quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Inspiração Bíblica

Bibliologia – Conhecendo a Palavra da Verdade


Por: Saulo Davidson
Assembléia de Deus - Ananindeua-PA
saulodavidson@hotmail.com





O que é Inspiração Divina?

É a influência sobrenatural do Espírito Santo como um sopro, sobre os escritores da Bíblia, capacitando-os a receber e transmitir a mensagem divina sem mistura.
Não podemos confundir revelação com inspiração. Enquanto a revelação é o ato pelo qual Deus torna-se conhecido pelos homens, a inspiração diz respeito ao modo como os homens recebem e transmitem essa revelação.
As Escrituras tanto falam da inspiração do escritor quanto da inspiração do escrito: um é o agente, o outro é o efeito.
Embora a palavra inspiração seja usada apenas uma vez no Novo Testamento (2Tm 3.16) e outra no Antigo Testamento (Jó 32.8), o processo pelo qual Deus transmite sua mensagem autorizada ao homem é apresentado de muitas maneiras.

Definição Teológica da Inspiração

A Bíblia que é inspirada, e não seus autores humanos. O adequado, então, é dizer que: o produto é inspirado, os produtores não. Tal sentido mais amplo inclui o processo total porque alguns homens, movidos pelo Espírito Santo, enunciaram e escreveram palavras emanadas da boca do Senhor; e, por isso mesmo, palavras dotadas da autoridade divina. É esse processo total da inspiração que contém os três elementos essenciais: a causalidade divina, a mediação prof´rtica e a autoridade escrita.

Causalidade divina

Deus é a Fonte Primordial da inspiração da Bíblia. O elemento divino estimulou o elemento humano. Primeiro Deus falou aos profetas e, em seguida, aos homens, mediante esses profetas. Deus revelou-lhes certas verdades da fé, e esses homens de Deus as registraram. O primeiro fator fundamental da doutrina da inspiração bíblica, e o mais importante, é que Deus é fonte principal e a causa primeira da verdade bíblica.

Mediação profética

Os profetas que escreveram as Escrituras não eram autômatos. Eram algo mais que meros secretários preparados para anotar o que se lhes ditava. Escreveram segundo a intenção total do coração, segundo a consciência que os movia no exercício normal de sua tarefa, com seus estilos literários e seus vocabulários.

Autoridade escrita

O produto final da autoridade divina em operação por meio dos profetas, como intermediários de Deus, é a autoridade escrita de que se reveste a Bíblia.
Em suma, a definição adequada de inspiração precisa ter três fatores fundamentais: Deus, o causador original, os homens de Deus, que serviram de instrumentos, e a autoridade escrita, ou Sagradas Escrituras, que são o produto final.

A Natureza da Inspiração

O elo da cadeia comunicativa “de Deus para nós” chama-se inspiração. Há diversas teorias sobre a inspiração. Algumas não se coadunam com o ensino bíblico. Nosso propósito, portanto tem dois aspectos.

 Examinar teorias sobre inspiração.
 Apurar o que está implícito no ensino da Bíblia a respeito de sua própria inspiração.
Teorias sobre a Inspiração Divina

Teorias a respeito da inspiração bíblica têm variado segundo as características de três movimentos teológicos.


 A ortodoxia
 O modernismo
 Neo-ortodoxia


Historicamente sempre prevaleceu a visão ortodoxa, a saber: a Bíblia é a Palavra de Deus. Surgindo o modernismo, muitos vieram a crer que a Bíblia meramente contém a Palavra de Deus. Recentemente, sob a influência do existencialismo contemporâneo, os teólogos neo ortodoxos ensinam que a Bíblia torna-se a Palavra de Deus quando o indivíduo tem um encontro pessoal com Deus em suas páginas.

 Ortodoxia – A Bíblia é a Palavra de Deus

Teólogos ortodoxos ao longo dos séculos vêm ensinando, todos de comum acordo, que a Bíblia foi inspirada verbalmente, isto é, o registro escrito por inspiração de Deus. No entanto, tem havido tentativas de procurar explicação para o fato de o registro escrito ser a Palavra de Deus e ao mesmo tempo em que o Livro foi composto por autores humanos, dotados de estilos diferentes; essas tentativas conduziram os estudiosos ortodoxos a duas opiniões divergentes.
Alguns abraçaram a idéia do “ditado verbal”, afirmando que os autores humanos da Bíblia registraram apenas o que Deus lhes havia ditado, palavra por palavra. Outros estudiosos preferiam a teoria do “conceito inspirado”, segundo qual Deus só concedeu aos autores pensamentos inspirados, e estes tiveram liberdade de revesti-los com palavras próprias.

