terça-feira, 26 de abril de 2011

Introdução BIBLICA

INTRODUÇÃO BÍBLICA



I – INTRODUÇÃO A TEOLOGIA

• Por definição, teologia é o estudo de Deus (theos = Deus; logos = estudo / tratado).
• Segundo Strong, teologia é o estudo de Deus e das relações entre Deus e o universo.
• Agostinho diz que a teologia é uma discussão racional a respeito da divindade.
• Portanto, teologia não se caracteriza pela teoria apenas, mas pelo relacionamento do Criador com a criatura.

1. Importância do Estudo da Bíblia e da Teologia

• Por algum tempo, principalmente entre os pentecostais, o estudo da teologia era um tabu, pois a interpretação de 2 Coríntios 3.6 estava relacionado com o estudo sistemático da Bíblia – a letra (estudo) mata, mas o espírito (experiência) vivifica.
• O estudo da Bíblia deve ser feito em consonância com 2 Pe 3.18, onde a graça é a comunhão com o Espírito Santo e o conhecimento é estudo sistemático das Escrituras.

a) Adquirir Conhecimento – 1 Tm 4.13
• Trata-se de informação acerca das Escrituras – Ne 8.5-8
• Caracteriza-se pela leitura contínua, crescente, abrangente e pelo estudo sistemático das Escrituras Sagradas – Dt 6.6-9
• Tipos de leitura bíblica:
 Devocional – Leitura do coração
 Dirigida – Sequência de um roteiro
 Temática – Aprofundamento num tema
 Doutrinária – Inserção do texto na doutrina bíblica
 Exegética – Extrair o real sentido do texto

b) Adquirir Sabedoria – Pv 4.7-9
• A sabedoria está ligada a prudência e a sensatez (Pv 14.1).
• O sábio é aquele que consegue aplicar o conhecimento no dia a dia.
• No que tange ao mundo espiritual, a sabedoria é dada por Deus (2 Cr 1.7,10-12; Tg 1.5; 3.17; 2).
• O estudo bíblico nos faz sábios porque a Palavra de Deus é poderosa para quebrantar corações e moldar o homem conforme o caráter de Deus (Sl 119.9,11,57,98-100,130).

c) Adquirir Comunhão – 1 Jo 1.3,6,7
• A teologia só pode ser compreendida plenamente se houver relacionamento pessoal entre o estudante da Bíblia e a própria divindade.
• Deus está interessado em se revelar ao homem, pois isso faz parte da sua própria natureza (Am 3.7; Jo 17.3; Rm 1.18-20).
• A busca maior do crente é permanecer na presença do Pai (Sl 42.1,2; 84.10; Os 6.3; Lc 10.38-42; Cl 3.1-3).
• Exemplo de Jó (Jó 1.1; 42.5,6).

2. As Divisões da Teologia

a) Teologia Bíblica
• Leva em consideração os fatos revelados exclusivamente na Bíblia, bem como o ambiente histórico e geográfico descrito nas Escrituras.
• Somatório da teologia do AT e do NT.
b) Teologia Histórica
• Traça o desenvolvimento das doutrinas bíblicas desde o tempo dos apóstolos até os dias atuais e também é chamada de História da Igreja.
• Nesta teologia encontram-se os desvios da Igreja Católica Apostólica Romana.
• Exemplos: Era Patrística, Reforma Protestante, Movimento Pentecostal, Teologia Liberal, Neopentecostalismo, etc.

