quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Teorias da Inspiração

Teorias da Inspiração

A ins­pi­ra­ção é enten­dida como sendo uma influên­cia espi­ri­tual, emo­ci­o­nal, ou men­tal, de forma a moti­var alguém a pra­ti­car alguma acção. Mas, há qua­tro teo­rias da ins­pi­ra­ção, as quais vamos considerar:
. A ins­pi­ra­ção natu­ral é a ale­ga­ção de que a Bíblia não é mais ins­pi­rada do que qual­quer outra obra artís­tica. A ins­pi­ra­ção é mera­mente um dis­cer­ni­mento supe­rior exis­tente nal­gu­mas pes­soas. Esta teo­ria não dá lugar a qual­quer acção sobre­na­tu­ral do Espí­rito Santo. Assim, estes teó­ri­cos não têm muita cer­teza na vera­ci­dade da Bíblia.
. A ins­pi­ra­ção par­cial é o reco­nhe­ci­mento de que há algu­mas par­tes das Escri­tu­ras que foram ins­pi­ra­das, outras não. Alguns des­tes teó­ri­cos acre­di­tam que as pala­vras pro­fe­ri­das por Deus, ou por Jesus, são mais ins­pi­ra­das do que as outras dos pró­prios escri­to­res. Outros acham que as ver­da­des dou­tri­ná­rias são ins­pi­ra­das, mas refe­rên­cias his­tó­ri­cas, geo­grá­fi­cas, ou cien­tí­fi­cas, estão sujei­tas a erro. Deste modo, algu­mas par­tes da Bíblia são ple­na­mente ins­pi­ra­das, outras são par­ci­al­mente ins­pi­ra­das, e o res­tante não é ins­pi­rado. Esta teo­ria des­trói a con­fi­ança na Bíblia por­que fica­mos sem saber em que confiar.
3. A ins­pi­ra­ção ditada é a teo­ria que alega terem sido os escri­to­res secre­tá­rios de Deus que regis­ta­ram cada pala­vra rece­bida. Estes teó­ri­cos valem-se de pas­sa­gens como estas: “Disse mais o Senhor a Moi­sés, ou, assim diz o Senhor” (cf. Êx.34.27). Ora, se Deus tivesse ditado todas as pala­vras das Escri­tu­ras o seu voca­bu­lá­rio e estilo seriam seme­lhan­tes do prin­cí­pio ao fim, o que não acon­tece. Os qua­renta escri­to­res da Bíblia, durante cerca de 1500 anos, reve­lam estilo e voca­bu­lá­rio dife­ren­tes. Esta teo­ria está errada por­que temos evi­dên­cias de que Deus usou voca­bu­lá­rio, estilo e obser­va­ção humana na com­po­si­ção da mensagem.

4. A ins­pi­ra­ção ple­ná­ria sugere que toda a Escri­tura é igual­mente ins­pi­rada por Deus. Paulo afirma isso ao dirigir-se a Timó­teo em 2 Tm. 3.16. No acto da ins­pi­ra­ção o Senhor con­tou com o inte­lecto, a cul­tura, o voca­bu­lá­rio, e o estilo da cada escri­tor. Eles foram gui­a­dos pelo Espí­rito Santo a escre­ver a men­sa­gem certa, porém, com as suas carac­te­rís­ti­cas pes­so­ais. Nós cre­mos na ins­pi­ra­ção ple­ná­ria por­que dá solu­ção ao pro­blema de voca­bu­lá­rio e estilo dife­ren­tes nos vários livros da Bíblia (cf. 1 Tes. 2.13). A nossa con­fi­ança na ins­pi­ra­ção ple­ná­ria afecta a nossa ati­tude em rela­ção à Bíblia e o nosso modo de viver.

Na ins­pi­ra­ção plena há três sig­ni­fi­ca­dos impor­tan­tes a considerar:
. Sig­ni­fica que a men­sa­gem é infa­lí­vel, pois aquilo que Deus fala não pode falhar. Sem­pre pro­du­zirá o resul­tado para o qual foi ins­pi­rada e escrita (cf. Is. 55.11; Sl. 19.7,8). Onde a Bíblia fala dos pro­pó­si­tos de Deus pode­mos con­fiar que essa é a Sua von­tade e o Seu plano. Dizer infa­lí­vel sig­ni­fica afir­mar que é inca­paz de indu­zir alguém a errar, se a men­sa­gem for inter­pre­tada correctamente.
2. Sig­ni­fica que a men­sa­gem é sufi­ci­ente para levar os peca­do­res à sal­va­ção e para ori­en­tar os filhos de Deus no cami­nho certo. É a men­sa­gem ade­quada para infor­mar o homem acerca da von­tade de Deus e da sua sal­va­ção (2 Tm. 3.16,17). Por isso os refor­ma­do­res afir­ma­ram: “ Só Escri­tura, só Graça, só Fé.”
. Sig­ni­fica que a men­sa­gem é auto­ri­zada por­que veio do pró­prio Deus. Ele reve­lou a Sua von­tade e ins­pi­rou os homens san­tos a escre­ver essa von­tade para ser obe­de­cida. A Sagrada Escri­tura é a maior auto­ri­dade reco­nhe­cida pelos cris­tãos. E a dou­trina da ins­pi­ra­ção plena é fun­da­men­tal para o reco­nhe­ci­mento da sua auto­ri­dade. A Bíblia é a Pala­vra de Deus infa­lí­vel e a Sua reve­la­ção per­feita. Se for estu­dada e com­pre­en­dida à luz da boa her­me­nêu­tica, a soci­e­dade não pre­cisa de qual­quer outra reve­la­ção. Pois, ela ensina, cla­ra­mente e com auto­ri­dade, tudo acerca de Deus e das suas criaturas.
Con­traste entre reve­la­ção e inspiração
A reve­la­ção é dife­rente da ins­pi­ra­ção. A reve­la­ção é a comu­ni­ca­ção da ver­dade que não pode­ria ser des­co­berta dou­tra forma. A ins­pi­ra­ção está rela­ci­o­nada com o registo dessa ver­dade forma fiel. A reve­la­ção trata de comu­ni­car a ver­dade, enquanto a ins­pi­ra­ção ocupa-se do registo fiel da mesma.
Por exem­plo, Moi­sés regis­tou a his­tó­ria da Cri­a­ção con­forme Deus lha reve­lara. Porém, o Êxodo foi regis­tado con­forme a sua obser­va­ção dos fac­tos. Mas, em ambos os casos foi ins­pi­rado pelo Espí­rito de Deus para regis­tar os fac­tos para a pos­te­ri­dade. Outro fac­tor que merece aten­ção é aquele das más acções regis­ta­das na Bíblia. Tudo isto foi ins­pi­rado e regis­tado fiel­mente para nosso ensino, a fim de conhe­cer­mos a verdade.
A His­tó­ria da Cri­a­ção foi reve­lada a Moi­sés que, ins­pi­rado pelo Espí­rito Santo, a escre­veu. No entanto, ao regis­tar o relato do Êxodo, Moi­sés foi ins­pi­rado a escre­ver aquilo que obser­vara. Em ambos os casos Moi­sés estava sob a influên­cia e ins­pi­ra­ção de Deus. Mesmo quando a Escri­tura narra fac­tos bons e maus, até as acções de Sata­nás, mesmo assim, tudo foi ins­pi­rado para ficar regis­tado a fim de ser­mos ensi­na­dos (Rm. 15.4).

Nenhum comentário:

Postar um comentário