quarta-feira, 23 de novembro de 2011

MALES DA TEOLOGIA LIBERAL

MALES DA TEOLOGIA LIBERAL

O início, segue pelas idéias do iluminismo que partiu da mudança de paradigma para se determinar a verdade: da Fé para a Razão. O iluminismo, então questionava o próprio Catoliscismo Romano com suas idéias infundadas sobre Geocentrismo, e valor das escrituras para determinar a verdade. No entanto, não foi de todo mal, já que, Erasmo de Roterdã, Oecolampad, Lutero, entre outros, valeram-se de suas idéias de Liberdade de Conciencia para questionar o Catolicismo e fincar a bandeira da Reforma na Europa.

Teologia Liberal - Teologia liberal (ou liberalismo teológico) foi um movimento teológico cuja produção se deu entre o final do século XVIII e o início do SÉCULO XX. Relativizando a autoridade da Bíblia, o liberalismo teológico estabeleceu uma mescla da doutrina bíblica com a filosofia e as ciências da religião. Ainda hoje, um autor que não reconhece a autoridade final da Bíblia em termos de fé e doutrina é denominado, pelo protestantismo ortodoxo, de "teólogo liberal".

Oficialmente, a teologia liberal se iniciou, no meio evangélico, com o alemão Friedrich Schleiermacher(1768-1834), o qual negava essa autoridade e igualmente a historicidade dos milagres de Cristo. Ele não deixou uma só doutrina bíblica sem contestação. Para ele, o que valia era o sentimento humano: se a pessoa "sentia" a comunhão com Deus, ela estaria salva, mesmo sem crer no Evangelho de Cristo.

Meio século depois de Schleiermecher, outro teólogo questionou a autoridade Bíblica, Albrecht Ritschl (falecido em 1889). Para Ritschl, a experiência individual vale mais que a revelação escrita. Assim, pregava que Jesus só era considerado Filho de Deus porque muitos assim o criam, mas na verdade era apenas um grande gênio religioso. Negou assim sistematicamente a satisfação de Cristo pelos pecados da humanidade, Pregava que a entrada no Reino de Deus se dava pela prática da caridade e da comunhão entre as pessoas, não pela fé em Cristo.

Ernst Troeschl (falecido em 1923) foi outro destacado defensor do liberalismo teológico. Segundo ele, o cristianismo era apenas mais uma religião entre tantas outras, e Deus se revelava em todas, sendo apenas que o cristianismo fora o ápice da revelação. Dessa forma, tal como Schleiermacher, defendia a salvação de não-cristãos, por essa alegada "revelação de Deus" em outras religiões.

TEOLOGIA LIBERAL ... e suas implicações para a fé bíblica


Do jeito que as coisas andam em nossos dias, precisamos urgentemente nos libertar da teologia liberal. É espantoso o crescente número de livros (inclusive publicados por editoras evangélicas) que esboçam os ensinamentos deste tipo de teologia ou tecem comentários favoráveis. Embora esta teologia tenha nascido com os protestantes, hoje, porém, seus maiores expoentes são os católicos romanos. Na católica encontramos grande quantidade de obras defendendo e/ou propagando a teologia liberal. E não é só isso. A forma com que alguns seminários e igrejas vêm se comprometendo com os ensinos desta teologia também é de impressionar.

A libertação da teologia liberal não só é necessária como também é vital para a Igreja brasileira, ameaçada pelo secularismo e pelo liberalismo teológico corrosivo.

Apesar das motivações iniciais dos modernistas, suas idéias, no entanto, representaram grave ameaça à ortodoxia, fato já comprovado pela história. O movimento gerou ensinamentos que dividiram quase todas as denominações históricas na primeira metade deste século. Ao menosprezar a importância da doutrina, o modernismo abriu a porta para o liberalismo teológico, o relativismo moral e a incredulidade descarada. Atualmente, a maioria dos evangélicos tende a compreender a palavra “modernismo” como uma negação completa da fé. Por isso, com facilidade esquecemos que o objetivo dos primeiros modernistas era apenas tornar a igreja mais “moderna”, mais unificada, mais relevante e mais aceitável em uma era caracterizada pela modernidade.

Mas o que caracterizaria um teólogo liberal? O verbete sobre o “protestantismo liberal” do Novo Dicionário de Teologia, editado por Alan Richardson e John Bowden, nos traz uma boa noção do termo. Vejamos três destaques de elementos do liberalismo teológico:

1- É receptivo à ciência, às artes e estudos humanos contemporâneos. Procura a verdade onde quer que se encontre. Para o liberalismo não existe a descontinuidade entre a verdade humana e a verdade do cristianismo, a disjunção entre a razão e a revelação. A verdade deve ser encontrada na experiência guiada mais pela razão do que pela tradição e autoridade e mostra mais abertura ao ecumenismo;

2- Tem-se mostrado simpatia para com o uso dos cânones da historiografia para interpretar os textos sagrados. A Bíblia é considerada documento humano, cuja validade principal está em registrar a experiência de pessoas abertas para a presença de Deus. Sua tarefa contínua é interpretar a Bíblia, à luz de uma cosmovisão contemporânea e da melhor pesquisa histórica, e, ao mesmo tempo, interpretar a sociedade, à luz da narrativa evangélica;

3 - Os liberais ressaltam as implicações éticas do cristianismo. O cristianismo não é um dogma a ser crido, mas um modo de viver e conviver, um caminho de vida. Mostraram-se inclinados a ter uma visão otimista da mudança e acreditar que o mal é mais uma ignorância. Por ter vários atributos até divergentes, o liberal causa alergia para uns e para outros é motivo de certa satisfação, por ser considerado portador de uma mente aberta para o diálogo com posições contrárias.

As grandes batalhas causadas pelo liberalismo foram travadas dentro das grandes denominações históricas. Muitos pastores que haviam saído dos EUA no intuito de se pós-graduarem nas grandes universidades teológicas da Europa, especificamente na Alemanha, em que a teologia liberal abraçava as teorias destrutivas da Alta Crítica produzida pelo racionalismo humanista, acabaram retornando para os EUA completamente descrentes nos fundamentos do cristianismo histórico. Os liberais, devido à tolerância inicial dos fiéis para com a sã doutrina, tiveram tempo de fermentar as grandes denominações e conseguiram tomar para si os grandes seminários, rádios e igrejas, de modo que não sobrou outra alternativa para grande parte dos fundamentalistas senão sair dessas denominações e se organizar em novas denominações. Daí surgiram os Batistas Regulares (que formaram a Associação Geral das Igrejas Batistas Regulares, em 1932), os Batistas Independentes, as Igrejas Bíblicas, as Igrejas Cristãs Evangélicas, a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (em 1936, que mudou seu nome para Igreja Presbiteriana Ortodoxa), a Igreja Presbiteriana Bíblica (em 1938), a Associação Batista Conservadora dos Estados Unidos (em 1947), as Igrejas Fundamentalistas Independentes dos Estados Unidos (em 1930) e muitas outras denominações que existem ainda hoje.

Podemos dizer que algumas das características do cristianismo ortodoxo se baseiam nos seguintes pontos:

• Manter fidelidade incondicional à Bíblia, que é inerrante, infalível e verbalmente inspirada;

• Acreditar que o que a Bíblia diz é verdade (verdade absoluta, ou seja, verdade sempre, em todo lugar e momento);

• Julgar todas as coisas pela Bíblia e ser julgado unicamente por ela;

• Afirmar as verdades fundamentais da fé cristã histórica: a doutrina da Trindade, a encarnação, o nascimento virginal, o sacrifício expiatório, a ressurreição física, a ascensão ao céu, a segunda vinda do Senhor Jesus Cristo, o novo nascimento mediante a regeneração do Espírito Santo, a ressurreição dos santos para a vida eterna, a ressurreição dos ímpios para o juízo final e a morte eterna e a comunhão dos santos, que são o Corpo de Cristo.

• Ser fiel à fé e procurar anunciá-la a toda criatura;

• Denunciar e se separar de toda negativa eclesiástica dessa fé, de todo compromisso com o erro e de todo tipo de apostasia;

• Batalhar firmemente pela fé que foi concedida aos santos.

Contudo, o liberalismo, em sua apostasia, nega a validade de quase todos os fundamentos da fé, como, por exemplo, a inerrância das Escrituras, a divindade de Cristo, a necessidade da morte expiatória de Cristo, seu nascimento virginal e sua ressurreição. Chegam até mesmo a negar que existiu realmente o Jesus narrado nas Escrituras. A doutrina escatológica liberal se baseia no universalismo (todas as pessoas serão salvas um dia e Deus vai dar um jeito até na situação do diabo) e, conseqüentemente, para eles, não existe inferno e muito menos o conceito de pecado. O liberalismo é um sistema racionalista que só aceita o que pode ser “provado” cientificamente pelos próprios conhecimentos falíveis, fragmentados e limitados do homem.

Os primeiros estudiosos que aplicaram o método histórico-crítico sem critérios ao estudo das Escrituras negavam que a Bíblia fosse, de fato, a Palavra de Deus inspirada. Segundo eles, a Bíblia continha apenas a Palavra de Deus.

O liberalismo teológico tem procurado embutir no cristianismo uma roupagem moderna: pegam as últimas idéias seculares e, sorrateiramente, espalham no mundo cristão. J.G. Machem, em seu livro Cristianismo e liberalismo, trata deste assunto com maestria. Na contracapa, podemos ver uma pequena comparação entre o cristianismo e o liberalismo: “O liberalismo representa a fé na humanidade, ao passo que o cristianismo representa a fé em Deus. O primeiro não é sobrenatural, o último é absolutamente sobrenatural. Um é a religião da moralidade pessoal e social, o outro, contudo, é a religião do socorro divino. Enquanto um tropeça sobre a ‘rocha de escândalo’, o outro defende a singularidade de Jesus Cristo. Um é inimigo da doutrina, ao passo que o outro se gloria nas verdades imutáveis que repousam no próprio caráter e autoridade de Deus”.

Muitos, por buscarem aceitação teológica acadêmica, têm-se comprometido fatalmente, pois, na prática, os liberais tentam remover do cristianismo todas as coisas que não podem ser autenticadas pela ciência. Sempre que a ciência contradiz a Bíblia, a ciência é preferida e a Bíblia, desacreditada.

Hoje, a animosidade que demonstram para com a Bíblia tem caracterizado aqueles que crêem que ela é literalmente a Palavra de Deus e inerrante (sem erros em seus originais) como “fundamentalistas”.1 Ora, podemos por acaso negociar o inegociável?

Os liberais acusam os evangélicos de transformar a Bíblia em um “papa de papel”, ou seja, em um ídolo. Com isso, culpam os evangélicos de bibliolatria.2 Estamos cientes de que tem havido alguns exageros por parte de alguns fundamentalistas evangélicos, mas a verdade é que os “eruditos” liberais têm-se mostrado tão exagerados quanto muitos do que eles denominam de fundamentalistas. Teoricamente falando, a maioria dos liberais acredita em Deus, supondo que Ele pode intervir na história da humanidade, porém, na prática, e com freqüência, mostram-se muito mais deístas.3 Normalmente, os liberais também favorecem o “relativismo”, ou seja, difundem que no campo da verdade não há absolutos. Segundo este raciocínio, se não há verdades absolutas, então, as verdades da Bíblia (que são absolutas) são relativas, logo, não podem ser a Palavra de Deus. Tendo rejeitado a Bíblia como a infalível Palavra de Deus e aceitado a idéia de que tudo está fluindo, o teólogo liberal afirma que não é segura qualquer idéia permanente a respeito de Deus e da verdade teológica.