c) Teologia Sistemática
• É o somatório da Teologia Bíblica e a Histórica.
• Busca um norte doutrinário acerca do conhecimento de Deus e suas relações com o universo.
• É o ponto de equilíbrio daquilo que está registrado na Bíblica e o que os teólogos propuseram durante a histórica pós-canônica.
• Divisões:
 Prolegômenos – Introdução à Teologia.
 Epistemologia – Teoria do conhecimento; sua origem, métodos e validade.
 Teontologia – Existência de Deus e os argumentos teológicos (Cosmológico; Teleológico; Antropológico; Ontológico).
 Bibliologia – Estudo do cânon e suas propriedades.
 Teísmo ou Teologia Própria – Estudo da pessoa de Deus e seus atributos; Estudo da Trindade.
 Angelologia – Estudo dos anjos bom, anjos maus e satanás.
 Antropologia – Estudo do homem, sua criação e natureza.
 Hamarteologia – Estudo do pecado, sua origem e como o homem foi afetado por ele.
 Cristologia – Estudo da pessoa de Cristo e sua obra.
 Soteriologia – Estudo da Salvação e da Expiação.
 Paracletologia ou Pneumatologia – Estudo da pessoa do Espírito Santo, seus símbolos e suas atuações.
 Eclesiologia – Estudo da Igreja, suas funções, sua natureza e sua organização.
 Escatologia – Estudo das últimas coisas, do porvir. Abordagem das três correntes escatológicas: Pré-milenismo, Amilenismo e Pós-milenismo.

d) Teologia Prática
• É a aplicação das verdades bíblicas.
• Trata-se da vivência cotidiana do salvo.
• Dentre outras disciplinas, fazem parte da Teologia Prática:
 Homilética – Preparação de sermões
 Hermenêutica – Interpretação Bíblica
 Exegese – Análise profunda do texto levando em consideração as línguas originais, o contexto histórico-cultural e a ênfase doutrinária.
 Teologia Pastoral – Organização eclesiástica e aconselhamento cristão.

3. Teologia Contemporânea

• Trata-se de uma nova reflexão sobre os assuntos ligados a teologia.
• Verifica-se uma busca por ações concretas, pois o pensamento teológico não é nenhum fim em si mesmo.
• Aquilo que se faz está intimamente ligado ao que se pensa.
• Existe, na sociedade moderna, o confronto dos ideais de moralidade de gerações passadas com a realidade atual.


• A Teologia Contemporânea vai pontuar sobre:
 A posição do homem diante de Deus.
 Conceito de revelação divina.
 O problema do pecado.
 Questões relacionadas com salvação.
 Entendimento sobre Igreja.
 Destino final da humanidade.

a) Ortodoxia da Igreja
• Trata-se de doutrinas exclusivamente descritivas.
• O cristianismo ortodoxo é aquele que tem aprovação da imensa maioria dos cristãos.
• São expressas pelas proclamações oficiais ou por confissões de fé formuladas por grupos cristãos.
• O maior expoente da ortodoxia no Ocidente foi o bispo de Hipona, Agostinho.
• Calvino foi o primeiro a fazer teologia protestante fundamentada na ortodoxia agostiniana.
• Pontos principais da Ortodoxia da Igreja:
 A ressurreição de Cristo (1 Co 15.17) – demonstração de superioridade do Espírito de Deus/Cristo sobre o espírito do mal.
 A reconciliação do mundo em Cristo (2 Co 5.19).
 O amor como descrição da vida e do ensino de Cristo (1 Jo 4.8).
 A salvação pela graça, mediante a fé (Ef 2.8) – luta contra o legalismo (Lc 17.10; Rm 5.8).
 Fé como auto-rendição de uma vida que produz frutos para Deus.
 Nascimento virginal de Jesus Cristo por obra do Espírito Santo.
 A Santíssima Trindade – relação entre Pai, Filho e Espírito Santo.
 Jesus Cristo, verdadeiramente divino, obra de Deus, e verdadeiramente humano.
 Pecado original – incapacidade de fazer o bem; propensão para o mal; o homem não pode se livrar do pecado sozinho.
 Doutrina da predestinação (Agostinho e Calvino) como doutrina básica para experiência da segurança espiritual.
 A substituição de Cristo morrendo em nosso lugar, fazendo-se pecado por nós.
• A primeira heresia que ameaçou o cristianismo foi o Gnosticismo de 2º e 3º século.
• Pontos principais do Gnosticismo:
 Movimento filosófico que procurava extrair o que de melhor existia em cada religião.
 Dualismo – o mundo se divide entre dois poderes: o mal e o bem.
 O mal se constituía pelo mundo material.
 A salvação era apenas da alma e só ocorreria mediante a renúncia da carne e da obtenção do conhecimento (gnose – grego gnosis que significa conhecimento).
 Jesus era divino, mas não era humano.
 Seus seguidores possuíam um comportamento puro.
• A ortodoxia tornou-se necessária para combater essa e outras heresias que ameaçaram a solidificação das doutrinas cristãs.

