações finais" (Tuck, ibid.). Mais: "A negativa no hebraico muitas vezes supre a falta do comparativo, não excluindo a coisa negada, mas só implicando a pretensão primaz da coisa posta em oposição a ela" (Commentary by Jamieson, Fausset, and Brown).

Correspondendo ao acima, achamos em Oséias 6:6 tanto a cláusula negativa como a comparativa colocadas juntas como para indicar que ambas expressam a mesma verdade. E a última clausula, - "e conhecimento mais do que ofertas queimadas" prove a chave para interpretar-se todas as denunciações dos sacrifícios de Israel.
XV. O ESPÍRITO MENTIROSO NA BOCA DOS PROFETAS DE ACABE

Em 2 Crônicas 18:22 Mica está representando como declarando a Acabe: "O Senhor pós um espírito mentiroso na boca destes teus profetas". Isto faz-nos perguntar se Deus fez este espírito mentiroso estar na boca dos profetas de Acabe. A resposta é que Ele não fez. O recordado aqui, juntamente com uma porção de outras passagens, dá uma forte expressão ao que teve lugar segundo a providência ou propósito permissivos de Deus. Vide discussão da vontade permissiva de Deus no capítulo sobre "A Vontade de Deus". Vide também Isaías 45:7, onde se diz que Deus criou o mal. Isto é para ser explicado da mesma maneira como a passagem precedente.

Esta explicação é reforçada por uma comparação de 2 Samuel 24:1 com 1 Crônicas 21:1. Na primeira passagem se diz que Deus moveu Davi a computar Israel e na última se diz que Satã "provocou Davi a numerar Israel". Deus moveu Davi permissivamente. Todas estas passagens tomadas em conjunto são mutuamente explanatórias.
XVI. CITAÇÕES DO NOVO TESTAMENTO TIRADAS DO VELHO

Levanta-se uma objeção por causa de diferenças verbais entre algumas passagens do Velho Testamento e a citação delas em o Novo.

Mas, como já notamos, em vez disto ser contra a inspiração verbal, é um argumento a favor dela. Se Deus pôs mais sentido nas passagens do Velho Testamento do que a linguagem podia comunicar aos homens, não foi privilégio todo Seu trazer este sentido ao Novo Testamento? Deus tem direito de interpretar Suas próprias palavras. Na verdade, estas citações mostram a profundeza e amplidão da Escritura e assim testemunham de sua inspiração.


Autor: Thomas Paul Simmons, D.Th.
Digitalização: Daniela Cristina Caetano Pereira dos Santos, 2004
Revisão: Charity D. Gardner e Calvin G Gardner, 05/04

OS SETE DEGRAUS DA QUEDA DO APÓSTOLO PEDRO


OS SETE DEGRAUS DA QUEDA DO APÓSTOLO PEDRO

Antes de Pedro tornar-se um apóstolo cheio do Espirito Santo, um pregador ungido e ousado revelou sua fraqueza e chegou ao ponto extremo de negar a Jesus. Sua queda foi vergonhosa, suas lágrimas foram amargas, mas sua restauração foi completa. A queda de Pedro passou por vários estágios. Alistaremos em seguida os sete degraus de sua queda.

1. A AUTOCONFIANÇA ( Lucas 22.33) - Quando Jesus alertou a Pedro acerca do plano de Satanás de peneirá-lo como trigo, Pedro respondeu que estava pronto a ir com ele tanto para a prisão como para a morte.Pedro subestimou a ação do inimigo e superestimou a si mesmo.Ele colocou exagerada confiança no seu próprio "Eu" e ai começou sua derrocada espiritual.

Este foi o primeiro degrau de sua queda.

2. A INDOLÊNCIA ( Lucas 22.45) - O mesmo Pedro que prometeu fidelidade irrestrita a Cristo e disposição de ir com ele para a prisão e para a morte , agora está agarrado no sono no Jardim do Getsêmani no aceso da batalha. Faltou-lhe percepção da gravidade do momento. Faltou-lhe vigilância espiritual. Estava entregue ao sono em vez de estar guarriando com Cristo contra as hostes do mal.

