terça-feira, 18 de setembro de 2012




No reinado desses dois príncipes, a Igre­ja sofreu uma quarta perseguição, na qual muitos fiéis sofreram o martírio, entrando no número os mártires de Lião, tão famosa na história eclesiástica como nas nossas lendas.
Alguns anos depois da morte de Vero, Antonino foi envenenado pelos médicos que tinham executado as ordens de Cômo­do, seu filho.
Lúcio Cômodo Antonino ocupou o tro­no depois daquele parricídio; os historiadores dizem-nos que era o mais formoso e o mais cruel de todos os homens. Tinha o corpo bem-proporcionado, o aspecto majestoso, os olhos meigos e cheios de fogo, os cabelos espessos, de um louro dourado. Os romanos sustentavam que ele era filho de Faustina e de um gladiador.
Esse monstro ocultava, sob aparências sedutoras, a mais espantosa crueldade. Na idade de 12 anos, mandou deitar, em uma fornalha ardente, o mestre dos banhos pú­blicos por lhe ter servido a água muito quen­te. Proclamado imperador ordenou que lhe conferissem em vida as honras divinas. Os seus palácios encerravam 300 rapazes e 300 moças destinados às suas vergonhosas vo­luptuosidades.
No seu reinado, os dácios, os panônios, os germanos e os povos da Grã-Bretanha foram dominados pelos seus generais, e, enquanto os povos se degolavam pela gló­ria do soberano, Cômodo excedia as cruel­dades de Domiciano e de Calí gula e do pró­prio Nero, nos deboches infames.
Os mais fiéis ministros do último reina­do foram massacrados por sua ordem, e os senadores mais venerandos tornaram-se suas vítimas. Condenou a ser lançado às feras no circo um desgraçado que era acu­sado de ter lido a vida de Calígula escrita por Suetônio. Nos seus passeios, quando en­contrava alguns cidadãos de ventre proe­minente, mandava-os rasgar ao meio de um só golpe e comprazia-se vendo as entranhas saírem por aquela chaga aberta: o que faz dizer um dos nossos mais ilustres escritores que os cônegos dos nossos dias, tão gordos e anafados, não evitariam a morte, no tem­po de um tal príncipe, senão observando rigorosamente os jejuns prescritos pelas suas regras.
Esse imperador cruel não poupou nem sua mulher Chispina nem sua irmã Lucila; só os cristãos gozaram de algum repouso no tempo do seu governo. Nas suas orgias, Cômodo, vestido com traje de mulher, man­dava buscar gladiadores, que degolava sem novidade, e sobre os seus cadáveres entre­gava-se com os seus cortesãos às mais abo­mináveis voluptuosidades. Dotado de uma força hercúlea, combateu ele próprio, no an­fiteatro, setecentas e trinta e cinco vezes; colheu nesses combates mais de mil pal­mas e gabava-se de ter matado 12 mil ho­mens com a mão esquerda. Finalmente, de­pois de um reinado muito longo, Márcia, a primeira das suas concubinas, serviu-lhe uma beberagem envenenada, e, como ele vomitava o veneno que bebera, mandou-a sufocar por um atleta chamado Narciso.
Depois da morte do infame Cômodo, o senado escolheu como o mais digno do império Públio Hélvio Pertinax, saído da classe dos plebeus. O novo imperador con­centrou todos os seus cuidados em manter os privilégios do senado;
Fonte: Os Crimes dos Papas, Maurice Lachatre, Ed. Madras.Pág.111 
Foi esse o louco imperador retratado no filme Gladiador por Joaquim Phoenix.
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Posted by Adilson Benevides on terça-feira, setembro 18, 2012  No comments »

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