Levando o pensamento existencialista às últimas conseqüências, conclui-se que: se quisermos que a Bíblia tenha algum valor para a modernidade e fale ao homem moderno, temos de criar uma teologia para cada cultura, para cada contexto, onde nenhum ensino é absoluto, mas relativo, variando conforme o contexto sociocultural. Obviamente, tal pensamento possui fundamento em alguns pontos, mas daí ao radicalismo de pregar que nada é absoluto, isso já extrapola e fere diversos princípios bíblicos.

Raízes

O liberalismo teológico começou a florescer de forma sistematizada devido à influência do racionalismo de Descartes e Spinoza, nos séculos 17 e 18, que redundou no iluminismo.4 O liberalismo opunha-se ao racionalismo extremado do iluminismo.

Na verdade, quando a igreja começa a flertar com o liberalismo e se render aos seus interesses, ela perde sua autoridade e deixa de ser embaixadora de Deus. A história tem provado que onde o liberalismo teológico chega a Igreja morre. Este é um aviso solene que deve estar sempre trombeteando em nossos ouvidos.

A baixa crítica

Conforme Gleason L. Archer Jr, “a ‘baixa crítica’ ou crítica textual se preocupa com a tarefa de restaurar o texto original na base das cópias imperfeitas que chegaram até nós. Procura selecionar as evidências oferecidas pelas variações, ou leituras diferentes, quando há falta de acordo entre os manuscritos sobreviventes, e pela aplicação de um método científico chegar àquilo que era mais provavelmente a expressão exata empregada pelo autor original”.5

A alta crítica

J. G. Eichhorn, um racionalista germânico dos fins do século 18, foi o primeiro a aplicar o termo “alta crítica” ao estudo da Bíblia. E, por esse motivo, ele tem sido chamado de “o pai da crítica do Antigo Testamento”. Segundo R. N. Champlin, “a ‘alta crítica’ aponta para o exame crítico da Bíblia, envolvendo qualquer coisa que vá além do próprio texto bíblico, isto é, questões que digam respeito à autoria, à data, à forma de composição, à integridade, à proveniência, às idéias envolvidas, às doutrinas ensinadas, etc. A alta crítica pode ser positiva ou negativa em sua abordagem, ou pode misturar ambos os pontos de vista”.6 Mas o que temos visto na prática é que esta forma de crítica tem negado as doutrinas centrais da fé cristã, em nome da ciência, da modernidade e da razão. O que fica evidente é que alguns críticos partem com o intuito de desacreditar a Bíblia, devido a alguns pressupostos naturalistas, chegando ao cúmulo de dizer que a Igreja inventou Jesus.

Conforme Norman Geisler “a alta crítica pode ser dividida em negativa (destrutiva) e positiva (construtiva). A crítica negativa, como o próprio nome sugere, nega a autenticidade de grande parte dos registros bíblicos. Essa abordagem, em geral, emprega uma pressuposição anti-sobrenatural”.7

Métodos aplicados a qualquer tipo de literatura passaram a ser aplicados também à Bíblia, com grandes doses de ceticismo (no que diz respeito à validade histórica e à integridade de seus livros), com invenções de entusiastas que tinham pouca base nos fatos históricos. Assim, onde vemos nas narrativas da Bíblia fatos sobrenaturais esta teologia lhes confere interpretações naturais, retirando da Palavra de Deus todas as intervenções miraculosas. Claramente é impróprio, ou mesmo blasfematório, nos colocarmos como juízes sobre a Bíblia.

Penosamente, a “alta crítica” tem empregado uma metodologia faltosa, caindo em alguns pressupostos questionáveis. E, devido aos seus resultados, ultimamente vem sendo descrita como “alta crítica destrutiva”. (para melhor compreensão, veja o quadro comparativo acima)8

C. S. Lewis, sem dúvida o apologista cristão mais influente do século 20, em seu artigo “A teologia moderna e a crítica da Bíblia”, tece os seguintes comentários:

“Em primeiro lugar, o que quer que esses homens possam ser como críticos da Bíblia, desconfio deles como críticos9 [...] Se tal homem chega e diz que alguma coisa, em um dos evangelhos, é lendária ou romântica, então quero saber quantas lendas e romances ele já leu, o quanto está desenvolvido o seu gosto literário para poder detectar lendas e romances, e não quantos anos ele já passou estudando aquele evangelho1 0 [...] os críticos falam apenas como homens; homens obviamente influenciados pelo espírito da época em que cresceram, espírito esse talvez insuficientemente crítico quanto às suas próprias conclusões1 1 [...] Os firmes resultados da erudição moderna, na sua tentativa de descobrir por quais motivos algum livro antigo foi escrito, segundo podemos facilmente concluir, só são ‘firmes’ porque as pessoas que sabiam dos fatos já faleceram, e não podem desdizer o que os críticos asseguram com tanta autoconfiança”.1 2

Prove e veja

Na Universidade de Chicago, Divinity School, em cada ano eles têm o que chamam de “Dia Batista”, quando cada aluno deve trazer um prato de comida e ocorre um piquenique no gramado. Nesse dia, a escola sempre convida uma das grandes mentes da literatura no meio educacional teológico para palestrar sobre algum assunto relacionado ao ambiente acadêmico.

Certo ano, o convidado foi Paul Tillich,1 3 que discursou, durante duas horas e meia, no intuito de provar que a ressurreição de Jesus era falsa. Questionou estudiosos e livros e concluiu que, a partir do momento que não existiam provas históricas da ressurreição, a tradição religiosa da igreja caía por terra, porque estava baseada num relacionamento com um Jesus que, de fato, segundo ele, nunca havia ressurgido literalmente dos mortos.

Ao concluir sua teoria, Tillich perguntou à platéia se havia alguma pergunta, algum questionamento. Depois de uns trinta segundos, um senhor negro, de cabelos brancos, se levantou no fundo do auditório: “Dr Tillich, eu tenho uma pergunta, ele disse, enquanto todos os olhos se voltavam para ele. Colocou a mão na sua sacola, pegou uma maçã e começou a comer... Dr Tillich... crunch, munch... minha pergunta é muito simples... crunch, munch... Eu nunca li tantos livros como o senhor leu... crunch, munch... e também não posso recitar as Escrituras no original grego... crunch, munch... Não sei nada sobre Niebuhr e Heidegger... crunch, munch... [e ele acabou de comer a maçã] Mas tudo o que eu gostaria de saber é: Essa maçã que eu acabei de comer... estava doce ou azeda?

“Tillich parou por um momento e respondeu com todo o estilo de um estudioso: ‘Eu não tenho possibilidades de responder essa questão, pois não provei a sua maçã’.

“O senhor de cabelos brancos jogou o que restou da maçã dentro do saco de papel, olhou para o Dr. Tillich e disse calmamente: ‘O senhor também nunca provou do meu Jesus, e como ousa afirmar o que está dizendo?”. Nesse momento, mais de mil estudantes que estavam participando do evento não puderam se conter. O auditório se ergueu em aplausos. Dr. Tillich agradeceu a platéia e, rapidamente, deixou o palco”.


É essa a diferença!

É fundamental considerar que tudo o que engloba a fé genuinamente cristã está amparado em um relacionamento experimental (prático) com Deus. Sem esse pré-requisito, ninguém pode seriamente afirmar ser um cristão. Seria muito bom se os críticos se atrevessem a experimentar este relacionamento antes de tecerem suas conjeturas. Se assim fosse, certamente se lhes abriria um novo horizonte para suas proposições e, quem sabe, entenderiam que o sobrenatural não é uma brecha da lei natural, mas, sim, uma revelação da lei espiritual.

No entanto, existe o lado bom do próprio Liberalismo: Sua criação se deu com o objetivo de evangelizar os intelectuais e eruditos sem a roupagem dos dogmas. E, se queremos mesmo destruir o Liberalismo precisamos sentar aos pés de Barth e seus teólogos Neo-Otodoxos. Ele foi tão bom que conseguiu refutar o liberalismo de sua época, dos seus próprios professores de teologia na Alemanha ( Adolf Harnack ), e influenciou o próprio fundamentalismo (do qual eu e vc fazemos parte que são os crentes realmente ortodoxos), Barth por sua vez defendeu o A trancendencia de Deus, como ser diferente e superior a sua criação, bem como o Existencialismo que herdou dos ensinos de Soren Kieerkegaard , filósofo dinamarquês do sec 19, que, ficou conhecido como profeta da melancolia. O problema de Barth é o seu universalismo, problema que ele não conseguiu se desvencilhar , imposto a ele pelo Liberalismo quando era aluno. Porém, com todo o desprezo que os Liberais, com seu racionalismo ressequido deu a Bíblia, Barth empreendeu uma batalha árdua para valorizar a palavra no meio teológico, fazendo com que seus inimigos liberais levassem mais a sério a Bíblia como palavra de Deus. Escreveu “DER ROMERBRIEF” – COMENTÁRIO (CARTA AOS) ROMANOS justamente para refutar o liberalismo.
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Notas

1 O fundamentalismo foi um movimento surgido nos Estados Unidos durante e imediatamente após a 1ª Guerra Mundial, a fim de reafirmar o cristianismo protestante ortodoxo e defendê-lo contra os desafios da teologia liberal, da alta crítica alemã, do darwinismo e de outros pensamentos considerados danosos para o cristianismo.
2 Adoração à Bíblia.
3 Segundo a comparação clássica entre Deus e o fabricante de um relógio, Deus, no princípio, deu corda ao relógio do mundo de uma vez para sempre, de modo que ele agora continua com a história mundial sem a necessidade de envolvimento da parte de Deus.
4 O Iluminismo enfatizava a razão e a independência e promovia uma desconfiança acentuada da autoridade. A verdade deveria ser obtida por meio da razão, observação e experiência. O movimento foi dominado pelo anti-sobrenaturalismo e pelo pluralismo religioso.
5 ARCHER, Gleason L. Merece confiança o Antigo Testamento? Edições Vida Nova, p.54.
6 CHAMPLIN, R.N. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol 1. Candeia, p. 122.
7 GEISLER, Norman. Enciclopédia de Apologética. Editora Vida, p.113.
8 Ibid. p. 116.
9 MCDOWELL, Josh. Evidência que exige um veredicto. Vol 2. Editora Candeia, p.522.
10 Ibid., p.526.
11 Ibid., p.526.
12 Ibid., p.528.
13 Paul Tillich nasceu em 20 de agosto de 1886, em Starzeddel, na Prússia Oriental, perto de Guben. Foi um teólogo-filósofo e representante do existencialismo religioso.
* matéria colhida na revista Defesa da Fé.
por Danilo Raphael

George Whitefield

George Whitefield
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. George Whitefield

Nome completo George Whitefield
Nascimento Nascido em 16 de dezembro de 1714 (1714/12/16)
Gloucester, na Inglaterra
Morte Faleceu 30 de setembro de 1770 (1770/10/01)
Newburyport, Massachusetts nos EUA
Nacionalidade Inglaterra
Ocupação Pastor


George Whitefield, (16 de dezembro de 1714 - 30 de setembro de 1770) foi um pastor anglicano itinerante, que ajudou a espalhar o Grande Despertar na Grã-Bretanha e, principalmente, nas colônias britânicas norte-americanas. Seu ministério teve enorme impacto sobre a ideologia americana.