A fraquesa fez Pedro dormir e ao dormir fracassou no teste da vigilância espiritual

3. A PRECIPITAÇÃO ( Lucas 22.50) - Quando os soldados romanos liderados por Judas Iscariostes e pelos principais sacerdotes prenderam a Jesus, Pedro sacou de sua espada e cortou a orelha de Malco. Sua valentia era carnal. Porque dormiu e não orou, entrou na batalha errada com armas erradas e com a motivação errada.

Pedro deu mais um passo na direção da queda. Ele deslizou mais um degrau ruma ao chão.

4. SEGUIR A JESUA DE LONGE ( Lucas 22.54) - Depois que Cristo foi levado para a casa do Sumo Sacerdote, Pedro mergulho nas sombras da noite e seguia a Jesus de llonge.
Sua valentia tornou-se covardia. Seu compromisso de ir com Jesus para a prisão foi quebrada, Sua fidelidade incondicional ao Filho de Deus começou a enfraquecer.

Pedro despenca mais um degrau ruma à fatídica queda!

5. AS MÁS COMPANHIAS ( Lucas 22.55) - Pedro dá mais um passo rumo ao fracasso quando se afasta de Jesus e se aproxima de seus inimigos na casa do Sumo Sacerdote.
Pedro assentou-se na roda dos escarnecedores. Torno-se um como eles. Colocou uma m máscara e tornou-se um discípulo disfarçado no território do inimigo.

Custou-lhe caro, pois foi nesse terreno escorregadio que sua máscara foi arrancada e ssua queda tornou-se mais vergonhosa.


6. A NEGAÇÃO ( Lucas 22.57) - Um abismo chama outro abismo. Uma queda leva a outros tombos. Pedro não consegui manter-se disfarçado no território do inimigo. Logo foi identificado como um seguidor de Cristoe quando interpelado por uma criada, respondeu: " Mulher, não conheço a Cristo ".

Pedro negou sua fé e sue Senhor. Ele quebrou o juramneto de seguir a Cristo até a prisão e até a morte.

O medo dominou a fé e ele caiu vergonhosamente.

7. A BLANFÊMIA ( Marcos 14.71) - Pedro negou a Cristo três vezes. Ele negou na primeira vez ( Mateus 27.70), jurou na segunda vez ( Mateus 27.72) e praguejou na terceira vez ( Mateus 27.74). A boca de Pedro está cheia de praguejamento e blasfêmia e não de votos de fidelidade. Ele caiu das alturas da autoconfiança para o pântano da derrota mais humilhante.



Sua queda não aconteceu num único lance. Foi de degrau em degrau.

Ele poderia ter interrompido essa escalada de fracasso, mas só caiu em si quando estava com a alma coberta de opróbrio e com os olhos cheios de lágrimas amargas.


Não somos melhores do que Pedro.Estamos sujeitos aos mesmos fracassos. A única maneira de permanecermos de pé é colocaarmos nossos olhos em Cristo e dependermos Dele em vez de nos escorarmos no frágil borbão da autoconfiança.


( extraido - Rev. Hernandes Dias Lopes)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Movimentos de "crentes sem Igreja"

Publico com a devida autorização do Pr.Magdiel autor do texto, espero que gostem abraços.



