domingo, 22 de julho de 2012

O HOMEM MAIS INDESEJADO DO MUNDO


 O Homem Mais Indesejado do Mundo

Por David Wilkerson

            O homem mais indesejado do mundo está vivo hoje! Não está morto. Com efeito, ele está muito ativo em nossos dias. Ele tem até família aqui na cidade onde vivemos. Ainda outro dia passei horas com ele no preparo desta mensagem! Muitos de vocês também o conhecem. Sem dúvida, o homem mais indesejado do mundo é Jesus. Filho do Deus Vivo!
            Na Praça Vermelha, em Moscou, havia retratos gigantescos de Lênin, de Stálin, e de outros líderes comunistas — todos ornados de veludo vermelho. Outro retrato devia estar pendurado na Praça Vermelha: um retrato de Jesus Cristo — ornado com pano de saco preto — tendo por baixo estas palavras: "O Homem mais Indesejado na Rússia — Jesus!"
            Se você for à Inglaterra e visitar os salões do Parlamento ou as grandes catedrais, verá todos os retratos de reis e rainhas do passado. Alguns foram amados; outros, odiados. Mas lá também falta um retrato. Devia estar pendurado onde todos os ingleses pudessem vê-lo, um enorme retrato de Jesus, com a legenda: "O Homem mais Indesejado da Inglaterra!" Ou se você for ao Capitólio ou aos salões do Congresso em Washington, verá os retratos de todos os Presidentes dos EUA, e os monumentos erguidos em memória de Lincoln e de Washington. Devia haver um monumento especial edificado sem que nele houvesse nada, apenas um retrato de Jesus e estas palavras: "Este é o Verdadeiro Pai dos Estados Unidos! Ele os Plantou, Regou, e Prosperou! Contudo Hoje ele é o Homem mais Indesejado desta Sociedade!"
            Caminhemos um pouco mais e entremos nas bibliotecas e nas salas de aula de quase qualquer seminário nos Estados Unidos. Ouça o que dizem teólogos ímpios, que odeiam a Cristo — examine os livros da alta crítica, como se deleitam em defraudar e destruir a fé. Ou entre nas grandes catedrais e veja os vitrais com Jesus retratado em quase todos eles — depois ouça o assim chamado evangelho que aí se prega! Não é o verdadeiro Jesus que pregam, mas um outro. Por que não são honestos? Deviam colocar uma placa de bronze sob o Jesus retratado nos vidros coloridos, com esta legenda: "Indesejado!"
            Jesus nasceu judeu, mas os judeus não quiseram saber dele — nem o querem agora. "Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam" (João 1:11). Em todas as sinagogas estudava-se diligentemente acerca de sua vinda! Sacerdotes e escribas podiam citar Isaías 53. Pensavam que sabiam onde ele ia nascer e de que modo o reconheceriam. Diziam que viviam para o dia de sua vinda — da mesma forma como o judeu atual anda à procura do seu Messias. Leio a respeito dos complôs assassinos dos sacerdotes e dos dirigentes religiosos, e digo: "Como podem planejar assassinar a Cristo, ou mesmo a Lázaro, quando se mostram tão ciosos da Lei que diz: 'Não matarás'?" De onde poderia vir tal ódio a Jesus, senão diretamente do inferno? Como pode o judeu de hoje odiar tanto a Jesus? Ele é o Filho de Davi — ele amou a Israel — veio para cumprir todas as leis desse povo. Seu coração estava posto sobre Jerusalém. Ele próprio era judeu e profeta, como Moisés. Então por que os olhos deles se inflamam de ira e rejeição à simples menção do seu nome? É bem provável que Jesus não conseguiria nem visto para entrar em Israel na época atual! E talvez lhe fosse negada cidadania. Estampariam em seu passaporte: "Indesejado!" Na verdade, os seus não o receberam.