 Modernismo – A Bíblia contém a Palavra de Deus

Opondo-se à opinião ortodoxa tradicional que a Bíblia é a Palavra de Deus, os modernistas ensinam que a Bíblia meramente contém a Palavra de Deus. Certas partes dela são divinas, expressam a verdade, outras são obviamente humanas e apresentam erros.
Tais autores acham que a Bíblia foi a vítima de sua época, como acontece a qualquer livro. Afirmam que ela teria incorporado muito das lendas, dos mitos e das falsas crenças relacionadas à ciência.
Alguns modernistas afirmam que os homens que escreveram a Bíblia tiveram apenas uma intuição, dizendo que houve apenas manifestação do conhecimento natural da verdade.

 Neo-Ortodoxia – A Bíblia torna-se a Palavra de Deus

No início do século XX, a reviravolta nos acontecimentos mundiais e a influência do pai dinamarquês do existencialismo, Soren Kierkegaard, deram origem a uma nova reforma na teologia européia. Estudiosos começaram a voltar-se de novo para as Escrituras, a fim de ouvir nelas a voz de Deus. Sem abrir mão de suas opiniões críticas a respeito da Bíblia, começaram a levar a Bíblia a sério, por ser a fonte da revelação de Deus aos homens.
Criando um novo tipo de ortodoxia, afirmavam que Deus fala aos homens, mediante a Bíblia. À semelhança das outras teorias a respeito da inspiração da Bíblia, a neo-ortodoxia desenvolveu duas correntes. Na extremidade mais importante estavam os demitizadores, que negam todo e qualquer conteúdo religioso importante, factual ou histórico, nas páginas da Bíblia, e crêem apenas na preocupação religiosa existencial sobre a qual desenvolve os mitos. Na outra, procuram preservar a maior parte dos dados factuais e históricos das Escrituras, mas sustentam que a Bíblia de modo algum é revelação de Deus.

Teorias Falsas Inspiração da Bíblia

1. Teoria da Inspiração Mecânica ou do Ditado

 Formulação do Conceito: O autor bíblico é um instrumento passivo na transmissão da revelação de Deus. A personalidade do autor é posta de lado para preservar o texto de aspectos humanos falíveis.

 Objeções ao Conceito: Se Deus houvesse ditado a Escritura, o estilo, o vocabulário e a redação seria uniformes. Mas a Bíblia indica diferentes personalidades e modos de expressão nos seus escritores.


2. Teoria da Inspiração Parcial

 Formulação do Conceito: A inspiração diz respeito apenas às doutrinas das Escrituras que não podiam ser conhecidas pelos autores humanos. Deus proporcionou as idéias e tendências gerais da revelação, mas deu ao autor humano, liberdade na maneira de expressá-la.

 Objeções ao Conceito: Não é possível inspirar idéias gerais de modo infalível sem inspirar as palavras da Escritura. A maneira como as palavras de revelação foram dadas aos profetas e o grau de conformidade às próprias palavras da Escritura por parte de Jesus e dos escritores apostólicos indicam a inspiração de todo o texto bíblico, até das palavras.

3. Teoria da Inspiração – Graus de Inspiração

 Formulação do Conceito: Certas partes da Bíblia são mais inspiradas que outras, ou inspiradas de modo diferente. Essa concepção admite erros de diferentes tipos nas Escrituras.

 Objeções ao Conceito: Não se encontra no texto nenhuma sugestão de graus de inspiração (2Tm 3.16). Toda a Escritura é incorruptível e não pode falhar (Jo 10.35; 1Pe 1.23).

4. Teoria da Inspiração da Intuição ou Natural

 Formulação do Conceito: Indivíduos talentosos dotados de excepcional percepção foram escolhidos por Deus para escreverem a Bíblia. A inspiração é semelhante a uma habilidade artística ou a talento.

 Objeções ao Conceito: Esta concepção torna a Bíblia não muito diferente de outras obras literárias religiosas ou filosóficas inspiradoras. O texto bíblico afirma que a Escritura vem de Deus por meio de homens (2Pe 1.20,21).