b) Liberalismo Teológico
• Nasce no final do século XIX e tem seu apogeu no início do século XX.
• Trata-se da reconstrução do cristianismo ortodoxo.
• Grande confronto entre conservadores ortodoxos, chamados de fundamentalistas e os liberais.
• Seus seguidores se achavam salvadores da essência do cristianismo e culpavam os fundamentalistas de envelhecê-lo ao ponto do cristianismo perder sua influência na sociedade.
• O liberalismo possui dois elementos:
 Modernização da teologia cristã – repensar o cristianismo de modo que ele seja expresso em formas mentais inteligíveis ao mundo atual.
 Recusa em aceitar a fé religiosa só com base na autoridade – todas as crenças devem ser submetidas à razão e à experiência, pois a mente humana é capaz de avaliar os pensamentos vindos de Deus.
• A mente deve conservar-se aberta a todas as verdades, independente da procedência delas.
• O surgimento de novos fatos pode modificar as convicções consagradas pelo costume e pelo tempo.
• Acreditam na alta crítica da Bíblia e na teoria da evolução.
• Influência do Idealismo Absoluto de Hegel e Lotze – o homem pode crer no próprio conhecimento e também acreditar que o mundo expressa uma mente ou razão.
• O Idealismo Absoluto era uma filosofia de teor otimista onde o bem triunfaria sobre o mal.
• Grande ênfase na imanência de Deus, contrapondo-se ao fundamentalismo que focava na sua transcendência.
• A ênfase na imanência tende a humanizar a divindade.
• A prova da existência de Deus não fica restrita ao cristianismo; outras religiões também dispõem de revelação divina.
• Acerca de Cristo, os liberais enfatizavam o Jesus Histórico dando-lhe autoridade em três formas:
 Jesus é a ilustração do tipo de conduta que se deve ter na sociedade.
 O tipo de motivação que o cristão deve ter ditado pelo amor.
 Confiança na superação dos obstáculos da vida.
• Hordern, Teologia Contemporânea, págs 108 e 109 – posição de fundamentalistas e liberais acerca de Jesus.
• Todos os homens são filhos de Deus.
• Os liberais negam a doutrina do pecado original e nada existe de errado na natureza humana.
• O homem pode vencer o domínio do pecado mediante a educação e a contemplação dos ideais de Jesus.
• A verdade da religião deverá ser julgada pela transformação do mundo em um lugar melhor para se viver.
• A Escola do Evangelho Social enfatizava que os homens são moldados pela sociedade e que a idéia do Reino de Deus é uma sociedade onde os homens se comportem como irmãos.
• O liberalismo possui três tendências:
 Grupo Humanista (ala da esquerda) – em 1933 publicou um manifesto de teor naturalista onde se negava a existência de Deus, a imortalidade da alma e as explicações sobrenaturais; Deus é o mundo; Deus é o homem que sonha; ênfase a ética como critério de julgamento; a Bíblia como livro puramente humano; Jesus como homem dotado de incríveis virtudes.
 Filosofia Empírica da Religião – a religião enquadrada na ciência; só é possível conhecer algo a respeito de Deus mediante a experimentação; filosofia personalista que limita a ação de Deus e o homem é chamado para colaborar com Deus na luta contra o mal.
 Liberalismo Evangélico – constitui-se da maioria dos liberais; valorizam a razão, se mantêm com a mente aberta para as novas correntes teológicas e estão alicerçados na Bíblia e na tradição cristã; crêem na existência do Deus transcendente, mas enfatizam em suas pregações o Deus imanente; Jesus é a revelação suprema de Deus.
• O liberalismo tem seu declínio em meados do século XX com o fim da 2ª Guerra Mundial e o advento da pós-modernidade.
• Nasce o neoliberalismo onda a pessoa de Cristo volta a ter um lugar de destaque em detrimento do Jesus Histórico.
• O neoliberalismo traz uma maior importância para a igreja, enfatizando a igreja universal, invisível que está acima de qualquer denominação.