            Sabemos sem sombra de dúvida que o mundo secular não o deseja. Jesus é o cântico dos ébrios. Nos Estados Unidos, e no Ocidente em geral, o nome de Jesus é profanado. Ele não é objeto de maldição na Rússia ou na China (eles amaldiçoam seus ancestrais, seus deuses, e líderes caídos!). Mas os norte-americanos amaldiçoam a Cristo. Os soldados romanos o escarneceram colocando-lhe na cabeça uma coroa de espinhos. Agora nossas nações o escarnecem de forma mais sofisticada: os produtores cinematográficos, com o melhor talento que possuem, e com milhões de dólares, produzem filmes acerca de Jesus que constituem zombaria engenhosa — escarnecem de sua divindade e roubam-lhe a natureza divina.
            Na Broadway, certamente Jesus é o mais indesejado dentre todos os homens. La Cage aux Folies (título do filme que no Brasil foi exibido como A Gaiola das Loucas), com seu tema homossexual, era um desafio a Jesus com a mensagem que dizia: "Este é nosso território! Não queremos a sua interferência." A Igreja de Times Square, localizada bem no meio do trono de Satanás (na sede de seu quartel-general nacional!) é a maior ameaça ao reino dele que a Broadway já teve! O inferno está enraivecido porque o diabo sabe que uma multidão estará desejando correr para Jesus. Mesmo na região dos teatros, com a praga da AIDS e em meio a todo o caos, Jesus tem vindo à Broadway. Existe uma igreja agora, plantada por ele, com um povo cujo clamor é: "Nós o queremos! Receberemos Jesus!" Estamos dizendo à cidade de Nova York, aos traficantes de drogas, aos pornógrafos, aos produtores de filmes da Broadway, e às forças que governam: "Vocês podem não desejá-lo, mas não podem mantê-lo fora!" Como os anjos devem regozijar-se ao contemplar no meio da maior cidade dos Estados Unidos — no coração de seu crime e pecado, e de seu ódio á Jesus — centenas que agora se reúnem em nome do Senhor. Como eles devem exultar de alegria: "Eles desejam nosso Senhor! Eles o querem!"
            Até mesmo o "mundo religioso" não o quer. Creio que Jesus é o mais indesejado pelos lideres eclesiásticos apóstatas, corruptos, pelas organizações da igreja liberal, e pelo cristão contemporizador dominado pela luxaria. Há uma idolatria relacionada com Jesus na religião de nossos dias, tão real e tão terrível quanto à idolatria votada a Baal e a todos os demais ídolos do antigo Israel. Eles abandonaram o verdadeiro Jesus, a Cruz, o arrependimento, e a separação, e em sua imaginação esculpiram um Jesus diferente. O Jesus deles é igual a eles — desculpando seus pecados, nada tendo a apresentar senão palavras de fraternidade, de amor e de unidade. Colocaram o nome de Jesus numa imagem verdadeiramente corrupta e má, fabricada por eles mesmos. Não é o evangelho de Cristo e não é o verdadeiro Jesus. Empregam termos corretos, mas não adoram ao Jesus que conhecemos. Paulo fez uma advertência a respeito dos que "pregam outro Jesus... outro espírito.. . outro evangelho" (2 Coríntios 11:4).
            Não consigo citar uma única importante companhia "cristã", gravadora de discos, que deseje de fato Jesus. Elas se tornaram máquinas de fazer dinheiro do tipo Wall Street, usando o nome de Jesus como um artifício de vendas! Ficamos transtornados com a exibição de filmes como A Última Tentação de Cristo, que menospreza nosso Senhor; mas piores ainda são esses produtores de discos "cristãos" e casas publicadoras que lançam "rock" e "punk". São manipuladores, são os modernos mercadores do templo de Jerusalém, que Jesus repugnou. Com efeito, em tudo isso nada há de religioso. A música da Nova Era e a teologia humanística estão entrando de modo furtivo nas livrarias cristãs. Algumas dessas lojas estão-se tornando os maiores vendedores de lixo ímpio no Ocidente. Suas seções de discos saíram direto do inferno e a maioria dos livros são nada mais do que papel ordinário que nada dizem! Tudo é negócio. Não há por que queixar-nos dos negociantes judeus que auferem lucro usando o nome de Jesus por ocasião da Páscoa e do Natal. Os evangélicos lucram com o nome de Cristo durante 365 dias por ano! Jesus não é desejado por esses marreteiros. O que eles desejam é dinheiro! Graças a Deus existem algumas exceções; algumas livrarias que se recusam a contemporizar.