Devido estarmos vivendo uma situação quase que inusitada em nossos dias no que diz respeito à desvalorização e desconfiança nas instituições e denominações evangélicas de uma forma geral por parte de grande parte dos então chamados “crentes”, resolvi pesquisar com mais profundidade esse fato e sobre isso aqui escrevo.
O assunto que desejo abordar aqui e que foi alvo de minhas pesquisas é deveras delicado para muitos irmãos, pois se preocupam em não incomodar ou chatear aqueles que pensam discordantemente. Mas, da mesma forma que emitem uma opinião formada a respeito e a declaram abertamente, devemos também expressar nosso posicionamento diante do quadro que se apresenta, sempre buscando contribuir para um aperfeiçoamento das concepções existentes e a edificação de nossa irmandade.
Penso que a preocupação em não incomodar tem algum sentido mas não pode substituir o bom argumento. Fazer ou pelo menos tentar levar à reflexão sobre a questão de forma respeitosa não é prejudicial, entendo que é uma contribuição valiosa para o crescimento de uma pessoa.
Dito isso, vamos ao assunto em questão.
Semelhantemente a média percentual de crescimento dos chamados “crentes sem igreja” (termo não criado por mim, mas largamente divulgado. Ressalto que o uso desse termo aqui não é da minha parte nenhuma forma de preconceito ou acusação. Não o utilizo de forma pejorativa, apenas o replico para melhor entendimento dos leitores), também cresce o número de crentes que entendem que ter um local de reunião (templo) e ser membro formal de uma denominação ou organização evangélica é uma perda de tempo e mais, muitos entendem que isso é errado e se justificam usando textos bíblicos do início da Igreja Cristã (Igreja Primitiva). Ainda alguns destes observam que a função ou título de pastor é algo prejudicial à Igreja, e que somente existem porque homens o criaram com a intenção de enganar e se aproveitar do povo de Deus.
Acentuam em seus argumentos que muitas pessoas são feridas e magoadas nas igrejas evangélicas e seguindo um raciocínio lógico (segundo eles) portanto a Bíblia ensina que o culto cristão (adoração, louvor, oração, leitura bíblica, pregação, etc...) podem ser realizados individualmente e em sua própria casa. Tornando assim uma inutilidade qualquer tipo de organização formal ou implantação de normas e critérios organizacionais por tais exigidas.
Desta forma, vemos a existência e o surgimento de movimentos que se originam nesta linha de raciocínio de questionamentos e que se disseminam rapidamente entre os que estão sem uma igreja para congregar, seja qual for o motivo para sua saída ou desligamento.
Antes de analisar à luz da Palavra de Deus esse pensamento e argumentos, desejo mencionar mais detalhadamente essas origens de tais movimentos e algumas conseqüências trazidas a vida das pessoas que os aceitam e decidem viver segundo esses ensinamentos:

Origens dos movimentos de “crentes sem igreja”

a) Líderes que ferem.
Essa é uma das razões de muitos crentes não pertencerem mais a uma denominação ou organização evangélica. As feridas causadas por líderes inescrupulosos ou sem a mínima idéia do que é e do que consiste a liderança cristã. Por isso, afastam muitos e prejudicam o andamento da obra de Deus. Líderes que se fazem líderes. Que pensam que liderar é ser “chefe” ou ainda “dono da igreja”. Que para alcançar os alvos estabelecidos não levam em consideração a vida das pessoas, ao contrário, se introduzem sem serem convidados, se metem em questões alheias sem permissão. E mais, nunca entenderam que a liderança ou o pastorado se realiza de forma servil e não como dominadores do rebanho.
Confundem serem ministros de Deus com aqueles que mandam, os que ditam as ordens. Esquecem ou nunca entenderam isso, que mesmo em uma posição de liderança, ouvir as pessoas e principalmente a Deus são fundamentos essenciais ao obreiro cristão. Esquecem que todas as decisões e atitudes a tomar devem sempre levar em consideração a vontade de Deus e conseqüentemente o crescimento do povo que ali se congrega.
Não possuem vocação, discernimento e sabedoria espiritual para liderar. Não compreendem que liderança não se impõe. Querem chefiar e não abençoar. Esquecem que todas as metodologias, conceitos, princípios e dons devem estar encharcados do amor cristão. Que mesmo necessárias, as normas e procedimentos de uma organização não podem e não devem sobrepujar as orientações bíblicas, muito menos possuir o mesmo valor e importância. Que mesmo quando precisarem repreender ou corrigir alguém pela Palavra devem buscar sempre a restauração, a reconciliação e nunca a expulsão ou acusação.
Como distinguir ou discernir quais atitudes tomar? Buscando em Deus a direção. Mas, isso eles não fazem. Dá muito trabalho. Preferem agir por impulso e por motivações equivocadas. São controlados pelos sentimentos e pelos seus próprios interesses. Agem pela paixão, pela ambição desmedida e não através da boa reflexão e meditação bíblicas.
Por isso causam e produzem feridas profundas na alma das pessoas que confiavam em sua liderança ou pastorado e ali estavam por amor a Deus e com desejo imenso de servir a causa de Cristo. Ferem, machucam e afastam da igreja os que ali congregam.