Conhecido como o "príncipe dos pregadores ao ar livre", foi o evangelista mais conhecido do século XVIII. Pregou durante 35 anos na Inglaterra e nos Estados Unidos, quebrou as tradições estabelecidas a respeito da pregação e abriu o caminho para a evangelização de massa. Enquanto jovem sua sede de Deus o tornou consciente de que o Senhor tinha um plano para sua vida. Para preparar-se, jejuava e orava regularmente, e muitas vezes ia ao culto duas vezes por dia. Na Universidade de Oxford (Inglaterra) cooperou com os irmãos John e Charles Wesley, participando com eles no "Clube Santo".

História

George Whitefield era o filho de uma viúva que mantinha uma pousada em Gloucester, Inglaterra. Em uma idade precoce, ele descobriu que ele tinha uma paixão e talento para atuar no teatro, uma paixão que ele continue através da re-encenações teatrais muito das histórias da Bíblia que ele disse durante seus sermões. Ele foi educado na A Escola de Crypt, Gloucester , Gloucester, e Pembroke College, Oxford. Whitefield, porque veio de uma família pobre, ele não tem os meios para pagar a sua taxa de matrícula. Ele então entrou em Oxford como um servo, o menor grau de estudantes de Oxford. Em troca de ensino gratuito, foi designado como um servo de um maior número de estudantes classificados. Seus deveres incluiriam acordá-los na parte da manhã, polir os seus sapatos, carregando seus livros e até mesmo fazer o seu curso. Foi uma parte do "Clube Santo" na Universidade de Oxford com os irmãos Wesley, João e Charles.

Isso porém não o impedia de sentir-se cada vez mais distante de Deus até sua conversão, em 1735. Nas suas próprias palavras, foi como se um "fardo pesado" tivesse sido removido. Fez seu primeiro sermão na igreja em que havia sido batizado. Seu fervor era evidente; alguns zombavam, mas outros ficavam impressionados - houve a queixa de que quinze de seus ouvintes "enlouqueceram" (se converteram)! Após isso pregou a mensagem do novo nascimento e da justificação pela fé para grandes multidões em Londres, mas outros começaram a recusar-lhe o púlpito, e a se lhe opor fortemente.

Na véspera da sua separação para o ministério, passou o dia em jejum e oração. Após ser ordenado diácono e receber sua graduação, partiu para a Georgia, Estados Unidos, a convite de John Wesley, onde ajudou a fundar um orfanato. Voltou à Inglaterra três meses depois para receber o sacerdócio, na sua Igreja Anglicana. Ao perceber que muitos púlpitos ainda lhe estavam fechados, quebrou a tradição e passou a pregar ao ar livre. Afirma-se que quase nunca pregava sem chorar, e que costumava ler a Bíblia de joelhos. Tendo consagrado a vida a Cristo, orava freqüentemente. A freqüência tornara-se tão numerosa que impressionara John Wesley, que concordou em utilizar o mesmo método. Quando retornou novamente ao serviço missionário na América, em 1739, começou um período de atividades como ministro congregacional. Jonathan Edwards realizou durante mais de um mês uma série de pregações pela Nova Inglaterra, falando a multidões de até oito mil pessoas quase todos os dias. Essa atividade missionária foi provavelmente o evento que desencadeou o movimento de reavivamento conhecido como o Grande Despertamento. Seu trabalho também lançou o alicerce para a fundação de aproximadamente 50 faculdades e universidades americanas, incluindo a Universidade de Princeton e a da Pennsylvania. Whitefield tornou-se o foco do reavivamento na América, visitando-a sete vezes, mas seu trabalho no Velho Mundo era também bastante vigoroso: em certa ocasião, na Escócia, pregou a 100.000 ouvintes, e 10.000 responderam ao apelo.

Firme defensor do Calvinismo, rompeu com o arminianismo de John Wesley em 1741, mas continuaram amigos. Com isso, passou a ser conhecido como o líder dos Metodistas Calvinistas. Whitefield continuou a pregar extensivamente nos Estados Unidos e por toda a Grã-Bretanha e Irlanda: crê-se que pregou mais de 18.000 sermões. Whitefield morreu na América, em 1770, da forma que desejara: no meio de uma série de pregações. No seu funeral, John Wesley o homenageou como um grande homem de Deus.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O Testemunho do Espírito – Parte II


O Testemunho do Espírito – Parte II

'O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus'. (Romanos 8:16)


I. Ninguém que creia que as Escrituras são a Palavra de Deus, poderá duvidar de que nós somos filhos de Deus.

II. Qual é o testemunho do Espírito?

III. O próprio Espírito testemunha com nosso Espírito.

IV. Uma abundância de objeções tem sido feitas para isto.

V. O Espírito de Deus testifica para o espírito das almas dos crentes.

I

1. Ninguém que acredite que as Escrituras sejam a palavra de Deus, pode duvidar da importância de tal verdade como esta: -- uma verdade revelada nela, não apenas uma vez, não vagamente; não casualmente; mas freqüentemente, e isto em termos expressos; mas solenemente e com firme propósito, como denotando um dos privilégios peculiares dos filhos de Deus.

2. E é mais necessário explicar e defender essa verdade, porque existe perigo de um lado e de outro. Se nós a negamos, existe o perigo de que nossa religião se degenere em mera formalidade; de que, 'tendo a forma de santidade', nós negligenciemos; ou ainda, 'neguemos o poder dela'. Se a permitimos, mas não entendemos o que permitimos, nós estamos sujeitos a alcançarmos a selvageria do entusiasmo. É, portanto, necessário, no mais alto grau, preservar aqueles que temem a Deus, de ambos esses perigos, através de uma ilustração e confirmação bíblica e racional dessa verdade significativa.

            3. Pode parecer que alguma coisa desse tipo é mais necessária, porque tão pouco tem sido escrito sobre o assunto, com alguma clareza; exceto alguns discursos sobre o lado errado da questão, que a explica, em direção oposta completamente. E não se pode duvidar que esses foram ocasionados, pelo menos, em grande medida, pela explicação grosseira, e não bíblica de outros, que 'não sabiam o que eles falavam, nem a respeito de quem eles afirmavam'. 

            4. Mais proximamente concerne aos Metodistas, assim chamados, entenderem, explicarem e defenderem esta doutrina claramente; porque é uma grande parte do testemunho que Deus tem dado a eles conduzir para toda a humanidade. É através dessa bênção peculiar sobre eles na busca das Escrituras, confirmada pela experiência de seus filhos, que essa grande verdade evangélica tem sido resgatada, o que, em muitos anos, tinha sido perdida e esquecida, ou quase isto;

II

1. Mas o que é o testemunho do Espírito? A palavra original martyria pode exprimir o testemunho com o sangue da verdade de Cristo (como está em diversos lugares); ou, bem menos ambiguamente, prestar testemunho, ou registro (I João 5:11) 'E o testemunho é este'; o testemunho, a soma do que Deus testifica em todos os escritos inspirados: 'que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho'. O que ele testemunha para nós é 'que nós somos filhos de Deus'.O testemunho agora considerado é dado pelo Espírito de Deus para, e com nosso espírito: Ele é a Pessoa testificando. O resultado imediato desse testemunho é, 'o fruto do Espírito; ou seja, 'amor, alegria, paz, longanimidade, gentileza, bondade': e sem esses, o próprio testemunho não pode continuar. Porque é inevitavelmente destruído, não apenas pela autoridade de algum pecado exterior, ou pela omissão de não saber o seu dever, mas por dar chance a qualquer pecado interior; em uma palavra, através do que quer que aflija o Espírito Santo de Deus.

            2. Eu observei, muitos anos atrás, o quanto é difícil encontrar palavras, na língua dos homens, para explicar as coisas profundas de Deus. Realmente, não existe uma que irá expressar adequadamente o que o Espírito de Deus opera nos seus filhos. Mas, talvez, alguém possa dizer, (esperando que seja alguém ensinado por Deus, para corrigir, suavizar ou reforçar a expressão) que, 'pelo testemunho do Espírito, eu quero dizer, uma impressão interior da alma, por meio da qual o Espírito de Deus imediatamente e diretamente testemunha para meu espírito, que eu sou um filho de Deus; que Jesus Cristo me amou, e deu a Si mesmo por mim; que todos os meus pecados foram apagados, e eu, até mesmo eu, estou reconciliado com Deus'.

            3. Depois de vinte anos de consideração mais além, eu não vejo razão para desdizer qualquer parte disto. Nem consinto que alguma dessas expressões possa ser alterada, de maneira a torná-las mais inteligíveis. Eu posso apenas acrescentar que, se qualquer um dos filhos de Deus for indicar quaisquer outras expressões, que sejam mais claras, ou mais concordantes com a palavra de Deus, eu rapidamente irei colocar essas de lado.

4. Entretanto, que se observe que eu não quero dizer, por meio disto, que o Espírito de Deus testifica, através de uma voz exterior; não, nem sempre através de alguma voz interior, embora ele possa fazer isto algumas vezes. Nem eu suponho que ele sempre aplique ao coração (embora freqüentemente possa) um ou mais textos das Escrituras. Mas ele, assim opera sobre a alma, através de sua influência imediata, e por uma operação forte, embora inexplicável, de que o vento tempestuoso e as ondas agitadas cessaram, e existe uma doce calma; o coração descansa, como nos braços de Jesus, e o pecador estando claramente satisfeito que Deus é reconciliado com ele, que todas as suas 'iniqüidade estão perdoadas, e seus pecados espiados'.  

5. Então, qual é o assunto da disputa, concernente a isto? Não é, se existe um testemunho do Espírito. Não, se o Espírito Santo testifica com nosso espírito, que somos os filhos de Deus. Ninguém pode negar isto, sem contradição manifesta das Escrituras, e colocando uma mentira sobre a verdade de Deus. Portanto, existe um testemunho do Espírito que é reconhecido por todas as partes.

6. Nem é questionado, se existe um testemunho indireto, de que somos filhos de Deus. Isto é quase, se não, exatamente o mesmo com o testemunho de uma boa consciência, em direção a Deus; e é o resultado da razão, ou reflexão sobre o que nós sentimos em nossas próprias almas. Falando estritamente, é a conclusão esboçada, parcialmente da palavra de Deus, e parcialmente da própria experiência. A palavra de Deus diz que, todos os que têm o fruto do Espírito, é um filho de Deus; experiência, ou consciência interior, diz me que eu tenho o fruto do Espírito; e daí, eu racionalmente concluo: 'Por conseguinte, eu sou um filho de Deus'. Isto é igualmente permitido, por todos, e então, não existe motivo de controvérsia.