            Você diz: "Oh, mas graças a Deus por nossa igreja. Nós o queremos — não o temos feito indesejado. Temos recebido a Jesus de bom grado e o temos desejado de todo nosso coração!" Pense, porém, naquele terrível momento quando a maioria dos discípulos do Senhor desistiram e já não o seguiam por causa da dureza da Palavra. Jesus virou-se para seus discípulos, para os doze, e perguntou-lhes: "Não quereis vós também retirar-vos?" Não aquece o seu coração ouvir Pedro dizer: "Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna" (João 6:68)? Não obstante, na última hora, até mesmo os doze, "deixando-o, todos fugiram" (Marcos 14:50). Isaías disse: "Era desprezado, e o mais indigno entre os homens... como um de quem os homens escondiam o rosto... Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho" (Isaías 53:3, 6). O profeta emprega o pronome "nós". Nós o desprezamos. Nós o rejeitamos. Nós escondemos dele o nosso rosto. Nós todos nos desviamos pelo caminho. Pense nas multidões de apóstatas, naqueles que outrora caminharam com ele. Agora escondem-se dele e não querem estar na sua presença. Alguns dos que lêem estas palavras desviaram-se e seguiram seu próprio caminho. Rejeitaram a Jesus e ainda não o querem.
            Minha mensagem aqui é realmente acerca da rejeição que Jesus sofre por aqueles que mais alegam desejá-lo. Faça estas perguntas aos que mais se dizem cristãos: "Você deseja Jesus? Você sente que tem necessidade dele? Deseja conhecê-lo melhor?" Quase todos responderiam: "Sim, o desejamos de fato." Deixe-me esclarecer o que quero dizer por "desejar a Jesus". Falo de um desejo consumidor — de um anseio profundo em deixar que ele seja tudo para você. "No teu nome e na tua memória está o desejo da nossa alma. Com a minha alma te desejo de noite; com o meu espírito, que está dentro em mim, madrugo a buscar-te" (Isaías 26:8,9). O profeta está falando de um anseio e de uma fome de Deus — mesmo no meio da noite! Significa buscá-lo com um coração que chora, que suspira. "Desejo muito a sua sombra, e debaixo dela me assento; e o seu fruto é doce ao meu paladar... desfaleço de amor... O meu amado é meu, e eu sou dele... De noite busquei em minha cama aquele a quem ama a minha alma" (O Cântico dos Cânticos 2:3,5,16; 3:1). Isto, sim, é desejar a Jesus! Ele consome os pensamentos noite e dia. Ele se torna o verdadeiro significado da vida.
            Examinemos esta questão de amar a Jesus e esforçar-nos por descobrir o quanto realmente o desejamos.


Você não deseja a Jesus de modo verdadeiro se deseja alguém ou alguma outra coisa mais do que a ele!
            "Buscarás ao Senhor teu Deus, e o acharás, quando o buscares dè todo o teu coração e de toda a tua alma" (Deuteronômio 4:29). O inferno estará cheio de pessoas que estarão dizendo por toda a eternidade. "Mas de fato desejei a Jesus. No íntimo do meu coração, eu necessitei dele!" E não estarão mentindo; na realidade sentiram desejo de Jesus. Mas havia sempre alguém ou alguma outra coisa que eles desejaram mais. Será que você é obcecado por alguém ou por alguma coisa? Há algum tipo de coisa má que domina seu coração? Devemos saber que Jesus é ciumento na sua maneira de amar. Ele não permitirá que outro amor corrompa nosso amor por ele.