b) Igrejas que ferem
Da mesma forma que líderes podem ferir, grupos (igrejas) também o podem.
Existem igrejas que possuem tipos de governos eclesiásticos que favorecem o surgimento de feridas. São aquelas igrejas que privilegiam uns em detrimento de outros. Que criam classes diferentes e distintas de crentes, como se houvesse uma gradação ou níveis diferentes de importância e valor das pessoas para Deus na igreja. Negligenciam o sacerdócio universal dos crentes e o valor de cada membro da igreja e com isso humilham uns e tornam outros soberbos.
Acabam por ferir as pessoas fazendo com que pensem que são inferiores e que nunca chegarão a entender de verdade as coisas de Deus.
Há também grupos que valorizam demais a democracia na igreja e esquecem que a forma bíblica de governo é a Teocracia. A democracia deve estar sujeita a teocracia. Senão a igreja torna-se um grupo governado por normas e procedimentos muitas vezes desvinculados das Escrituras e por vezes com diretrizes que possuem o mesmo peso e até mais que a Palavra de Deus.
Isso faz com que muitos sejam feridos pelo não cumprimento fiel dos Estatutos, das Normas e Procedimentos criados pela organização e não pela desobediência ou rebeldia à Palavra de Deus. Ao contrário, se a Palavra fosse aplicada com fidelidade muitas normas e procedimentos não seriam necessários e seriam abolidos definitivamente por temor a Deus.
Muitas exclusões por descumprimento de normas e procedimentos estatutários seriam substituídas pelo tratamento bíblico das enfermidades espirituais e pela busca amorosa e dedicada a ovelha perdida.
Mas, essas igrejas preferem o caminho mais curto e mais rápido. Tratar o doente espiritual dá muito trabalho, exige dedicação e esforço. É muitas vezes demorado e cansativo. É imprescindível amor e abnegação pessoal.
É melhor expulsar o doente do hospital e deixá-lo se tratar sozinho. “Ele que se vire”. “Um rebelde a menos”, diriam muitos.
Por isso muitos são feridos quase que mortalmente nessas igrejas e se afastam de “seus irmãos”.

c) Problemas de Relacionamentos
Muitas vezes as razões ou motivos que levaram alguém a se afastar e não mais congregar em uma igreja evangélica foram os problemas que essas pessoas tiveram com relação aos relacionamentos interpessoais naquela comunidade cristã.
Pessoas que não somente na igreja, mas em todos os outros locais que convivem, tem problemas nessa área. Ainda não conseguiram aprender a conviver em grupo e não assimilaram as lições que a própria vida lhes proporcionaram.
Talvez pelo temperamento explosivo e sua incapacidade de perceber quando está sendo inconveniente, acabam criando polêmicas desnecessárias e contendas inúmeras (falam muito, sem sabedoria nesse falar e normalmente em momentos errados). Alguns desejam se sobressair aos demais e também provocam situações de confronto e conflitos de toda ordem.
Tornam o ambiente e a sua permanência em um grupo, quase que insuportável para si. Por fim, quando não conseguem satisfazer seus anseios de centralizar a atenção e expor suas idéias e não encontram compreensão para suas atitudes impensadas, se afastam e não mais retornam.
Outros pela própria imaturidade não conseguem construir relacionamentos sólidos de amizade e irmandade, pois estes relacionamentos exigem muitas vezes o ouvir e o respeitar o espaço de outros e isso é muito difícil para estes.
Ainda, não admitem se submeter a nenhum tipo de autoridade, seja ela familiar, profissional ou espiritual. Vive com problemas constantes com relação a isso.
E assim, preferem desistir de congregar e culpam a congregação pela sua incapacidade de viver em grupo.