7. Nem estamos afirmando que pode haver algum testemunho real do Espírito, sem o fruto do Espírito. Nós afirmamos exatamente o contrário, que o fruto do Espírito nasce imediatamente desse testemunho; decerto que nem sempre no mesmo grau; mesmo quando o testemunho é dado primeiro: e, muito menos, quando é dado, posteriormente; nem a alegria, nem a paz estão sempre presentes; não, nem o amor; assim como, nem o próprio testemunho é sempre forte e claro.

8. Mas o ponto em questão é, se existe algum testemunho direto do Espírito, afinal; se existe algum outro testemunho do Espírito, do que aquele que surge da consciência do fruto.

III

           

1. Eu acredito que haja; porque este é o significado claro e natural do texto, 'O próprio Espírito testemunha com nosso espírito que somos os filhos de Deus'. Aqui existem dois testemunhos mencionados, que juntos, testificam a mesma coisa; o Espírito de Deus, e o nosso espírito. O recente bispo de Londres, em seu sermão sobre este texto, parece abismado que alguém possa duvidar disto; o que surge do mesmo aspecto das palavras. Agora, 'o testemunho de nosso espírito',  diz o bispo, 'é o mesmo que a consciência de nossa sinceridade'; ou para expressar a mesma coisa, um pouco mais claramente, é a consciência do fruto do Espírito. Quando nosso espírito está consciente disto, do amor, paz, longanimidade, gentileza, bondade, ele facilmente infere dessas premissas que somos os filhos de Deus.
           
2. É verdade que aquele grande homem supôs que o outro testemunho é 'A consciência de nossas boas obras'. Isto, ele afirma, é o testemunho do Espírito de Deus. Mas isto está incluído no testemunho de nosso espírito; sim, e na sinceridade, mesmo de acordo com o senso comum da palavra. Assim, diz o Apóstolo, 'Nosso regozijo nisto, o testemunho de nossa consciência, que na simplicidade e sinceridade divina, refere-se às nossas obras e ações, tanto menos quanto mais, às nossas disposições interiores'. De modo que este não é um outro testemunho, mas o mesmo que ele mencionou antes; a consciência de nossas boas obras, é apenas um ramo da consciência de nossa sinceridade. Conseqüentemente, aqui existe apenas um testemunho ainda. Se, portanto, o texto fala de dois testemunhos, um desses não é a consciência de nossas boas obras, nem de nossa sinceridade; tudo isto estando manifestadamente contido no testemunho de nosso espírito.  

3. Qual, então, é o outro testemunho? Isto poderia ser facilmente descoberto, caso o próprio texto não tivesse sido suficientemente claro, no verso imediatamente precedente: (Romanos 8:15)            'Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai'. Segue-se que o próprio Espírito testemunha com nosso espírito que somos os filhos de Deus.

4. Isto é mais além explicado, através de um texto paralelo em (Gálatas 4:6) 'E, porque sois filhos - Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai'. Isto não é alguma coisa imediata e direta, e não o resultado da reflexão ou argumentação? O Espírito de Deus não clama, 'Aba, Pai', em nossos corações, no momento que é dado, anteriormente a qualquer reflexão sobre nossa sinceridade; sim, a qualquer raciocínio que seja? E isto não é o sentido natural e claro das palavras, que atingem a qualquer um, tão logo ele as ouve? Todos esses textos, então, em seu significado mais óbvio, descreve um testemunho direto do Espírito.

5. Que o testemunho do Espírito de Deus deve, pela própria natureza das coisas, ser antecedente ao testemunho de nosso espírito, pode aparecer dessa simples consideração: Nós devemos ser santos no coração e vida, antes que possamos estar conscientes de que assim somos. Mas devemos amar a Deus, antes de sermos santos, afinal; isto sendo a raiz da santidade. Agora, nós não podemos amar a Deus, até que saibamos que Ela nos ama. Nós o amamos, porque Ele nos amou, primeiro. E não podemos saber do seu amor por nós, até que seu Espírito testemunhe isto para nosso espírito. Até então, nós não podemos acreditar nisto; não podemos dizer: 'A vida que eu agora vivo, eu vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou, e deu a si mesmo por mim'. Então, e apenas então, nós sentimos nosso interesse em seu sangue, e clamamos com alegria inexprimível : 'Tu és meu Senhor, meu Deus!'.
           
Dai, portanto, o testemunho de Deus deve preceder o amor de Deus, e toda santidade; em conseqüência, deve preceder nossa consciência disto.

            6. E aqui, propriamente, a experiência dos filhos de Deus vem confirmar esta doutrina bíblica; a experiência não de dois ou três; não de alguns; mas de uma grande multidão que nenhum homem pode calcular. Ela tem sido confirmada, tanto nesta, como em todas as épocas, através de uma 'nuvem' de 'testemunhas' vivas e mortas. É confirmado, pela sua experiência e a minha. O próprio Espírito que testemunha com meu espírito que eu sou um filho de Deus, deu-me uma evidência disto, e eu imediatamente clamei, 'Aba, Pai!'. E isto eu fiz (e vocês fizeram o mesmo), antes de refletir a respeito, ou estar consciente de qualquer fruto do Espírito. Foi deste testemunho que eu recebi amor, paz, alegria, e todos os frutos produzidos pelo Espírito.

            Primeiro eu ouvi: 'Teus pecados são perdoados! Tu és aceito! – Eu ouvi e o céu brotou em meu coração'.

7. Mas isto é confirmado, não apenas pela experiência dos filhos de Deus; -- milhares dos quais podem declarar que eles nunca souberam que tinham o favor de Deus, até que foi testemunhado diretamente a eles, pelo seu Espírito, -- mas, através de todos aqueles que estão convencidos do pecado; que sentem a ira de Deus habitando sobre eles. Estes não poderão estar satisfeitos com coisa alguma, a não ser o testemunho direto do Espírito de Deus, de que Ele é 'misericordioso para sua falta de retidão, e não mais se lembra dos pecados e iniqüidades deles'. Diga a qualquer um desses: "Você deve saber que é  filho, refletindo o que ele operou em você, no seu amor, alegria e paz; e ele não irá responder imediatamente, 'por tudo isto, eu sei que eu sou um filho do diabo? Eu não tenho mais o amor de Deus do que o diabo tem; minha mente carnal é inimiga de Deus. Eu não tenho alegria no Espírito Santo; minha alma está pesarosa, até a morte. Eu não tenho paz; meu coração é um mar agitado; eu sou todo, tempestade e temporal?'".

De que maneira essas almas possivelmente podem ser confortadas, a não ser pelo testemunho divino -- não o de que eles agora são bons, ou sinceros, ou ajustados às Escrituras, no coração e vida, mas aquele em que Deus justifica o iníquo? – aquele que, até o momento em que é justificado, é todo impuro; abominando toda a santidade verdadeira; aquele que não faz coisa alguma que seja verdadeiramente boa, até que esteja consciente de que é aceito, não por algumas obras de retidão que tenha feito, mas, através da mera e livre misericórdia de Deus; totalmente e exclusivamente, pelo que o Filho de Deus fez e sofreu por ele. E pode ser de algum outro modo, se 'um homem for justificado pela fé, sem as obras da lei?'. Se for assim, de que santidade interior ou exterior, antecedente a sua justificação, ele poderá estar consciente? Mais ainda: É essencialmente, e indispensavelmente necessário, antes que possamos ser 'justificados livremente, através da redenção que está em Jesus Cristo', que não tenhamos nada a pagar; ou seja, o estamos conscientes de que 'nenhuma coisa boa habitava em nós', nem a santidade interior ou exterior? Algum homem foi justificado, desde a sua vinda ao mundo; ou algum jamais poderá  ser justificado, até que seja trazido para este ponto: 'Senhor, eu estou condenado; mas Tu morreste?'

8. Todos, por conseguinte, que negam a existência de tal testemunho, em efeito, negam a justificação pela fé. Segue-se que ele nem experimentou isto, nem nunca foi justificado; ou que ele esqueceu o que Pedro fala, sobre a purificação desses primeiros pecadores, a experiência que eles, então, tinham de si mesmos; a maneira em que Deus operou na alma deles, quando seus primeiros pecados foram apagados.

9. E a experiência, até mesmo dos filhos do mundo, confirma aqui aquela dos filhos de Deus. Muitos desses têm um desejo de agradar a Deus: Alguns deles se afligem para agradar a Ele: Mas eles - um e todos - não consideram o maior absurdo falar que seus pecados foram perdoados? Qual deles, alguma vez, teve pretensões de tal coisa? E ainda assim, muitos deles estão conscientes da própria sinceridade. Muitos desses, sem dúvida, têm, em um grau, o testemunho do próprio espírito; a consciência de sua própria retidão. Mas isto não traz a eles a consciência de que estão perdoados; nenhum conhecimento de que eles são filhos de Deus. Sim, por mais sinceros que eles sejam; por mais apreensivos que eles geralmente estejam, pela falta de conhecimento dele; claramente mostrando que isto não pode ser conhecido, de uma maneira satisfatória, através do mero testemunho de nosso espírito, sem que Deus diretamente testifique que somos seus filhos.

IV

            Mas, uma abundância de objeções tem sido feita a isto: a principal delas pode ser bem considerada:

É objetado, em Primeiro Lugar:

1. 'A experiência não é suficiente para provar a doutrina que está fundamentada nas Escrituras'. Isto, é indubitavelmente verdadeiro; e é uma verdade importante; mas não afeta a presente questão; porque tem sido mostrado que esta doutrina é fundamentada nas Escrituras, portanto, a experiência é propriamente suposta para confirmá-la.

2. Mas os loucos profetas franceses, e entusiastas de todos os tipos, têm imaginado que eles experimentaram este testemunho. Eles o fizeram; e, talvez, não poucos deles, embora eles não tenham retido isto por mais tempo: Mas, se eles não tiveram o testemunho, isto não prova, afinal, que outros não o tenham experimentado;  como um homem louco que se imagina rei, não prova que não existam reis verdadeiros.

'Mais ainda: muitos que fizeram um apelo fortemente para isto, têm criticado calorosamente a Bíblia'. Talvez, seja assim; mas isto não foi a conseqüência necessária: milhares que apelaram para isto têm a mais alta estima pela Bíblia.  

'Sim, mas muitos têm se iludido fatalmente, por meio disto, e estão cheios de convicção'.

Mas, ainda assim, uma doutrina bíblica não é pior, embora os homens abusem dela, para sua própria destruição. 

3. 'Mas é afirmado, como uma verdade indiscutível, que o fruto do Espírito é o testemunho do Espírito'. Não, sem dúvida; milhares duvidam disto; sim, negam isto plenamente: Mas vamos observar: Se o testemunho for suficiente, não existe necessidade de qualquer outro. No entanto, ele é suficiente, a não ser, em uma dessas situações:

1o. Na total falta de frutos do Espírito. E este é o caso, quando o testemunho direto é dado primeiro.

2o. Não se percebendo que foi dado. Mas contender por isto, neste caso, é contender por estar no favor de Deus, e não sabê-lo. Na verdade; não sabendo disto, naquele momento, ou por qualquer outro meio, do que através do testemunho que é dado para esta finalidade. E por isto nós contendemos; nós afirmamos que o testemunho direto pode brilhar claro, mesmo enquanto o indireto está sob uma nuvem.