c) Karl Barth
• Teólogo suíço que perturbou a Europa protestante em 1919 com seu comentário sobre a carta aos Romanos.
• Maior expoente da teologia NEO-ORTODOXA e encontra-se na lista dos dez maiores teólogos de todos os tempos.
• Nasceu na Basiléia em 1886 e teve forte influência de teólogos liberais como Harnack e Hermann.
• Foi um dos fundadores da Igreja Confessional Alemã e foi um dos mais vorazes opositores ao nazismo.
• Em 1935 foi obrigado a deixar a Alemanha por que se recusou a jura fidelidade ao partido nazista.
• No início de seus escritos como teólogo liberal, acreditou que o Reino de Deus pudesse ser estabelecido mediante aos esforços de homens cheios de dedicação cristã.
• A 1ª Guerra Mundial veio de encontro ao seu entendimento otimista acerca do homem.
• Foi então que ele se volta integralmente para a Bíblia a fim de adicionar um pouco de tempero à teologia da época.
• Barth definia teologia como “um falar a partir de Deus”.
• Para Barth, a teologia deve levar em consideração as condições contemporâneas.
• Pontos a se destacar na teologia barthiana:
 Não é o homem que procura a Deus, mas Deus que procura o homem.
 Distinção entre religião e fé; religião é a procura de um deus que corresponda aos desejos humanos.
 Jesus é a revelação divina que destrói qualquer religião.
 Distinção da Bíblia e a Palavra de Deus; os registros bíblicos são sinais de Deus para o homem.
 Deus não revela informações, mas a sim mesmo – a sua palavra é dirigida a uma pessoa em situação específica.
 O homem não pode compreender a Deus mediante as faculdades da razão.
 Sem o auxílio de Deus o homem está fadado a cair no pecado.
 Deus revela sua onipotência na capacidade de tornar-se fraco; Ele não se satisfaz em viver a sós no céu, ao contrário, Ele busca a companhia do homem.
 Pensamento de Barth sobre o sacrifício de Cristo – Hordern, Teologia Contemporânea, pág. 178.
 A cruz de Cristo e sua ressurreição fizeram com que a igreja surgisse.
 Barth expressa total repugnância a qualquer ética que procure se traduzir em regras e preceitos.
 Obedecer a Deus é expressar o entendimento do amor de Deus; mediante a obediência o homem se torna livre.
 O estado não existe para ser cultuado; o poder que o estado tem é limitado pela vontade divina.

d) Tendências Teológicas Atuais
• Busca para solução dos graves problemas de nossa época.
• Assim como o mundo está em grande mutação, a teologia também deve sofrer mudanças.
• Principais mudanças sociais:
 Revolução tecnológica
 Capacidade de estimular a expectativa
 Revolução ética
• Cristianismo secularizado, como maior inimigo da igreja.
• O secularismo consiste numa vida sem qualquer preocupação de natureza espiritual.
• O secularista poderá prestar culto a Deus ou não, mas o fato será que procurará viver como se Deus não existisse.
• Preocupação de se encontrar novas formas eclesiásticas para se prestar serviço ao mundo.
• Teologia da “morte de Deus”:
 Frase dita originalmente pelo filósofo Friedreich Nietzsche.
 Impressão que Deus não assume nenhuma aparência de realidade.
 O Deus vivo da Bíblia pode ser ignorado pelos homens.
 Segundo Fp 2.6-8, Deus morreu em Cristo para efetivamente entrar na história.
 A morte de Deus não quer dizer que Ele não existe, mas se tornou imanente.

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