d) Ausência de Conversão Genuína
Muitos se afastam das igrejas porque nunca fizeram parte dela de verdade. Ali se encontravam porque de alguma forma, seus anseios e desejos estavam sendo satisfeitos. Havia algo que os agradava muito e por isso freqüentavam aquele local e participavam da vida daquela comunidade cristã regularmente.
Mas, quando, por alguma razão, aquilo que os agradava foi modificado para algo que não os agradava, foi o que bastou para abandonar a igreja e procurar uma outra que trouxesse a satisfação perdida.
Chamo isso de “mentalidade de clube”.
Esses permanecem enquanto nada os incomoda. Se algo incomodou ou mexeu com questões e assuntos que não desejam que Deus “toque”, são enfáticos em afirmar que não fazem mais parte daquele grupo. Essa mentalidade têm afastado muitos.
Porém, nesse caso esses sempre estiveram afastados de Deus, mesmo que participantes ou membros de uma igreja evangélica.
Não entenderam o Evangelho de Cristo. Ainda não foram alcançados por ele. Devem ser alvos de nossa oração, intercessão e evangelismo.

Conseqüências dos movimentos de “crentes sem igreja”

1. O primeiro impacto é a enganosa impressão de independência e liberdade de todo e qualquer “jugo” denominacional. Não há regras ou normas a se cumprir. Entendem isso como a verdadeira liberdade que Cristo nos proporciona. Estão livres para servir a Deus é a frase que mais se ouve entre os “sem igreja”.
Essa sensação de leveza com o tempo vai sendo minada e substituída pela sensação de solidão. Mesmo com a disposição e muita disciplina pessoal para realizar um culto em casa individual ou com algumas pessoas, a ausência da vida em congregação traz uma saudade e uma nostálgica impressão de isolamento que com o passar do tempo percebe-se que não é apenas uma impressão mas uma realidade interna que traz angústia e tristeza.

2. Uma segunda conseqüência inicial é de que, como não há a necessidade de retorno a vida cristã de forma congregacional, não é também necessário se preocupar com o que foi constatado estar errado na sua vida. Não é preciso conserto algum, pois tudo era errado e agora tudo está de acordo com as Escrituras, portanto por que consertar os erros do passado?
Os problemas de relacionamento ocorridos, a falta de perdão ao próximo e temor a Deus, a ausência de amor pelos irmãos, o orgulho, a arrogância, a rebeldia, etc... Não é preciso mais “mexer” nisso. Tudo fica resolvido, somente não indo mais àquele lugar.
Mas, não é isso que a Bíblia nos ensina. A reconciliação, restauração, o conserto, são itens obrigatórios à vida cristã de todo salvo em e por Cristo.

3. Uma terceira conseqüência advinda deste pensamento dos “sem igreja” é a de esfriamento espiritual. Como não há mais o contato semanal com o restante do rebanho também não há o partilhar de idéias, experiências, bênçãos e dificuldades. Como não há o congregar, também fica mais difícil usar com perfeição os dons e talentos doados por Deus como: ensinar, exortar, servir, etc... Como não há mais a necessidade de estar juntos, também não há mais a refeição congregacional na forma de pregação e ensino sistemáticos da Palavra.
Mesmo com toda disposição em buscar isso de outras formas (DVDs, CDs, programas de TV ou literatura), não são a mesma coisa. Vemos essa busca claramente no âmbito da internet com o surgimento e o crescimento das redes sociais cristãs, onde as pessoas buscam interagir com outros irmãos incessantemente. Mas, com o tempo chegam a conclusão que falta o contato humano, falta o calor humano, falta o calor do rebanho. A conseqüência natural com o tempo é de esfriamento espiritual, e depois, muitas vezes a queda.