É objetado, em Segundo Lugar:

4. 'O Objetivo de o testemunho contender por isto, é provar que a confissão que fazemos é genuína'. Mas ele não prova isto. Eu respondo que provar isto não é o objetivo dele. Ele é antecedente a fazermos qualquer confissão, afinal, a não ser esta de sermos pecadores perdidos, incompletos, culpados, e sem esperança. É objetivado afirmar àqueles, a quem é dado, que eles são filhos de Deus; que eles estão 'justificados livremente, através de Sua graça, pela redenção que está em Jesus Cristo'. E isto não supõe que seus pensamentos, palavras, obras e ações, precedentes, estejam de acordo com a regra das Escrituras; isto supõe completamente o contrário, ou seja, que eles são pecadores sobre tudo; pecadores, ambos no coração e vida. Fosse isto do contrário, Deus não justificaria o devoto, e suas obras seriam consideradas retidão para eles. Eu não posso deixar de temer que uma suposição de sermos justificados pelas obras, esteja na raiz de todas essas objeções; porque, quem quer que cordialmente acredite que Deus imputa a todos que são justificados, retidão, sem obras, nós não encontraremos dificuldade em admitir o testemunho de seu Espírito, precedendo o fruto dele.

É objetado, em Terceiro Lugar:

5.  "Um evangelista diz, 'Seu Pai celeste irá dar o Espírito Santo a eles que o pedirem'. O outro evangelista chama a mesma coisa de 'dom'; demonstrando plenamente que o caminho do Espírito testemunhar, é dando os dons". Não! Aqui não existe nada, afinal, a respeito do testemunho, tanto em um texto, quanto em outro. Portanto, até que essa demonstração seja mais bem apresentada, eu permito que fique como está.  

É objetado, Em Quarto Lugar:

6. "As Escrituras dizem que 'uma árvore é conhecida pelos seus frutos'. Provem todas as coisas. Provem os espíritos. Examinem a si mesmos! A maior verdade: portanto, que todo homem que crê que tenha o testemunho, em si mesmo, experimente, se é de Deus. Se o fruto se seguiu, é de Deus; do contrário, não é. Porque, certamente, 'a árvore é conhecida pelos seus frutos":

Por meio disto, nós provamos que ele é de Deus. 'Mas o testemunho direto nunca se refere ao Livro de Deus'. Não, estando sozinho; não, como um testemunho único; mas como que ligado a outro; como que dando um testemunho comum; testificando com nosso espírito que somos filhos de Deus. E quem é capaz de provar que ele não se refere assim, a essas mesmas Escrituras? Examinem a si mesmos, se vocês estão na fé; provem a si mesmos.Vocês sabem, não por si mesmos, que 'Jesus Cristo está em vocês?'. Como é provado que eles não sabiam disto, primeiro, através da consciência interior, e, depois, através do amor, alegria e paz?

            7. 'Mas o testemunho, surgindo de uma mudança interna e externa, alude constantemente para a Bíblia. E é assim que acontece: E nós estamos constantemente nos submetendo a isto, para confirmar o testemunho do Espírito'. 
           
Não somente isto; todas as marcas que temos recebido, por meio das quais, distinguimos as operações do Espírito de Deus da ilusão, se referem às mudanças forjadas em nós. Isto, igualmente, é, sem dúvida, verdadeiro.

É objetado, em Quinto Lugar:
           
8. 'O testemunho direto do Espírito não nos preserva da maior ilusão'. Aquele testemunho é adequado para ser confiado àquele, cujo testemunho não pode ser levado em conta? Que é constrangido a dirigir-se para alguma coisa mais, para provar o que ele afirma? Eu respondo: Para nos preservar da ilusão, Deus nos dá dois testemunhos de que somos seus filhos. E isto, eles testificam conjuntamente. Portanto, 'o que Deus reuniu, nenhum homem pode separar'. E, enquanto eles estiverem unidos, nós não poderemos ser iludidos: Pode-se confiar no testemunho deles. Eles estão ajustados para serem confiados no mais alto grau, e não precisam de coisa alguma mais para provar o que eles afirmam. 

            'Não apenas isto:o testemunho direto tão somente afirma, mas não prova coisa alguma'. Através de dois testemunhos cada palavra poderá ser estabelecida. E, quando o Espírito testemunha com nosso espírito, como Deus o ordena a fazer, então, ele prova completamente que somos filhos de Deus.

É objetado, em Sexto Lugar:
           
9. Que vocês reconheçam que a mudança forjada seja um testemunho suficiente, exceto no caso de provas severas, tal como aquela de nosso Salvador na cruz; mas nenhum de nós pode ser tentado daquela maneira. No entanto, vocês ou eu podemos ser tentados, de alguma forma; assim como, qualquer outro filho de Deus, de modo que será impossível para nós mantermos nossa confiança filial em Deus, sem o testemunho direto de seu Espírito.

            10. Finalmente, objeta-se que, 'a maior parte dos contendores por ela sejam alguns dos mais arrogantes e não generosos dos homens'. Talvez, alguns dos mais acalorados contendores para ela, sejam ambos orgulhosos e não caridosos; mas muitos dos mais seguros contendores por ela são eminentemente meigos, e humildes; e, de fato, em todos os outros aspectos também os verdadeiros seguidores do seu pacífico Senhor.

As objeções precedentes são as mais importantes que eu tenho ouvido, e eu acredito que contêm a força da causa. Assim sendo, eu entendo que quem quer que considere essas objeções, calmamente e imparcialmente, e responda consecutivamente, irá facilmente ver que elas não destroem; não, nem enfraquecem a evidência daquela grande verdade, de que o Espírito de Deus, diretamente, assim como indiretamente, testifica que somos filhos de Deus.

V

1. A soma de tudo isto é: O testemunho do Espírito é uma impressão interior nas almas dos crentes, por meio da qual, o Espírito de Deus testifica diretamente para o espírito deles, que eles são filhos de Deus. E não é questionado, se existe um testemunho do Espírito; mas se existe um testemunho direto; se existe algum outro, do que este que surge da consciência do fruto do Espírito. Nós acreditamos que existe; porque este é significado natural, claro do texto, ilustrado, ambas pelas palavras precedentes, e pela passagem paralela na Epístola aos Gálatas; porque, na natureza das coisas, o testemunho deve preceder o fruto que brota dele, e porque esse significado claro da palavra de Deus, é confirmado pela experiência de inumeráveis filhos de Deus ; sim, e pela experiência de todos os que estão convencidos do pecado; dos  que nunca podem descansar, até que tenham o testemunho direto; e até mesmo, pelos filhos do mundo, que, não tendo o testemunho, em si mesmos, um e todos declaram que ninguém pode ter seus pecados perdoados.

            2. E, considerando que é objetado, que a experiência não é suficiente para provar uma doutrina não confirmada através das Escrituras; -- que os loucos e entusiastas, de todos os tipos, têm imaginado tal testemunho; que o objetivo daquele testemunho é provar nossa genuína profissão; que o objetivo ela não responde; -- que as Escrituras dizem: 'A árvore é conhecida pelos seus frutos'; 'examinem a si mesmos; provem a si mesmos'; e, entretanto, o testemunho direto nunca é referido em toda a Bíblia; -- que ele não nos guarda das maiores ilusões; e, Finalmente, que a mudança forjada em nós é um testemunho suficiente, exceto em tais provas, como somente Cristo passou: -- Nós respondemos: 1o. A experiência é suficiente para confirmar a doutrina , que é fundamentada nas Escrituras. 2o. Embora eles fantasiem muitas experiências, que eles não têm, isto não prejudica a experiência real. 3o. O objetivo do testemunho é nos assegurar de que somos filhos de Deus; e este objetivo ele atende.  4o. O verdadeiro testemunho é conhecido pelos seus frutos, 'amor, paz, alegria'; não, de fato, precedendo, mas como conseqüência dele. 5o. Não pode ser provado que o testemunho, tanto direto quando indireto, não alude a este texto: 'Vocês sabem, por vocês mesmos, que Jesus Cristo está em vocês?'. 6o. O Espírito de Deus, testemunhando com nosso espírito, nos guarda de toda ilusão: E, Finalmente: todos nós estamos sujeitos às provas, nas quais o testemunho de nosso próprio espírito não é suficiente; em que, nada menos do que o testemunho direto do Espírito de Deus pode nos assegurar de que somos seus filhos. 

3. Duas inferências podem ser traçadas do todo:

A Primeira, é não permitir que alguém presuma descansa,r em qualquer suposto testemunho do Espírito, que esteja separado do fruto deste. Se o Espírito de Deus realmente testifica que somos os filhos de Deus, a conseqüência imediata será o fruto do Espírito; igualmente 'o amor, alegria, paz, longanimidade, gentileza, bondade, fidelidade, mansidão, temperança'. E como quer que esse fruto possa ser sombrio, por enquanto, durante o tempo de tentação forte, de modo que não apareça à pessoa provada, enquanto satanás está analisando cuidadosamente a ele como trigo; ainda assim, a parte substancial dela permanece, até mesmo debaixo de nuvens mais grossas. É verdade que a felicidade no Espírito Santo pode ser introvertida, durante a hora de provação; sim, a alma pode estar 'excessivamente pesarosa',  enquanto 'a hora e o poder da escuridão' continuam; mas, até mesmo isto, é geralmente restaurado, com crescimento, até que nos regozijemos 'com a alegria inexprimível e cheia de glória'.  

4. A Segunda inferência é, que ninguém descanse em qualquer suposto fruto do Espírito, sem o testemunho. Devem existir antecipações de alegria, paz, amor, e estas, não ilusórias, mas realmente de Deus, antes mesmo, de termos o testemunho, em nós mesmos; antes, que o Espírito de Deus testemunhe com nosso espírito que temos 'redenção no sangue de Jesus, até mesmo o perdão dos pecados'. Sim, pode existir um grau de longanimidade, de gentileza, de fidelidade, mansidão, temperança, (não uma sombra disto, mas um nível real, através da graça preventiva de Deus), antes de  'sermos aceitos no Amado', e, conseqüentemente, antes de termos o testemunho de nossa aceitação: Mas, de maneira alguma, é aconselhável descansar aqui; porque colocamos em risco nossas almas, se assim o fizermos. Se formos sábios, nós deveremos continuamente clamar a Deus, até que seu Espírito clame em nosso coração, 'Aba, Pai!'. Este é o privilégio de todos os filhos de Deus, e sem isto, nós não podemos estar seguros de que somos seus filhos. Sem isto, nós não podemos preservar a paz permanente; nem evitar as dúvidas e medos desorientadores. Mas, uma vez tendo recebido o Espírito de adoção, essa 'paz que ultrapassa todo entendimento', e que expulsa toda a dúvida e medo, dolorosos, irá 'manter nossos corações e mentes, em Jesus Cristo'. E quando esta produzir seus frutos genuínos, toda a santidade interior e exterior, indiscutivelmente, ela será a vontade Dele que nos chamou, para nos dar, para sempre, o que Ele nos deu uma vez; assim sendo, não existe necessidade de que devamos ainda estar destituídos, tanto do testemunho do Espírito de Deus, quanto do testemunho de nosso, a consciência de nosso caminhar, em toda a retidão e santidade verdadeira

Newry, April 4, 1767. 