5. Teoria da Inspiração da Iluminação ou Mística

 Formulação do Conceito: Os autores humanos foram capacitados por Deus a redigirem a Escritura. O Espírito Santo intensificou as suas capacidades normais.

 Objeções ao Conceito: O ensino bíblico indica que a revelação veio por meio de comunicações divinas especiais, e não por meio de capacidades humanas intensificadas. Os autores humanos expressam as próprias palavras de Deus, e não simplesmente as suas próprias palavras.

6. Teoria da Inspiração Verbal, Plenária

 Formulação do Conceito: Elementos tanto divinos quanto humanos estão presentes na produção da Escritura. Todo o texto da Escritura, inclusive as próprias palavras, é um produto da mente de Deus expresso em termos e condições humanas.

 Objeções ao Conceito: Se toda palavra da Escritura fosse uma palavra de Deus, então não existiria o elemento humano que se observa na Bíblia.

A Teoria Correta da Inspiração da Bíblia

 Formulação do Conceito: É chamada de Teoria da Inspiração Plenária ou Verbal. Ela ensina que todas as partes da Bíblia são igualmente inspiradas; que os escritores não funcionaram quais máquinas inconscientes; que houve cooperação vital e contínua entre eles e o Espírito de Deus que os capacitava. Afirma que homens santos escreveram a Bíblia com palavras de seu vocabulário, porém sob uma tão poderosa do Espírito Santo, que o que eles escreveram foi a Palavra de Deus.

O Ensino Bíblico a Respeito da Inspiração

Objeções têm sido levantadas contra as teorias da inspiração, partindo de diferentes concepções, com variados graus de legitimidade, independentemente do ângulo de observação da pessoa que as formula. Visto que o objetivo deste estudo é levar o leitor a compreender o caráter da Bíblia; o critério analítico que escolhemos, visa avaliar essas teorias, levando em consideração o que as Escrituras revelam a respeito de sua própria inspiração.
A Bíblia declara ser um livro dotado de autoridade divina, resultante de um processo pelo qual, homens movidos pelo Espírito Santo escreveram textos inspirados (soprados) por Deus. Vamos agora examinar em minúcias o que significa essa declaração.

 A inspiração plena e verbal da Bíblia;
 A inspiração e inerrância das Escrituras.

Quando dizemos inspiração verbal é para denotar cada palavra, e, inspiração plena, para dar o sentido de completo, inteiro; o que contraria o conceito de inspiração parcial.

 Compreendendo a Inspiração Divina

Para que sua palavra chegasse a nós, Deus usou homens, que foram auxiliados e diretamente assistidos pelo Espírito Santo, a fim de não permitir que eles cometessem erros quando escreviam o registro fiel e verdadeiro da Palavra de Deus.
Eram homens cheios de fraquezas, dúvidas, negações, divergências, etc, mas quando estavam sob a atuação do Espírito de Deus, jamais falharam nas mãos de Deus.
Com inspiração queremos dizer que os manuscritos originais da Bíblia nos foram concedidos pela revelação de Deus, exatamente por isso, detêm a absoluta autoridade de Deus, para formar o pensamento e a vida cristã. Isso significa que tudo quanto a Bíblia ensina constitui tribunal de apelação infalível.

 A Inspiração é verbal

As Escrituras do Antigo Testamento são continuamente mencionadas como Palavra de Deus. No célebre sermão da montanha, Jesus declarou que não só as palavras, mas até mesmo os pequeninos sinais diacríticos de uma palavra hebraica vieram de Deus.
Portanto, o que se diz como teoria a respeito da inspiração das Escrituras, fica bem claro que a Bíblia reivindica para si mesma toda a autoridade verbal ou escrita.
Inspiração verbal significa que, na preparação das Santas Escrituras, a superintendência do Espírito Santo se estende às próprias palavras empregadas. As Escrituras constantemente afirmam que as suas palavras foram dadas ou dirigidas pelo Espírito Santo (At 28.25; 1Co 2.13; 2Pe 1.21).