4. Outra conseqüência marcante para os “sem igreja” é a perda da benção de Deus que se manifesta na participação no culto e na vida da comunidade cristã. Quem não reconhece que nos momentos em que a congregação está adorando e louvando a Deus existe um ambiente todo especial proporcionado pelo Espírito? Quem não reconhece que no ensino (EBD, estudos bíblicos...) existe um mover de Deus singular? Quem não reconhece e admite que a pregação da Palavra em forma de sermão pregado a congregação não traz um ingrediente a mais em nossa vida?
Quem não reconhecer e admitir isso, talvez nunca tenha realmente participado integralmente da vida em congregação ou em uma comunidade cristã. Mas creio que a grande maioria entende o que estou dizendo.

5. Outra conseqüência é construir um argumento baseado na idéia de que toda forma que a Igreja buscou para melhorar a praticidade de suas reuniões (cultos) e acomodar melhor sua congregação é errada. Toda forma de templo é prejudicial. A forma correta são casas ou ainda praças, no monte ou na rua.
Isso é uma bobagem sem tamanho. Os templos ou salões usados para realização dos cultos cristãos são simplesmente uma forma prática e objetiva de acomodar a quantidade de pessoas em um só local. Ali é preparada toda uma estrutura para que as pessoas possam aprender e ensinar. Não há nada de prejudicial nisso, diria que é uma metodologia inteligente.
Nada contra cultuar a Deus em casa, em praças, nas ruas, em montes, etc... Eu diria que uma coisa complementa a outra, ou seja, não são excludentes.

Há outras conseqüências que podemos perceber claramente na vida dos que pertencem a esses movimentos dos “sem igreja”, mas, penso no momento, ser o bastante.
É comum conversar com pessoas que me confidenciam essas conseqüências em suas vidas, originadas da aceitação de que se pode viver bem e em paz com Deus longe da vida em congregação com seus irmãos. Que se pode cultuar e servir a Deus de forma isolada e sem o partilhar regular com um grupo de crentes. Ledo engano.
Descobriram o equívoco e hoje buscam não cometê-lo mais.