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

31 de outubro - DIA DA REFORMA PROTESTANTE!





      31 de outubro não é dia de Halloweenn (dia das bruxas nos Estados Unidos) - mas é o aniversário de um dos fatos mais importante na história cristã - o aniversário da Reforma Protestante, completando hoje 494 anos. Lamentável que a maioria dos evangélicos atuais desconhecem sua própria história, como este relevante fator que definiu a libertação do Evangelho das cadeias da exploração da ignorância promovida pelo Catolicismo Romano (se bem que, como afirma Paulo apóstolo, o evangelho não pode ser aprisionado - isto é comprovado pela história, como por exemplo, os nossos irmãos morávios). Nós, pastores, temos a obrigação ante Cristo de divulgar estes fatos, que demonstram o cuidado divino pela preservação das boas novas salvíficas, em cumprimento da Palavra do Senhor Jesus que "as portas do inferno não prevalecerão sobre a minha Igreja". Mas, as tendências atuais das igrejas evangélicas (algumas, pelo menos) contradizem a Reforma, pois vemos os mesmos erros combatidos pelos reformadores presentes nessas: a exploração do povo utilizando a ignorância bíblica. Leia este comentário do historiador gaúcho Rodrigo Trespach: (http://www.rodrigotrespach.com) " Se fizemos hoje críticas ao imediatismo, ao fanatismo e principalmente ao comércio dentro do cristianismo, devemos em parte as ideias e ações de Luther. Passados quase 500 anos do início de sua reforma, estamos hoje nos vendo às voltas com as mesmas inquietações. A igreja cristã exige dinheiro para a construção de imensos “templos da fé”, têm em seu meio clérigos depravados, e promete a salvação eterna à gente de pouca instrução, incapaz de compreender que alguns dogmas foram criados pela igreja e não por Deus ou Cristo. Seria bom, guardadas as proporções e se ajustando o tempo e espaço, refletir sobre o que aquele monge agostiniano pregou há quase quinhentos anos." Liks pertinentes: http://www.rodrigotrespach.com/2011/10/25/a-reforma-protestante/ http://amecristo.com/2011/10/31/joao-calvino-o-evangelista-em-genebra-dr-joel-beeke/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=joao-calvino-o-evangelista-em-genebra-dr-joel-beeke


Pr.Paulo Grigório.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O Testemunho do Espírito – Parte I - John Wesley


O Testemunho do Espírito – Parte I
John Wesley


'O mesmo Espírito testifica com nosso espírito de que somos filhos de Deus'. (Romanos 8:16)

1. Quantos homens inúteis, não entendendo o que eles falaram, nem a respeito do que eles afirmaram, têm combatido essas Escrituras para a grande perda, se não a destruição de suas almas! Quantos têm enganado a voz de sua própria imaginação, por causa desse testemunho do Espírito de Deus, e, por esta razão, impulsivamente presumiram que eles são filhos de Deus, enquanto eles estavam fazendo as obras do diabo! Estes são, verdadeiramente e apropriadamente, entusiastas; e, de fato, no pior sentido da palavra. Mas com que dificuldade, eles são convencidos disso, especialmente, se eles estão mergulhados profundamente no espírito do erro! Todos os esforços para trazê-los ao conhecimento de si mesmos, eles irão, então, considerar luta contra Deus; e esta veemência e impetuosidade de espírito, que eles chamam 'contender sinceramente pela fé', os colocam, tão abaixo de todo método usual de convicção, que nós podemos dizer:'Com homens é impossível'.  

2. Quem pode, então, surpreender-se, de que muitos homens razoáveis, vendo os efeitos terríveis dessa ilusão, e trabalhando para manterem-se o mais distante dela, possam, algumas vezes, inclinar-se em direção ao extremo oposto? Que eles não estejam dispostos a acreditar, em quem quer que fale de ter esse testemunho, concernente ao que outros têm caído, tão gravemente, no erro? Que eles estejam quase prontos a colocar tudo abaixo pelos entusiastas que usam as expressões, que têm sido tão terrivelmente corrompidas? Sim. Que eles possam questionar, se a testemunha ou testemunho, de que se fala aqui, é privilégio dos cristãos comuns, e não, de preferência, algum desses dons extraordinários, que eles supõe pertencerem apenas à era apostólica?

3. Mas existe alguma necessidade sobre nós, por irmos, tanto para um extremo, quanto para o outro? Nós podemos nos dirigir para o meio termo? Mantendo suficiente distância daquele espírito do erro e entusiasmo, sem negar os dons de Deus, e entregando o grande privilégio de seus filhos? Certamente nós podemos. E, com este objetivo, permita-nos considerar, na presença e temor de Deus:

1o. O que é esse testemunho de nosso espírito: o que é o testemunho do Espírito de Deus; e, como 'ele testemunha com nosso espírito que nós somos filhos de Deus?'

2o. Como essa junção do testemunho do Espírito de Deus e de nosso próprio é distinguido da presunção da mente natural e da ilusão do diabo?

I

(1) Vamos considerar, primeiro, o que é o testemunho de nosso espírito. Mas aqui eu não posso, a não ser desejar que todos aqueles que estão para serem consumidos pelo testemunho do Espírito de Deus, no testemunho racional de nosso próprio espírito, observem que, no texto do Apóstolo está tão longe de falar do testemunho de nosso próprio espírito apenas, que se pode questionar, se ele fala dele, afinal; se ele não fala apenas do testemunho do Espírito de Deus. Ele não aparece, mas o texto original pode fielmente ser entendido assim. O apóstolo tem justamente dito, no verso precedente: 'Nós recebemos o Espírito de Adoção, por meio do qual nós clamamos, Abba, Pai', e imediatamente acrescenta: 'O mesmo Espírito testemunha com nosso espírito que somos filhos de Deus'. (a preposição 'syn', do texto original, apenas denotando que ele testemunha isto, no momento em que nos capacita a clamar Abba, Pai). Mas eu não crio conflito, vendo que tantos outros textos, com a experiência dos cristãos reais, suficientemente revelam que existe, em cada crente, tanto o testemunho do Espírito de Deus, quanto o testemunho de seu próprio espírito, de que ele é filho de Deus.

(2) Com respeito ao segundo, o fundamento disto está colocado, naqueles numerosos textos das Escrituras, e que descrevem as marcas dos filhos de Deus; e são tão claros, que ele, que  procura, pode lê-los. Estes estão também coletados juntos, e colocados, sob a mais forte luz, através de muitos escritores antigos e modernos. E, se alguém precisar de esclarecimentos posteriores, ele pode recebê-los, através do ministério da Palavra de Deus; meditando nisto, em segredo, diante Dele; e conversando com aqueles que têm o conhecimento de seus caminhos. E, através da razão ou entendimento que Deus tem dado a ele, o que a religião não objetivou extinguir, mas aperfeiçoar; de acordo com o que disse o Apóstolo, em (I Cor. 14:20) "Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento" —  cada homem aplicando aquelas marcas espirituais, em si mesmo, pode saber se ele é um filho de Deus. Assim, se ele sabe, primeiro, 'tanto quanto seja conduzido pelo Espírito de Deus', a todo temperamento e ações santos, 'ele será filho de Deus'; (para isto, é que ele tem a segurança infalível das Escrituras Sagradas). Em segundo lugar, se eu sou assim 'conduzido pelo Espírito de Deus', ele facilmente poderá concluir que, 'por conseguinte, eu sou um filho de Deus'.

(3) Em concordância com isto estão todos aquelas declarações claras de João, em sua Primeira Epístola:
(I João 2:3) 'Por meio disto, nós sabemos que o conhecemos, se nós mantemos seus mandamentos'.
(I João 2:5) 'Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus, está nele, verdadeiramente, aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele''; que nós somos realmente filhos de Deus.
(I João 2:29) 'Se sabeis que ele é justo; sabeis que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele'.
(I João 3:14)  'Por meio disto, nós sabemos que estamos na verdade e podemos assegurar nossos corações diante dele'; ou seja, porque 'nós amamos o próximo, não em palavra, nem pela língua, mas de fato, na verdade'.  Por isto nós sabemos que habitamos nele, porque ele nos deu seu 'Espírito Amoroso'. 'Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os Irmãos; quem não ama seu irmão, permanece na morte'.
(I João 4:13) 'Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito'.  
E em (I João 3:24) 'E aquele que guarda os seus mandamentos nele está, e ele nele. E nisto conhecemos que ele está em nós: pelo Espírito obediente que nos tem dado'.
(4) É altamente provável que nunca tenha havido um filho de Deus, desde o início do mundo, até este dia, que tenha sido mais completamente adiantado na graça de Deus e conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo, do que o Apóstolo João,  nos tempos em que ele escreveu essas palavras, e os  antepassados em Cristo para os quais ele escreveu. Não obstante isto, é evidente que tanto o próprio Apóstolo, quanto todos aqueles pilares no templo de Deus, estavam muito longe de desdenharem dessas marcas de serem os filhos de Deus; e isto eles aplicaram em suas próprias almas para a confirmação da própria fé.  Ainda assim, tudo isto ainda não é outra coisa do que evidência racional, o testemunho de nosso espírito, nossa razão, ou entendimento. Isto tudo se resolve nisso: aqueles que têm essas marcas são filhos de Deus; e se nós temos essas marcas, por conseguinte, somos filhos de Deus.

(5) Mas como saberemos que nós temos essas marcas? Esta é uma questão que ainda permanece. Como saberemos que nós amamos a Deus e ao nosso próximo, e que nós mantemos seus mandamentos? Observe que o significado da questão é, como saberemos disso em nós mesmos, e não nos outros? Eu perguntaria a este, então, que propõe essa questão 'Como você sabe que está vivo, e que você agora está bem, e não com dores? Você não está imediatamente consciente disso? Pela mesma consciência imediata, você saberá se sua alma está viva para Deus; se você está salvo da dor da fúria do orgulho, e tem a tranqüilidade do espírito manso e quieto. Pelo mesmo significado, você não pode deixar de perceber, se você ama, regozija-se e se deleita em Deus. Pelo mesmo motivo, você deve estar diretamente assegurado, se você ama seu vizinho tanto quanto a si mesmo;se você está afeiçoado carinhosamente a toda a humanidade, e cheio de amabilidade e longanimidade. E, com respeito a essas marcas exteriores dos filhos de Deus, que é, de acordo com João, o de manter seus mandamentos, você indubitavelmente sabe, em seu próprio peito, se, pela graça de Deus, isto pertence a você; sua consciência o informa, dia a dia, se você não toma o nome de Deus em seus próprios lábios, a menos com seriedade e devoção, com reverência e temor santo; se você se lembra do dia do Senhor, e o mantém santo; se você honra seu pai e mãe; se você faz tudo como você gostaria que lhe fosse feito; se você possui seu corpo em santificação e honra; e se, caso você, no comer e beber, é equilibrado nisto, e tudo faz para a glória de Deus.