            A palavra que melhor descreve a cultura ocidental de nossos dias é "infidelidade". Ela tem corrompido até mesmo o ministério. Há um novo tipo de arranjo matrimonial hoje a que chamam de "casamento aberto". Os que o praticam casam-se, vivem juntos, estabelecem família. Cada um, porém, é livre para ter outros amantes, ter encontros amorosos e férias com quem quer que seja — depois voltam a reunir-se conforme preferem! Não é de admirar que a trapaça tenha-se tornado epidêmica!
            Um ministro amigo contou-me da agonia ao descobrir que sua esposa o estava traindo. Havia estranhas chamadas telefônicas e foram encontradas sensacionais cartas de amor endereçadas a ela, procedentes de outro homem. Depois vieram as mentiras, as escusas e as viagens da esposa que a mantinham fora do lar por vários dias cada vez. Finalmente um dia ela entrou no escritório do marido e disse: "Não quero mais saber de você. Quero o divórcio. Estou apaixonada por outro homem da igreja. Não quero saber de ministério — respeito você e o amarei a meu modo — mas estou partindo!" Ele ficou chocado, e passados já dois anos, ainda não se recuperou da perda. Neste preciso momento, alguns dos que lêem estas linhas podem estar enredados na mesma teia de infidelidade. Você pode estar envolvido com alguém no emprego, ou na igreja, ou com um amigo da família — e seu coração se acha dividido. Você quer livrar-se de seu casamento.
            Jesus sabe o que é ser traído! Ele tem sido paciente e longânimo, enquanto através da história sua amada Israel tem-lhe sido infiel, cometendo adultério espiritual repetida vezes. O coração de Jesus anseia por uma noiva fiel. Ele anseia por um povo que tenha olhos apenas para ele — sem nenhum outro amor de permeio. Que é que traz alegria a uma esposa ou a um esposo? É a fidelidade — a capacidade de ambos em olhar direto no olho um do outro e ver confiança. Não há mentiras! Não há segredos! Não há situações estranhas! Assim tem de ser nosso relacionamento com Jesus. "Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede o de rubis. O coração do seu marido confia nela, e a ela não falta riquezas" (Provérbios 31:10-11). Pode Jesus olhar dentro do nosso coração e confiar com segurança?
            Conheço uma irmandade evangélica que passa horas e horas simplesmente "amando a Jesus". Elas se arrependem pela infidelidade da noiva trapaceira de Cristo. Elas tentam encher o coração dorido do Mestre — preencher a falta de amor — elas falam da "mágoa dele". Quão verdadeiro é que Jesus deva sofrer quando hoje tão poucos o amam com todo o seu ser! Meu coração se parte, e através de lágrimas oro: "Oh, Jesus! Quão infiel tenho sido a ti no decorrer dos anos! Quantas vezes as coisas deste mundo me tomaram o coração! Tenho andado à caça de automóveis, de objetos antigos, de esportes. Tenho amado os louvores dos homens, desejado coisas, e dado meu tempo a essas outras preocupações." A Palavra de Deus diz: "Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele" (1 João 2:15).
            Jesus fez uma perturbadora pergunta: "Quando, porém, vier o Filho do homem, achará fé na terra?" (Lucas 18:8). No grego, a palavra "fé" significa "dependência de", e "fidelidade a". A ele! Ele profetizou um grande enfraquecimento; que até mesmo seus eleitos seriam tentados a esquecê-lo. Por isso muitos caem e correm atrás deste mundo em luxúria e prazer. Meu clamor é: "Oh, Senhor, atrai-me para ti. Permita que eu seja aquele em quem podes confiar. Que eu te ame sem reservas. Dá-me por ti um amor puro, santo, sem mistura!"



Como você pode dizer que o deseja, e no entanto passa tão pouco tempo na companhia dele?