Análise da questão à Luz da Palavra de Deus

1. Ajuntamento vs. Isolamento
Seguindo o que nos revelam as Escrituras vemos que Deus desde a criação se preocupou em nos mostrar que o isolamento não é sua vontade para a humanidade. Quando criou o homem (Adão) e tudo ao seu redor, viu que não era bom que permanecesse só (Gen. 2:18), e então criou a mulher (Eva). A ordem para multiplicar não foi simplesmente para crescer quantitativamente mas um crescimento dirigido para a vivência em comunidades, em grupos. E historicamente observamos que os povos assim o fizeram.
Quando vemos Deus fazer a promessa a Abraão de fazer dele uma grande nação (Gen. 12: 1-3), e da escolha de Deus por um povo específico como sendo o Seu povo, encontramos mais uma vez a indicação de que a vontade de Deus é desse povo estar em unidade, ou seja, juntos.
Observamos em todo o AT essa orientação divina sempre ajuntando o povo, sempre reunindo a nação, e não encontramos nenhuma orientação de Deus para que pessoas isoladamente e a só representassem nisso o propósito e o objetivo de Deus para Seu povo.
Desde os primórdios da criação, passando pela libertação do jugo egípcio e babilônico, da época dos reis e juízes e por fim, da narrativa bíblica acerca dos profetas, não encontramos a orientação para nos isolarmos ou cultuarmos a Deus somente individualmente, do contrário, há uma enorme quantidade de orientações e exemplos de culto a Deus coletivo, como povo, como nação.
Quando então adentramos o terreno do NT, observamos que essa indicação torna-se muito mais concreta e objetiva em Cristo e após com seus discípulos. Os termos agora usados para o povo de Deus tornam-se muito mais íntimos e fraternos. Destacam-se os termos: família de Deus, Corpo de Cristo, Assembléia dos santos, e outros (Gál. 6:10; 1 Cor. 12: 27; Col. 1: 19), mostrando claramente o princípio de “estar juntos”, de congregação, de comunidade cristã, de fraternidade cristã.
Ao examinarmos o livro de Atos percebemos que ali se inicia o período da Igreja sendo organizada, e nas cartas do NT vemos a expansão e fundação de novas igrejas, fruto do trabalho missionário, principalmente de Paulo.
A história da Igreja mostra que os irmãos iniciaram suas reuniões (cultos) nas casas, praças e no pátio do templo judaico. Com a perseguição, tiveram que se esconder e se reunir nos cemitérios subterrâneos e em locais ermos. Com o tempo, passaram a construir locais para culto, os então chamados templos cristãos, que foram aperfeiçoados e melhor estruturados para receber os crentes para o culto de adoração a Deus.
Sempre a idéia e a indicação de ajuntamento, de grupo, permeiam toda essa trajetória.
Por quê? Porque a vontade de Deus é que haja um partilhar de vidas entre seu povo (Atos 2: 42-46), na Sua Igreja. Deus deseja seus filhos juntos, unidos e partilhando de suas experiências, dificuldades, problemas, bênçãos e suas virtudes. Deus deseja através dessa união, a edificação dos seus, e o crescimento da Igreja. Para tanto, é necessária a vida em comunidade. É necessário o contato humano, o calor humano. É desta forma que os dons são utilizados para a edificação do Corpo e que os crentes são aperfeiçoados em Cristo (1 Cor. 12; Ef. 4:1-16).
A vontade de DEUS é que vivamos como família e não como eremitas espirituais.

2. Templos: Idéia Humana ou Criação Divina
Paralelamente a idéia de ajuntamento que já abordei anteriormente, vê-se também a idéia de um local para agregar as pessoas que irão cultuar a Deus.
Basta uma leitura atenta da Bíblia para perceber que desde o AT, Deus mostra que não é contrário a existência de um local para seu culto. Local esse que possa reunir um número muito maior do que poderia se conseguir em um culto em uma casa comum ou em um local não construído ou preparado para tal.
Mesmo quando o povo estava peregrinando pelo deserto, Deus instituiu e orientou a construção de um local provisório (pois era erguido somente quando paravam a caminhada), chamado de Tabernáculo, onde aconteciam as cerimônias concernentes ao culto na época (Êx. 26:30; 40:2).
Quando o povo de Deus se estabeleceu e cresceu, Deus não rejeitou a idéia da construção de um templo, ao contrário incentivou e orientou em todos os detalhes para a concretização do projeto, visualizado por Davi, mas consumado por Salomão (1 Reis 6-8).
E o templo foi no AT utilizado em todos os momentos de culto sob a orientação direta de Deus, com orientação clara aos sacerdotes e aos que o usavam regularmente.
A História da Igreja mostra que com a organização e crescimento desta, foram construídos templos e locais de culto seguindo o princípio largamente usado no AT: um local onde se centralizava (mas não se esgotava, pois sabemos que a adoração não se limita ao templo, mas segue constante e individualmente (João 4: 23,24)) o culto a Deus por seus seguidores, por seus filhos.
Hoje, isso ainda é tremendamente importante, pois, além do culto individual, todo cristão deve ter um local onde de forma congregacional adora, louva e serve ao seu Senhor, e se reúne com seus irmãos (Hebr. 10:25).
Não sacralizamos o templo, mas o consideramos importante para a vida da Igreja.
Vemos então que a idéia de templos não é humana. É uma criação do Deus da Igreja.