(6) Agora este é corretamente o testemunho de nosso próprio espírito: exatamente o testemunho de nossa consciência, a que Deus nos tem dado, para que sejamos santos de coração, e santos em nossas conversas exteriores. É a consciência que recebemos, no Espírito de adoção, e através dele; os temperamentos mencionados na Palavra de Deus, como pertencentes aos seus filhos adotados; mesmo um coração amoroso, em direção a Deus, e em direção a toda humanidade; dependurando-nos, em Deus, nosso Pai, com uma confiança inocente, e desejando nada, a não ser ele; colocando todas as nossas preocupações nele, e abraçando cada filho do homem com afeição sincera e terna: A consciência de que nós estamos, intimamente de acordo, pelo Espírito de Deus, com a imagem de seu Filho, e que nós caminhamos, segundo ele, na justiça, misericórdia, e verdade, fazendo as coisas que são prazerosas aos seus olhos.

(7) Mas o que é este testemunho do Espírito de Deus, que está adicionado, e unido a isto? Como ele 'testemunha com nosso espírito que nós somos filhos de Deus?'. É difícil encontrar palavras, na linguagem dos homens para explicar 'a profundidade das coisas de Deus'. De fato, ninguém irá expressar adequadamente o que os filhos de Deus experimentam. Mas, talvez, alguém possa dizer (desejando que seja alguém, ensinado por Deus, para corrigir, suavizar ou fortalecer a expressão):'O testemunho do Espírito é uma impressão interior da alma, por meio da qual o Espírito de Deus testemunha diretamente ao meu espírito, que eu sou um filho de Deus; que Jesus Cristo tem amado a mim, e dada a si mesmo por mim; e que todos os meus pecados estão apagados, e eu, até mesmo eu, estou reconciliado para Deus.

(8) De que este testemunho do Espírito de Deus deve necessitar, na mesma natureza das coisas, ser antecedido do testemunho de nosso próprio espírito, pode aparecer desta simples consideração? Nós devemos ser santos de coração, e santos na vida, antes que nós possamos estar conscientes de que somos assim; antes que possamos ter o testemunho de nosso espírito, que nós somos interiormente e exteriormente santos. Mas nós devemos amar a Deus, antes que possamos ser santos, afinal. Esta sendo a raiz de toda a santidade. Agora nós não podemos amar a Deus, até que nós saibamos que ele nos ama. 'Nós o amamos, porque ele primeiro nos amou'. E nós não podemos conhecer seu amor redentor para conosco, até que seu Espírito testemunhe isto com nosso espírito. Desde que, por conseguinte, este testemunho do seu Espírito deva preceder o amor de Deus e toda a santidade, como conseqüência disto, deve proceder nossa consciência interior dele, ou o testemunho de nosso espírito, concernente a ele.

(9) Então, e não, até então, quando o Espírito de Deus testemunha com nosso espírito que: 'Deus tem amado a ti, e tem dado seu próprio filho, como expiação de teus pecados; o Filho de Deus tem amado a ti, e fez desaparecer de ti teus pecados, no sangue Dele', — 'nós amamos Deus, porque ele primeiro nos amou';  e, por este motivo, nos amamos nosso irmão também. E disso, nós não podemos deixar de estar conscientes conosco mesmos de que: Nós 'sabemos as coisas que são livremente dadas a nós por Deus'. Nós sabemos que amamos a Deus e mantemos seus mandamentos; e 'por isso também, nós sabemos que somos de Deus'.  Este é aquele testemunho de nosso próprio espírito, e que, tanto quanto continuemos a amar a Deus e manter seus mandamentos, continuará unido com o testemunho do Espírito de Deus 'de que somos os filhos de Deus'.  

(10) Não que eu poderia ser entendido, por qualquer meio; por alguma coisa que tem sido falada, concernente a ele, e que exclua a operação do Espírito de Deus, mesmo do testemunho de nosso próprio espírito. De maneira alguma. É Ele que, não apenas opera em nós, todo tipo de coisa que seja boa, mas também faz ressaltar sua própria obra, e claramente mostra o que ele tem forjado. Concordantemente, isto é falado por Paulo, como sendo o grande objetivo de recebermos o Espírito, 'que nós possamos saber as coisas que nos são livremente dadas por Deus'. Que ele possa fortalecer o testemunho de nossa consciência, tocando nossa 'simplicidade e sinceridade santa', oferecendo-nos a oportunidade de discernir, plenamente e fortemente, que nós agora fazemos as coisas que agrada a ele.    

(11) Pode ainda ser inquirido: 'Como o Espírito de Deus testemunha com nosso espírito, de que somos os filhos de Deus, de maneira a excluir todas as dúvidas, e evidenciar a realidade de nossa filiação?'.  A resposta é clara, pelo que tem sido observado acima. E, primeiro, como para o testemunho de nosso espírito: A alma percebe, quando ela ama, deleita-se e regozija-se em Deus, intimamente e evidentemente; quando ela ama e se deleita com alguma coisa na face da terra. E poderá não haver mais dúvida, se ela ama, deleita-se, regozija-se, ou não, do que se ela existe ou não. Por conseguinte, é razoável que aquele que ama, deleita-se e se regozija Nele, com uma alegria humilde, prazer santo e amor obediente, seja um filho de Deus. De maneira que, se eu amo, me deleito e me regozijo em Deus, por conseguinte, eu sou um filho de Deus. Assim, um cristão pode, de maneira alguma, duvidar que ele seja um filho de Deus. Da primeira proposição, ele tem tão completa segurança, quanto ele tem de que as Escrituras sejam de Deus; e se ele ama a Deus dessa forma, ele tem uma prova interna, que é nenhuma falta de auto-evidência. Assim, o testemunho de nosso próprio espírito é manifestado, com a convicção mais íntima, aos nossos corações; de tal maneira, acima de toda dúvida razoável, para evidenciar a realidade de nossa filiação.

(12) A maneira como o testemunho divino é manifestado no coração, eu não me atrevo explicar. Tal conhecimento é muito maravilhoso e excelente para mim, e eu não tenho capacidade de detê-lo. O vento sopra, e eu ouço o som dele, mas eu não posso dizer como ele vem, ou para onde ele vai. Como ninguém conhece as coisas de um homem, exceto o espírito de um homem que está nele; assim, as maneiras das coisas de Deus não são conhecidas de ninguém, exceto o Espírito de Deus.  Mas o fato nós sabemos, ou seja, que o Espírito de Deus dá ao crente um tal testemunho de sua adoção que, enquanto estiver presente na alma, ele não mais poderá duvidar da realidade de sua filiação, tanto quanto ele não duvida do brilho do sol, enquanto ele permanecer, no total esplendor de seus raios.

II

(1) Como esta união do testemunho do Espírito de Deus e do nosso espírito pode ser, claramente e solidamente, distinguido da presunção da mente natural, e da ilusão do diabo, é a próxima etapa a ser considerada. E isto atinge altamente todos os que desejam a salvação de Deus, a considerar isto, com a atenção mais profunda, para que não possam enganar suas próprias almas. Um erro nisto é geralmente observado ter as mais fatais conseqüências; até porque, ele que erra, raramente descobre seu erro, até que seja tarde demais para remediá-lo.

(2) E, primeiro, como esse testemunho pode ser distinguido da presunção da mente natural? É certo que alguém que nunca tenha sido convencido do pecado esteja sempre pronto a lisonjear a si mesmo, e pensar sobre si mesmo, especialmente nas coisas espirituais, mais altamente do que ele deveria pensar. E, por isso, não é, de forma alguma, estranho, se alguém que se ensoberbece vaidosamente de sua mente humana, quando ele ouve falar desses privilégios dos verdadeiros cristãos, entre os quais ele, sem dúvida, se coloca, possa logo se persuadir de que ele já é possuidor disto. Tais instâncias agora abundam no mundo, e têm afluído em todas as épocas.  Como, então, pode o testemunho real do Espírito com o nosso espírito, ser distinguido dessas presunções condenatórias?

(3) Eu respondo. As Escrituras Sagradas afluem com marcas, por meio das quais, um pode ser distinguido do outro. Elas descrevem, da maneira mais clara, as circunstâncias as quais vem antes, acompanham e seguem o verdadeiro e genuíno testemunho do Espírito de Deus com o espírito daquele que crê. Quem quer que pese cuidadosamente e preste atenção a estes não precisará trocar a escuridão pela luz. Ele irá perceber tão amplamente a diferença com respeito a todos esses; entre o real e o pretenso testemunho do Espírito, que não haverá perigo algum, eu diria, possibilidade alguma de confundir um com o outro.

(4) Através dessas, alguém que vaidosamente presuma a respeito do dom de Deus deveria certamente saber, se realmente desejou isto, se ele tem estado, até aqui, 'entregue a tão forte ilusão', e sujeito a acreditar numa mentira. Já que as Escrituras salientam aquelas marcas claras e óbvias, que precedem, acompanham e seguem aquele dom, de maneira que uma pequena reflexão poderia convencê-lo, sem sombra de dúvida, de que elas nunca foram encontradas em sua alma. Por exemplo: As Escrituras descrevem o arrependimento, ou convicção do pecado, como constantemente vindo antes do testemunho redentor:  (Mateus 3:2) 'Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus'. (Marcos 1:15) 'O tempo está cumprido e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho'. (Atos 2:38) 'E disse-lhe Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado, em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo'. (Atos 3:19) 'Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim, os tempos do refrigério, pela presença do Senhor'.

Em conformidade ao que nossa Igreja tem continuamente colocado o arrependimento, antes do perdão; ou o testemunho dele. 'Ele perdoa e absolve os que verdadeiramente se arrependem, e sinceramente acreditam em seu santo Evangelho.  O Deus poderoso tem prometido o perdão dos pecados a todos que, com arrependimento sincero e fé verdadeira, voltam para Ele'. Mas ele é sempre um estranho para esse arrependimento: aquele que não conhece o coração quebrantado e contrito: 'A lembrança de seus pecados' nunca 'o afligiu', nem 'foi um fardo intolerável'. Ao repetir essas palavras, ele nunca pretendeu dizer o que disse: ele meramente fez um elogio a Deus. E fosse isto apenas da vontade prévia da obra de Deus, ele teria grande razão para acreditar que ele tem agarrado uma mera sombra, e não conhece ainda o real privilégio dos filhos de Deus.      

(5) Novamente, as Escrituras descrevem o nascer de Deus, que deve preceder o  testemunho de que nós somos seus filhos, como uma mudança ampla e poderosa: Uma mudança 'das trevas para a luz'; tanto quanto 'do poder do diabo para o poder de Deus'; como 'passar da morte para a vida'; a ressurreição de entre os mortos. Assim, o apóstolo aos Efésios: (Efésios 2:1) 'E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados'.  E, novamente, em (Efésios 2:5,6) 'Quando nós estávamos mortos no pecado, ele rapidamente nos uniu a Cristo; e tem nos erguido, juntos, e feito nos assentarmos, juntos, nos lugares celestiais, em Jesus Cristo. Mas o que ele sabe, concernente àquele de quem nós agora falamos, de alguma mudança como esta?  Ele é um completo estranho a esse assunto. Esta é uma linguagem que ele não compreende. Ele diz a você que ele sempre foi um cristão. Ele não se lembra de ter, alguma vez, necessitado de tal mudança. Por esse meio também, se ele se permitir pensar, ele pode saber, que ele não é nascido do Espírito; que ele nunca conheceu a Deus; mas tem confundido a voz da natureza humana com a voz de Deus. 

