segunda-feira, 23 de julho de 2012

ORIGEM DA HOMILÉTICA E DA RETÓRICA



A homilética propriamente dita, nasceu muito cedo na história humana, embora não como termo designativo homiletikos (arte de pregar sermão) e homilia (arte de falar elegantemente na oratória eclesiástica), mas como oratória pictográfica (sistema primitivo de escrita no qual as idéias são expressas por meio de desenhos das coisas ou figuras simbólicas).
Ela surgiu na Mesopotâmia há mais de 3000 anos a.C., para auxiliar à necessidade que os sacerdotes tinham de prestar contas dos recebimentos e gastos às corporações a que pertenciam e faziam suas prédicas em defesa da existência miraculosa dos deuses do paganismo.
O sistema sumeriano viria a ser o protótipo (primeiro tipo ou exemplo) de outros importantes sistemas de escrita, como o egípcio, por exemplo.
a)  Como termo designativo
Entretanto, homilética como termo designativo com suas técnicas, sistematização e adaptação às habilidades humanas, nasceu entre os gregos com o nome de retórica. Depois foi adaptada no mundo romano com o nome de oratória, e, finalmente, para o mundo religioso com o nome de homilética.
•    A retórica e a oratória tomaram-se sinônimos para identificar o discurso persuasivo (profano).
•    A homilética, entretanto, passou a identificar o discurso sacro (religioso).
b)  A partir dó IV Século d.C.
A partir desta época os pregadores cristãos começaram a estruturar suas mensagens, seguindo as técnicas da retórica grega e da oratória romana. Com efeito, porém, desde o primeiro século da Era Cristã, esta influência estrutural da homilética já começava a ser sentida no seio do Cristianismo. Não é de se surpreender, portanto, que a maioria dos teólogos cristãos primitivos compunha- se dos que aceitavam as teorias gregas e romanas, pois muitos deles eram filósofos neoplatônicos convertidos ao Cristianismo ou estavam sob a influência dessas idéias (conforme foi o caso de Justino Mártir, de Clemente de Alexandria, de Orígenes, de Agostinho, de Ambrósio e muitos outros).
 RETÓRICA
1. Noção e definição
O vocábulo retórica (do grego, "rhetor", - orador numa assembléia) tem sido interpretado como a arte de falar bem ou arte de oratória, isto é, a arte de usar todos os meios e recursos da linguagem com o objetivo de provocar determinado efeito nos ouvintes.
Os gregos sofistas a dividiam em três grupos:
•   Política
•   Forense
•   Epidítica (demonstrativa).
Tratando não somente do estilo, mas também do assunto, da estrutura e dos métodos de elocução em cada caso, os gregos combinavam a técnica dos sofismas com a concepção platônica e aristotélica de que a arte da oratória deve estar a serviço da verdade. A retórica ensinada na Grécia antiga pelos sofistas, fundamentada em princípios disciplinares de conduta, teve origem na Sicília, no V século a.C., através do siracusano Córax e seu discípulo Tísias.
Tísias tornou-se o discípulo mais famoso de Córax.
Quando Córax lhe cobrou as aulas ministradas, Tísias recusou a pagar, alegando que, se fora bem instruído pelo mestre, estava apto a convencê-lo de não cobrar, e, se este não ficasse convencido, era porque o discípulo ainda não estava devidamente preparado, fato que o desobrigava de qualquer pagamento.
O resultado é que Tísias ganhou a questão.
a) As regras do discurso
Córax formulou uma série de regras para dividir o discurso em cinco partes:
•   Proêmio (prólogo)
•   Narração
•   Argumentação
•  Observações adicionais
•  Peroração (epílogo).
As regras estabelecidas por Córax tinham por finalidade orientar os advogados que se propunham a defender as causas das pessoas que desejavam reaver seus bens e propriedades tomados pelos tiranos. Os sofistas foram os primeiros a dominar com facilidade a palavra modulada nestes princípios; entre os objetivos que possuíam, visando a uma completa formação, três eram procurados com maior intensidade: adestrarem-se para julgar, falar e agir. Seu aprendizado na arte de falar consistia em fazer leituras em público, comentários sobre poetas famosos, improvisar e promover debates.
A partir daí, a palavra retórica passou a ser usada no campo da comunicação para descrever o discurso persuasivo, quer escrito ou falado.
b)  As qualidades exigidas
Os oradores sofistas, entre eles, Górgias, Isócrates (que viveu de 436 a 338 a.C., e implantou a disciplina da retórica no currículo escolar dos estudantes atenienses) e muitos outros, exigiam várias habilidades dos oradores. Entre todas, quinze são consideradas imprescindíveis: memória, habilidade, inspiração, criatividade, entusiasmo, determinação, observação, teatralização, síntese, ritmo, voz, vocabulário, expressão corporal, naturalidade e conhecimento.
Filósofos destacados como Platão (430-347 a.C.), Aristóteles (382-322 a.C.) e Cícero (106-44 a.C.) deram muita atenção aos princípios a serem seguidos por quem desejasse levar os homens a crerem e agirem.
Paulo, pelo que parece, observou que estes princípios retóricos levaram alguns oradores cristãos aos extremos, firmando-se apenas em "...sublimidade de palavras ou de sabedoria..." (1 Co 2.1). Era esta a época em que os "...gregos buscavam sabedoria".
c)  O retor
O retor, entre os gregos, era o orador de uma assembléia. Entre nós, entretanto, a palavra rhetro veio a ter o significado pomposo de mestre de oratória. O objetivo do retor (orador retórico) era, através de seu discurso laureado, o de persuadir os sentimentos nas discussões e nas deliberações sobre os problemas na democracia grega.
As reuniões eram processadas nas praças ou no Areópago. Logo se percebeu que os cidadãos falantes, de fácil verbo, se expressavam mais adequadamente, dominavam a situação, sentiam- se sempre vitoriosos, tornavam-se admirados pelas multidões e galgavam os melhores postos na comunidade. Não demorou para que todo o mundo desejasse conquistar os segredos dessa nova arte.

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