3. Os Líderes (o pastor) segundo a Bíblia
Aqui nos detemos principalmente no NT.
Mesmo com todas as orientações e exemplos de pessoas que Deus escolheu para liderar Seu povo no AT, é no NT que encontramos maior respaldo e fundamento para a liderança cristã.
Nesse contexto, encontramos os dons espirituais. Veja que há dons espirituais específicos para liderança nas listas que a Bíblia nos revela. Os principais são: apóstolo, profeta, pastor, mestre e evangelista (Ef. 4:11). Restringindo-nos ao dom de pastor especificamente, descobrimos então que biblicamente pastor não é título ou cargo, é um dom espiritual dado a certos crentes para poderem exercer a função (o ministério, o serviço) de apascentar, pastorear o povo de Deus.
Na narrativa bíblia e na história da Igreja foi também usado o termo presbítero para se referir à pessoa com dom para pastorear, para liderar um grupo de crentes.
Desta forma, a Igreja respeitando essa orientação e indicação bíblica, separa essa pessoa e a delega autoridade para liderar. Por isso deve ser respeitada, não por ser melhor que outros irmãos, mas sim pela missão que a ela é delegada por Deus (Hebr. 13: 7, 17)
Os maus exemplos não devem ser usados para generalizar de forma pejorativa os que permanecem fiéis a Deus em seus ministérios. Do contrário, os fiéis devem ser dignos de duplicata honra (1 Tm. 5:17; 1 Tess. 5: 12,13).

Considerações Finais

Claro que não esgotei o assunto, mas diante do exposto, penso que a Igreja Cristã deve buscar uma reforma urgente que inclua principalmente os seguintes aspectos:

1. Efetuar uma auto-análise honesta na sua forma de administrar (governo) uma comunidade cristã e na sua metodologia preparatória (preparo, formação e capacitação) para os novos obreiros.
Para tanto um retorno a currículos exclusivamente bíblicos e com disciplinas extremamente fiéis as Escrituras e pertinentes ao trabalho de liderança pastoral nos Seminários e Faculdades Teológicas deve ser prioritário. Isso aliado a uma organização que considera atentamente a maneira bíblica de governo e administração eclesiástica fundamentadas nos princípios e valores de Deus já revelados, sem ceder a pressões antropocêntricas e desvinculadas dos ideais do Evangelho de Cristo são muito relevantes nesse processo de reforma.

2. Reconhecer que vivemos a realidade de um fato histórico importante que são “os movimentos de crentes sem igreja” e buscar biblicamente formas de alcançá-los e trazê-los novamente ao convívio dos seus irmãos, sem contudo, acusá-los ou condená-los. Não deve existir o confronto inútil do debate de acusações ou as pressões e imposições que somente contribuem para o acirramento dos ânimos e a afloramento da revolta.
Deve existir a comunicação concreta do amor cristão expresso em forma de compreensão e auxílio, mesmo que a princípio, isso não surta o efeito desejado. Sempre a restauração e a reconciliação devem ser o alvo. É uma pessoa, um irmão que ali está. E deve ser amado e respeitado, mesmo que entendamos que corre sério perigo estando distante dos demais.

3. Retornar a fidelidade doutrinária, ao amor a Palavra e aos bons costumes. Isso significa voltar a ter uma postura de busca pela profundidade bíblica e pela boa tradição, aplicando-a aos processos e questões da vida da Igreja e ao nosso dia-a-dia. Ouvir o clamor dos que sempre compreendem a Igreja como sendo aquilo que Deus a instituiu, ou seja, a Embaixadora de Cristo, seria muito importante e essencial a todos nós que fazemos parte dessa Igreja hoje.

Louvado seja Deus, o Senhor da Igreja.

Pr. Magdiel G Anselmo.