 A Inspiração é plena

A inspiração plena da Bíblia é um fato incontestável porque assuntos vitais como expiação, salvação, ressurreição, recompensas e castigo futuros requerem a direção de um Espírito infalível a fim de se evitarem informações que levem ao erro. Inspiração plena significa que toda a Bíblia é inspirada em todas as suas partes.
Na verdade, os escritores bíblicos escreveram suas mensagens com palavras de seu próprio vocabulário, porém, inspirados e influenciados pelo Espírito Santo. Ele guiou os escritores na escolha das palavras de acordo com a personalidade e o contexto cultural de cada um. Apesar de conter palavras humanas, a Bíblia é a Palavra de Deus.
A teologia modernista não aceita a doutrina sobre a inspiração plenária da Bíblia. Eles concordam em aceitar que as idéias ou pensamentos da Bíblia podem ser inspirados, mas que as palavras usadas, no texto, são um produto de autores, os quais estão sujeitos a erros.

 Rejeitamos toda a crítica contra a Bíblia, porque Jesus considerou as Escrituras como “Palavra de Deus” (Mc 7.13).

 Rejeitamos a crítica modernista, contra a veracidade da Bíblia, porque seria uma ofensa contra Deus que é perfeito (Mt 5.48), afirmar que a sua Palavra contém erros e mentiras.

 A palavra da “Ciência” também nunca é a última “palavra”. Um grande teólogo alemão, A. Luescher constatou em uma de suas obras, que no ano de 1850 os críticos contra a Bíblia apresentaram 700 argumentos científicos contra a veracidade da Bíblia. Hoje, 600 destes argumentos já foram deixados por descobertas mais atualizadas.

Negar a inspiração plena das Escrituras, portanto é desprezar o testemunho fundamental de Jesus Cristo (Mt 5.18; 15.3-6; Lc 16.17; 24.25-27,44,45; Jo 10.35), do Espírito Santo (Jo 15.26; 16.13; 1Co 2.12,13, 1Tm 4.1) e dos apóstolos (2Tm 3.16;2Pe 1.20,21).

 A Inspiração atribui autoridade

O termo “Escritura”, conforme se encontra em 2Tm 3.16 refere-se principalmente aos escritos do Antigo Testamento (2Tm 3.15). Há evidências, porém, que os escritos do Novo Testamento já eram considerados escritura divinamente inspirada por volta do período em que Paulo escreveu 2Timóteo (1Tm 5.18, cita Lc 10.7; 2Pe 3.15,16).
A Bíblia, nas palavras dos seus manuscritos originais, não contém erro; sendo absolutamente verdadeira, fidedigna e infalível. Esta verdade permanece inabalável, não somente quando a Bíblia trata da salvação, valores éticos ou morais, como também está isenta de erro em tudo aquilo que ela trata inclusive a história e o cosmos (2 Pe 1.20,21).
Na sua ação de inspirar os escritores pelo seu Espírito, Deus, sem violar a personalidade deles, agiu neles de tal maneira que escreveram sem erro (2Tm 3.16; 2Pe 1.20,21; 1Co 2.12,13).
A inspirada Palavra de Deus é a expressão da sabedoria e do caráter de Deus e pode, portanto, transmitir sabedoria e vida espiritual através da fé em Cristo (Mt 4.4; Jo 6.63; 2Tm 3.15; 1Pe 2.2). A Bíblia Sagrada é um testemunho infalível e verdadeiro de Deus, na sua atividade salvívica a favor da humanidade em Cristo Jesus.
Na Igreja, a Bíblia deve ser a autoridade final em todas as questões; de ensino, repreensão, correção, doutrina e instrução na justiça (2Tm 3.16,17).
Se a Bíblia fosse um livro originado pelo homem, ela não poria a descoberto as faltas e falhas dele. Os homens jamais teriam produzido um livro como a Bíblia, que só dá toda a glória a Deus enquanto mostra a fraqueza do homem. A Bíblia tanto diz que Davi era um homem segundo o coração de Deus (At 13.22), como também revela seus pecados como vemos nos Livros de Reis, Crônicas e Salmos. É também o caso da embriaguez de Noé, a dissimulação de Abraão, o caso de Ló, idolatria e luxúria de Salomão. Nada disto está escrito para imitarmos, mas para nossa admoestação e para provar a imparcialidade da Bíblia. É ela o único Livro assim.
O homem jamais escreveria um livro como a Bíblia, que põe em relevo as fraquezas e defeitos humanos.

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