(6) Mas, acenando à consideração do que quer que ele tenha ou não tenha experimentado no passado; pelas marcas presentes nós podemos facilmente distinguir um filho de Deus, de um auto-enganador presunçoso. As Escrituras descrevem aquela alegria no Senhor, que acompanha o testemunho de seu Espírito, como uma alegria humilde; uma alegria que se degrada ao pó; e que faz um pecador clamar:'Eu sou vil! O que eu sou, ou a casa de meu pai? Agora meus olhos vêem a ti, e eu abomino a mim mesmo, e me reduzo a cinzas!'. E onde quer que a humildade esteja, há  brandura, paciência, gentileza, longanimidade. Existe um espírito gentil e submisso: há suavidade, doçura e ternura da alma, cujas palavras não podem expressar. Mas esses frutos atendem este suposto testemunho do Espírito em um homem presunçoso? Exatamente o contrário. Quanto mais confiante ele está do favor de Deus, mais ele se ensoberbece; mais ele se exalta, mais arrogante e pretensioso em todo seu comportamento. Ele imagina ter, em si mesmo, o mais forte testemunho; e, quanto mais arrogante ele é para com todos à sua volta; mais incapaz de receber qualquer reprovação; mais intolerante à contradição. Em vez de ficar mais humilde, gentil e receptivo ao ensino; mais 'pronto para ouvir, e devagar para falar', ele está mais devagar para ouvir e rápido para falar; menos disposto a aprender de alguém; mais firme e veemente em seu temperamento, e impulsivo em sua conversa. Sim. Talvez, possa aparecer, algumas vezes, uma espécie de ferocidade em seu semblante, sua maneira de falar, e toda sua conduta, como se ele fosse justamente tirar a decisão das mãos de Deus, e ele mesmo fosse 'devorar os adversários'.

(7) Uma vez mais: as Escrituras ensinam, 'Este é o amor de Deus', a marca indubitável de que 'nós guardamos seus mandamentos'.  (I João 5:3) 'Porque esta é a caridade de Deus; que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados'.  E o próprio nosso Senhor diz, em (João 14:21) 'Aquele que tem os meus mandamentos, e os guarda, este é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai; e eu o amarei e me manifestarei nele'. O amor regozija-se em obedecer; fazer, em todas as coisas, o que é aceitável para o amado. Aquele que verdadeiramente ama a Deus apressa-se em fazer sua vontade na terra, como ela é feita nos céus. Mas é este o caráter do presunçoso  que finge o amor a Deus? Não, mas seu amor dá a ele liberdade para desobedecer, quebrar, não manter os mandamentos de Deus. Talvez, quando ele estiver no temos da ira de Deus, ele trabalhe para fazer a vontade dele. Mas, agora, sendo mero expectador de si mesmo como alguém que 'não está debaixo da lei',  ele pensa que ele não será por muito tempo obrigado a observar isto. Ele é, por conseguinte, menos zeloso das boas obras; menos cuidadoso de se privar do diabo; menos vigilante sobre seu próprio coração; menos aflito com respeito à sua língua. Ele é menos sincero para negar a si mesmo, e carregar sua cruz diariamente. Em uma palavra. Toda a sua vida mudou, desde que ele ludibriou a si mesmo, por se acreditar em liberdade.  Ele não está mais 'exercitando em si mesmo, na santidade';  lutando, não apenas com a carne e sangue, mas com principados e potestades; suportando privações; 'agonizando para entrar pela porta estreita'. Não; ele tem encontrado um caminho fácil para os céus; um caminho amplo, macio e florido, no qual ele pode dizer para sua alma: 'Alma, tome teu bem-estar; coma, beba e divirta-se'.  Isto segue, com evidência inegável, de que ele não tem o testemunho verdadeiro de seu próprio espírito. Ele não pode estar consciente de ter essas marcas que ele não tem; aquela humildade, brandura e obediência: Nem o Espírito de Deus pode de verdade testemunhar para um mentiroso; ou testificar que ele é um filho de Deus, quando ele é manifestadamente um filho do diabo. 

(8) Revele-se, pobre ludibriador de si mesmo! Você está confiante de ser um filho de Deus; é você quem diz: 'Eu tenho o testemunho em mim mesmo',  e, por conseguinte, desafia todos os seus inimigos. A palavra do Senhor tem tentado sua alma, e provado que você é um réprobo convincente. Você não tem o coração humilde; assim sendo, até esse dia, você não pode receber o Espírito de Jesus. Você não é gentil e humilde; por esta razão, sua alegria não vale nada: não é alegria no Senhor. Você não guarda seus mandamentos; portanto, você não o ama; nem é participante do Espírito Santo. Conseqüentemente, é certo e evidente que o Espírito de Deus não testemunha com o seu espírito que você é filho de Deus. Ó, clame junto a Ele, para que a balança possa recuar de seus olhos; para que você possa conhecer a si mesmo, como você é conhecido; para que você possa receber a sentença de morte em si mesmo, até que você possa ouvir a voz que se ergue dos mortos, dizendo: 'Alegre-se: seus pecados são perdoados; sua fé o fez por inteiro'.

(9) 'Mas como alguém que tem o testemunho real em si mesmo pode distinguir isto da presunção?'. Como, eu imploro, você distingue o dia da noite? Como você distingue luz da escuridão; ou a luz das estrelas, ou brilho da vela, da luz do sol do meio-dia? Não existe uma diferença inerente, óbvia, essencial, entre uma e outra? E você não percebe imediatamente e diretamente esta diferença, assegurando que seus sentidos estão corretamente dispostos? De igual maneira, existe uma diferente inerente e essencial, entre a luz espiritual e a luz da escuridão; e entre a luz, por meio da qual, o Sol da retidão brilha sobre nossos corações, e aquela luz brilhante que se ergue apenas da 'faísca de nossos próprios gravetos'. E essa diferença também é imediatamente e diretamente percebida, se nossos sentidos espirituais estão corretamente dispostos.

(10) Inquirir com respeito a um relato preciso, e filosófico da maneira, por meio da qual, nós distinguimos isto, e do critério, ou marcas extrínsecas, como nós conhecemos a voz de Deus, é fazer uma exigência que nunca poderá ser respondida. Não. Nem por alguém que tenha o mais profundo conhecimento de Deus.  Suponha quando Paulo respondeu diante de Agrippa, o romano sábio, dizendo: 'Tu falas como se ouvisses a voz de Deus. Como tu sabes que se trata da voz de Deus? Por qual critério; quais marcas intrínsecas, tu conheces a voz de Deus? Explica-me a maneira de distinguir essa, da voz humana ou angelical'.  Você acredita que o próprio Apóstolo teria uma vez tentado responder a tão inútil reivindicação? Ainda assim, indubitavelmente, no momento em que ele ouviu aquela voz, ele soube que era a voz de Deus. Mas como ele soube isso, quem é capaz de explicar? Talvez, nenhum homem, ou anjo.

(11) Buscando uma maior aproximação, suponha que Deus esteja agora falando para alguma alma: 'Teus pecados foram perdoados' —  ele deve estar desejoso de que aquela alma conheça sua voz; do contrário, ele não falaria em vão. E ele é capaz de executar isso; já que, quando quer que ele queira, fazer está presente com ele. E ele executa isso: aquela alma está absolutamente segura 'de que se trata da voz de Deus'.  Mas, ainda assim, ele que tem esse testemunho em si mesmo não pode explicar para alguém que não tem. Nem, de fato, espera-se que ele deva. Existisse algum meio natural de provar, ou método natural para explicar as coisas de Deus ao homem inexperiente, então, o homem natural deveria discernir e saber as coisas do Espírito de Deus. Mas isto é extremamente ao contrário da assertiva do Apóstolo, em (I Cor. 2:14) 'Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parece loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente';  mesmo através dos sentidos espirituais, que o homem natural não tem.

(12) 'Mas como eu posso saber, se meus sentidos espirituais estão dispostos corretamente?'. Isto também é uma questão de vasta importância; já que, se um homem se engana nisto, ele pode cair no erro e ilusão sem fim. 'E como eu posso estar seguro de que não seja esse o meu caso; e que eu não me enganei com a voz do Espírito?'.  Mesmo através do testemunho do Espírito, através de (Atos 23:1) 'E pondo Paulo os olhos, no conselho, disse: Varões irmãos, até ao dia de hoje,tenho andado diante de Deus, com toda boa consciência'.  Através dos frutos que ele tem forjado em seu espírito, você deve saber o testemunho do Espírito de Deus. Por meio disto, você deve saber, se você está iludido; se você não tem enganado a sua própria alma. Os frutos imediatos do Espírito existentes no coração são, como em (Gálatas 5:22,23) 'Mas o fruto do Espírito e: amor, alegria, paz, longanimidade, humildade de mente, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra essas coisas não há lei'.  E os frutos exteriores são, como em (I João 1:7) 'Mas se andarmos na luz, como ele está na luz, termos comunhão uns com os outros, e o sangue de Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado'. Uma obediência zelosa e uniforme de todos os mandamentos de Deus.   

(13) Pelos mesmos frutos, nós podemos distinguir essa voz de Deus, de alguma ilusão do diabo. Aquele espírito do orgulho não pode humilhá-lo diante de Deus. Ele nem pode, nem poderia suavizar seu coração e fazê-lo derreter-se num murmúrio sincero em busca de Deus, e, então, para o seu amor filial. Não é o adversário de Deus e homem que o capacita a amar seu próximo; ou a colocar humildade, gentileza, paciência, temperança, e toda a proteção de Deus. Veja, em (Col. 3:12-14) 'Revesti,vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade; suportando-vos, uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outros; assim como Cristo vos perdoou, assim fazeis vós também. E, sobre tudo isto: revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição'. (Efésios 6:11) 'Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes, contra as astutas ciladas do diabo'. Ele não está dividido contra si mesmo, ou um assolador do pecado, sua própria obra. Não. 'Quem comete o pecado é o diabo, porque o diabo peca, desde o princípio. Para isto, o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo' (I João 3:8). Como certamente, por conseguinte, assim como a santidade é de Deus, e o pecado é obra do diabo, então, certamente, o testemunho que você tem, em si  mesmo, não é do diabo, mas é de Deus.

(14) Assim, então, você pode dizer: (2 Cor. 9:15) 'Graças a Deus, pois, pelo seu dom inefável'.  (2 Tim. 1:12) 'Por cuja causa padeço também isto, mas não me envergonho, porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia'.(Gal. 4:6) 'E, porque vós sois filhos, Deus enviou, aos vossos corações, o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai'. E mesmo agora, (Rom. 8:16) O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito de que somos filhos de Deus'.  E veja, em (I Cor. 6:20) 'Porque fostes comprados, por bom preço;glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus. (I João 3:1) 'Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai: que fôssemos chamados filhos de Deus. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não conhece a ele'.(2 Cor. 7:1) 'Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda imundícia da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus'. (Rom. 12:1,2) 'Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresentei o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus , que é vosso culto racional. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que vós experimentais qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus'.