            Por que foi que Jesus disse: "Mas tu, quando orares, entra no teu aposento, e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto. E teu Pai, que vê secretamente, te recompensará" (Mateus 6:6). É porque o Senhor deseja intimidade. Ele quer estar fechado a sós com o amor do seu coração! Temos tantos que oram, que nunca perdem uma reunião de oração. Vão a qualquer reunião nos lares — e por certo é bíblico que dois ou três concordem na oração. Mas virá um puxão do Senhor acompanhado de um sussurro: "Venha sozinho — feche a porta — sejamos apenas nós dois." Oração em secreto, privada, é a coisa mais íntima que se pode partilhar com o Senhor. Se você não tiver este tipo de relacionamento, em realidade não conhecerá a Jesus.
            Sem intimidade com Jesus, mesmo as suas boas obras podem tornar-se más. "Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade!" (Mateus 7:22-23). Ora, qualquer de nós que profetize, que expulse demônios, como tenho feito, é melhor que não diga: "Isto não se destina a mim!" Que é que Jesus diz? O segredo é: "Nunca vos conheci." Não tem havido intimidade; pessoas podem estar fazendo muita coisa em seu nome, sem na verdade conhecê-lo. Isto quer dizer que podemos envolver-nos de tal maneira fazendo o bem, organizando programas, auxiliando pessoas, mas perdemos o contato com Jesus. Mesmo fazendo coisas em nome de Jesus, elas se tornam infrutíferas porque são feitas centradas no eu.
            Quando passamos tempo a sós com ele, é para o nosso máximo benefício — raramente para o dele. Alguma vez pensamos nas necessidades do Senhor? Jesus se fez homem, sentindo as mesmas necessidades humanas, incluindo a necessidade de amizade e amor. Ele sentia a rejeição como nós a sentimos, jamais colocou de lado sua humanidade. Jesus é ao mesmo tempo Deus e homem. Ser tocado pelo sentimento de nossas enfermidades significa que ele ainda experimenta as dores e as necessidades do homem. Recentemente pensei: "Senhor, enquanto estiveste na terra, alguma vez perguntaste: Alguém me ama simplesmente pelo que sou — como Jesus, homem?" Lembre das multidões que o comprimiam de todos os lados, clamando por ajuda, por misericórdia, por visão, por cura, por alimento, por sinais e maravilhas. Ele as via como ovelhas que não têm pastor; ouviu-lhes o clamor e choro. Mas tão poucos vieram sem nada pedir — apenas para amá-lo!
Houve uma mulher pecadora, perdida, que foi apenas para oferecer-lhe alguma coisa:
           
            "Certa mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento, e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas. Então os enxugava com os próprios cabelos, beijava-os e os ungia com o ungüento... Então voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; esta, porém, regou com lágrimas os meus pés, e os enxugou com os seus cabelos. Não me deste ósculo, mas ela, desde que entrou, não cessou de me beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com ungüento" (Lucas 7:37-38, 44-46).

            Alguma vez você já lavou os pés de Jesus com suas lágrimas'? Já se aproximou dele sem nada pedir para você mesmo, para o seu ministério, ou para a sua família — mas simplesmente para derramar sobre ele um presente de incenso, um vaso de alabastro de amor e adoração? Ouça o clamor do coração do Mestre: "Não me deste nenhum beijo! Não me deste água para meus pés cansados! Ela, porém, fez isto — para mim!" No capítulo 26 do Evangelho de Mateus, outra mulher aproximou-se de Jesus e despejou perfume sobre sua cabeça enquanto ele comia. Os discípulos viram este gesto e disseram com indignação: "Para que este desperdício? Este perfume podia ser vendido por muito dinheiro, e dar-se aos pobres" (versículos 8-9). Somos iguais a esses discípulos: pensamos que é desperdício de tempo estar a sós, atendendo às necessidades de Jesus, quando há tantos pobres, tanta gente sofredora, que necessita de nosso tempo e pedidos de oração. Jesus disse: "Por que afligis esta mulher? Ela praticou uma boa ação para comigo. Sempre tereis convosco os pobres, mas a mim não me haveis de ter sempre" (versículos 10-11).
            Seus próprios discípulos não puderam perseverar com ele em sua hora de necessidade - nem mesmo uma hora! Ele lhes havia dito: "A minha alma está cheia de tristeza até à morte. Ficai aqui e velai comigo" (versículo 38). O que na realidade ele lhes estava dizendo era: "Estou sofrendo! Preciso de vocês agora! Esta é minha hora; desejo seu amor e apoio!" Mas ele os encontrou dormindo: "Então, nem uma hora pudestes vigiar comigo?" Tudo o que ele pedia era uma hora — uma hora concentrada na sua necessidade — uma hora de amor da parte deles quando ele estava sofrendo! Hoje dizemos para nós mesmos: "Ele é Deus! Ele não tem necessidades — ele não sofre — ele já não chora. Que me é possível dar-lhe?" Se ele não tem necessidades agora — se ele é apenas um Deus insensível que vive fora do nosso mundo — então por que ainda está à porta e bate? Por que ele ainda tem necessidade de entrar e cear conosco? (Veja Apocalipse 3:20). Por que ele ainda diz a Pedro, três vezes, depois de sua ressurreição: "Amas-me?" É evidente que ele ainda necessita ser amado! "Afrontas me quebrantaram o coração, e me deixaram desfalecido; esperei por alguém que tivesse compaixão, mas não houve nenhum, por consoladores, mas não os achei" (Salmo 69:20).


Não podemos amá-lo de modo verdadeiro até que lhe permitamos ser tudo o que ele prometeu ser!
            Eu estava diante de um altar, faz alguns anos, ao lado de Gwen, e ouvi meu pai (que era o pastor) perguntar a ela: "Aceita a David como seu legítimo esposo?" Permutamos votos, cada um de nós dizendo: "Aceito." Gwen tem-me amado de muitos modos diferentes, mas o melhor de todos é quando ela permite que eu seja o homem da casa. Levou algum tempo para que ela se colocasse de lado e deixasse que eu fizesse as coisas que compete "ao marido" fazer — em especial tendo em vista a minha pouca habilidade! Mas ela aprendeu, de maneira diplomática, a incentivar-me a desempenhar este papel. A intenção de Deus é que b esposo e a esposa espelhem o relacionamento dele conosco, sua noiva: "Porque o teu Criador é o teu marido" (Isaías 54:5). Somos como noiva adornada para seu esposo (Apocalipse 21:2). Mas Jesus não é como qualquer marido terreno. Quando ele diz "aceito", ele tem o poder e toda a glória para vê-lo realizado!
            Podemos encontrar os votos de nosso Senhor aos seus amados por toda a sua Palavra. Nosso amor a ele apropria-se da Palavra, descansa nela, e deixa Jesus ser Deus para nós. Mostramos aqui alguns votos que ele fez a todos quantos empenharam seu amor e fidelidade a ele: "eu vos carregarei, pois, vos guardarei" (Isaías 46:4). "Pode uma mulher esquecer-se do filho... Mas ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, não me esquecerei de ti" (Isaías 49:15). "(Deus) rico em perdoar" (Isaías 55:7); "o sararei, e lhe tornarei a dar consolo" (Isaías 57:18); "antes que clamem, eu responderei; estando eles ainda falando, eu os ouvirei" (Isaías 65:24). "De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei" (He-breus 13:5).
            Jesus é nossa justiça, nossa saúde, nosso livramento, nossa rocha de salvação, nosso pão de cada dia, nosso consolo, nosso provedor, nosso braço forte, nossa defesa, nossa luz, nossa alegria, nossa paz
 — nosso tudo na hora de necessidade! Deixe-o ser Deus para você
 — creia em cada voto e descanse nele. Não se aflija e não tente fazer as coisas você mesmo. Prove a Deus que você confiará no seu poder!
            A melhor maneira de amar a Jesus é deixar que ele seja tudo para você. Creia e descanse em suas promessas de guardá-lo, de suprir as suas necessidades, de estar ligado em você nos altos e baixos de sua vida, e de nunca o deixar nem o abandonar. Amá-lo é deixar que ele seja verdadeiramente Senhor para você!

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